B. Halk Edebiyatı Kitaplarında Atasözü
H. 1. Atasözlerinde Askerlik Dönemi
I. 1. Atasözlerinde Hac Dönemi
Os excertos abaixo apontaram que os representantes dos moradores não têm muitas expectativas a respeito de mudanças na UBS, para que possa contribuir mais com a saúde da população.
A expectativa do entrevistado abaixo era uma maior complexidade do atendimento da unidade, o que justifica que não vislumbre a possibilidade de mudança.
E2 - As minhas expectativas são baixas. (...). A implantação de
especialidades tá muito difícil. Prá gente consegui a contratação dos agentes de saúde foi uma luta muito, muito grande. A gente teve que mobilizá pessoas, conversar com políticos (...) e não foi fácil. Prá conseguir as especialidades prá cá eu acho que isso é uma luta [que] vai tê que ser muito maior.
Relatando a mesma descrença, o depoimento abaixo (E1) atribuiu a baixa expectativa à falta de recursos para o setor público, justificativa dada pelo Estado. Sugeriu que a mudança dependeria do empenho e da boa vontade dos trabalhadores da unidade. O depoimento E11 depositou as expectativas nas ações a serem realizadas pelo agente comunitário de saúde.
E1 - A gente sabe que o Brasil hoje não tem condições financeiras de
comprometida (...). Eu acho que até daria para melhorar com as pessoas que vem trabalhando, com a estrutura que tem, mas precisaria um trabalho de conscientização muito grande (...) porque a estrutura física está aí, está montada, tem equipamento, tem tudo, o que falta é um pouquinho de boa vontade. Acho que as pessoas se acomodaram, então precisaria um trabalho grande de conscientização, isso não exigiria muito dinheiro para modificar, tudo bem que é devagar que você modifica as pessoas, ninguém se modifica de um dia para o outro, é um trabalho lento, mas eu acho que é um trabalho que não despenderia muito dinheiro. Não sei como que isso poderia ser feito, mas eu acho que tem que ser feito e rapidinho porque parte financeira todo mundo sabe que não adianta a gente esperar muito. Agora espero que a mudança aconteça, mesmo que lentamente, até porque a maioria das pessoas aqui votaram nele [no Lula], a grande maioria. Então tem uma expectativa de melhora muito grande, muito, muito grande [e] se isso não acontecer eu tenho medo, tenho muito medo.
E11 - É difícil dizer [sobre expectativa de mudança], é difícil porque
projetos bons muitas pessoas aqui já tiveram, já apresentaram e no entanto se perderam. A idéia que a gente passa é uma coisa que faria bem prá todo mundo, (...) faria da comunidade em si um lugar muito interessante, mas daí a você crer que isso possa realmente acontecer é meio difícil, embora agora o posto tenha aberto assim um espaço prá tá trabalhando a comunidade. Deus queira que seja realmente a ponta, que os agentes de saúde é um trabalho super sério, (...) eles tão batalhando prá cadastrar as pessoas, visitam as pessoas, tão tentando conscientizar as pessoas.
Os depoimentos abaixo assinalaram uma esperança de mudanças na qualidade dos serviços públicos de assistência à saúde advinda do poder central, a partir da eleição do Presidente da República com grande apoio da população menos inserida socialmente.
E8 - Eu num tenho como vê [nenhuma possibilidade de mudança na
UBS], num tenho esperança. Estamos trocando de presidente, vamo vê o que ele vai fazê, tá no começo vamo vê se ele tem competência prá mudá isso, né? Todo mundo, muita gente votô nele, acreditô e o pessoal da comunidade também. (...) [O Lula] andava com o povo, fazia manifestações, tudo, todo mundo acreditô, [as pessoas diziam] “vô votá no Lula, ele é do povo”. Agora vamo [vê], é o serviço dele, vamo vê o que que ele vai fazê, né?
E9 – Com certeza [tenho esperança que mude] e que mude prá
melhor, foi prá isso que o Presidente tá lá, nós colocamo ele lá, a classe pobre, e acho que o Presidente veio dessa parte também, um dia foi pobre necessitado que nem tem tantos. Não só aqui na Vila
Dalva [e] São Paulo em geral, o Brasil em geral tá doente, né? Tá precisando de saúde melhor. Tem que vê essas pequenas coisa, [é] do bairro mais pobre que a pessoa tem que vê [e] num ficá visitando só lá o centro da cidade e deixando as periferia, as periferia só vai servi quando eles precisá de voto? Num é assim, né? Ele tem que mostrá que se os bairro do centro coloca ele lá em cima, a maior parte da população é da periferia, que põe ele lá, né? (...) Ele tem que tê a consciência que tem que cuidá dessa parte doente, essa parte doente que é a periferia, que mora em locais de risco, bairro pobre mesmo que o povo não tem condição. Ele tem que mudá, não é possível nenhum se tocá, não é possível, né?
E12 – Ele [o Presidente] sabe o que é uma dor de dente, eu acredito
que ele saiba o que é passá fome, o que é passá dor, o que é passá necessidade, ele sabe. Porque o (...) que eu vejo falá de Lula não é de hoje, (...) [mas ele] tem que enfrentá muita gente, (...) as pessoas pensam [que] tudo é o Presidente [e] não [é], em volta do Presidente vem milhões de pessoas, milhões de assessores, muita corrupção, mas que ele faça a diferença, que ele pode nem que não seja muita, mas a gente acredita que ele pode, (...) ele pode fazê muita coisa se ele não se deixá contaminá. Agora, se ele se deixá contaminá, lá se foi mais uma chance...
A maioria dos representantes dos trabalhadores da UBS tampouco tinha expectativas quanto à superação das limitações apontadas. A baixa expectativa de mudanças foi justificada pela falta de perspectiva de investimentos do Estado na garantia da qualidade do serviço público.
Parte desses depoentes mostrou-se conformada com a explicação das instâncias administrativas da esfera central, a respeito da falta de recursos. Uma perspectiva de melhora da atenção prestada pela UBS foi antevista com o início da atuação dos Agentes Comunitários de Saúde.
Et1 – [As expectativas de mudanças são] terríveis, (...) a gente buzina
muito mas não tem muito poder decisório, a gente tem poder decisório a nível local e mesmo assim é limitado, (...) depende de liberação de verbas para reformas, (...) de mudança de política de contratação de pessoal através de concursos (...) [e] isso depende de orçamentos que vêm a nível de Prefeitura, de Secretaria. A gente buzina a nível de Distrito [de Saúde], que vai buzinar no Secretário [da Saúde], que vai buzinar na Prefeita e até ali tem um longo espaço de tempo. [As expectativas] são limitadas, [mas] não diria impossíveis porque não se esperava mais a questão do Agente Comunitário e agora vão entrar, mas são limitadas. [Tenho expectativas com o trabalho] dos
agentes comunitários (...), acho muito interessante a entrada de agentes comunitários porque eles são pessoas da população, (...) são pessoas mais próximas a essa população, então são pessoas que vão escutar muito mais facilmente muita coisa e vão trazer para a gente muito mais facilmente muita coisa. A gente fica meio longe, às vezes fica difícil de descobrir muita coisa, eu acho bem positivo nesse sentido, (...) é como se fosse um pé da unidade dentro da casa das pessoas, vamos dizer assim, da comunidade.
Et3 - Uma hora tem verba, outra hora não tem verba, então a gente
não sabe o que vai ser feito, não tem [expectativa]. Já veio aqui o engenheiro, a gente já esquematizou mais ou menos o que poderia ser feito, fizemos algumas propostas, mas a gente não sabe o que vai acontecer pela questão de dinheiro aí. [Com relação a outras coisas que faltam] acho que a unidade pode estar levando mais para essa sub prefeitura esses problemas que a gente está vendo aqui. (...) Eu acho que até o chefe leva esses problemas, mas tem que vir de lá para cá alguma coisa para resolver. (...) Não sei se tem esse movimento aí, se essas coisas estão sendo levadas, o que eles podem estar fazendo aqui, quais são essas prioridades.(...) Essa favela ou outras que tem aí, que está cheio de favelas aqui no bairro, né? é prioridade, teria que mexer.
O depoente Et7 verbalizou a crença exclusiva no compromisso que tem o trabalhador para manter como pode o funcionamento do serviço público, dando mostras de que o trabalhador vai absorvendo a ideologia neoliberalizante que instaura a responsabilização individual pelo que deveria ser de todos, especialmetne do Estado. Reiterando a mesma prática, o depoente Et4 sugeriu que para superar a ausência de recursos do Estado os moradores e os trabalhadores realizassem atividades de geração de renda para a manutenção da UBS.
Et7 - Olha, prefeito para mim é pior que (...) madrasta e padrasto, então não tem perspectiva nenhuma, não tenho mesmo. A minha única perspectiva é a boa vontade, o compromisso, (...) a competência dos profissionais que mantém o serviço público funcionando, porque o que depende de lá de cima eu não conto, eu não espero, só espero bomba. Se um programa funciona é porque a equipe está ali correndo, se bobear está comprando papel, está pagando café, se bobear até o papel higiênico, (...) então eu não espero nada.
Et8 - (...) Se o governo trabalhasse em cima disso, (...) a gente está vendo esse Saúde da Família aí, achou que ia entrar e de repente está tudo muito parado, muito, você vê que não vai ter uma continuidade assim, isso daí. Acho que essa seria uma causa, ou uma maneira de estar ajudando, (...) acho que a maior parte seria o governo estar
investindo mais nesse trabalho. Acredito que a longo prazo isso possa acontecer, a curto prazo está difícil, viu?
Et4 - Eu acho que sempre as pessoas estão tentando melhorar a
qualidade do atendimento ao público, então acho que perspectiva tem, (...) acho que tem que ter vontade para que faça com que a coisa aconteça. Eu sou otimista assim, (...) a gente vê que nesses anos (...) teve muita melhoria, então não é uma coisa estática, as coisas mudam, (...) então eu acredito que vai ter muito mais ainda. (...) Por exemplo [para] levantar recursos você pode fazer um bingo, (...) [ou] cada um trazia algum objeto e vendia, fazia um bazar para angariar dinheiro, ou então juntar latinhas, vender latinhas, porque ficar [reclamando que] não tem dinheiro, mas se criam possibilidades de ter algum dinheiro. (...) Acho que até a unidade poderia se aventurar assim a (...) [em] alguns finais de semana propiciar alguma interação de alguns profissionais junto à comunidade, promovendo alguma atividade. (...) Aqui tem escada, por exemplo fazer uma rampazinha, (...) pode se pensar em algum mutirão, planejar qualquer coisa, o número de profissionais acho que a grade está satisfatória aqui, (...) sempre vai ter uma demanda maior que a oferta (...).
Os representantes dos trabalhadores, numericamente minoritários, que visualizaram perspectivas de melhora na UBS na prestação de serviços de saúde, atrelaram-nas às mudanças na organização do trabalho na Unidade.
Et2 - (...) O que me motiva é o que precisa ser feito, então estou
sempre esperançoso porque sempre tem alguma coisa para fazer. E (...) com a chegada agora de 30 agentes comunitários de saúde mais do que nunca a gente vai poder redirecionar, (...) [pelo] (...) número maior de profissionais e (...) [pela] proposta de trabalho definida. (...) Estou apostando, estou acreditando muito, muito (...) no Programa de Saúde da Família.
Et5 - (...) Com a introdução [dos agentes comunitários da saúde] a
perspectiva é um pouco melhor, mas eu acredito que se não tiver a filosofia mais centrada num modelo de atenção definido, numa diretriz que todo mundo se veja como uma equipe também, está tudo muito solto. (...) Tem que estar muito firme aqui, todo mundo saber o que faz, para acontecer lá fora. (...) Acho que a gente vai ser mais pressionado [e] existindo a pressão as coisas começam a acontecer um pouco, ou pelo menos a ter a reflexão. Uma mudança vai demorar, nada é a curto prazo (...) e daí vai depender de quem manda, de quem consegue que as pessoas façam, de quem gerencia. Se você tem um gerenciador que tem uma certa visão, a comunidade caminha de um jeito (...), tudo vai de acordo porque [a dinâmica da equipe] é a cara da pessoa [que gerencia]. Então, se a cara da minha equipe é essa depende porque eu a faço ter uma certa cara.