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31 ARALIK 2006 TARİHİ İTİBARİYLE MALİ TABLOLARA İLİŞKİN DİPNOTLAR

Belgede 2006 YILI FAALİYET RAPORU (sayfa 21-24)

 Instrumentos de Pesquisa

Para o armazenamento dos itens lexicais, foi utilizada uma ficha de registro lexical, adaptada de Silva (2007), na qual foram registradas as informações de natureza linguística e enciclopédica de cada item lexical. Para uma melhor visualização dos campos integrantes desse instrumento, apresentamos a seguir o modelo dessa ficha de registro lexical:

FICHA LEXICOGRÁFICA DOS ITENS LEXICAIS

1. Entrada:

2. Informações gramaticais:

3. Indicação de dicionarização ou não dicionarização e suas acepções dicionarizadas: DAE – Dicionário Aurélio

Eletrônico

DEH – Dicionário Eletrônico Houaiss

DEM – Dicionário Eletrônico Michaelis ( ) ILND ( ) ILDAE ( )ILDAD ( )ILDAC ( ) ILND ( ) ILDAE ( )ILDAD ( )ILDAC ( ) ILND ( ) ILDAE ( )ILDAD ( ) ILDAC DR – Dicionário Regional Cearense - Cabral DR – Dicionário Regional Cearense - Girão DR – Dicionário Regional Cearense - Seraine ( ) ILND ( ) ILDAE ( )ILDAD ( )ILDAC ( ) ILND ( ) ILDAE ( )ILDAD ( )ILDAC ( ) ILND ( ) ILDAE ( )ILDAD ( )ILDAC 4. Variante léxica: 5. Definição final:

6. Contexto de atualização (+ fonte): 7. Remissivas:Ver

8. Notas: Linguística: Enciclopédica:

 Registro dos dados: preenchimento da ficha

Os dados significativos de cada uma das unidades lexicais foram registrados nas devidas fichas que possibilitaram a organização das informações da pesquisa e viabilizaram a análise dos dados.

Para esse fim, projetamos os seguintes oito campos:

1) entrada: item que pode ser constituído de uma ou mais palavras, sendo apresentado sob forma lematizada (forma nominal no masculino singular e verbo no infinitivo), ficando suas exceções dependentes da força semântica do item - se no plural ou se no feminino, se for o caso. Além disso, quando um mesmo verbo apresentar dois significados distintos, abrimos duas entradas enumeradas para cada um deles;

2) informações gramaticais: indicação pertinente às informações linguísticas, como classe gramatical e gênero. Quando o item lexical for representado por uma expressão equivalente a uma preposição, conjunção e advérbio, ele receberá, respectivamente, a identificação de exp. loc.

prep.(expressão de locução prepositiva), exp. loc. conj.(expressão de

locução conjuntiva) e exp. loc. adv.(expressão de locução adverbial), ficando as demais categorias gramaticais somente com a identificação de

exp.;

3) indicação de dicionarização (ILD) ou não dicionarização (ILND) do item: registro dos itens lexicais das obras em estudo segui a consulta dos Dicionários citados em 2.4;

4) variante léxica: forma em minúsculo, negrito e itálico. Cada uma das formas de como o termo pode ser apresentado é, portanto, uma alternância. Neste campo, estão registradas as variantes encontradas tanto no corpus quanto nas obras de referência, a título de enriquecimento informacional linguístico;

5) definição final: definição que estabelece a acepção do item lexical na abonação;

6) contexto de atualização (+ fonte): o mesmo que abonação;

7) remissivas: informação sobre as relações de significação mantidas entre o termo-entrada com outros termos do mesmo campo semântico ou conceitual (sinonímia, parassinonímia, hiperonímia-hiponímia);

8) notas linguísticas e enciclopédicas: toda informação não prevista nos campos anteriores da ficha, considerada importante (ou língua geral, ou neologismo23, ou empréstimo, ou expressão regional nordestina ou cearense).

 Procedimentos e critérios para análise dos dados

A análise do corpus orientou-se pelos objetivos específicos e pelas hipóteses. Para tanto, adotamos os seguintes critérios e procedimentos:

a) escolha de dicionários padrão de língua portuguesa conforme mencionado na constituição do corpus;

b) análise dos termos caracteristicamente regionais e populares, de acordo com a hipótese de que existe uma relação intrínseca entre a linguagem regional-popular e sua região geográfica, porque a manifestação lingüística advém do fator cultural e geográfico do falante.

Tomando como base a hipótese de que o léxico dos diferentes personagens dos romances de Rachel de Queiroz marca, além da variação regional, outros tipos de variação, como as sociais e as culturais, fizemos o levantamento dos itens lexicais usados na fala desses personagens, a fim de verificar a variação linguística entre as diferentes classes sociais presentes no corpus. Sirvam de exemplo:

1) O trabalhador do eito: “João Miguel murmurou tristemente: - Se eu pudesse, dava um adjutório a ela ... Mas aqui, que é posso fazer?” (J.M., p.116)

      

23 Por neologismo, entendam-se, nesta pesquisa, todas as unidades lexicais que não constam em nenhum dos

2) O fazendeiro dono do gado: “- Eu vim aqui para lhe pedir um favor. Soube que a senhora tinha carrapatecida e queria que me cedesse um bocado; o meu gado anda em tempo de cair. – Quanto você quer? – Coisa assim de litro a mais.” (O Q., p.19);

3) Os policiais na cidade enfrentando o trabalhador da roça: “Rudemente os soldados o impeliam: - Ligeiro, cabra! Avie, senão come facão no lombo!” (J. M., p.07);

4) O trabalhador da fábrica na luta por melhores condições salariais e de trabalho: “- Luís de Souza cortou, rente: - Lá vem o camarada alegando o grande sacrifício dos intelectuais. E os operários devem agradecer a esmola de joelhos... E entregar a organização a vocês, de mão beijada...” (C. P., p.39);

5) A mulher na busca de emancipação encarando a todos: “- Tirei o luto para a viagem. Se pudesse tirava a pele, arrancava os cabelos, saía em carne viva. Senhora protestou ao me ver com o meu costume azul: - Você faz questão de causar escândalo?

Cerrei a boca com força, não respondi, mas não mudei de roupa. Atravessei toda Aroeiras,

comprei passagem, esperei, tomei o trem, vestida de azul.” (D. D., p. 63);

6) A contravenção do jogo: “... ’A dificuldade em jogo, não é o palpite, é a explicação. A pessoa precisa ter tino, previsão, pra conhecer o sentido do palpite...’” (G. O., p.94);

7) A mulher guerreira, livre para enfrentar a tudo e a todos: “... Me doíam os lombos, me doía o espinhaço. Os pés já estavam meio inchados, dentro dos coturnos. Quando o cavalo chouteava forte, me atacava aquela dor que chamam dor de veado, a que dá uma pontada forte nos vazios. Me sentia suja, sem os meus banhos de cheiro, sem roupa branca pra trocar.”(M. M. M., p.87).

Ao final do trabalho, apresentamos, também, um resultado quantitativo dos itens catalogados em dicionários e dos não dicionarizados, o que significa uma nova contribuição para estabelecer as necessárias e indiscutíveis ligações entre a área da Linguística e da Literatura.

Em direção a essa contribuição, consideramos todas as acepções dicionarizadas, referentes a cada registro, segundo o tipo de cada uma delas elencadas no rol dos itens lexicais levantados no corpus desta pesquisa: a) Acepção Equivalente (AE); b) Acepção Diferente (AD); e c) Acepção Complementar (AC).

Como correspondência lexicográfica a essas acepções dicionarizadas, recorremos a três etapas que se seguem: a) análise conteudística dos Itens Lexicais Dicionarizados com Acepção Equivalente (ILD+AE); b) análise conteudística dos Itens Lexicais Dicionarizados com Acepção Diferente (ILD+AD); e c) análise conteudística dos Itens Lexicais Dicionarizados com Acepção Complementar (ILD+AC).

No que concerne às acepções não-dicionarizadas, entendidas aqui como formas neológicas, seguimos Guilbert (1975, p. 15) que, por sua vez, invoca Nyrop:

Que se trate de uma descoberta científica, de um progresso industrial, de uma modificação da vida social, de um momento do pensamento, de uma maneira nova de sentir ou de compreender, de um enriquecimento do domínio moral, o neologismo é imperiosamente demandado e todo o mundo cria palavras novas, tanto o erudito quanto o ignorante, tanto o trabalhador quanto o desocupado, tanto o teórico quanto o prático24.

Na sua propagada obra La creativité Lexicale, o referido autor nos assegura que a criatividade neológica se processa de quatro maneiras distintas: “denominativa, criação neológica estilística, neologia da língua e poder gerador de certos elementos constituintes.” (p.40-44) Para o nosso estudo, fixamo-nos no segundo tipo, “a criação neológica estilística”, uma vez que ele é compatível com o corpus deste estudo, como comenta Guilbert:

Esta forma de criação, propriamente dita poética, pela qual se fabrica um material linguístico novo e uma significação diferente do sentido mais difundido, está ligada à originalidade profunda do indivíduo falante, com sua faculdade de criação verbal, com sua liberdade de expressão, fora dos modelos recebidos ou contra eles. Ela é própria a todos aqueles que têm algo a dizer, que se sentem à vontade para fazê-lo e que querem fazê-lo com suas palavras, com suas combinações de palavras, ela é própria aos escritores. (GUILBERT, 1975, p.41)25       

24 Tradução nossa: “Qu’il s’agisse d’une découvert scientifique, d’un progrès à industriel, d’une modification

de la vie sociale, d’un mouvement de la pensée, d’une manière nouvelle de sentir ou de comprendre, d’un enrichissement du domaine moral, le néologisme est impérieusement demandé, et tout le monde crée des mots nouveaux, le savant aussi bien que l’ignorant, le travailleur comme le fainéant, le théoricien comme le praticien”.

25Tradução nossa: “Cette forme de création, à proprement parler poétique, par laquelle on fabrique une

matière linguistique nouvelle et une signification différente du sens le plus répandu, est liée à l’originalité profonde de l’individu parlant, à sa faculté de creation verbale, à sa liberté d’expression, en dehors des modèles reçus ou contre les modèles reçus. Elle est le propre de tous ceux qui ont quelque chose à dire, qu’ils sentent bien à eux, et qu’ils veulent dire avec leurs mots, leurs agencements de mots, elle est le propre des écrivains”.

Ainda sobre os neologismos literários, Martins (2004) chama-nos atenção para o fato de que eles nem sempre estão incorporados nos dicionários de língua, “pois não são signos empregados na comunicação interacional, posto que na literatura, têm uma função poético-expressiva. Ficam restritos ao contexto em que foram inseridos.” (p.62)

Finalmente, acerca dos neologismos, acatamos como pertinente o seguinte entendimento de Alves (2004): “Além da representação histórica e social de uma época, à unidade lexical neológica tem sido atribuída a tarefa de representar o produto da criação de novas unidades lexicais.” (p.79)

Belgede 2006 YILI FAALİYET RAPORU (sayfa 21-24)

Benzer Belgeler