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Asrın Anlaşması: "Azeri" "Çırak" "Güneşli" Yatakları Anlaşması

2.3. Petrol Anlaşmaları

2.3.1. Asrın Anlaşması: "Azeri" "Çırak" "Güneşli" Yatakları Anlaşması

Apesar de avaliarmos como discutíveis os avanços nas propostas e, sobretudo, nos resultados concretos das diversas reuniões mundiais mencionadas, essas e outros encontros semelhantes, assim como a multiplicação de grupos ambientalistas63, evidenciam que a questão ambiental será um dos temas fundamentais de reflexão e ação nesse século XXI, contando, inclusive, com discussões que apontam para os planos filosófico, sociológico e até jurídico - para a constituição de algo como "o direito dos animais, das árvores, da natureza"64.

Desde a década de 1970, as várias discussões, de caráter acadêmico e político, sobre a problemática ambiental desdobraram-se em esforços de resultados práticos, como a busca de modelos/tecnologias de menor impacto no processo de apropriação da natureza, e também, teóricos.

63 Grupos esses, de estruturação essencialmente plural, possuindo objetivos e estratégias diferenciadas, como por exemplo, o Fundo Mundial pela Natureza (WWF), o Greenpeace, ou os Partidos Verdes. No caso desses últimos, inclusive, fazendo parte da coligação de sustentação do governo central, como na Alemanha, chegando ao poder e expandindo sua influência política.

Esses últimos motivados pelo questionamento do paradigma científico de base produtivista e a elaboração de novos conceitos, que auxiliassem na formação de projetos e diretrizes destinados ao uso de recursos naturais de forma não predatória.

Nesse contexto foi gestado o conceito de desenvolvimento sustentável, que passamos a tratar em seguida, em razão de sua predominância nas agendas políticas na forma de documentos, projetos e discursos dos mais diversos grupos sociais - ONGs, sindicatos, partidos políticos, órgãos de governo, setor empresarial, universidades, etc. Por isso mesmo trata-se de um termo utilizado para justificar múltiplas finalidades, dificultando a maior clareza quanto ao seu significado, sendo qualificado por alguns autores, como Becker (1995, p. 53), como uma “caixa preta”.

Pretendemos fazer uma análise do conceito de desenvolvimento sustentável sob o enfoque atual, considerando as suas possíveis contribuições para o debate relacionado à problemática ambiental, assim como apresentando algumas leituras críticas sobre o assunto.

Conforme informação fornecida por Santos, o termo “desenvolvimento sustentável” foi utilizado pela primeira vez num trabalho publicado pela Internacional Union Conservation of Nature (IUCN) no ano de 1950, mas difundiu-se em 1971, na Reunião de Founeux, com o nome de ecodesenvolvimento, formulado basicamente pela escola francesa. (SANTOS, 2004, p. 19). Às vezes os termos “desenvolvimento sustentável” e “ecodesenvolvimento” são utilizados como sinônimos, no entanto, apesar de possíveis relações entre os conteúdos desses termos, cumpre alertar que o principal idealizador e divulgador das idéias sobre ecodesenvolvimento, Ignacy Sachs, considera-os distintos, afirmando inclusive:

[...] não gosto da expressão desenvolvimento sustentável, porque primeiro, gera muitas confusões entre o antigo conceito dos economistas, ou seja, o crescimento auto-sustentado – depois gera confusões e estamos falando da sustentabilidade unicamente ecológica ou estamos falando da sustentabilidade social, ecológica e econômica. (SACHS, 1996, p. 11)65.

65“O ecodesenvolvimento pode ser definido como um desenvolvimento socialmente desejável, economicamente viável e ecologicamente prudente.” (SACHS, 1986, p. 110). Seu objetivo é definir

A definição de desenvolvimento sustentável que se tornou clássica e foi amplamente generalizada é aquela apresentada no relatório “Nosso Futuro Comum”, ainda hoje muito utilizada e divulgada em diferentes contextos e por agentes distintos entre si: “O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”. (CMMAD, 1991, p. 5).

Em razão de sua formulação simples e objetiva, a definição anterior será desdobrada em muitas outras, utilizadas pelos mais variados grupos sociais, sob diversos enfoques, mas preservando a idéia de dar conta das necessidades atuais num contexto de relação solidária com as próximas gerações. O conceito de desenvolvimento sustentável é utilizado por setores e grupos sociais que, não raro, apresentam pautas reivindicatórias e posturas político/ideológicas diametralmente opostas entre si. Pode ser detectado em movimentos reformistas liberais (sob o argumento da diminuição da pobreza ou da população) ou pretensamente revolucionários (movimentos sociais, partidos políticos progressistas), sob a bandeira da necessidade de refundação do processo civilizatório.

Procurando demonstrar mais claramente e exemplificando como medidas factíveis poderiam conter um teor associado ao desenvolvimento sustentável, encontramos as seguintes passagens no relatório.

Obviamente, o crescimento e o desenvolvimento econômicos produzem mudanças no ecossistema físico. Nenhum ecossistema, seja onde for, pode ficar intacto. Uma floresta pode ser desmatada em uma parte de uma bacia fluvial e ampliada em outro lugar – e isto pode não ser mau, se a exploração tiver sido planejada e se se levarem em conta os níveis de erosão do solo, os regimes hídricos e as perdas genéticas. Em geral, não é preciso esgotar os recursos renováveis, como florestas e peixes, desde que sejam usados dentro dos limites de regeneração e crescimento natural. Mas a maioria dos recursos renováveis é parte de um ecossistema complexo e interligado, e, uma vez levados em conta os efeitos da exploração sobre todo o sistema, é preciso definir a produtividade máxima sustentável.

um estilo de desenvolvimento particularmente adaptado às regiões rurais do Terceiro Mundo. Suas características mais marcantes podem ser encontradas em Sachs (1986, p. 15-27).

No tocante a recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis, o uso reduz a quantidade de que disporão as futuras gerações. Isto não quer dizer que esses recursos não devam ser usados. Mas os níveis de uso devem levar em conta a disponibilidade do recurso, de tecnologias que minimizem seu esgotamento, e a probabilidade de se obterem substitutos para ele. Portanto, a terra não deve ser deteriorada além de um limite razoável de recuperação. No caso dos minerais e dos combustíveis fósseis, é preciso dosar o índice de esgotamento e a ênfase na reciclagem e no uso econômico, para garantir que o recurso não se esgote antes de haver bons substitutos para ele. O desenvolvimento sustentável exige que o índice de destruição dos recursos não- renováveis mantenha o máximo de opções futuras possíveis. (CMMAD, 1991, p. 48-49).

As sugestões quanto ao uso dos recursos naturais vão ao encontro da definição anteriormente apresentada de desenvolvimento sustentável, abordando uma possível ação solidária da geração atual em relação às próximas.

Mas essas propostas, para alcançarem plena eficácia, exigem mudanças de paradigmas de produção e consumo de tal envergadura que resulte na revisão da atual correlação de forças entre as nações, assim como dos padrões de comportamento das sociedades dos países desenvolvidos e das elites dos países subdesenvolvidos. Também teria de redirecionar a expectativa de consumo de uma maioria incluída precariamente66 nesse

processo, pois, na sociedade atual, mesmo as classes mais oprimidas dentro da lógica do capital encontram-se seduzidas pela necessidade de consumo. Conforme Martins:

[O pobre] É capturado como consumidor, ainda que consumidor marginal, porque suas necessidades estão limitadas ao que pode ser satisfeito pelos resíduos do sistema. Não são necessidades que o lancem para além do atual. Suas necessidades são necessidades que afirmam as liturgias da sociedade de consumo, seus valores e ideais.

66 Aqui utilizamos o termo “inclusão precária” no sentido conferido ao debate sobre “exclusão social”,

feita por Martins, quando esse afirma; “A concepção de exclusão é antidialética. Ela nega o princípio da contradição, nega a história e nega a historicidade das ações humanas. É um `conceito` ideologicamente útil à classe média e a seu afã conformista de mudar para manter. [...] Não há propriamente exclusão, e sim formas anômalas e injustas de inclusão.” MARTINS, José de Souza. Exclusão fora de foco. In : Folha de São Paulo – Caderno Mais! (entrevista). São Paulo : 15 set. 2002, p. 3. Esse autor faz uma análise crítica mais detalhada sobre a “exclusão social” em seu livro “A Sociedade Vista do Abismo”.

[...]

Os pobres, do mesmo modo que as elites e a classe média, descobriram que na sociedade contemporânea o consumo ostensivo é um meio de afirmação social e de definição de identidade. A identidade na Modernidade é um meio manipulável de realização da pessoa. Cada um é o que parece ser e não o que é “de fato”. Justamente por isso é que falar em “exclusão” social, do ponto de vista analítico, não tem propriamente um significado profundo nem denuncia algo significativo. (MARTINS, 2002, p. 36-37).

Diante de tantos desafios, os diversos encontros e tratados pautados pelo desenvolvimento sustentável, em sua maioria de perfil conservador, como aqueles abordados no subcapítulo anterior, geralmente terminam destacando-se mais pelos impasses do que pelos avanços concretos.

Os formuladores do conceito de desenvolvimento sustentável, encontrado no documento da CMMAD, partem de uma premissa correta ao detectar a busca de satisfação das necessidades humanas como motor central das transformações que têm implicação ecológica, assim como a urgência de diminuir as contrastantes diferenças econômicas entre os países e no interior deles mesmos. Porém, mais que abordar a definição apresentada, pretendemos ressaltar aquilo que é omitido, estando propositalmente ausente do debate, pois sua explicitação significaria um questionamento radical à sociedade capitalista, para além do que seria possível comportar um documento oficial patrocinado pela ONU.

Para resgatar aquilo que consideramos central para o entendimento sobre o desenvolvimento, recorremos a Furtado, que se aproxima do âmago da problemática tratada, ao responsabilizar a atual forma de organização social como elemento perpetuador de um modelo que resulta na superexploração da geração atual e no comprometimento das gerações futuras.

Não podemos escapar à evidência de que a civilização iniciada pela Revolução Industrial aponta de forma inexorável para grandes calamidades. Ela concentra riqueza em benefício de uma minoria cujo estilo de vida requer um dispêndio crescente de recursos não-renováveis e que somente se mantém porque a grande maioria da humanidade se submete a diversas formas de penúria, inclusive a fome. Uma minoria dispõe dos recursos não-renováveis do planeta

sem preocupar-se com as conseqüências para as gerações futuras do desperdício que ela hoje realiza. (FURTADO, 1998, p. 63-64).

O termo desenvolvimento sustentável é um bom exemplo de institucionalização de um conceito, como é possível verificar na sua utilização freqüente nos discursos governamentais (nas diversas esferas do poder constituído), nos projetos elaborados por ONGs e órgãos de Estado para obter financiamento de instituições financeiras internacionais e nos círculos acadêmicos.

Sua adoção é tão corrente que o conceito parece adquirir uma noção consensual quanto à sua aplicação de forma regular e irrestrita, apesar de os enfoques apresentarem algumas particularidades. Freqüentemente é empregado de maneira pouco crítica ou reflexiva quanto ao próprio termo.

Em razão do seu emprego de maneira generalizada, o conceito de desenvolvimento sustentável também passou a ser questionado por alguns pesquisadores, ainda que a maioria dos políticos e alguns acadêmicos continuem a utilizá-lo sem a preocupação sequer de defini-lo. Algumas críticas chegam mesmo a situá-lo como uma tentativa de legitimação da continuidade de uma sociedade baseada na desigualdade social, contribuindo para a omissão quanto às contradições insuperáveis do modo capitalista de produção, como pode ser observado na passagem seguinte:

[...] o conceito de Desenvolvimento Sustentável tenta capturar a idéia de Desenvolvimento numa perspectiva de sustentabilidade do atual sistema de relações sociais, não oferecendo outra saída fora dos seus marcos. Observamos, deste modo, um rebaixamento do debate, pois se antes o que estava em jogo era a qualidade do Desenvolvimento, em termos de justiça social, agora o que se oferece como perspectiva é a possibilidade de se continuar vivendo, desde que não se questione o sentido das instituições sociais que dão sentido à vida. (GONÇALVES, 1996, p. 64).

Trata-se de uma análise crítica da formulação de desenvolvimento sustentável predominante, considerando-a mesmo um retrocesso, na medida em que a reivindicação principal passa a pautar-se pelo uso “mais racional” dos recursos naturais, sem uma dimensão que aponte para a superação do atual modelo de sociedade.

Dando continuidade à linha de raciocínio exposta na citação anterior, não é suficiente criticar o estilo de vida ligado às atuais formas de produção e consumo, mas, sim, o próprio modo de produção hegemônico. Pelas características inerentes ao capitalismo, a natureza e a força de trabalho do homem são transformadas em mercadorias que necessitam ser exploradas e convertidas em lucro, sendo que o valor de troca acaba por subordinar o valor de uso das mercadorias. De acordo com Marx:

Tôdas as mercadorias são não-valôres-de-uso, para os

proprietários, e valôres-de-uso para os não-proprietários. Tôdas têm, portanto, de mudar de mãos. Mas, essa mudança de mãos constitui sua troca, e sua troca as relaciona umas com as outras como valôres e realiza-as como valôres. As mercadorias têm de realizar-se como valôres, antes de poderem realizar-se como valôres-de-uso. (MARX, 1989, p. 96).

Como escreve Mészáros (1989, p. 22): “O capital não trata valor- de-uso (que corresponde diretamente à necessidade) e valor-de-troca meramente como dimensões separadas, mas de uma maneira que subordina radicalmente o primeiro ao último.” Em razão disso, hoje, mais do que nunca, a satisfação das necessidades humanas é direcionada para um mercado no qual o consumo acelerado de mercadorias possibilite o maior lucro, levando parcelas consideráveis da população dos países desenvolvidos e as classes sociais privilegiadas dos países subdesenvolvidos a um tipo de consumo rápido. Assim, carros, computadores, móveis e uma infinidade de outras mercadorias, para os padrões acelerados de consumo, tornam-se "ultrapassadas" em pouco tempo. Temos então a sociedade do descartável, que dispensa prematuramente muitas mercadorias antes enquadradas como bens duráveis.

É preciso ressaltar que esses objetos materializam-se através de recursos retirados da natureza e de trabalho humano, tornados obsoletos no prazo mais exíguo possível, para alimentar a cadeia de novos consumos, num processo de retroalimentação contínuo necessário ao capital.

A velocidade que vem tomando a degradação ambiental evidencia que os padrões de consumo e produção predominantes em países de economia consolidada, como os EUA, ou com expressivo crescimento

econômico, como a China, expõem seus limites em relação aos próprios recursos naturais disponíveis. Mesmo considerando que a nossa sociedade é fundamentada na diferenciação social geradora de níveis de inclusão muito diversos no mercado de consumo, devem-se levar em conta as contradições que envolvem o atual modo de produção capitalista. Com a “produção em escala” aumenta o número de produtos disponíveis, bem como se deve considerar o alto nível de consumo de determinados segmentos sociais.

Depois de prolongada análise da forma como ocorrem pressões sobre os recursos não reprodutíveis, na atual sociedade industrial, Furtado finaliza com a seguinte reflexão:

A conclusão geral que surge dessas considerações é que a hipótese de generalização, no conjunto do sistema capitalista, das formas de consumo que prevalecem atualmente nos países cêntricos, não tem cabimento dentro das possibilidades evolutivas aparentes desse sistema. [...] O custo, em termos de depredação do mundo físico, desse estilo de vida é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana. Temos assim a prova definitiva de que o desenvolvimento econômico – a idéia de que os povos pobres podem algum dia desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos – é simplesmente irrealizável. Sabemos agora de forma irrefutável que as economias da periferia nunca serão desenvolvidas, no sentido de similares às economias que formam o atual centro do sistema capitalista. [...] Cabe, portanto, afirmar que a idéia de desenvolvimento econômico é um simples mito. (FURTADO, 1974, p. 75, grifos do autor)67.

Logo, não é possível a generalização, em nível mundial, do padrão de consumo vigente nos países mais desenvolvidos, considerando que a maior parte da população mundial não compartilha desse nível de consumo e nem poderia, de fato, compartilhar68.

67 Deve-se destacar que Furtado formulava proposições que iam de encontro, na época, com as teses predominantes no campo econômico da teoria do desenvolvimento, em especial no Brasil, que passava por um período de crescimento econômico elevado, conhecido como “milagre econômico brasileiro”, entre o final dos anos de 1960 e início de 1970, quando Furtado escrevia sobre o desenvolvimento econômico enquanto mito. O contexto daquele momento parecia desautorizar as suas idéias, mas a história mostrou as limitações do crescimento econômico continuado para o caso brasileiro, ainda na primeira metade da década de 1970.

68 “Só como exemplo, podemos observar que se 24% da população mundial tivesse o mesmo padrão de consumo de petróleo que tem a população norte-americana – que constitui apenas 6% da população

Optando pelo apelo ao uso mais “racional” dos recursos naturais, muitos ambientalistas acabam por conduzir suas práticas e reflexões para um viés exclusivamente delimitado pelo "lobby da natureza", sem perspectiva de ultrapassar o atual quadro próprio da lógica que destrói a biosfera (KURZ, 2002). Estamos nos referindo à lógica do capital, até porque muitas dessas ONGs são organizadas e conduzidas pelo "espírito" empresarial.

A contradição explícita está na tentativa de superação dos problemas de ordem ambiental sem apontar para uma radical revisão da atual composição societária, reservando-se, quando muito, a reivindicar apenas "correções de rumos" nos projetos econômicos.

Atuando com o objetivo de apenas atenuar os efeitos “danosos ao meio ambiente” resultantes do capitalismo, ou, quem sabe, conciliar a busca da ampliação de capital com a preservação ambiental em todas as escalas, tornando-a um negócio rentável, certos ambientalistas desconsideram uma questão central: "Os impasses do/no capitalismo esbarram nos seus próprios limites. Se resolvê-los definitivamente, deixa de ser capitalista e se não resolvê- los a crise social [e acrescentaríamos também a ambiental] tende a aumentar cada vez mais.69”

Ainda no sentido de ratificar os argumentos anteriores, compartilhamos as idéias de Löwy (1999, p. 100), para quem as proposições feitas por uma parte da ecologia política européia, que exerce forte influência sobre o movimento ambientalista mundial, seriam realmente insuficientes ou levariam a impasses. Sua principal fraqueza seria ignorar a conexão necessária entre o produtivismo e o capitalismo, o que conduz à ilusão da possibilidade de um “capitalismo limpo” ou de reformas capazes de controlar seus “excessos”.

Em vários discursos de ONGs e documentos oficiais de organismos multilaterais, o conceito de desenvolvimento sustentável é apresentado como catalisador na busca da superação das diferenças entre desenvolvimento econômico e meio ambiente, cumprindo o papel de apresentar propostas para controlar ou mitigar os “excessos” da sociedade

mundial, mas que consome sozinha 25% da produção mundial de petróleo – eles absorveriam os 100% da atual produção de combustíveis fósseis!”. (GONÇALVES, 1995, p. 332).

capitalista a que se refere o autor anteriormente citado. Mas a execução de políticas que tenham resultado efetivo e universal70, para além de situações

isoladas ou “alternativas”, encontra grande dificuldade de lograr maiores êxitos. Mais do que dificuldades conjunturais que impeçam esse avanço, consideramos que o problema se apresenta de forma estrutural, pois reivindicações para uma sociedade mais justa e ambientalmente “sustentável”, numa sociedade regida pela lógica do capital, geralmente (com exceção de situações em que se organizam pressões populares diante de uma determinada demanda social) submetem-se ao crivo do que é viável do ponto de vista da obtenção da ampliação do capital, ou seja, o que é lucrativo.

No campo das propostas retificadoras da sociedade, tendo como referência a ação individual baseada no voluntarismo, os protagonistas da ecologia política e radical, no início da década de 1970, propunham o princípio da austeridade voluntária, projeto que pretendia melhorar as condições ambientais a partir da iniciativa de comunidades voltadas para um uso não predatório da natureza.

Na avaliação de alguns autores consultados, o princípio da austeridade voluntária fracassou porque pareceu aos ocidentais, suspeito, pernicioso e potencialmente totalitário. Também estava muito presente na memória dos europeus a escassez vivida durante a Segunda Guerra Mundial