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Aydınlanma Felsefesini Hazırlayan

As FA são parte estruturante do Estado são-tomense e como tal o seu valor deve ser reconhecido por todos os cidadãos. No âmbito da sua intervenção na SI achamos por bem elencar algumas áreas onde os militares podem desempenhar missões de SI em consonância com os princípios que já apresentamos ao longo do nosso estudo. Seguindo Borges (2013), destacamos algumas capacidades militares que podem ser uma mais-valia na cooperação entre FA e as FSS a saber: a defesa antiaérea, área Nuclear, Radiológico, Biológico e Químico (NBQR), inativação de engenhos explosivos, ciberdefesa, engenharia, vigilância marinha e do espaço aéreo, operações especiais, entre outras.

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III.4.1. Domínio da Ordem, Segurança e Tranquilidade Pública em Geral

Entendemos que a área da ordem, segurança e tranquilidade pública é da inteira responsabilidade da FS, neste caso em concreto da PN, a única força de segurança no país dotada de capacidade e legitimidade para recorrer aos meios coercivos se necessário for. A ordem pública em todas as suas vertentes (manutenção e reposição da ordem pública) implica por parte da Polícia o cumprimento de certos princípios daí que nos parece que a intervenção dos militares não é bem-encarada. Aliás, como refere (Oliveira, 2015, p. 205) o Estado de direito democrático no âmbito da manutenção da ordem e segurança deve procurar um equilíbrio com os direitos consagrados constitucionalmente. Pois, o “emprego, [das

Forças Armadas] em território nacional (…) em atividades que tenham um potencial de

conflito, para além dos efeitos colaterais que poderá ter o uso inadequado da força, poderá minar a necessária relação que deve existir entre as Forças Armadas e a população do seu

país” (Simões, 2010, p. 27).

Em última análise e, em caso de uma situação de desordem social estando em causa a própria essência do Estado democrático admite-se a intervenção de outros poderes públicos (Djata, 2016, p. 38). Neste caso, estariam reunidos os pressupostos para ser decretado o estado de exceção uma vez que, a força de segurança (instituição do Estado) com competências originárias para garantir a ordem, a segurança e tranquilidade pública não consegue controlar a situação, ou seja, já não existe a normalidade democrática.

Conforme entrevista a Kiakisiki48, STP “é um país com parcos recursos e temos que saber aproveitar e racionar os meios que temos a nossa disposição”. O mesmo Autor defende a intervenção dos militares na SI, mas refere que os mesmos devem ser alvo de uma formação de base e contínua e é preciso que esta ação seja devidamente regulamentada cabendo a Polícia Nacional supervisionar as ações.

III.4.2. Domínio da Prevenção e Investigação Criminal

A prevenção e investigação criminal é uma área muito complexa que deve ser desenvolvida por pessoa que possua as capacidades para o efeito. Ao contrário do que acontece com Portugal, o país não tem uma Lei de Organização de Investigação Criminal (LOIC), mas a inexistência da referida lei não implica necessariamente que as FSS não desenvolvam esta atividade. Pois, a prevenção e investigação criminal é prosseguida pela

50 Polícia de Investigação Criminal (PIC), que funciona na dependência direta do Ministério da Justiça e coadjuva as autoridades judiciárias na investigação; desenvolve e promove as ações de prevenção e investigação dos crimes da sua competência e os que lhe forem cometidos pelas autoridades judiciárias de acordo com o artigo 2.º da Lei n.º 2/2008, de 16 de maio, que aprova a Lei Orgânica da Polícia de Investigação Criminal (LOPIC).

A Polícia Nacional também tem competência para desenvolver a prevenção e investigação criminal como se retira da sua LOPN. Assim, cabe a PN prevenir a prática de todos os atos ou comportamentos contrários à lei e prevenir a criminalidade, em coordenação com os Serviços de Segurança (n.º 3 do artigo 2.º da LOPNSTP). As leis orgânicas e/ou de funcionamento dos diversos órgãos de polícia criminal com competências específicas também consagram os quais os Serviços de Segurança possuem competências de investigação criminal.

Atendendo à realidade do país, no âmbito da prevenção e investigação criminal no espaço marítimo achamos ser viável a colaboração numa perspetiva de apoio e cooperação (disponibilização de meios e dos seus operadores) entre a Guarda Costeira e as FSS, uma vez que estas últimas não possuem meios logísticos adequados para atuarem no meio marítimo.

III.4.3. Domínio da Segurança a Grandes Eventos

Os grandes eventos como o próprio nome indica são acontecimentos que envolvem por si só uma logística bem apurada e que permita prevenir todos os atos que possam perigar a vida e integridade física das entidades e a população em geral. Eventos como a visita do Papa, dos Chefes de Estados e dos Governos da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP), Chefes de Estados da África Central, altas entidades estrangeiras e eventos desportivos são eventos que movem multidões sendo classificados como sendo de risco elevado.

Neste domínio a tarefa das:

“FSS impõe uma colaboração próxima e acentuada de aproveitamento das

capacidades das FA, tendo em vista a prevenção e neutralização de ameaças, como complemento das FSS, designadamente utilização de meios navais para vigilância e restrição de circulação no espaço marítimo [através da Guarda Costeira], vigilância e restrições de espaço aéreo e utilização de valência antiaérea e de operações especiais, em complemento

51 No entanto, tratando-se de um evento que pela sua natureza envolve grande

multiplicidade de FSS, entendemos ser crucial a “criação de um mecanismo de coordenação

do emprego do pessoal e dos meios das diversas corporações que nela atuam” (Ibidem).

III.4.4. Domínio da vigilância do Espaço Marítimo e Aéreo

Neste domínio, parece haver uma maior aceitação pela intervenção das FA na SI. Do nosso ponto de vista, deve existir uma colaboração institucional forte visto que são áreas de confluência da segurança externa e a segurança interna. Ainda assim, a intervenção das FA surge em complemento às FSS e carece da solicitação por parte das mesmas como refere Cravid49.

Pois, nos tempos atuais com a “internalização das ameaças e dos riscos” nenhum Estado ou organização por si só consegue combater as novas ameaças transnacionais, pois,

como refere Ramalho “reconhece-se a indispensabilidade da atuação supletiva das Forças

Armadas em muitas situações de carácter interno [na segurança interna], onde as Forças de Segurança não dispõem de capacidades adequadas ou se revelam insuficientes” (2011, p. 110).

Contudo, é preciso que esta intervenção se faça numa ótica de apoio e de subsidiariedade e nunca de sobreposição porque a Constituição e as demais leis não o permitem.

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