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2.1. Ana Muharebeler

2.1.1. Çıldır Muharebesi (9 Ağustos 1578)

A atividade de apreciação de risco trabalha com a definição de critérios de aceitabilidade e tolerabilidade dos riscos, constituindo-se provavelmente o tema mais polêmico no universo da gestão de risco. A apreciação de risco ultrapassa a fronteira do mundo técnico da engenharia de barragens em direção a um enfoque mais subjetivo de julgamento de valores, abrangendo interesses políticos, sociais, econômicos e legais. No caso de barragens, tem o agravante de envolver riscos cujas consequências podem envolver um número elevado de perdas de vidas, embora associados a probabilidades de ocorrências extremamente baixas. É perceptível na mídia como a sociedade valoriza de forma diferente os acidentes de reduzida probabilidade e elevada consequência (ex: acidentes aéreos) e aqueles de alta probabilidade e baixa consequência (acidentes de transporte terrestre), mesmo que os riscos calculados (probabilidade x consequência) sejam equivalentes.

Para o entendimento da matéria, é importante discutir os conceitos de risco individual (de interesse para os indivíduos) e o societal (de interesse à sociedade como um todo). ICOLD (2005) identifica dois princípios fundamentais para o tema: o da equidade, onde os direitos individuais e da sociedade devem ser protegidos; e o da eficiência, sobre a necessidade que a sociedade tem de distribuir e usar os recursos disponíveis de tal forma a obter o máximo de benefícios.

Assim, o risco individual equivale ao incremento de risco imposto a um indivíduo pela existência de uma unidade ou atividade industrial perigosa. Esse incremento de risco é um adicional ao risco de vida, com o qual o indivíduo viveria em uma base diária se a unidade não existisse, ou, no contexto da segurança de barragens, se a barragem não rompesse. Já o risco societal é aquele que assume consequências de grande escala e/ou abrangência, implicando em uma resposta do meio social e político, por meio de discussão pública e de mecanismos de regulação. Riscos dessas dimensões (societais) estão tipicamente distribuídos de forma desigual, assim como os respectivos benefícios esperados. Por exemplo, a construção de uma barragem representa um risco para as populações situadas no vale a jusante, mas, por outro lado, pode trazer benefícios para uma população bem

maior que se beneficia do abastecimento de água (localizada longe do empreendimento ou em outras bacias hidrográficas) ou até mesmo para toda a sociedade, considerando a disponibilidade de energia por meio de um sistema interligado. A distribuição e o equilíbrio dos custos e benefícios principais é uma responsabilidade do Estado, estando também sujeitos à discussão pública.

Os critérios de aceitabilidade e tolerabilidade representam os limites máximos admissíveis para o risco. Sua terminologia, de divulgação amplamente aceita atualmente, é definida pelo Health &

Safety Executive – HSE, órgão executivo para a saúde e a segurança do Reino Unido, país possuidor

de uma longa tradição de regulamentação nessas áreas, que remonta ao século XIX. A maioria das recomendações internacionais em tolerabilidade é baseada neles. A FIG. 2.11 mostra o princípio de definição dos critérios.

FIGURA 2.11 – Princípios de aceitabilidade e tolerabilidade Fonte: Adaptado de HSE, 2001, p. 42.

Segundo HSE (2001), o triângulo da FIG. 2.11 representa o aumento do nível de risco para uma atividade perigosa em particular. A zona escura, no topo, representa uma região inaceitável. Para fins práticos, um risco particular que se insira nessa região é considerado inaceitável, qualquer que seja o nível de benefícios associados com a atividade. A zona clara, na base, representa, por outro lado, uma região amplamente aceitável de risco. Riscos presentes nessa região são considerados insignificantes e adequadamente controlados. Já a zona intermediária é considerada uma região tolerável, cujos riscos são, tipicamente, de atividades para as quais a população está preparada para tolerar em troca da garantia de benefícios. Nesse caso, os riscos residuais devem ser mantidos tão baixos quanto razoavelmente praticáveis, determinado pelo princípio ALARP (As Low As

Reasonably Practicable). Evidentemente, a natureza e os níveis de risco devem estar

adequadamente avaliados, assim como devem ser revistos periodicamente de forma a garantir que ainda atendam ao princípio ALARP.

Retomando sobre o risco societal, ele é geralmente expresso por meio de curvas F-N, onde na ordenada plota-se o valor de F (probabilidade anual de um acidente com um número de fatalidades igual ou superior a N) e na abcissa o valor de N (número de fatalidades). Apresenta-se um exemplo de curva F-N na FIG. 2.12. Importante observar que, nesse modo de representação, só é levada em consideração a consequência associada à perda de vidas humanas, omitindo outros impactos possíveis, tais como os ambientais e econômicos. O gráfico F-N está enquadrado no âmbito das análises de risco quantitativas.

FIG. 2.12 – Curvas F-N para o risco societal Fonte: Adaptado de CDA, 2007, p. 62.

De modo geral, podem-se distinguir três zonas na análise das curvas F-N, em conformidade com os princípios definidos por HSE (2001): a zona de riscos aceitáveis; a de riscos inaceitáveis; e a intermediária, de riscos toleráveis, onde se aplica o princípio ALARP. A separação entre as zonas é realizada pelos limites de aceitabilidade e tolerabilidade.

Existem vários modelos de curvas F-N desenvolvidos por entidades de diferentes países. ICOLD (2005) sustenta que a tolerabilidade ao risco difere para cada país, pois depende da questão cultural. A FIG. 2.13 apresenta curvas de ampla divulgação no meio técnico.

FIGURA 2.13 – Curvas F-N a) Austrália (ANCOLD) b) EUA (USBR)

Fonte: Adaptado de RETTEMEIER et al., 2000, p. 629.

Para as análises qualitativas (e semiquantitativas), Pimenta (2009) relata sobre outras representações que vêm sendo desenvolvidas, como as matrizes de risco, que classificam a probabilidade e consequência por meio de escalas numéricas ou descritivas. Conforme ressaltado pela autora, esse tipo de ferramenta de apreciação de risco é, pela sua natureza, mais subjetivo do que aquelas utilizadas nas análises quantitativas (ex: curvas F-N), sendo usual encontrar diferentes matrizes de risco. Essas diferenciações decorrem de necessidades de ajustes específicos, seja por particularidades técnicas do portfólio de barragens sob análise, seja pela importância relativa dos pontos sob avaliação.

Para permitir a classificação, cada classe deve estar associada a uma explicação descritiva. Além disso, as matrizes de risco, por meio da gradação de cores, podem ser usadas para delinear diretrizes aproximadas de aceitabilidade e tolerabilidade, como esboçado nas FIG. 2.14 e 2.15.

No caso ilustrado na FIG. 2.14, a matriz contém cinco classes de consequências e cinco classes de probabilidades, enquanto na FIG. 2.15 a matriz é formada por quatro classes de consequências e probabilidades. As duas dimensões se combinam para compor o risco.

FIGURA 2.14 – Exemplo de matriz de risco com 5 classes de consequências e probabilidades Fonte: PIMENTA, 2009, p. 210.

FIGURA 2.15 – Exemplo de matriz de risco com 4 classes de consequências e probabilidades Fonte: Adaptado de BUREAU OF RECLAMATION, 2011, p. 31-6.

Levando-se em conta o que foi apresentado, verifica-se que existe um número significativo de propostas de critérios de aceitabilidade e tolerabilidade para apreciação de risco no domínio das barragens. Os resultados da apreciação de risco têm um papel fundamental no contexto da gestão de risco, pois alimentam o processo de decisão.