4. ARAġTIRMA BULGULARI VE TARTIġMA
4.5. Atıksuların Fizikokimyasal Analiz Sonuçları
Com o objetivo de contribuir para o progresso intelectual, social e moral da Europa do século XVIII, criticando qualquer forma de autoritarismo (político, religioso, social ou moral,) este movimento de ruptura casa-se perfeitamente com os objetivos de Theresa Margarida.
O desenvolvimento dos estudos científicos, dentre eles a instituição de aulas de Física Experimental e de Filosofia, marcam a atuação de D. João V. O rei português envia Luís António Verney (1713-1792) a estudar em Roma, para “iluminar a nação”. Na década de 40, a publicação de O verdadeiro método de estudar, de Verney, gera polêmica, constituindo a obra um importante espaço de
afirmação do ideário das “Luzes”, estabelecendo uma postura dialética que, impressa, refletia a ideologia do momento. (CALAFATE, 2008).
Diz Verney:
Ao estilo sublime contrapomos o estilo simples ou humilde. Assim como as coisas grandes devem explicar-se magnificamente, assim o que é humilde deve-se dizer com estilo mui simples e modo de exprimir mui natural. (...) O estilo baixo são modos de falar dos ignorantes e pouco cultos: o estilo simples é modo de falar natural e sem ornamentos, mas com palavras próprias e puras [...] (VERNEY,2008).
A burguesia comerciante e a rede dos chamados “homens de negócios” (os cristãos-novos) foram responsáveis pela exploração comercial da América do Sul, sendo que para tal contribuíram o contrabando da prata peruana, a exploração do açúcar, do fumo, do pau-brasil, aproveitando-se ainda o tráfico de escravos africanos.
A revolução inglesa e as últimas guerras de Luís XIV marcam o momento decisivo na virada cultural e ideológica do século XVIII, virada esta que será sentida na Península Ibérica. Em termos familiares, pode-se ver que as relações conflitantes também se apresentam com marcas barrocas e iluministas.
Barrocas, como a postura sócio-política de José Ramos da Silva, pai de Theresa Margarida, conservadas no espírito extrativista, na valorização do poder econômico e na mesmice da manutenção de um império falido; iluministas, com base na tentativa da reordenação e reconstrução desse império e de uma possível salvação da identidade lusitana.
O Marquês de Pombal, ministro de D. José I de Portugal, fez importantes reformas. A indústria cresceu, o comércio passou ao controle de companhias que detinham o monopólio nas colônias, a agricultura foi estimulada; nobreza e clero foram perseguidos para fortalecer o poder real. Fica determinada a diferença entre Portugal de 1720 e o de 1750.
Por um lado, na literatura portuguesa, as sátiras e as críticas resistentes ao poder filipino caracterizaram uma manifestação oral e panfletária de denúncia contra a aristocracia e o clero do período de D.João IV, pontuando essa crítica aos excessos
militares, perseguições aos judeus, corrupção e golpes de estado como o de Castelo Melhor, marcando o final do século XVII.
Por outro lado, a aristocracia portuguesa reage, reunindo-se em inúmeras Academias, concorrendo com a burguesia letrada que ia se afastando paulatinamente do cenário literário por conta de uma ideologia ligada ao judaísmo, à Inquisição, às leis de “pureza de sangue” e, conseqüentemente, levada a emigrar para países de melhor acolhida étnica e compensação econômica, como o Brasil.
Infelizmente, com características de modismo, as Academias restringiam seu olhar à discussão de temas pouco profundos, como a disputa entre a “formosura” e as virtudes.
Opondo-se ao barroquismo de José Ramos da Silva, Theresa Margarida defendeu os princípios de Iluminismo francês, em busca de uma liberdade justa, racional e consciente. Como todos os iluministas, escreve e contribui para o progresso intelectual lusitano, criticando toda e qualquer forma de autoritarismo, seja ele de ordem política, religiosa ou moral.
Influenciados por Spinoza e sua Ética (1677), tanto Theresa Margarida quanto seu irmão, o escritor Matias Aires, farão apologias à humildade e à simplicidade, desprezando e culpando a vaidade pelos malefícios causados pelo homem poderoso à sociedade. Para Spinoza, filósofo judeu, a substância única essencial no universo é Deus, não com a postura crítica de Descartes, mas baseado na razão e não na fé, alicerçado na ideia de que tudo o que o homem almeja – riqueza,
prazer, poder e fama – é supérfluo e vazio e apenas a busca pela ordem e pela harmonia naturais podem trazer a felicidade desejada.
A romancista portuguesa assume um discurso maduro e consciente das realidades que a cercam, onde se vê uma mulher de aproximadamente 40 anos, sofrida, vivida, que constatou ao longo de sua vida, que a verdade e a virtude serão vencedoras se a busca final for a felicidade do todo, na sociedade em que se encontram inseridas tanto ela – autora – como Hemirena – sua principal personagem feminina.
Na falta da prudência, só a vaidade seria a grande responsável pela teoria do ”direito divino”: ela abre as portas do absurdo e da incompreensão, na relação entre governantes e governados. Theresa Margarida percorre o caminho ideal, indo da imagem do Rei divinizado à ideia do Estado livre com base nos fatos sociais, à luz das ideias de Montesquieu, em 1748, para quem as leis que regem os costumes e as relações entre os homens devem ser explicadas a partir dos fatos sociais, excluídas quaisquer perspectivas religiosas ou morais.
Diz a romancista, na voz de Antionor:
É certo, Senhor, que não só nasce o Rei para defender os seus domínios com a lança, mas também para governar seus vassalos com prudência; não só para destruir os inimigos, como também para extirpar os vícios; e não só para ir à guerra, como também para resistir na República, mantendo a boa ordem e a justiça. (AD P.120)
Para Diófanes, como para Montesquieu, legislar, executar e julgar são funções principais do governo que deveriam ser separadas, o que impediria um governo déspota, “porque a arte de governar se acha com a prudência, se defende com a ciência e com a experiência se conserva.” (AD P.121).
No discurso apresentado pelo texto de Theresa Margarida, o entrelaçamento das ideias e dos recursos estilísticos são indicadores do princípio de relevância já mencionado, constituindo redes de significantes e de memória, e propondo um tecido curioso a ser estudado, como denunciador da obra literária se não clandestina, pelo menos, camuflada, fruto desse momento histórico conturbado, caracterizado pelo Iluminismo em Portugal.