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Conforme comentado no tópico 6.1, os casos selecionados para o estudo foram intencionais, sendo dois os critérios básicos para inclusão na amostra: adequar-se ao recorte de pesquisa estipulado (empresa industrial, de grande porte e com atuação no

35 No contexto de Eisenhardt (1989), “tipos polares” se refere a exemplos extremos do fenômeno observado, como caso de sucesso e caso de fracasso, crescimento e redução, centralização e descentralização, etc.

Brasil) e ter um grupo identificável de pessoas com a responsabilidade central de conduzir os atividades e/ou iniciativas de inovação.

A classificação de porte das empresas segue o critério estabelecido pela PINTEC (IBGE, 2013), que considera como sendo de grande porte empresas que tenham acima de 500 funcionários. O uso de um critério baseado no número de funcionários se mostrou mais prático do que outros possíveis critérios baseados em faturamento ou ativos. Além deste aspecto, considerar o porte da empresa por número de funcionários mostrou-se mais condizente com alguns pontos motivadores de se focar em empresas de grande porte: maior distribuição de responsabilidades e maior complexidade organizacional. Estes aspectos são aderentes ao critério de número de pessoas e evita-se adentrar também em eventuais disparidades relativas à intensidade de capital de cada setor industrial envolvido. Entretanto, considerar empresas de grande porte como sendo acima de 500 funcionários deixa ainda um leque razoavelmente extenso entre as diferentes realidades industriais. Como exemplo, tomando os extremos da amostra realizada, temos uma empresa com um número de funcionários marginalmente superior ao critério, enquanto há empresas que apresentam cerca de dezenas de milhares de funcionários. Apesar disso, todas as empresas apresentavam complexidade organizacional e contexto de distribuição de responsabilidades que possibilitaram incluí-las no mesmo leque de análise.

O critério de se ter grupo identificável de pessoas que respondam pelos esforços/iniciativa de inovação condiz com o defendido no trabalho de O'Connor et al. (2008) para que se estabeleça a inovação como função organizacional. Tal grupo perfaz ainda a unidade básica de investigação. Duas exceções são verificadas na amostra (empresas Quim-2 e Transp-4), conforme detalhado mais à frente.

Contatos com empresas potenciais para inclusão na pesquisa foram obtidos principalmente a partir de programas de pesquisa anteriores no âmbito do Laboratório de Gestão da Inovação (LGI/POLI-USP), Núcleo de Tecnologia da Qualidade e da Inovação (NTQI/DEP- UFMG), ANPEI36 e especialistas da área de gestão da inovação. Assim, após uma fase

inicial de contatos e apresentação dos objetivos e escopo geral da pesquisa, viabilizou-se a condução do trabalho com 15 empresas. O Quadro 5 lista empresas participantes e missões centrais dos grupos de inovação. Todas as empresas envolvidas desempenham atividades industriais e receberam nomes fictícios para identificação neste trabalho que fazem

referência abrangente a seus setores de atividade principal: Telec (equipamentos, softwares e serviços para aplicações em informática e telecomunicações), Quim (empresas baseadas em processos químicos de produção, incluídas aqui no mesmo grupo empresas de commodities e de produtos voltados ao cliente final), Transp (desenvolvimento e montagem de equipamentos, produtos e subsistemas para aplicações de transporte), Elet (empresas de desenvolvimento e montagem de equipamentos eletroeletrônicos, incluindo bens de capital ou produtos direcionados ao cliente final), Min (extração) e Metal (processamento de metais – metalurgia/siderurgia). Tanto os nomes das empresas participantes quanto os setores exatos de atuação ou natureza detalhada de suas atividades foram omitidos. Os seguintes pontos foram levados em consideração para esta tomada de decisão:

o A formalização prévia de que os dados da empresa seriam omitidos permitiu maior aproximação, uma abordagem mais natural de problemas e disfunções e, consequentemente, maior riqueza de informações.

o Houve solicitação expressa de algumas empresas pela não divulgação do nome, termo ou expressão que facilitasse sua posterior identificação devido às suas políticas de confidencialidade;

o Eventualmente, a omissão pode contribuir para evitar a influência de conceitos pré- formados ou de expectativas particulares do leitor na interpretação dos dados, favorecendo a imparcialidade.

Ainda no Quadro 5, encontra-se a informação localização do comando principal da empresa e cargos dos entrevistados principais. A localização do comando foi observada para se atentar a questões da autonomia local para realização de atividades de inovação. Com relação à função, buscou-se abordar, através do roteiro de entrevista detalhado a seguir, ou o líder máximo de cada grupo de inovação na empresa ou hierarquia imediatamente inferior ao líder máximo no caso de iniciativas altamente formalizadas com mais de duas camadas em sua estrutura. O quadro traz ainda informações sobre o contexto empresarial em que se insere o trabalho de cada grupo de inovação.

Quadro 5 - Empresas e grupos de inovação participantes da pesquisa (conclusão)

Dentre as 15 empresas selecionadas para o estudo, quatro apresentam casos especiais – os das empresas Quim-2, Transp-3, Transp-4 e Metal-1, conforme detalhamento a seguir. Casos especiais foram considerados para se viabilizar comparações e confrontar

características de casos em condições opostas ao padrão da amostra em alguns pontos particulares, evitar vieses de interpretação sobre a forma de se organizar os esforços de inovação nas empresas e obter maior riqueza na fase de análise.

 Empresa Quim-2: É reconhecidamente inovadora e possui práticas sistematizadas de inovação, mas não possui grupo identificável ao qual se possa atribuir especificamente a responsabilidade sobre esforços de inovação. Os gerentes de inovação (sendo que um deles foi selecionado para a entrevista da pesquisa) são responsáveis pelas atividades de desenvolvimento de produtos e novos negócios segundo uma divisão de responsabilidades dada por perímetros de mercado e setores industriais em que se atua.

 Empresa Transp-3: Caso guarda características de longitudinalidade por ter sido acompanhado desde a implantação do grupo de inovação. Coletas de dados foram realizadas junto a três coordenadores do programa de inovação que se sucederam ao longo do período de acompanhamento, além de diversos dados secundários (relatórios internos, dados de pesquisas anteriores, etc.). O roteiro de entrevista foi então aplicado integralmente ao último coordenador do programa na fase final de entrevistas da pesquisa, omitindo-se neste momento o conjunto de informações já coletadas anteriormente. Dados da entrevista e aqueles resultantes de levantamentos anteriores foram então combinados.

 Empresa Transp-4: À época da compilação dos dados desta pesquisa, empresa ainda se encontrava na iminência de constituição de um grupo de inovação formalizado. O roteiro de entrevistas foi aplicado a colaboradores de duas iniciativas independentes de inovação na empresa (restritas a diretorias específicas) e os dados foram posteriormente combinados. Discussões sobre ações e pontos precedentes à criação de um grupo de inovação foram realizadas bimestralmente com colaboradores de referência no contato com universidades entre junho e dezembro de 2013, além de uma visita in loco.  Empresa Metal-1: Trata-se de um caso particular em que observou-se forte

retração dos trabalhos e estrutura do grupo de inovação. O caso foi observado em dois diferentes momentos: no ápice das atividades do grupo de inovação em meados de 2011, com grande número de iniciativas em andamento, alto nível de formalização e importância estratégica crescente, e ao final de 2013 (quando foi aplicado o roteiro de entrevista padrão), após decisões da empresa que fizeram regredir os recursos direcionados às

iniciativas de inovação e ocasionaram em redimensionamento do grupo de inovação e sua realocação em instância organizacional de menor status e nível hierárquico.