Kurumumuz 39. EUROSAI Yönetim Kurulu Toplantısına Ev Sahipliği Yaptı
IV. EUROSAI-ARABOSAI Ortak Konferansı
10. ASOSAI Araştırma Projesi’nin Sahtecilik ve Yolsuzluğun Ortaya
No curso dos confrontos políticos na história das sociedades os atores passaram a agir em nome de algumas identidades. As identidades definem suas relações com os outros atentando para as especificidades. Suas ações, na verdade, consistem de interações com os outros, estando essas interações focadas em reivindicações. Os atores encenam uma demanda mútua e publicizam-as por meio de identidades que estão ligadas a esta. Em nome da identidade coletiva é que é construida e mantida a interlocução dos atores frente a seus contenedores, as estes exigem, ordenam, pedem, imploraram, solicitam, prometem, propõem, ameaçam, atacam, destroem, conquistam a reivindicação dirigida aos opositores, as quais dizem respeito a bens que estão sob o controle dessa outra parte.
Quando os interlocutores do outros reagem em nome de suas identidades políticas, um episódio de confronto político começou. Conforme avança o processo, as identidades que se expressam de forma mais forte no início vão se modificando. Os confrontos podem começar contrapondo identidades coletivas que se expressam em sua interlocução por determinados agrupamentos, seguimentos sociais ou movimentos, e, apresentar após agum tempo de manutenção dos confrontos, outra configuração no conflito, em que novos interlocutores passam a dominar a cena. A titulo de exemplo os autores
narram caso de conflito narrado por Beth Roy, situação em que um desentendimento entre granjeiros que se identificavam enquanto tais, porém terminou tornando-se um confronto quase militar entre hindus, mulçumanos e funcionarios públicos (McADAM, TARROW e TILLY, 2005, p. 151).
Repertórios contenciosos são um conjunto limitado de rotinas para mútua reivindicação que estão à disposição do par de identidades que está em conflito. Como já foi dito, esta metáfora, repertório, é tomada emprestada do teatro para transmitir a ideia de que os que participam, fazendo reivindicações e declarações públicas, adotam alguns scripts que já foram encenados anteriormente, ou, ao menos, já foram observados. Eles não inventam simplesmente uma nova forma de ação eficaz à situação ou para expressar qualquer dos impulsos que sentem, sem antes reelaborarem rotinas já conhecidas em resposta às circunstâncias do momento. Ao fazê-lo, adquirirem a capacidade coletiva de coordenar, antecipar, representar e interpretar as ações de vivenciadas em outros momentos (McADAM, TARROW e TILLY, 2005, p. 152).
Os repertórios de ação coletiva assinalam a importância de diferentes aspectos ou dimensões tanto estruturais como culturais ou simbólicas e é um conceito de alcance intermediário, que permite uma conexão entre mudanças macroestruturais e processos micro sociais (SVAMPA, 2009). Nas mobilizações sociais os repertórios de ação e performances de confronto são entendidos como as formas que as pessoas utilizam quando agem juntas movidas por interesses comuns.
A expressão repertório, afirma Tarrow, deve ser tomada como um critério para registro e descrição do que acontece durante um protesto, no sentido de ir identificando determinado número limitado de rotinas que são apreendidas, compartilhadas e executadas através do processo vivenciado pelas pessoas que se reuniram para realizar uma determinada ação coletiva. Isso nos permite fazer comparações sobre diferentes protestos, em diferentes processos políticos e em diferentes períodos históricos. Da mesma forma, permite inferir o quanto os limites daquele aprendizado restringem ou ampliam as opções de escolha na hora do movimento planejar e realizar uma ação coletiva, um protesto. Em geral as pessoas procuram novas formas de ação para terem vantagens táticas, mas apesar disto elas inovam pouco, acrescentando algumas iniciativas em torno das rotinas já conhecidas (TARROW, 2009).
Repertório é um conceito ao mesmo tempo estrutural e cultural, inclui não só o que os manifestantes fazem quando estão em meio a um protesto, imerso num conflito com outros, mas o que eles sabem sobre como fazer e o que os outros esperam que façam. “Os repertórios
são simultaneamente as habilidades dos membros da população e as suas formas culturais”
dependendo mais dos jogos de interesse, das oportunidades e das organizações, muitas vezes correlaciona-se com mudanças na escala do que ocorre nos estados e no capitalismo. Mas, como ressalta Tarrow, embora tendo bases estruturais, as mudanças nos repertórios aparecem nos momentos de grandes divisores de águas políticas que são os ciclos de protestos ou confrontos. As ações dentro dos repertórios não seguem orientações precisas, ao pé da letra. Assemelham-se a uma conversação, da forma como acontece estão muito mais implícitas regras de interação, o que implica no desenvolvimento constante da capacidade de improvisação dos participantes. As manifestações que ocorrem hoje se desenrolam de forma diferente das que ocorreram anteriormente, em função de quem participe dela, de como a polícia se comporte com a multidão, se tenham aprendido com experiências passadas e de como responderam às reivindicações no passado. Manifestações que começam de maneiras semelhantes acabam convertendo-se em concentrações massivas, marchas ritualísticas, ataques a edifícios públicos ou em batalhas campais entre polícia e ativistas (McADAM, TARROW e TILLY, 2005, p. 153).
Em geral, as ações estereotipadas (ritualizadas) tendem a perder a eficácia, da mesma maneira que um discurso formal e repetitivo perde relevância. Segundo estes autores, elas reduzem as vantagens estratégicas dos atores, fazem sucumbir o ânimo e a convicção dos manifestantes, assim como diminuem a repercussão do acontecimento. Como consequência, a inovação em pequena escala modifica os repertórios continuamente, sobretudo quando um ou outro conjunto de participantes descobrem que há uma nova tática, numa nova mensagem ou uma nova forma de apresentação do mesmo que oferece recompensas que os predecessores não ofereciam.
Para Alonso, o repertório aparece como feito e refeito, é um contínuo num descontínuo. Ele quase sempre tem uma marca de inovação, naquilo que realizado impulsionado por registro de uma memória individual e coletiva, se faz ação presente. Inovação que ocorre, por um lado, na dinâmica da rotina da vida cotidiana. Os improvisos dos atores nesse âmbito, sofre pequenas modificações nas performances previstas no repertório. Já na dinâmica social em processos de crise e ciclos de protesto, há variações rápidas nas oportunidades políticas que, apreendidas diferencialmente pelos atores conforme a posição que ocupam. “Os detentores de poder repetem estratégias acertadas utilizadas no passado, fixando-se em repertórios rígidos; já os desafiantes adotam repertórios flexíveis (ou fortes), pois lhes interessa o fator surpresa que a inovação pode trazer” (ALONSO, 2012). Em momentos de latência dos movimentos, experiências inovadoras ficam no registro da memória coletiva, outras se perdem no tempo histórico.
O que faz que alguns repertórios permaneçam na memória acessíveis e outros sejam esquecidos? A esta inquietação Ângela Alonso responde:
No plano micro, interesse e eficácia: perdura a inovação vantajosa para atores. Do ponto de vista macro, decantam as performances modulares – ponto desenvolvido por Tarrow, que podem servir a muitos atores, assuntos, situações: a queima de sutiãs das feministas encontra raras ocasiões de uso fora de seu contexto de origem; já a resistência passiva de Gandhi pode ser usada por muitos movimentos. A modularidade facilita a transposição (ALONSO, 2012 p. 30).
Quando se fala de repertórios e interação política, na discussão sobre conflitos políticos, está deslocando-se o foco da análise de abordagens conversacionais da sociologia política, nesta abordagem a partir do teatral, a interação contenciosa chama a atenção para a combinacão de script e improvisação na reivindicação em si mesma. Se comparadas com todas as interações de que tecnicamente os atores são capazes de experimentar, em qualquer cenário e episodio particular eles podem se utilizar repetidamente de um pequeno conjunto de rotinas, inovando dentro de limites que são definidos pela história das interações anteriores (McADAM, TARROW e TILLY, 2005, p. 152).
A concepção analítica dos estudos da dinâmica de confronto, como expresso acima, integra em seu marco teórico, diálogo com o interacionismo de Golffman. Tilly avança mais nessa perspectiva, escrevendo a obra Performance de Confronto. Alonso destaca esse itinério realizado por Tilly, quando discuti o conceito de repertório, sinalizando a passagem de um Tilly estruturalista para relacional.
Tilly partiu, em 1976, de uma noção de repertório como formas de ação reiteradas em diferentes tipos de conflito; abordagem estruturalista e racionalista, concentrada na ligação entre interesse e ação e privilegiando atores singulares. Trinta anos depois, o conceito se apresenta relacional e interacionista, privilegia a experiência das pessoas em interações conflituosas, e o uso e a interpretação dos scripts em performances, a nova unidade mínima do repertório. A adição de performance e o olho nas interações foi seu modo de adensar a agency e mitigar o estruturalismo de origem. Tilly começou botânico das formas de protesto, classificando, categorizando, discernindo padrões e permanências, e chegou a músico atento ao improviso e ao contingente na interpretação das partituras sociais, as interações (ALONSO, 2012, p.32).
Para melhor compreensão da sua metáfora, Alonso utiliza-se do exemplo do jazz e do teatro pinçada por Tilly para descrever a relação repertório-performance, quando inclui ao seu acervo de noções teóricas de script, chamando atenção de que esta é uma reverberação de Goffman. Distinguir teatro e ritual visa a acentuar criatividade e improviso, em vez de repetição, no uso do repertório, bem como enfatizar a margem de manobra dos atores, suas possibilidades
de interpretação singular do script. Script passa a integrar uma das formas de ação do repertório, destacando que aí a criatividade envolvida nas performances é tal, que cada uma se particulariza.
Se olharmos de perto uma reivindicação coletiva, veremos que casos particulares improvisam a partir de roteiros [scripts] compartilhados. […]. A metáfora teatral chama a atenção para o caráter agrupado, aprendido, e ainda assim improvisado das interações [...]. Reivindicar usualmente se parece com jazz e commedia dell´arte mais do que com a leitura ritual de uma escritura sagrada. Como um trio de jazz ou grupo de teatro de improviso, as pessoas que participam em política confrontacional normalmente podem atuar em diversas peças, mas não numa infinidade delas (Tilly apud ALONSO, 2012, p. 30).
Para Goffman, as metáforas teatrais têm a finalidade de representar a maneira pela qual os indivíduos atuam e apresentam suas imagens ante si mesmo e aos outros. A atuação (performance) constitui o ato e o estilo de atuar, representar um papel frente uma plateia, uma
audiência. A “gestão de impressões" (impression management), é outro conceito formulado
para referir-se a maneira pela qual os indivíduos, em diferentes cenários, procuram criar
impressões particulares nas mentes dos outros. O “eu” (self) das pessoas, diante de uma plateia,
é o resultado do processo de administração da impressão de como o outro constrói as imagens que a pessoa quer que ela capte. São essas impressões e imagens que constituem, no conjunto, a forma como as pessoas se expressam (gestos, posturas e maneiras de falar), constroem códigos a serem descodificados no contexto das estruturas e sistemas de significado (AMPARAN, 2006).
No estudo do ciclo de protesto de junho de 2013, procuro identificar as oportunidades políticas e estrutura de mobilização que possam ter gerado a irrupção das manifestações, investigando nesse processo as ações coletivas que vieram conformar os quadros interpretativos dominantes (masterframes). A partir do estudo de Alonso e Mische (2016) assumo que os quadros interpretativos neste ciclo se apresentaram politicamente enquanto expressões públicas reconhecidas como autonomistas, socialistas e patriotas.
Nesse processo político, procuro estabelecer as articulações necessárias para correlacionar as oportunidades políticas, estruturas de mobilização e repertórios de confronto, observando a constituição e as expressões das redes informais de ativistas e organizações de movimentos sociais, para inserir na análise a abordagem sobre (frame) quadros interpretativos (HUNT, BENFORD e SNOW, 2001; McADAM, McCARTHY e ZALD, 1999; TARROW, 2009; AMPARAN, 2006).
tomado emprestado de Erving Goffman, para quem um quadro constitui um esquema de interpretação, que permite que os indivíduos localizem, percebam, identifiquem, classifiquem e definam situações dentro de seu espaço de vida e do mundo em geral. Essa noção é retomada e reinterpretada como um conceito que lida com a produção de significados na ação, o que legitima as atividades do social orientada para o movimento. Os autores sublinham a função dos "quadros", enquanto dispositivos que ocultam ou chamam atenção dos agentes em uma situação ou acontecimento desprovido de justiça.
Com base no conceito de quadro, Goffman quer resolver o problema relacionado ao fato de que agentes sempre enfrentam qualquer situação social com uma questão, implícita ou explicitamente formulado: Que é o que acontece aqui? Na opinião dele, a possibilidade de que os indivíduos respondam a esta pergunta, resulta do fato de que tem à sua disposição um conjunto de "quadros" básicos de compreensão para dar sentido aos eventos externos.
Então, as definições de uma situação são construídas de acordo com os princípios de organização que governam os eventos sociais e a nossa participação neles. Usando o termo "quadro de referência", Goffman refere-se a esses princípios de organização. No livro “Os quadros da experiência social” (GOFFMAN, 2012) o autor está interessado em examinar como ele gera experiência e conhecimento sobre o mundo. Ele se pergunta sobre a possibilidade de que um evento ou situação alcançar o status de algo real. Pressupõe a possibilidade do surgimento de algum tipo de sentido para realidade em que os agentes sintetizem em sua existência princípios de organização ou quadros de referência.
Desta forma, Goffman tenta dar uma base geral a sua Sociologia. Esta é constituída exatamente pela noção de "frames", quadros de interpretação (estruturas de compreensão), que orientam não só a interpretação de ações sociais, mas também a realização em si das atividades sociais. O núcleo conceptual do trabalho é a ideia da existência de marcos primários (estruturas primárias) que funcionam como esquemas interpretativos que permitem ao indivíduo reconhecer um evento e dar sentido à qualquer sem sentido em uma cena.
Os quadros ou marcos primários podem ser classificados em dois tipos: marcos natural e sociais "frames". Os primeiros conduzem a identificar situações no mundo exterior como evento; os segundos permitem identificar as situações externas como ações. Goffman assegura
que muitos eventos necessitam da aplicação de “frames” secundários. Por exemplo, as
"modulações" (keyings), através das quais uma atividade seria tomada como um modelo para produzir um outro tipo de atividade, que embora seja semelhante, sua finalidade é completamente diferente da atividade que toma como modelo. Um outro tipo de marco
secundário é o que o autor chama de "fabricações" (fabrications). Esses marcos são gerados quando os indivíduos tentam induzir uma falsa crença sobre uma atividade em outros agentes. Como falado anteriormente, as metáforas teatrais têm a finalidade de representar a maneira pela qual os indivíduos atuam e apresentam suas imagens a si e aos demais, em uma atuação performática, construindo o seu eu (self) no mundo. O que é possível porque cada um, o ser eu no mundo, torna-se real através de signos e constroe referencias estruturantes para vida em sociedade, extrapolando às vezes com essa interpretação (quadro) o cultural, dada a subjetividade aí contida.
A partir disso, Goffman trata de estabelecer os quadros de significados mediante os quais, nos rituais da interação, se produzem o encontro entre as microestruturas de sentido que compõem a expressão da pessoa e a macroestrutura de significado que compõe a cultura. Assim a realidade social é analisada como um texto e os marcos que organizam as experiências criam referências para a ação individual ou coletiva serem decodificadas, interpretadas. Os marcos são esquemas interpretativos que simplificam e condensam a realidade social, ao selecionar e decodificar situações ou eventos e relacioná-los com o ambiente em que o ator encena. Neste sentido, os processos de enquadramento da pessoa na vida quotidiana atribui significado às situações para daí interpreta-las. As definições de uma situação são construídas com base nos princípios de organização, que governam tanto os eventos sociais quanto a participação dos atores. E é através do conceito de quadro que se explica estes princípios de organização. Um quadro interpretativo é constituído por um esquema de interpretação que capacita os indivíduos para ordenar suas experiências dentro de seus espaços de vida cotidianos e no mundo em geral. Com base nesta elaboração, utilizo a categoria frames na pesquisa para captar elementos culturais e ideológicos que conformaram esse ciclo de protestos. Isso porque os movimentos sociais, como ressalta Tarrow (2009, cf., p.143-144), sempre estão instados à tarefa de nomear descontentamento, conectando-os a outros descontentamentos e produzindo quadros de significados amplos e que façam sentido para cultura da população onde se desenrola a ação. A partir daí constroem uma mensagem que seja compreensível para os detentores do poder e a opinião pública em geral.
Para discutir as peculiaridades dos protestos ocorridos no Brasil, procuro fazer um delineamento dos quadros interpretativos (frames) específicos e quadros interpretativos dominantes ou estratégicos (masterframe) identificados nesse processo. Os quadros interpretativos se conformam pela dimensão cultural e ideológica da difusão de ideias que movem os participantes dos protestos e organizações de movimentos sociais e redes que o
integram. Os quadros interpretativos se orientam para a ocorrência de ações coletivas em contextos particulares e se constroem na intersecção entre o caldo de cultura da população e os valores e objetivos do movimento.
Um quadro interpretativo é
[...] um esquema interpretativo que simplifica e condensa o ‘mundo exterior’ ao demarcar e simbolizar seletivamente os objetivos, situações, acontecimentos, experiências e as associações que são produzidas acerca do presente e do passado de cada indivíduo (tradução livre) (HUNT, SNOW e BENFORD, 2001, p. 228).
Entendo que o conceito de quadro interpretativo principal ou estratégico busca explicar, na observação empírica, como ocorrem quando surgem ciclos de protestos onde não se encontram presentes estruturas de oportunidade políticas favoráveis, tendo em vista que se havia teorizado que o motor que conduz aos ciclos de protestos são estas oportunidades. Com esta categoria procurou-se uma explicação alternativa desde uma perspectiva de enquadramento dos movimentos sociais, para dar conta dos casos em que certo número de movimentos mantém-se mobilizados durante um período, apesar das condições estruturais não propicias para uma mobilização generalizada. Frente a um ciclo de protesto com essas características, poderia atribuir-se a existência do ciclo ao desenvolvimento de um quadro interpretativo principal ou estratégico. O quadro interpretativo estratégico tem um caráter mais geral, é um quadro de ação coletiva de maior alcance e influência em relação a quadros interpretativos de movimentos sociais específicos ou setoriais. A maioria dos quadros interpretativos de ação coletiva responde a contextos específicos, um quadro interpretativo estratégico estabelece articulações e atribuições que são bem mais largas, flexíveis e suficientemente inclusivas para que outros movimentos possam adotar a mesma visão, criando as condições para conseguir êxito no protesto (BENFORD, 2013, cf. p. 366-367).
Os enquadramentos da ação coletiva destacam certos aspectos da realidade, e ao mesmo tempo atuam como base para atribuição e articulação de significados. Os quadros interpretativos concentram a atenção em uma situação especifica e problemática, apontando esta como sendo de responsabilidade de determinadas pessoas ou atos e articulam propostas alternativas, entre as quais se incluem aquelas que os atores dos movimentos devem fazer para conseguir a mudança desejada. Conforme Hunt, Benford e Snow, para alcançar o consenso e a mobilização coletiva, os quadros interpretativos precisam cumprir três tarefas fundamentais: a de criação de marcos diagnósticos, prognóstico e de mobilização. Ou seja, para promover a mobilização do consenso é necessário que seja estabelecido previamente quadros coerentes de
diagnóstico e prognóstico, e mesmo assim o acordo sobre essas definições da realidade especial não gerará automaticamente a ação coletiva (HUNT, BENFORD e SNOW, 2001).
Para que as pessoas decidam passar à ação, orientados por objetivos em vista do enfrentamento e solução do problema percebido como uma injustiça, será preciso que elas desenvolvam um conjunto de razões urgentes e convincentes para realiza-la, tenham motivações bem concretas e desenvolvam certa reflexividade sobre seu lugar no mundo (LARANÃ, 2001; MELUCCI, 2001a). Faz-se necessário, nesse âmbito, criar um vocabulário de motivos adequados e razões plausíveis que justifiquem a ação a favor de uma causa. Portanto