Belgesel Sinema ve Yusuf Yeşilöz’ün Belgesel Filmleri 4.1 Belgesel Sinemaya Tarihsel ve Kuramsal Bir Bakış
4.2. Avrupa Göçmen Sineması ve Göçmen Bir Yönetmen: Yusuf Yeşilöz
O termo didática, por si, pode nos render diversas interpretações, principalmente, se nos deixarmos levar pelo senso comum, por nossas lembranças de infância e nos remetermos (nesse caso, equivocadamente) à “didática” como disciplina específica que ensina como executar alguma atividade pedagógica. No cotidiano, também pelo senso comum, é frequente ouvirmos afirmações referentes à “falta de didática de um professor” ou mesmo que uma reportagem na TV explicou didaticamente como um determinado acontecimento do cotidiano se desenrolou. Assim, pensamos imediatamente que didática se resumiria na capacidade que um indivíduo tem de esclarecer bem aquilo que ele se propôs a explicar. Nesse caso, didática se confundiria ainda com boa comunicação, com o ato de transmitir, de maneira inteligível, àquele que está ouvindo, fazendo com que o expectador consiga apreender a informação ou a técnica que está sendo transmitida.
Essas concepções simplistas e reducionistas não podem estar presentes quando buscamos entender o que seria a Didática da História. A Didática da História, enquanto disciplina específica que trata da aprendizagem histórica e assim, do ensino de História, não seria uma disciplina capaz de nos oferecer ferramentas para o exercício prático docente, ou seja, do “como devemos ministrar uma aula”. Caso assim fosse, seriamos levados imediatamente a acreditar que a Didática da História se consistiria em uma forma de transportar o conhecimento histórico produzido nas universidades e aprendido pelos profissionais em formação, que serão os futuros professores de história para o ambiente das escolas de educação básica. Essa perspectiva é errônea, no sentido de que a Didática da História vai muito além da metodologia do ensino, sendo esta uma disciplina que:
Para a maioria das pessoas, [...] continua sendo aquela disciplina que investiga a disciplina “História”, analisa-a criticamente e propõe reflexões sobre a mesma como instituição social. Depois de sua mudança pragmática nos anos 60 e 70, todavia, a Didática da História não é mais apenas metodologia e prática de ensino de História. A moderna Didática da História, antes de se dedicar às questões práticas do ensino da História, preocupa-se com a necessidade, os objetivos e as funções do ensino da História. (BERGMANN, 1989/1990, p. 36).
A Didática da História também pode ser (equivocadamente) percebida por alguns como sendo a disciplina responsável por transpor os conhecimentos produzidos na academia para o espaço da escola. Esse reducionismo aplicado a essa disciplina encontra outros questionamentos que também estão presentes nas discussões sobre o afastamento das produções acadêmicas com o ensino escolar, já que, por vezes, a produção acadêmica parece não chegar mesmo ao ensino escolar de história, ficando circunscrito ao espaço das universidades, conduzindo ao entendimento de que a produção realizada por essa instância do conhecimento só interessa aos que estão inscritos nesse meio, portanto, esse conhecimento, a linguagem construída nesse ambiente, não chegaria à sociedade, sendo necessária a realização de uma adaptação às linguagens e ao público alvo.
Afora esses reducionismos a Didática da História, também pode ser vista como um caminho para se entender o ensino escolar de História, sendo este também um dos únicos meios de produção do conhecimento histórico, o que relegaria a uma posição de pouca ou quase nenhuma importância às informações adquiridas pelos estudantes por caminhos extraescolares presentes em seu cotidiano. A Didática da História poderia ser considerada, também, uma área de produção de conhecimento que estaria distante da Ciência Histórica,
pertencendo a uma Didática geral e à Pedagogia, enquanto instrumentos definidores e norteadores do como se deve ensinar História. Por fim, a Didática da História não seria dotada de um caráter científico, sendo apresentada apenas como uma área de formação para os historiadores (SADDI, 2012, p. 212).
Todos os reducionismos e simplificações supracitados afastam a Didática da História de uma reflexão teórica profunda, que tem suas bases na Ciência Histórica e em sua própria teoria, além disso, o que se ensina e o que se espera que seja aprendido nas escolas passa a ser um fator menos importante. A técnica, na perspectiva desses reducionismos, resolveria os problemas ligados ao desenvolvimento do conhecimento histórico entre os estudantes, mas, possivelmente, não resolveria o problema da consciência histórica que está sendo desenvolvida junto a esses mesmos alunos a partir do ato de ensinar História. Faz-se obrigação, por parte do ensino de história, desenvolver, junto aos alunos, mecanismos que busquem alcançar bons patamares de consciência histórica, em que a orientação temporal e espacial destes alunos possibilitaria a formação de um pensamento histórico que pudesse desenvolver e consolidar suas identidades a partir de suas experiências na sociedade, “é através da análise da consciência histórica e das funções que ela cumpre que [...] a didática da história pode trazer novos insights para o papel do conhecimento histórico e seu crescimento na vida prática” (RÜSEN, 2006, p. 15).
Além de empírica, a Didática da História reflete sobre qual o significado geral da consciência histórica para a vida em sociedade, nos seus aspectos políticos, culturais e sociais, bem como procura entender as relações práticas do seu tempo, a partir dos preceitos da Ciência Histórica. Normativamente, a Didática da História se preocupa como essa formação intencional, a partir do ensino de história, mas também por outros meios que cotidianamente representam e expressam a História para a sociedade, como os jornais, as novelas, as músicas, o cinema. Além dessas preocupações, a Didática da História investiga os pressupostos ligados às metas e condições da aprendizagem histórica, além de abarcar as técnicas e materiais de ensino que são utilizados para a condução do desenvolvimento da consciência histórica dos alunos e professores (BERGMANN, 1989/1990, p. 30-31).
Compreendemos, portanto, que o ensino de história é uma das atribuições da Didática da Histórica, um de seus interesses, já que esta é uma disciplina que tem por objeto a aprendizagem histórica. As preocupações da Didática da História não se reduzem ao ensino da História, pois, a aprendizagem histórica não se reduz ao espaço escolar, mas também à vida pública (e prática) dos sujeitos e aos seus meios de informação, bem como se preocupa com os usos feitos da própria Ciência Histórica. Esta é uma disciplina que possibilita a
ampliação das pesquisas em ensino de História, o que permite o entendimento do que se tem feito e do que se pode mudar para que se chegue ao desenvolvimento de bons patamares de consciência histórica junto aos sujeitos, fazendo-os se compreenderem, no presente, a partir das experiências adquiridas com o passado e assim terem perspectivas de futuro, já que a História é uma ciência que se transforma pela ação e interesses dos sujeitos na sociedade.
A Didática da História constitui-se, também, enquanto um campo de autorreflexão do conhecimento produzido pelos historiadores que podem passar a refletir sobre os pressupostos didáticos da sua própria práxis, bem como sobre os interesses que permeiam as investigações da pesquisa histórica, se estão alinhados com as carências vindas da sociedade e se a relevância dessas pesquisas pode ser considerada satisfatória para as respostas que voltarão para as sociedades.