Kültürel Kimlikler ve Kültürlerarasılık Tartışmaları 2.1 Kültür Kavramı ve Kültürel Kimliklerin Oluşumu:
2.3. Çokkültürlülük – Kültürlerarasılık Tartışmaları
A escola tem sido fonte de debates acalorados onde se destacam, por muitas vezes, os problemas e dificuldades encontradas no dia a dia dos profissionais envolvidos nessa instituição. Elementos como a falta de infraestrutura das escolas, os baixos salários dos professores, a indisciplina dos alunos, a ação insatisfatória das instâncias governamentais que estão no poder figuram entre os principais temas em debate. Porém, indo para além das críticas advindas do senso comum, que na boa parte das vezes são pertinentes, observamos, também, que o imaginário popular acerca do espaço escolar tende a perceber a escola como um local de possibilidades de ascensão social e intelectual. A escola seria, nesse sentido, parte integrante de um espaço onde as pessoas depositam expectativas de um futuro promissor, de um bom emprego, de uma estabilidade de vida financeira e também intelectual.
Existem muitas explicações para que esperanças e expectativas advindas da coletividade social costumem ser depositadas na instituição escolar. No caso do Brasil, por sermos uma sociedade capitalista e ocidental, as abordagens dadas à escola nas propagandas governamentais e políticas estão intimamente ligadas ao acesso ao trabalho e a uma renda que permita ascensão social. É através da instituição escolar, desde sua base na educação infantil, até o ensino superior, que constituem as formações profissionais a partir das quais os sujeitos pensam e delineiam o seu futuro, no tocante a trabalho e desenvolvimento pessoal. Assim, é atribuído à instituição escolar o poder de contribuir para formação e desenvolvimento cultural e econômico de um povo.
Na sociedade contemporânea, marcada por uma pluralidade de sujeitos e ações, é importante e necessário que a escola, bem como os elementos constituintes do espaço escolar, esteja para além do disciplinamento, dos papéis meramente normativos, das relações
relativamente passivas e cristalizadas entre os indivíduos. Apesar de a escola ser tomada como um lócus “produtor de cultura” para uma determinada sociedade, “em nenhum momento uma unidade particular de ensino, por mais autônoma, marginal ou nova que seja, pode evitar o problema da sua relação com os poderes existentes” (CERTEAU, 1995, p.37). Formado, entre outros fatores, a partir de interesses e disputas, o espaço escolar se confirma enquanto um elemento importante na construção das identidades dos sujeitos, mas também precisa ser compreendido e analisando a partir das transformações que as sociedades contemporâneas vêm passando ao logo das últimas décadas.
Teorias de bases educacionais vêm reformulando a ação dos sujeitos nesse espaço. Espera-se que os processos escolares de construção de conhecimento constituam-se a partir de relações e ações dialógicas, onde as partes envolvidas aprendam e construam conhecimento.
Entendemos, portanto, que o espaço escolar deva ser um espaço dinâmico, composto por incessantes e diferentes tipos de relações. Essas relações envolverão poderes, aprendizagem, construção de identidades, desenvolvimento de conhecimentos, que continuarão se propagando ao longo dos séculos, por relações existentes entre os sujeitos que o compõem.
De acordo com o que foi discutido até o momento, percebemos que o espaço escolar engloba, na sua constituição, várias esferas que estão relacionadas ao ensino das mais diferentes ciências. Nesta pesquisa, porém, temos como proposta analisar e discutir o ensino de História, sua função e aproximação com o conhecimento histórico produzido fora do espaço escolar a partir de um meio de comunicação de massa conhecido mundialmente, que adentra a vida prática dos alunos, professores, bem como de todos os sujeitos inseridos nesse espaço, a saber: o cinema e suas produções.
Desta feita, compreendemos que, em um primeiro momento, poderíamos conceber a sala de aula como sendo o elemento pertencente ao espaço escolar, onde a aproximação entre o ensino de História e cinema se daria de forma mais contundente e profícua. Há outro, porém, elemento chave para compor essa discussão. Este, ao contrário das produções cinematográficas, que não são desenvolvidas visando atenderem às demandas escolares, configura-se em instrumento necessariamente concebido com a finalidade de auxiliar na construção formal do conhecimento a partir da sala de aula, a saber: O livro didático. Mas, como poderiam dar-se relações entre filmes cinematográficos e livros didáticos?
Antes de nos atermos a responder à pergunta, percebamos que, conceitualmente, a sala de aula não necessita ser um cômodo delimitado por paredes. A sala de aula pode se
transformar a partir de diversas perspectivas capazes de lhe conferir sentidos, deixando de ser um espaço demarcado entre paredes, sendo subvertido pelos seus usuários no cotidiano. A quadra de esportes, a biblioteca, o laboratório de informática, o laboratório de vídeo podem se transformar em salas de aula, de acordo com o interesse do professor e a dinâmica de aula proposta pela instituição de ensino.
Para fins de pesquisa, analisaremos a interação entre recursos (filmes e livros didáticos) que já há bastante tempo transitam pelas práticas do espaço escolar, porém, não consideramos necessário demarcar a sala de aula como espaço primeiro de consolidação do conhecimento histórico. Em nossa percepção, quando objetivamos discutir as formas de inter- relação entre o livro didático, o cinema e o espaço escolar, estamos pondo em jogo não apenas as aulas de História, especificamente, nas salas de aula, mas os caminhos que levam uma fonte de conhecimento não escolar (cinema), a adentrar nas preocupações e procedimentos detectáveis nos livros didáticos de História, bem como compreender posicionamentos advindos de instâncias governamentais, legislativas e normativas, ao propor formas e usos que visem indicar como essa fonte, que é de acesso público, deve ser utilizada no ambiente da escola, sem deixar de se levar em conta seus usos e influências na vida prática de alunos e professores.