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KAMBİYO SENETLERİNDE AVAL *

B. Avalin Şartları

2. Avale İlişkin Şekli Şartlar

A atenuação, conforme vimos demonstrando ao longo desta pesquisa, consiste em um importante recurso de manifestação de cortesia negativa, ou seja, diante da necessidade de ameaçar a face de nosso interlocutor, tendemos a diminuir a força do ato danoso ao desenvolvimento da interação por meio de um procedimento linguístico atenuador. Neste item, analisaremos a atenuação de algumas críticas feitas pelos informantes, sejam aquelas dirigidas ao público, em geral, ou ao documentador, em particular. Em alguns casos, essas críticas revelam a opinião moderada do locutor. Também daremos atenção a alguns dos poucos casos de discordância atenuada presentes nas intervenções do entrevistado.

De fato, a atenuação visa a minimizar os efeitos negativos de uma ameaça à face de nosso interlocutor. Entretanto, esse recurso pode também abrandar efeitos indesejáveis de atos que ameaçam a face do próprio locutor. É o que ocorre nos exemplos que analisaremos a seguir. A preservação da face do próprio locutor, conforme já assinalamos não constitui cortesia. Mas o simples cuidado com a própria face, como afirma Rosa (1992), sugere, muitas vezes, o uso de alguma estratégia de cortesia. Soma-se a isso o fato de que uma ameaça pode dirigir-se tanto à face do interlocutor quanto à do locutor. Nesse sentido, um procedimento de preservação da face do locutor pode ser, ao mesmo tempo, um ato de cortesia, uma vez que resguarda também a face do interlocutor. O exemplo a seguir, que se trata de uma crítica, ilustra bem o que estamos afirmando:

(83) Inf. (...) e como a gente não pode ficar como a

velha figura do mineiro...os meus amigos mineiros que

me desculpem... a ausência... guardar dinheiro embaixo do colchão... ou dentro do do do pano do colchão

então tem que guardar em algum lugar guarda no banco... (...) (NURC/SP, 250, L. 394-399)

O trecho transcrito representa uma ameaça tanto à face dos interlocutores (documentador e audiência) quanto à do próprio locutor. Como a intervenção constitui uma espécie de crítica ao comportamento de um grupo geográfica e culturalmente definido, o locutor pode ser visto como um indivíduo preconceituoso, o que traria danos à sua própria face positiva. Ao mesmo tempo, como essa crítica é dirigida ao outro, ela ameaça também a face positiva dos interlocutores, na medida em que consiste em uma desaprovação. Com o pedido de desculpas antecipado, o locutor procura, por um lado, evitar ser negativamente avaliado por seus interlocutores, o que constitui um ato de preservação da própria face. Por outro, preserva a face de seus interlocutores, diminuindo o peso da desaprovação. Nesse sentido, o pedido de desculpas, que atenua antecipadamente o ato ameaçador, constitui uma cortesia do informante.

No inquérito do qual extraímos o exemplo anterior, encontramos outras intervenções nas quais uma ou outra crítica aparece explicitamente ou pressuposta. Vejamos mais um caso:

(84) Inf. (...) SEM condenar... absolutamente...

a atitude dos colegas... que aceitaram esse acordo – afinal de contas é um problema individual de cada um -- eu e outros... que víamos naquilo mais uma questão

de princípio... do que uma questão de ordem financeira não aceitamos... (...) (NURC/SP, 250, L. 161-166) (85) Inf. (...) ...agora...

eu tenho... a impressão de que a Justiça Trabalhista – eu não vou dizer que ela falha sempre – mas ela

funciona muito mais... no sentido dos interesses

patronais... que dos trabalhistas... (...) (NURC/SP, 250, L. 90-93)

O trecho transcrito em (84) se insere num longo turno em que o informante explica como se processava o acordo entre patrão e empregado antes da existência do Fundo de Garantia. A fim de ilustrar a explicação, exemplifica citando uma experiência pessoal em que, por ocasião do encerramento das atividades de um dos colégios nos quais trabalhou, recebera

uma proposta do empregador que previa o pagamento de cinquenta por cento dos direitos dos empregados, no caso, professores.

Ao perceber que sua intervenção pode pressupor uma desaprovação, o locutor faz uma observação antecipada por meio da qual procura evitar alguma objeção por parte de seus interlocutores em relação ao que vai declarar. O enunciado prefaciador funciona, nesse sentido, como um atenuador da possível crítica aos interlocutores que consiste em opor a atitude do locutor à de seus colegas. Por meio desse recurso o locutor resguarda a própria face, na medida em que se apresenta como alguém que respeita as atitudes alheias. Pode-se falar, ainda, nesse caso, em respeito ao princípio de cortesia que preside as interações não polêmicas como é o caso das entrevistas analisadas.

Em (85), uma crítica explícita é dirigida a uma instituição, a Justiça Trabalhista, numa intervenção em que o informante discorre sobre a situação de um empregado quando demitido e precisa recorrer à justiça para receber seus direitos. A atenuação da crítica se processa por meio de dois recursos. O primeiro corresponde a um marcador de opinião, ou, mais especificamente, um marcador prefaciador de opinião (“eu tenho a impressão”) que, de acordo com Rosa (1992), tem a função de orientar a interpretação do interlocutor, nesse caso, qualificando o que vai ser dito como mera impressão pessoal. O segundo corresponde ao que Rosa (1992: 78) classifica como “marcador prefaciador de rejeição” ou “’mas-prefácios’ que realizam anúncio metacomunicativo”, isto é, marcadores de atenuação “que contêm verbos declarativos associados à adversativa mas” (grifo da autora). No trecho analisado o emprego desse marcador afasta uma objeção específica, a de que a Justiça Trabalhista falha sempre.

Com os recursos empregados nos dois exemplos, o locutor torna seu enunciado menos assertivo e mais facilmente aceito pelo outro. Desse modo, além de resguardar a própria face, preserva também as faces do documentador e do público, evitando a construção de um discurso polêmico e a criação de uma atmosfera potencialmente perigosa para os interlocutores.

No trecho a seguir, a crítica que ameaça fortemente a face do documentador e também da audiência é atenuada por meio de um marcador prefaciador metadiscursivo que procura assegurar o interlocutor de que sua pergunta será respondida depois do comentário irônico do informante:

(86) Doc. professor por falar em abrir conta o senhor falou em abrir conta tal eu gostaria que o senhor dissesse

pra gente quais as vantagens... que tem uma pessoa em abrir conta num banco?

Inf. antes disso eu quero dizer uma coisa não... eu estou ficando tão entusiasmado com estas perguntas que eu fico até com vontade de ser banqueiro... ((risos)) embora eu não tenha ... a mínima vocação pra isto... para esta profissão... bom... a vantagem de abrir uma conta bancária... (...) (NURC/SP, 250. L. 428-437)

O comentário irônico do informante representa séria ameaça às faces de seus interlocutores porque pode ser interpretado como uma tentativa de rompimento do contrato conversacional previamente estabelecido. Ora, a situação de entrevista pressupõe que o entrevistado esteja de acordo em responder prontamente a todas as perguntas que lhe forem dirigidas. Cônscio das obrigações derivadas de seu papel conversacional, o informante procura assegurar a seus interlocutores, por meio de um marcador de atenuação, que cumprirá o acordo, o que se evidencia pela expressão “antes disso”.

Nesse caso, falamos em marcador prefaciador metadiscursivo, porque o enunciado anuncia o valor ilocutório da intervenção subsequente. Desse modo, com o verbo “dizer”, o informante procura indicar a natureza neutra de seu comentário, diminuindo, assim, o peso da ameaça sobre o enunciado que será proferido e atinge, especialmente, o documentador que é quem conduz o evento e é responsável pela formulação das perguntas. Com o emprego do marcador em destaque o locutor atenua a ameaça dirigida a seus interlocutores, indica sua intenção de obedecer às regras do contrato conversacional e, ao mesmo tempo, preserva a própria face, evitando ser negativamente avaliado.

Exemplos em que o informante dirige a ameaça diretamente à face do documentador, como o analisado anteriormente, são mais raros, mas ocorrem também em outras situações. No trecho a seguir, a ameaça não está contida numa crítica, mas na pressuposição que o informante faz sobre um conhecimento do documentador. Há, evidentemente, atenuação:

(87) Inf. (...) ... ma::s (você) deve lembrar um

pouquinho... voltando para:: no tempo que:: séculos e

séculos atrás o teatro fazia sucesso... atingia totalmente as massas... em Roma na Grécia...e:: não existia cenário nenhum... os artistas interpretavam em cima de blocos de pedra e::: faziam sucesso... (NURC/SP, 161, L. 599-604)

No exemplo anterior, o informante responde a uma pergunta em que o documentador solicita exemplos de espetáculos que tenham feito sucesso mesmo prescindindo de cenários e recursos técnicos. O informante exemplifica, em primeiro lugar, citando espetáculos atuais, mas, ao final de sua resposta recorre à história do teatro. Para isso faz uma pressuposição sobre o conhecimento do documentador, o que pode representar uma ameaça a esse interlocutor. Por essa razão, o locutor recorre a um minimizador (“um pouquinho”) para atenuar essa ameaça e também a um enunciado que prefacia sua intervenção.

Em outras situações, também muito raras, o informante manifesta discordância em relação ao enunciado do documentador. Geralmente, esse enunciado contém alguma pressuposição e a discordância é atenuada. Vejamos os exemplos:

(88) Doc. e nessa faixa dos cavalos que que tem mais além do cavalo... e da égua... e do alazão e do:: garanhão?... aqueles que servem para carga por exemplo?

Inf. bom não é muito hábito usar cavalo como:: ... meio de

carga né? tem é é os burros... né?... e os jumentos (NURC/SP, L. 698-702) (89) Doc. come em casa... e no café da manhã o que que você come?

Inf. eu tomo:: café com leite... e não como nada de sólido... Doc. assim continua o regime...

Inf. não não é bem continuar o regime é um hábito que eu tenho de MUItos anos... (...) (NURC/SP, 235, L. 59-63)

Em (88), a pergunta do documentador pressupõe o fato de que cavalos sejam usados para o transporte de carga. Como o informante detém mais conhecimento a respeito do assunto, faz a correção, que representa uma discordância ao pressuposto na fala de sua interlocutora. Para minimizar a ameaça, emprega uma frase negativa que contém um recurso atenuador: o termo muito. O exemplo transcrito em (89) ilustra situação semelhante. Nesse caso em que a informante discorda de um pressuposto sobre um hábito particular, a atenuação é marcada pelo advérbio bem.

3.3.1.4. O respeito ao princípio de modéstia e a emissão de