2.2. Lateritik Cevherden Nikel ve Kobalt Elde Etme Yöntemleri
2.2.2. Hidrometalurjik yöntemler
2.2.2.2 Atmosferik basınçta asit liçi (AL)
Com acuidade, o missionário argumenta que a grilagem já existia, no Maranhão. Mesmo, no município de Santa Luzia, o prefeito da época, Clotildes Santos, já estava na função da grilagem, desde quando assumira. Por isso, percebendo a impopularidade do prefeito, por sua condição de grileiro e por ser muito autoritário, como prefeito, o atento governador Sarney encontrou um ex-comerciante e amigo de Lago da Pedra (região central do Maranhão) e apresenta-o como candidato a prefeito. Tratava-se do cearense Carlos, que denunciava, nos comícios, as feras devoradoras das terras e prometia ajuda aos posseiros para delas se livrarem. Quando foi eleito, tornou-se um dos piores, pois começou a grilar logo que assumiu a Prefeitura e não parou, até meados dos anos 1980.
A rede, portanto, aumentará, com mais um chefe do executivo local no “negócio”. Por conseguinte, abriram-se as portas das áreas devolutas, no Maranhão, com práticas de grilo, onde se destacam, também, Wady Sauaia, Arnaldo Braide, Antonio Moura, Antonio Vicente, Antonio Basílio, Assis Pinto, rico usineiro de Santa Inês, além de Deusdeth Rodrigues de Andrade, vereador e comerciante em Santa Luzia, e Olímpio Costa Silva, cabo eleitoral de José Sarney. A organização da grilagem era constituída por homens de dentro da política e da
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De acordo com o Jornal Nacional – Rede Globo, em 7 de novembro de 2007 –, ainda há pouco, com base em pesquisa nacional sobre as condições das estradas brasileiras, a BR-222 é considerada a pior estrada do Brasil.
economia, isto é, do agricultor mais rico ao governador. Para tanto, aglutinava até adversários da política local, ou seja, o objetivo maior era concentrar a terra em mãos de poucos “confiáveis”, na perspectiva de especulação financeira.
De acordo com sua pesquisa, o autor sugere que os anos 1960 foram encerrados com uma elite local envolvida, totalmente, na grilagem, com uma aliança cada vez mais forte e mais ampla com os poderes constituídos, no Maranhão e no Brasil.
O casamento foi tão harmonioso que, no início dos anos 1970, o então senador José Sarney apresentou a candidatura de José Leite à Prefeitura de Santa Luzia. Esse senhor saíra de Pernambuco e servia como uma espécie de segurança do senador. O indivíduo era irmão de Expedito Leite, que fora gerente da fazenda Maguary, de José Sarney, e grileiro, também, em outros povoados de Santa Luzia. José Leite recebeu os negócios do grilo Maguary das mãos de José Ribeiro Salomão e passou a representar o senador, nesse negócio. Em 1974, em um acidente aéreo, morreu o prefeito José Leite, e José Sarney passou a administrar a fazenda em nome próprio.
Um Relatório do Apoio Jurídico Popular e Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - Ajup/Fase, publicado em 1986, sob o título “Discriminatória de terras”, revela a engenharia jurídica pela qual foi constituído o grilo Maguary:
José Ribeiro Salomão consegue aforamento (licença de utilização) de uma área de 300 hectares de propriedade da Prefeitura de Santa Luzia. Manda fazer uma medição, e a área cresce para 5 mil hectares. Depois disto, através de escritura pública de promessa de compra e venda promete vender esta terra (já ‘inchada’) para José Ferreira Leite. Pouco depois, José Ferreira desiste de comprar a área e a promessa é anulada. Por esta mágica, a terra volta para José Ribeiro. Só que não é mais um aforamento de 300 hectares, é sim uma propriedade de 5 mil hectares. Esta história é verdadeira, os nomes são verdadeiros, a fazenda se chama Maguary, é situada no município de Santa Luzia no Maranhão, e em seguida foi comprada pelo senador José Sarney (AJUP/FASE, 1986, p. 7).
De acordo com documento do Centro de Pesquisa e Documentação Histórica Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas52, Sarney foi convocado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), 1978, que investigava o sistema fundiário. Sarney depôs na CPI, defendendo-se das acusações de Nunes Freire, então governador do Maranhão, que denunciara a situação irregular das terras da fazenda Maguary, pertencente ao senador, e, segundo o Jornal do Brasil, exibiu documentos demonstrando não possuir título algum de propriedade de terra, no Maranhão, a não ser a propriedade da família, herdada do sogro, cuja documentação, também, apresentou. Entretanto, segundo dados do recadastramento geral do Incra de 1978, citados por Alfredo Wagner B. de Almeida, a fazenda Maguary, em Santa Luzia, apareceria registrada em nome de José Sarney, com área de 4.253 hectares.
O que levaria um político da estatura de José Sarney a envolver-se em tal questão? Porque na concepção do chefe local é precisa ter influência política, mas também econômica. Esse poder não é construído só pela área do comércio ou da agricultura, já que a indústria inexiste na região, mas precisa da terra, é essencial. Aí, a questão econômica é importante para manter essa influência política local.
Mesmo tendo como eixo principal de sua pesquisa o Grilo Pindaré (região margeada pelo rio Pindaré), atravessada pela ferrovia da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), desde os indos de 1980, ao longo da investigação, Asselin percebeu que havia um deslocamento do foco da grilagem, alargando-se por toda a região da pré-Amazônia maranhense. Não havia dúvidas de que o objetivo dos grileiros era a apropriação de todas as terras ainda não incorporadas ao sistema capitalista de propriedade privada e que, até aquele momento, eram terras da União, usadas por posseiros. Com efeito, o grilo teve um ponto de partida e procuraria se estender, geopoliticamente.
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Com as bênçãos oficiais, por meio de decreto federal, passaram à jurisdição do Incra todas as terras na faixa de 100 km ao longo das rodovias federais, de ambos os lados, e, em nível estadual, com a criação da Companhia Maranhense de Colonização (COMARCO), as terras atingiram, especialmente, Santa Luzia. Dessa forma, toda a área cobiçada passou a ter cobertura oficial para a grilagem. Além da expansão territorial para tal prática, outros atores do Centro e Sul do país entrariam na rede.
Ao decifrar o enigma do Pindaré e sua relação com outros grilos, fundamentando a análise em documentos e depoimentos e confrontando-os, Asselin desvela como era arquitetada a grilagem, na pré-Amazônia maranhense, que acontecia em três etapas.
Em um primeiro momento, iniciou-se, antes dos anos 1960, com a colaboração de Abílio Monteiro da Rocha e do Cartório de Corumbaíba, em Goiás. Nele se manifestaram os interesses paulistas, encabeçados por Orlando Zancaner, ex-deputado, ex-senador e, no final dos anos 1970, ministro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. O segundo momento se viabilizou, em 1968, pela fraude de um inventário no Cartório do 2º. Ofício de Imperatriz-MA, em torno do fantasma Faustino Pereira de Carvalho. O terceiro momento, por fim, em 1972, realizou-se por intermédio de Almir Alexandrino de Abreu, amigo do então governador Pedro Neiva de Santana, ex-secretário da Fazenda, no governo José Sarney.
De acordo com o autor, os interesses envolvidos em cada uma dessas três etapas não diferiam muito. Tratava-se da busca de meios para a formulação jurídico-legal da grilagem. Assim, explicam-se as múltiplas emissões de escrituras particulares e públicas e seus respectivos registros, visando a levar a crer que a terra não era devoluta, mas de domínio particular, havia mais de 100 anos.
Um ex-funcionário da Secretaria de Agricultura do Maranhão explica ao autor o mecanismo da grilagem que foi usado, no Estado:
Através de documentação forjada [...] segue um sistema chamado na roda de grileiros como triangulação. O crime é feito da seguinte forma: 1. Falsifica-se o documento (em Anápolis-GO ou São José do Rio Preto-SP). Os métodos usados na falsificação são os seguintes: a) procuram nos cartórios antigas folhas de escrituras em branco, sobras de autos inventários, papel almaço não utilizado, etc. De posse do material, enviam estas folhas para os calígrafos previamente contratados. Ex: Jose Ribeiro Quinta, residente em Goiás, pai do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Goiás, que foi o autor da maioria das fraudes; b) se o interessado quiser fazer surgir um inventário, retira do Arquivo Morto um ou dois inventários legais e entrega para os calígrafos, que, por sua vez, retiram as folhas de descrição dos bens, folha da partilha, folha de pagamento, etc. e encaixam as fraudulentas, surgindo daí uma cadeia sucessória; c) se o interessado quiser uma escritura particular, entrega aos calígrafos as folhas e daí segue uma seqüência de compra e venda trintenária. De posse dos documentos, o interessado vai a um cartório e pede uma pública forma do documento apresentado. A pública forma não é um documento registrado em cartório. Tira-se então uma certidão verbo ad verbum do documento apresentado, vai-se a outro cartório e registra-se no livro de registro de notas; em seguida, tira-se certidão ‘verbo ad verbum’ do registro. 2. De posse da documentação, vai-se ao município onde existe a terra a ser grilada e registra-a no cartório de imóveis. Nasce assim mais um grilo.
Na outra ponta da varanda da rede, entrava o Poder Executivo, ou seja, consumada a falsificação, bem como efetivados os registros, passava-se ao cadastramento do Incra, o que era realizado, sem dificuldade.
Naquele período, em Imperatriz, como já dito, já existia a Delegacia de Terras, criada pelo então governador do Estado, José Sarney, com a finalidade de disciplinar a ocupação das terras devolutas. Epaminondas Gonçalves Lima, então tabelião do cartório de Tocantinópoles- GO, revelou que foram dados Cr$ 10 mil a Pedro Nunes de Oliveira, diretor da Delegacia de Terras, e a Agostinho Noleto, procurador da mesma entidade, para que não impedissem o registro lavrado da falsificação do inventário. O ex-prefeito de Imperatriz, João Meneses, proclamava que tudo isso se realizava com a cobertura do então senador Henrique de La Roque e do governador José Sarney, além do tabelião-substituto João Bandeira Bastos, que confirmou ter colaborado sob promessa de ter cobertura do senador Alexandre Costa e do governador Sarney.
Esses funcionários públicos também tinham apoio dos servidores da Secretaria de Agricultura do Maranhão (SAGRIMA), em Imperatriz e São Luís, que facilitavam a grilagem. Era conhecida a ação de Pedro Nunes de Oliveira, Agostinho Noleto, Alcemir Franco de Sousa e
Raimundo Albuquerque. Eles promoviam derrubadas, abriam posses e especulavam sobre elas, para depois vendê-las aos grileiros interessados. Já existia acordo com a Polícia Militar de Imperatriz, o que a levava a fazer o mesmo.
No governo de Pedro Neiva de Santana, o principal articulador era Almir Alexandrino de Abreu, amigo do governador. Logo no início de 1971, um grupo de grileiros viajou para São Luís para encontrar-se com o governador. Almir acertou a audiência por telefone.
Na conversa com o grupo, Pedro Neiva falou de sua satisfação e interesse em receber empresários de fora e pediu que recomendassem o Maranhão a outros de São Paulo. Lauro Camargo observou, a certa altura, que Almir era íntimo do governador e este, mesmo assim, não acreditava na documentação. Pedro Neiva chegou a dizer: ‘como você arranjou esse grilo Almir?’. Apesar disso, fez um bilhete e encaminhou-os para o secretário da Agricultura Lourenço Vieira da Silva (ASSELIN, 1982, p. 57).
Alguns dias depois, Lourenço Vieira da Silva encaminhou o grupo ao diretor do Departamento de Desenvolvimento Agrário (DDA). Como procurador de Almir, foi designado o senhor José Luis de Oliveira. Na semana seguinte, o advogado chefe do Departamento Jurídico do DDA, Edine Couto Barcelar, deu parecer positivo sobre a validade da documentação, o qual foi referendado pelo então procurador-geral do Estado, José Ribamar Araújo. Onze dias depois da audiência com o governador, José Luis de Oliveira viajava para Imperatriz, comunicando a Almir que toda a documentação estava pronta e que tinha até uma carta do diretor do DDA autorizando Agostinho Noleto, advogado da Delegacia de Terras em Imperatriz, a proceder ao registro e iniciar a mediação. O registro foi feito em Santa Inês.
Participaram, então, o governador Pedro Neiva de Santana, por sua amizade com Almir, e o secretário da agricultura, Lourenço Vieira da Silva.53 É importante lembrar que Lourenço Vieira ocupou o mesmo cargo, no final do governo José Sarney, com indicação de seu irmão ─ Alberto Tavares, também nomeado juiz federal pelo governador Sarney ─, e, dali,
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Lourenço Vieira da Silva foi secretário de educação do ex-governador José Reinaldo Tavares e atual secretário de educação do atual governador Jackson Lago.
(Lourenço) foi promovido à Superintendência do Incra, enquanto seu chefe de gabinete da Secretaria, Afonso Augusto de Morais, foi para o gabinete da Presidência do Incra, em Brasília, e, depois, foi nomeado procurador-geral daquela instituição.