Pequim é a capital da República Popular da China (RPC) e uma das metropóles mais populosas do mundo, segundo a agência Beijing Statistics Bureau15, atingiu no
final de 2012 cerca de 20,69 milhões de habitantes. A história da cidade remonta três milênios, e nos últimos sete séculos a cidade têm sido o centro político do país.
A cidade é um importante centro de transportes no Norte da China, com cinco anéis viários, nove vias expressas, onze estradas nacionais, nove ferrovias convencionais e duas ferrovias de alta velocidade convergentes com a cidade.
Segundo Lee (2007) o tecido urbano de Pequim, embora constituído a partir de um sistema de muros, assemelha-se a uma trama (rede) e não converge a uma “praça” (lócus central onde haveria feiras e mercados, onde o comércio ocorreria – padrão tipicamente ocidental, em especial nas cidades mais antigas). Dentro do núcleo urbano, as ruas da cidade em geral, seguem o padrão de xadrez da antiga capital.
Os congestionamentos são uma grande preocupação. Mesmo fora dos horários de pico, várias estradas continuam com tráfego congestionado. O seu sistema de transportes de massa é relativamente precário e seu desenho urbano agrava ainda mais os problemas de transporte. Para tentar minimizar os problemas, as autoridades introduziram vários corredores de ônibus que são utilizados exclusivamente durante o horário de pico.
No final de 2010, o governo da cidade anunciou uma série de medidas drásticas para enfrentar os congestionamentos, incluindo a limitação do número de novos licenciamentos para carros de passageiros a 20 mil por mês e também barrando carros com placas que não sejam de Pequim das áreas que entram no quinto anel viário durante o horário de pico.
O transporte urbano de Pequim é dependente dos cinco anéis viários (Figura 16) que rodeiam a cidade de forma concêntrica, com a Cidade Proibida16, área marcada
como o centro geográfico para as estradas do anel.
Não existe um caminho exato chamado "primeiro anel viário". Alguns mapas incluem uma linha amarela fraca em torno da Cidade Proibida para marcar a primeira rota feita pelos bondes em 1920, que atraiu o nome de (1ª Ring Road). Era um anel classificado como de segunda classe, devido suas características. Ele foi desativado no período de invasão japonesa (II Guerra Mundial) e até hoje é controverso qual seria seu verdadeiro traçado.
Então, o “Primeiro Anel” rodoviário viria a ser o que hoje se chama de (2ª Ring
Road). O seu traçado acompanha o da antiga muralha da Cidade Imperial. Ele vem
junto a um processo de abertura de largas avenidas, principalmente no sentido Leste-Oeste, em substituição aos hutongs (ruas sem pavimentação, com largura variando de 4 a 6 metrôs e densamente povoadas). Essas ruas eram de difícil
16 A Cidade Proibida foi o palácio imperial da China desde meados da Dinastia Ming até ao fim
da Dinastia Qing. Fica localizada no centro da antiga cidade de Pequim. O título de Cidade Proibida surgiu pelo fato de somente o imperador, sua família e empregados especiais terem a permissão para entrar no conjunto de prédios do palácio.
acesso aos veículos de policiamento, do corpo de bombeiros e de transporte coletivo (SIT, 1996).
O início de sua construção foi em 1980 e foi concluído em 1990. Ele circunda o centro de Pequim, em um formato retangular. O anel percorre os Distritos de Doncheng, Xicheng, Chongwen e Xuanwu, Xizhimen, Dongzhimen, Caihuying e Zuo'anmen.
É importante destacar, que já em meados dos anos 1990, os congestionamentos no seu trecho Norte eram constantes e não se restringiam aos horários de pico, uma vez que 30% do tráfego da antiga cidade de Pequim utilizavam o anel para seu deslocamento diário (SIT, 1996).
A construção do segundo anel viário, chamado de (3º Ring Road) começou na década de 1980 e foi concluído na década de 1990. Ele se conecta a muitas áreas, incluindo o Beijing BD e as comunidades diplomáticas. Ele está situado próximo ao centro da cidade e se conecta às principais vias expressas, como a via expressa do aeroporto, Badaling Expressway e Jingshi Expressway.
O 3º Ring Road se fez necessário, pois os congestionamentos do “Segundo” e o difícil deslocamento Leste-Oeste eram incompatíveis com o Plano de Desenvolvimento Produtivo da Região de Pequim, que escolheu as regiões Leste e Oeste da capital para abrigarem novas fábricas e siderúrgicas (JABBOUR, 2006). Os gargalos das vias inconclusas acabaram por “desaguar” no novo anel.
Para Maciel (2011), o ponto é que o 3º Ring Road inicia suas operações sem que o 2º Ring Road, estivesse totalmente completado (embora em funcionamento). A demanda reprimida por causa dos congestionamentos do Segundo Anel e das suas condições ainda precárias de circulação fez com que 3º Ring Road ficasse logo saturado.
O terceiro anel viário, chamado de (4º Ring Road) começou a operar em 2001 e estende-se a 8 km do centro da cidade e liga as partes mais remotas da cidade com
as principais vias expressas. A parte Ocidental de Pequim, o Distrito de Fengtai e Pequim Oriental estão todos conectados através desse anel viário. Tanto a
Expressway Jingshen e Jingting Expressway começam neste anel viário.
A expansão da mancha urbana, viabilizada pela motorização, fez com que a distância dos trajetos diários aumentasse. O resultado foram níveis muito elevados de engarrafamentos, que foram tomando cada novo anel e aumentando o conflito de tráfego.
O quarto anel viário, chamado de (5º Ring Road) está situado em torno de 10 quilômetros do centro de Pequim, e liga as zonas suburbanas de Huantie,
Shigezhuang, Dingzhuang, Ciqu e também a área de desenvolvimento de
Pequim. Este anel viário foi apelidado de "Avenida Olímpica" devido à sua proximidade das sedes olímpicas em 2008.
O quinto anel viário (6º Ring Road) está situado em torno de 15 a 20 quilômetros do centro de Pequim e é o anel rodoviário mais distante do centro. Foi só recentemente construído na metade anterior da década de 2000. Suas operações iniciaram em 2003, possui 130 km de via expressa que liga Expressway Badaling para Jingshi
Expressway. Este anel viário liga o centro de Pequim aos Distritos de Shunyi, Tongzhu, Changping e Daxing.
Abaixo na (Tabela 2), o resumo do sistema de anéis viários que circundam a cidade.
Tabela 2 - Sistema de anéis viários de Pequim - China ANEL VIÁRIO INÍCIO DA
IMPLANTAÇÃO
INÍCIO DAS OPERAÇÕES
PEDAGIADO
2º Ring Road Década 1980 1990 Não 3º Ring Road Década 1980 1994 Não 4º Ring Road Década 1990 1999 Não 5º Ring Road Década 1990 2001 Não 6º Ring Road 2000 2003 Sim
Figura 16 - Sistema viário da Região Metropolitana de Pequim - China
Fonte: Google Earth (2012)
Dado o processo de crescimento e suburbanização de Pequim e a crescente frota de veículos particulares um sétimo anel está sendo planejado para ser implantado. Para Maciel (2011, p. 76) numa avaliação sobre os anéis viários de Pequim, as lições são várias e ele ilustra pelo menos três sendo a primeira delas é que não necessariamente os anéis viários e seus entroncamentos rodoviários antecedem e causam o espraiamento urbano, para o autor a própria política de uso e ocupação do solo, pode ser indutora da expansão da mancha urbana. A segunda lição se refere aos diferentes objetivos do planejamento, que embora centralizado, tem contradições inerentes. E a terceira lição é sobre a elaboração de um sistema de mobilidade urbana. Dadas às políticas de uso e ocupação do solo e de expansão industrial (local e nacional), a geração de tráfego e os incentivos à motorização se dão mais rápidos que a própria capacidade de planejar e ajustar a infraestrutura de transportes, aplicando-se medidas insuficientes ou incorretas de precificação pelo uso das vias rodoviárias, além de uma sobrecarga da infraestrutura e uma sequência de medidas que aliviam momentaneamente os congestionamentos, porém, induzem a criação de novos.