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3.3 Ülke Örneklerinde Sosyal Yardım Uygulamaları

3.3.3 Avrupa Ülkeleri

A palavra de origem inglesa literacy passou a ser utilizada em meados da década 1970 nos Estados Unidos para designar o processo educacional de aprendizagem pelo qual adultos, até então não escolarizados, eram submetidos. Segundo Soares (2008), no Brasil o termo foi

traduzido para a língua portuguesa como letramento, a fim de caracterizar o envolvimento de indivíduos nesse processo de aquisição das capacidades de ler e escrever. A autora explica que ao tornar-se letrado, verbete dicionarizado no ano de 2001 (SOARES, 2008, p. 29), o indivíduo expõem-se a mudanças e impactos de cunho linguístico, cultural, políticos e sociais. Soares discute, ainda, que a ampliação das discussões acerca das práticas de letramento e as diversas pesquisas desenvolvidas nessa área contribuíram para que os estudos sobre letramento se consolidassem como campo de investigação significativo na Educação e nas Ciências Linguísticas entre 1970 e 1980. Por meio da expansão das perspectivas educacionais críticas surgiu a necessidade de se ampliar o entendimento sobre os diversos subcampos que emergiram a partir dessas pesquisas, como os New Literacy Studies/Novos Estudos de Letramento, que abarcam uma noção de linguagem como prática social (MATTOS, 2014) e advogam a ruptura da natureza tradicional das práticas de letramento, distanciando-se do que é proposto pelas abordagens dominantes que focam apenas na aquisição de habilidades linguísticas (STREET, 2003). Segundo Gee (2008), o significado de Novos Letramentos é uma forma de nomear trabalhos que, a partir de uma variedade de perspectivas diferentes, veem os letramentos em sua abrangência completa de contextos cognitivos, sociais, interacionais, culturais, políticos, institucionais, econômicos, morais e históricos (GEE, 2008, p.2).

A partir da mesma perspectiva, Barton et al (2000) defendem que os letramentos são historicamente situados, constituídos por práticas em constante transformação e estão associados aos diferentes domínios da vida, incluindo processos de aprendizado distintos. Street (1984) defende o letramento como um termo-síntese que resume as práticas sociais e as concepções de leitura e de escrita que não podem ser consideradas neutras, por não serem livres de ideologias. Street (1984) categorizou o letramento em dois modelos pedagógicos: o autônomo e o ideológico. No modelo autônomo, que está associado às práticas tradicionais, o letramento é tecnologia neutra que pode ser separada de contextos sociais específicos, com ênfase na técnica, ou seja, nas habilidades individuais de leitura e de escrita, sem considerar o contexto de produção. Street discorda do modelo autônomo, devido ao letramento se vincular à ideologia de seu contexto o que leva o autor a dizer: “O que as práticas específicas e os contextos de leitura e escrita são para uma dada sociedade dependem do contexto em que eles estão incorporados e não podem ser isolados ou tratados com ‘neutros’ ou meramente ‘técnicos’” (STREET 1984, p.1). No modelo ideológico proposto por Street (1984), a leitura e a escrita são atividades sociais dependentes de

uma ideologia que envolve o contexto social. O autor sugere ser mais apropriado o termo “letramentos” na forma múltipla, a “letramento” no singular, considerando que os letramentos variam de acordo com o tempo e o espaço e são contestados nas relações de poder. Costa (2012) explica que:

O conhecimento não é natural nem neutro, mas sim ideológico, baseia-se nas regras discursivas de cada comunidade e, portanto, é sempre um conhecimento situado; do mesmo modo, a realidade não é passível de ser apreendida e descrita pela linguagem, com isenção de valores e intenções, ao contrário, a verdade é sempre relativa, matizada por pontos de vista, e deve ser compreendida dentro de um contexto determinado, em relação com os sujeitos envolvidos nas práticas letradas; os significados do texto (o que se escreve e também o que se fala) ultrapassam as prováveis intenções do autor/locutor, visto que são sempre múltiplos, contestáveis, construídos social, histórica e

culturalmente e perpassados por relações de poder (2012, p. 922).

Logo, ao retomar as definições do termo “crítico” postuladas por Monte-Mór (2008), o LC pode ser entendido como desenvolvimento da consciência crítica a partir das práticas sociais e hábitos de leitura e de escrita. O desenvolvimento dessa conscientização, fruto essencial da prática do LC, leva os alunos além da interpretação, produção e reprodução de textos, empoderando-os e tornando-os agentes transformadores na sociedade cada vez mais cambiante da qual fazem parte (CERVETTI, 2001, p.1). Assim, as novas práticas sociais geradas pela globalização, avanços tecnológicos etc., em si mesmas evidenciarão a urgência de uma nova prática educacional – que possa tornar-se comum e suplantar métodos e abordagens antigos e tradicionais. O ensino requer propósito e postura consciente dos professores que serão capazes de levar alunos a compreender além de conceitos estruturais da língua ensinada e, principalmente, saber como bem aplicar o conhecimento e como o mesmo é (trans)formador. Com base nessas reflexões pode-se estabelecer alguns pontos de convergência a respeito do LC:

 textos são produtos culturais e, portanto, devem ser analisados a partir de uma perspectiva que considere as práticas sociais das quais fazem parte, os valores e as ideologias que veiculam;

 por meio da desconstrução do texto, os leitores podem alcançar compreensão mais ampla sobre o Discurso (e/dos) grupos dominantes, e as relações de poder (GEE, 1999) inerentes a ele(s) ali presentes;

 Esse entendimento empodera leitores para assumir seus próprios posicionamentos na sociedade e em contextos específicos dos quais fazem parte;

Analisar diferentes tipos de textos e discutir possíveis aprimoramentos dos materiais didáticos e da forma como são utilizados são maneiras de se entender e problematizar questões relevantes para a Educação Crítica e para o LC referentes ao complexo universo educacional. Apesar de já terem sido feitos estudos sobre os Livros Didáticos de Língua Inglesa (EDMUNDSON, 2004; CURTO DOS SANTOS, 2007; ARANTES, 2008; DIAS, 2009; CARDOSO, 2011), esta pesquisa foi impulsionada pela necessidade de se propor uma nova forma de olhar as atividades e imagens presentes nos LDs.