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2.2. Tali Muharebeler

2.2.1. Şemahı Muharebeleri

2.2.1.1. Aras Han Muharebesi (9-11 Kasım 1578)

Conforme tratado no item 2.4, é de conhecimento geral que a Lei 12.334 (“lei de segurança de barragens”) instituiu, como primeiro de seus instrumentos, um sistema de classificação de barragens por categoria de risco e dano potencial associado. Essa classificação, baseada em índices de risco e matrizes de classificação, é fruto da experiência acumulada ao longo dos anos com as metodologias anteriormente apresentadas.

A adoção de um sistema de classificação na lei ratifica a relevância dos métodos, ainda que de uso preliminar, para a análise de risco em portfólio de barragens. A classificação de barragens em questão constitui-se a base para análise de segurança das barragens abrangidas pela Lei 12.334, fixando níveis de monitoramento, inspeção e planos de segurança.

A definição das diretrizes para estabelecimento dos critérios gerais de classificação de barragens foi atribuída ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH. Assim sendo, a Resolução n° 143, de julho de 2012, divulgou as regras gerais de classificação de barragens por categoria de risco, dano potencial associado e pelo volume do reservatório.

Importante salientar que compete aos órgãos fiscalizadores a regulamentação de alguns dispositivos da lei, diferindo em função do uso que é dado ao barramento. Como já exposto, no caso das barragens de geração de energia elétrica, essa responsabilidade cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Nesse sentido, podem existir alterações, ainda que mínimas, na regulamentação dos critérios para classificação dos empreendimentos de energia elétrica. Até o presente momento (fevereiro de 2014) não existe regulamentação da ANEEL em vigor e, portanto, é exibido o sistema de classificação definido na íntegra pelo CNRH, relativo a barragens de acumulação de água.

A classificação proposta pelo CNRH utiliza três matrizes de classificação para determinar a categoria de risco. Sua definição em alto, médio ou baixo é feita em função das características técnicas, do estado de conservação do empreendimento e do atendimento ao Plano de Segurança da Barragem. A EQUAÇÃO 2.28 sintetiza essa relação.

CRI = CT + EC + PS (2.28)

CRI = categoria de risco; CT = características técnicas; EC = estado de conservação;

PS = plano de Segurança da Barragem.

As TAB. 2.18, 2.19 e 2.20 mostram as respectivas matrizes de classificação que compõem a categoria de risco (CRI). Vários dos descritores selecionados no método são similares àqueles observados nas metodologias anteriores. Carim et al. (2013), por meio de uma análise crítica dos descritores, propõem critérios de avaliação para cada um deles, com o intuito de uniformizar a classificação das matrizes.

TABELA 2.18 – Matriz de classificação – características técnicas

ALTURA (H) (a) COMPRI- MENTO (b) TIPO DE BARRAGEM QUANTO AO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO (c) TIPO DE FUNDAÇÃO (d) IDADE DA BARRAGEM (e) VAZÃO DE PROJETO (f) H ≤ 15m (0) Comprimento  200m (2) Concreto convencional (1) Rocha sã (1) entre 30 e 50 anos (1) Decamilenar ou CMP (Cheia Máxima Provável) - TR = 10.000 anos (3) 15m <H < 30m (1) Comprimento > 200m (3) Alvenaria de pedra / Concreto ciclópico / Concreto rolado-CCR (2)

Rocha alterada dura com tratamento (2) entre 10 e 30 anos (2) Milenar - TR = 1.000 anos (5) 30m ≤H ≤ 60m (2) .. Terra homogênea /Enrocamento / Terra enrocamento (3)

Rocha alterada sem tratamento / Rocha alterada fraturada com

tratamento (3)

entre 5 e 10

anos (3) TR = 500 anos (8)

H > 60m

(3) .. ..

Rocha alterada mole / Saprolito / Solo compacto (4) < 5 anos ou > 50 anos ou sem informação(4) TR < 500 anos ou Desconhecida / Estudo não confiável (10)

.. .. .. Solo residual / aluvião

(5) .. ..

Fonte: Adaptado de BRASIL, 2012, p. 151.

O valor de CT é dado pela EQ. 2.29:

CT = ∑ (a até f) (2.29)

Em que:

CT = características técnicas;

TABELA 2.19 – Matriz de classificação – estado de conservação

CONFIABILIDADE DAS ESTRUTURAS EXTRAVASORAS (g)

CONFIABILIDADE DAS ESTRUTURAS DE ADUÇÃO

(h)

PERCOLAÇÃO (i) DEFORMAÇÕES E RECALQUES (j)

DETERIORAÇÃO DOS TALUDES / PARAMENTOS (l)

ECLUSA (m)

Estruturas civis e eletromecânicas em pleno funcionamento / canais de aproximação ou de

restituição ou vertedouro (tipo soleira livre) desobstruídos (0)

Estruturas civis e dispositivos hidroeletromecânicos em

condições adequadas de manutenção e funcionamento

(0)

Percolação totalmente controlada pelo sistema

de drenagem (0)

Inexistente (0) Inexistente (0) Não possui eclusa (0)

Estruturas civis e eletromecânicas preparadas para a operação, mas sem fontes de suprimento de energia de emergência / canais ou vertedouro

(tipo soleira livre) com erosões ou obstruções, porém sem riscos à estrutura vertente (4)

Estruturas civis comprometidas ou dispositivos hidroeletromecânicos com problemas identificados, com

redução de capacidade de adução e com medidas corretivas em implantação (4)

Umidade ou surgência nas áreas de jusante, paramentos, taludes ou ombreiras estabilizada e/ou monitorada (3) Existência de trincas e abatimentos de pequena extensão e impacto nulo (1)

Falhas na proteção dos taludes e paramentos, presença de arbustos de pequena extensão e impacto nulo (1) Estruturas civis e eletromecânicas bem mantidas e funcionando (1)

Estruturas civis comprometidas ou dispositivos hidroeletromecânicos com problemas identificados, com redução de capacidade de

adução e com medidas corretivas em implantação / canais ou vertedouro (tipo soleira livre) com erosões e/ou parcialmente obstruídos, com risco de comprometimento da estrutura

vertente (7)

Estruturas civis comprometidas ou dispositivos hidroeletromecânicos com problemas identificados, com

redução de capacidade de adução e sem medidas

corretivas (6)

Umidade ou surgência nas áreas de jusante, paramentos, taludes ou ombreiras sem tratamento ou em fase de diagnóstico (5) Trincas e abatimentos de impacto considerável gerando necessidade de estudos adicionais ou monitoramento (5) Erosões superficiais, ferragem exposta, crescimento de vegetação generalizada, gerando necessidade de monitoramento ou atuação corretiva (5) Estruturas civis comprometidas ou dispositivos hidroeletromecânicos com problemas identificados e com medidas corretivas em

implantação (2)

Estruturas civis comprometidas ou dispositivos hidroeletromecânicos com problemas identificados, com redução de capacidade de

adução e sem medidas corretivas / canais ou vertedouro (tipo soleira livre) obstruídos ou com

estruturas danificadas (10)

..

Surgência nas áreas de jusante, taludes ou

ombreiras com carreamento de material ou com vazão crescente

(8) Trincas, abatimentos ou escorregamentos expressivos, com potencial de comprometimento da segurança (8) Depressões acentuadas nos taludes, escorregamentos, sulcos profundos de erosão, com

potencial de comprometimento da segurança (7) Estruturas civis comprometidas ou dispositivos hidroeletromecânicos com problemas identificados e sem medidas corretivas (4)

O valor de EC é calculado pela EQ. 2.30:

EC = ∑ (d até g) (2.30)

Em que:

EC = estado de conservação;

d até g = descritores da matriz de estado de conservação.

TABELA 2.20 – Matriz de classificação – plano de segurança

EXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO DE PROJETO (n) ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E QUALIFICAÇÃO TÉCNICA DOS PROFISSIONAIS DA EQUIPE DE SEGURANÇA DE BARRAGEM (o) PROCEDIMENTOS DE ROTEIROS DE INSPEÇÕES DE SEGURANÇA E DE MONITORAMENTO (p) REGRA OPERACIONAL DOS DISPOSITIVOS DE DESCARGA DA BARRAGEM (q) RELATÓRIOS DE INSPEÇÃO DE SEGURANÇA COM ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO (r) Projeto executivo e "como construído" (0) Possui estrutura organizacional com técnico responsável pela segurança da

barragem (0) Possui e aplica procedimentos de inspeção e monitoramento (0) Sim ou Vertedouro tipo soleira livre (0) Emite regularmente os relatórios (0) Projeto executivo ou "como construído" (2)

Possui técnico responsável pela segurança da barragem

(4)

Possui e aplica apenas procedimentos de

inspeção (3)

Não (6) Emite os relatórios sem periodicidade (3)

Projeto básico (4)

Não possui estrutura organizacional e responsável

técnico pela segurança da barragem (8)

Possui e não aplica procedimentos de inspeção e monitoramento (5) .. Não emite os relatórios (5) Anteprojeto ou Projeto conceitual (6) ..

Não possui e não aplica procedimentos para monitoramento e inspeções (6) .. .. Inexiste documentação de projeto (8) .. .. .. ..

Fonte: Adaptado de BRASIL, 2012, p. 151.

O valor de PS é dado por:

Em que:

PS = plano de segurança da barragem;

n até r = descritores da matriz de plano de segurança da barragem.

A classificação por categoria de dano potencial associado à barragem em alto, médio ou baixo é feita em função do potencial de perdas de vidas humanas e dos impactos econômicos, sociais e ambientais decorrentes da ruptura da barragem. Associado à matriz de dano potencial, apresentada na TAB. 2.21, também consta o critério de volume do reservatório.

TABELA 2.21 – Matriz de classificação – dano potencial associado

VOLUME TOTAL DO RESERVATÓRIO PARA BARRAGENS DE USO MÚLTIPLO/ APROVEITAMENTO ENERGÉTICO (s) POTENCIAL DE PERDAS DE

VIDAS HUMANAS (t) IMPACTO AMBIENTAL (u)

IMPACTO SOCIO- ECONÔMICO (v)

PEQUENO < = 5hm³ (1)

INEXISTENTE (não existem pessoas permanentes/residentes ou temporárias/transitando na área

a jusante da barragem) (0)

SIGNIFICATIVO (quando a área afetada pela barragem não representa área de

interesse ambiental, áreas protegidas em legislação específica ou encontra-se totalmente descaracterizada de

suas condições naturais) (3)

INEXISTENTE (quando não existem quaisquer

instalações e serviços de navegação na área afetada por

acidente da barragem) (0)

MÉDIO 5 a 75hm³ (2)

POUCO FREQUENTE (não existem pessoas ocupando

permanentemente a área a jusante da barragem, mas existe estrada vicinal de uso local) (4)

MUITO SIGNIFICATIVO (quando a área afetada da barragem apresenta interesse

ambiental relevante ou protegida em legislação

específica) (5)

BAIXO (quando existe pequena concentração de instalações

residenciais e comerciais, agrícolas, industriais ou de infraestrutura na área afetada

da barragem) (4)

GRANDE 75 a 200hm³ (3)

FREQUENTE (não existem pessoas ocupando

permanentemente a área a jusante da barragem, mas existe

rodovia municipal ou estadual ou federal ou outro local e/ou

empreendimento de permanência eventual de

pessoas que poderão ser atingidas (8)

..

ALTO (quando existe grande concentração de instalações

residenciais e comerciais, agrícolas, industriais, de infraestrutura e serviços de lazer e turismo na área afetada

da barragem ou instalações portuárias ou serviços de navegação) (8) MUITO GRANDE > 200hm³ (5) EXISTENTE (existem pessoas ocupando

permanentemente a área a jusante da barragem, portanto

vidas humanas poderão ser atingidas) (12)

.. ..

O valor de DPA é dado pela EQ. 2.32:

DPA = ∑ (s até v) (2.32)

Em que:

DPA = dano potencial associado;

s até v = descritores da matriz de dano potencial associado.

A Resolução n° 143 do CNRH estabelece faixas de classificação, separadamente, para a categoria de risco (CRI) e para o dano potencial associado (DPA). O risco, propriamente dito como probabilidade de falha e consequência, não é explicitado. No entanto, a grandeza do risco pode ser inferida partindo do pressuposto de que os dois fatores (CRI e DPA), de certa forma, traduzem o par de valores probabilidade e consequência.

Assim sendo, pode-se assumir que:

 o fator Categoria de risco (CRI) é a probabilidade de falha

 o fator Dano potencial associado (DPA) é a consequência resultante Com isso, o valor do Risco é dado pela EQ.2.33:

R = CRI x DPA (2.33)

Em que: R = risco;

CRI = categoria de risco;

DPA = dano potencial associado;

Ainda que falha quanto à nomenclatura técnica de risco, a metodologia da Lei 12.334 enquadra-se em uma das “boas práticas” da gestão de segurança de barragens adotadas internacionalmente. A implementação expedita do método, além de atender ao objetivo primário de classificação das barragens, também permite uma primeira reflexão sobre possíveis modos de falha de uma barragem e pode permitir o estabelecimento de níveis de monitoramento. A análise preliminar de portfólio, com a promulgação da lei, abrange o universo de barragens brasileiras, podendo fornecer um panorama geral da segurança de barragens de todo o país.