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DIŞ KAYNAK KULLANIMININ

.529 VI İşletme Maliyeti

3.8. ARAŞTIRMANIN KISITLAR

De acordo com Silva e Engler (2008), a produção de calçados tornou-se relevante para a economia nacional a partir da segunda metade do século XX, consolidando-se especialmente na década de 1970 devido à demanda crescente do mercado interno, estimulada pelo processo de industrialização e urbanização vivido no país, somando-se ainda a expansão da produção destinada à exportação. Durante o processo de reestruturação produtiva, notam-se diversos aspectos que deixaram de existir ou passaram a existir, assim como aspectos que foram reconfigurados para serem adaptados a esta nova ordem.

Além disso, os anos 1990 podem ser considerados um marco no setor industrial brasileiro. A partir da primeira metade desta década, o Brasil viu-se obrigado a competir com outros países no mercado externo e, a reboque disto veio a necessidade de acompanhar a evolução tecnológica com ações ao nível da capacidade tecnológica e administrativa e o modelo empresarial. “[...] Mesmo nos setores tradicionais estas preocupações com a competitividade se concretizaram na pesquisa e na busca de novas tecnologias como é o caso da indústria do calçado [...]” (PICCININI, 1995, p. 3).

Considerado um dos principais itens na pauta de exportações do país, o calçado brasileiro já era bem visto nos principais mercados internacionais, em meados da década de 1990. Mas, para enfrentar a concorrência, principalmente no que tange a questão dos preços, a indústria calçadista brasileira, com ênfase nas indústrias do Vale dos Sinos (RS), Franca (SP) e o Polo Mineiro passaram a praticar os conceitos de reestruturação e globalização, mesmo antes destes termos se tornarem linguagem corrente no mercado.

De acordo com artigo “Calçado brasileiro de olho em novos mercados”, publicado na revista O Equilibrista, da editora IBEF, em agosto de 1994, a reformulação do setor veio a reboque dos bons resultados obtidos no passado. De acordo com o então presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de São Paulo, Sebastião Burbulhã, 1993, apesar de ter sido positivo para a indústria, fez com que boa parte dela atentasse para a concorrência externa, uma vez que os tempos já eram outros e que o mercado internacional estaria sendo perseguido por concorrentes importantes. Entretanto, o volume de exportações da indústria calçadista atingiu US$ 1,946 bilhão, só em calçados, excluindo-se a matéria-prima – juntos perfizeram US$ 2,347 bilhões, entre 1993 e 1994.

perda de 20% do mercado americano para a China, um país que pratica dumping social através de uma mão-de-obra extremamente barata e já recebia o protecionismo americano, com isenção de taxas para os seus produtos. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de São Paulo, naquela época o operário chinês trabalhava 13 horas por dia, seis dias da semana, com direito a apenas 16 dias de férias ao ano e com salário em torno de US$ 35 mensais.

O presidente do Sindicalçados Jaú, Caetano Bianco Neto, considera que o setor ainda tem muitas deficiências e que o governo brasileiro tem exagerado na abertura econômica. Tanto é que após muitas reivindicações, o setor conseguiu um processo anti- dumping com a China. É algo bastante recente e, segundo ele, no primeiro momento, voltou a viabilizar as indústrias, mas, no segundo momento, aquilo que previam já esta acontecendo: a grande concorrência. “As mercadorias não vêm diretamente da China, elas chegam por outros países da Ásia e até países que não produzem sapatos estão exportando sapatos para o Brasil. Não podemos demorar muito para coibir este ripo de problema. Isto acaba com a indústria nacional, é uma concorrência desumana em todos os sentidos” (CAETANO BIANCO NETO, Anexo XVII, p. 5-6).

O presidente do Sindicato da Indústria de Jaú considera um absurdo o Brasil reconhecer a China como economia de mercado. “Apenas quem é aceito pela OMC pode ser considerado economia de mercado, e a China não é economia de mercado”, salienta e finaliza: “[...] isto realmente traz grandes problemas para a gente, e nós não temos condições de competir em pé de igualdade com a China. Isto acaba deteriorando tudo aquilo que acontece no Brasil” (CAETANO BIANCO NETO, Anexo XVII, p. 5- 6).

Concluindo, o ex-presidente do SindiFranca, Élcio Jacometti, explica que atualmente, o Brasil é um país aberto e tem setores protegidos como o calçadista que, há menos de dois anos recebeu a proteção contra a China – o antidumping -, uma medida estudada exaustivamente. Qualquer outro país pode vender sapatos no Brasil, pois há regras como a TEC - Tarifa Externa Comum -, que é admitida na OMC (Organização Mundial do Comércio) que regulam o sistema.

A mesma opinião foi compartilhada no artigo pela Associação Brasileira de Exportadores de Calçados (Abaex). De acordo com a entidade, a China teve um aumento de 40% em sua participação no mercado americano. “Embora tenhamos qualidade, tecnologia e flexibilidade de produção, todo cuidado é pouco. Não podemos mais querer nos convencer de que o Brasil é o grande fornecedor de calçados de couro,

enquanto aos asiáticos restam as opções de calçados sintéticos de baixo preço”, diz Eduardo Ivan Petry, o então presidente da entidade (1994, p. 30).

O ex-presidente do Sindicalçados Jaú, Rodolfo Spoldário chama atenção para a impossibilidade do setor calçadista brasileiro competir com a China, especialmente por causa de mão de obra: “[...] Pelo que se sabe é um trabalho quase escravo” (RODOLFO SPOLDÁRIO, Anexo XVI, p. 2). E complementa,

[...] Aqui não, veja, temos 10 feriados no ano e isto acaba atrapalhando bastante. Na época eu fazia um sapato infantil, eu vendia um sapato no dinheiro de hoje, por R$ 40, entrava o da China por R$ 8, mais bonito que o meu de R$ 40 só que o meu era de couro e entrava um sintético. Se você partisse para produzir em sintético não tinha como chegar naquele preço. Então eu desativei esta linha de produção, uma linha que tinha 30 anos no mercado. Desativei porque não conseguia mais vender. E como aconteceu comigo aconteceu com um monte de gente, houve uma quebradeira na época, mas passou. (RODOLFO SPOLDÁRIO, Anexo XVI, p. 2-3).

Ivânio Batista, ex-diretor executivo do SindiFranca relata que no período da década de 1990, a indústria de Franca, como é até hoje, se especializou em sapatos, principalmente, masculinos, de alta qualidade. Este era mercado do polo, especialmente para os Estados Unidos, que na época representava de 85 a 90% das exportações brasileiras. Não se pesquisava outros mercados.

[...] Era o início de uma pesquisa de mercado e, com o advento dos asiáticos, leia-se principalmente a China, começou a invadir os mercados brasileiros e, se supunha, o sapato chinês não vale nada. Não é bem esta a verdade, a produção deles é tão imensa, de bilhões de pares, enquanto o Brasil produzia, na época, em torno de 700 milhões de pares / ano, incluindo sandálias, a China já estava produzindo um bilhão e 500 milhões de pares, sendo que dentro deste um bilhão e 500 milhões de pares, também já havia calçados de altíssima qualidade. Eles foram aos poucos corroendo o nosso mercado nos Estados Unidos (IVÂNIO BATISTA, Anexo XI, p. 1).

Os autores Cruz e Sennes (2006) fazem um breve exame acerca da ascensão impressionante da China. Eles trazem dados do ano de 2004, fornecidos pelo World

Bank, que demonstram que naquela época a China já ocupava a segunda posição entre as maiores economias do mundo, com um produto interno bruto, pelo critério da paridade de poder de compra, de 6.435 trilhões de dólares, contra o PIB de 10.871 trilhões dos Estados Unidos. Neste sentido, Cruz e Sennes fazem a seguinte projeção: “Se mantiver taxas de crescimento próximas das que vem acusando nos últimos vinte anos, a China terá se equiparada aos Estados Unidos nesse terreno no final do período que temos em vista” (CRUZ e SENNES, 2006, p. 31).

crescimento se mantivessem. Segundo os autores, muitos analistas afirmam que não, e apontam uma série de distorções – situação pré-falimentar de milhares de empresas, fragilidade do sistema bancário, abarrotado de créditos irrecuperáveis – que condenariam a China a se debater em grave crise financeira em prazo breve. “Mesmo que tenham razão, como reagiria a China a uma crise dessa natureza? Com que prontidão conseguiria superá-la?”, questionam Cruz e Sennes (2006).

Considerando este contexto, com o mercado americano não tão generoso com a indústria calçadista brasileira, os empresários nacionais tiveram que voltar suas atenções para outras possibilidades. O Mercosul seria uma solução para a questão em pauta naquele momento, desde que o calçado viesse a fazer parte da “lista dos comuns”, ou seja, produtos que não seriam taxados em 1995. Porém, isso só seria possível se mercados importantes como a Argentina não insistissem em proteger sua indústria, observando que naquele período, a taxação era de 20%, mais a cunha fiscal, chegava a um índice de 53%. Vale ressaltar que, de acordo com dados divulgados no artigo, em 1993 a Argentina comprou no exterior 11 milhões de pares de calçados, pelos quais pagou US$ 135 milhões. A participação brasileira nesse mercado, entretanto, foi inferior a 8% - 820 mil pares de sapatos, correspondentes a US$ 9,8 milhões. Mas o mercado era bastante potencial, segundo o artigo, já que a Argentina registrava um consumo de ordem de 90 milhões de pares/ano, numa média per capta de 2,5 pares por habitante.

Defendendo a concorrência e protegendo o mercado daqueles que fazem restrições ao produto brasileiro, a indústria calçadista passou a estudar novos rumos. De acordo com Burbulhã, o México que parecia um caminho para a indústria calçadista nacional chegar ao Nafta, revelava naquele momento a intenção de sobretaxar o sapato brasileiro.

[...] Com um mercado consumidor de 185 milhões de pares/ano, o México tem participação ainda pequena nas vendas brasileiras. Foram vendidos pouco mais de 670 mil pares em 1992 (com um faturamento de US$ 6,5 milhões). A intenção dos exportadores brasileiros era conquistar a fatia do mercado perdida pelos chineses, cujos calçados sofreram uma sobretaxa de 1.105% [...] (O Equilibrista, 1994, p. 31).

Diante de todos esses acontecimentos, a indústria calçadista nacional teve de pensar e agir no sentido de uma reestruturação do setor. Seja por questões de adequação aos novos rumos do mercado, ou por questões de afinidade com as novas tecnologias de gerenciamento e administração disponíveis, a indústria de calçados estava acompanhando de perto essas evoluções, às vezes até inovando ou evoluindo aos

próprios conceitos.

Miguel Bettarello relembra a época em que assumiu a presidência do SindFranca, de 1996 a 1998, com o objetivo de valorizar as pequenas empresas de calçados de Franca. O seu maior foco foi de valorização da microempresa, e uma das estratégias foi aumentar a participação destas empresas na Francal. Este foi um trabalho feito em conjunto com a ACIF e a CIESP. Foi nesta época que surgiu o Selo de Procedência “É melhor é de Franca”, que valorizou todos os sapatos e coleções. “[...] Na época, fizemos mais de um milhão de selinhos, todo sapato de Franca saia com este selo. Isto valorizava o sapato de Franca nas vitrines, e houve então uma procura maior dos lojistas por produtos feitos aqui em Franca. Isto fez com nós déssemos um salto, pois 1996 foi uma época pós-plano Real [...]” (MIGUEL BETTARELLO, Anexo IX, p. 1-2).

Nelson Palermo, ex-empresário também relata algumas atitudes de reestruturação que, na época, foram implantadas em sua empresa, a Calçados Francano. Segundo ele, de 1994 em diante, na vigência do plano Real, deram alguns passos no sentido de valorizar a marca e melhorar a qualidade do produto.

[...] Como a concorrência era e ainda é grande, tem que ter algo mais junto ao seu cliente. Tem que ter uma entrega mais rápida, um preço que, mesmo que esteja superior à média para o produto que você oferece, seja um preço justo e interessante para que você mantenha a relação, porque senão o cliente vai procurar alguém para te substituir. Às vezes, ele pode até comprar, mas se o seu preço está acima do que seja justo para o que você oferece, não só o produto, mas a prestação do serviço, faz parte do produto você entregar em dia, como foi mostrado, sem defeitos, que não gere devoluções absurdas, frequentes e respeitando o seu cliente de forma que você não atenda só quando você precisa. Reservar dentro da sua produção espaço para que ele também seja abastecido por você. Tem algumas coisinhas que se conseguir implantar, se pode agregar valor seu custo [...] (NELSON PALERMO, Anexo XIII, p. 7).

Para Élcio Jacometti, ex-presidente do SindiFranca, a questão da reestruturação para se adaptar à globalização foi um marco nas empresas de calçados, pois graças a isto elas evoluíram muito. Com a abertura foi possível trazer de fora do país técnicas e máquinas mais modernas.

[...] Eu me lembro que na década de 1990, a minha própria empresa lançou um tipo de sapato inédito no Brasil, com o solado antiderrapante. Importei duas máquinas da Itália que era impossível de importar, e foi o maior sucesso! É um sapato que eu trabalho há mais de 20 anos, e ele está no mercado até hoje. Tudo é modernização, e nós viemos modernizando porque poderíamos trazer bens de capital. Então você trazia tecnologia nova, maquinários mais modernos e não só as indústrias de calçados trouxeram, como as indústrias de máquinas se aperfeiçoaram, e hoje não tem muita necessidade de se importar uma máquina mais. Hoje, o Brasil supre as necessidades de máquinas para calçados (ÉLCIO JACOMETTI, Anexo VII,

p. 6).

O empresário considera que o setor, naquela década, passou por uma transformação muito grande, aprendendo e se reinventando. Por tudo isso, ele afirma que aquela foi uma das melhores décadas para a indústria de calçados.

Outro exemplo de ações de reestruturação do setor foi a empresa francana Samello.

[...] Acreditando que atualmente oferecer ao cliente apenas preço e volume não é suficiente, a empresa adotou um mostruário mais enxuto, distribuído em quatro linhas bem definidas, que permitem ao consumidor final ter uma noção muito mais clara do produto da empresa, além de possibilitar a direção das vendas e a manutenção de um ritmo de negócios muito mais planejado. Para completar esse projeto, a etiqueta instalará corners, inicialmente em 30 lojas próprias, que se configuram como grandes displays para exposição de produtos, cada um desenvolvido de acordo com a linha a ser exposta. A ideia é de nos próximos três anos atingir centenas de pontos de vendas em todo o país [...] (O Equilibrista, 1994, p. 32).

Além disso, apesar das informações serem globalizadas, as questões culturais, em alguns casos chegam a regulamentar o mercado. O consumidor brasileiro tem um perfil muito diferente do consumidor estrangeiro. Portanto, tudo tem de ser revisto segundo as diferenças locais de cada país, tarefa que depende, no caso do sapato, inclusive do empenho do próprio operário para se concretizar. Na época, a Azaléia era um exemplo no setor, estava sempre atenta às evoluções de mercado. Ainda com o foco nos funcionários, a griffe Júlia Mezzetti passou a investir seis horas per capita por mês em treinamento de seus funcionários.

O ex-presidente do SindiFranca, Paulo Henrique Cintra, acredita que passar pelas dificuldades que levaram ao processo de reestruturação do setor, de alguma forma, foi bom. “Tivemos que viajar, as empresas tiveram que se mexer para conseguir máquinas mais modernas. Foi bom, por este lado foi muito positivo, tivemos tempo, não foi mudança muito brusca. Foi gradual e positivo [...]”, diz e complementa: “[...] Estávamos acomodados, era um mercado fechado [...]. As empresas tiveram que dar cursos aos funcionários, treinar mão de obra, fazer uma reciclagem completa” (PAULO HENRIQUE CINTRA, Anexo X, p. 1).

José Carlos Brigagão, o atual presidente do Sindicato da Indústria de Franca, chama a atenção para a questão da formação de mão de obra, e explica que independente das faculdades da cidade, estão angariando esforços para disponibilizar opções de cursos para preparar, reciclar e formar talentos que abrangem desde a mão de obra que está dentro da fábrica os jovens que queiram trabalhar no setor.

Segundo Wanderley S. de Mello, diretor-presidente do Grupo Samello, entrevistado pela revista O Equilibrista, o tão propagado conceito de reestruturação já estava fazendo parte do espírito da empresa. Ele explicou que o primeiro passo do grupo foi dividir as grandes fábricas em unidades produtivas, além de iniciar um processo de unidade de negócios, com a descentralização das áreas administrativas, garantindo também a agilidade da empresa na entrega dos pedidos. Além disso, as boas parcerias, seja no mercado interno, seja no mercado externo, também passou a sustentar a estratégia das empresas no segmento. Isso já vinha pondo em prática o exercício da globalização. As novas regras do mercado não dariam valor máximo à origem e sim à qualidade e preço do produto oferecido.

Prova disso é empresa de calçados infantis Pampili, do polo de Birigui. Segundo o seu proprietário, José Roberto Colli, em sua gestão sempre se teve a inovação como pressuposto, nunca deixando de lado a busca pelo conhecimento. Colli afirma que isto foi fundamental desde o início de sua empresa.

[...] Eu era bancário e minha esposa farmacêutica, não éramos sapateiros. Buscamos conhecimento desde o início. Just in time, você se lembra? Virou febre, sempre se buscava isto, a gente estudava direto. Nossos colaboradores, numa mesinha como esta, discutíamos o que se tinha que fazer, como fazer o sapato. Fazer o sapato técnico, mas com uma visão diferente, não a de sapateiro. Inovação, sempre procuramos fazer algo diferente em todos os sentidos. E deu muito certo, porque todo mundo se preocupava com preço, a gente fazia diferente e sempre crescia. Em nosso caso sempre fomos bem, sem “solavancos” [...] (JOSÉ ROBERTO COLLI, Anexo XIX, p. 2).

Abordamos aqui questões que envolvem ações e estratégias, como a de gestões enxutas em empresas igualmente enxutas, passar a produzir para sua própria rede de lojas e introduzir a questão do investimento em uma marca própria e deixar de produzir para terceiros. Estes aspectos nos chamaram a atenção no decorrer das entrevistas, pois foram temas abordados por alguns dos empresários que enfatizaram sua relevância.

O primeiro a discorrer sobre o assunto foi o atual presidente do Sindicato da Indústria de Jaú, Caetano Bianco Neto. Há cerca de cinco anos, ele participou de um congresso de calçados em que o presidente da Abral - Associação Brasileira de Lojistas - fez uma explanação sobre o varejo e o comércio. O ponto de partida da discussão foi o de que o Brasil não teria um plano de varejo de calçados, característico em países desenvolvidos. Segundo ele, o Brasil está caminhando para isto.

A mesma tendência foi pontuada pelo ex-presidente do Sindicalçados Jaú, Giovane de Carvalho Costa. “[...] Tivemos até uma ajuda da instituição espanhola que o Sebrae trouxe, propondo uma estratégia utilizada pela rede de varejo ZARA. Esta

estratégia é chamada ciclo curto que engloba uma série de providências estratégicas de gestão comercial que podemos buscar para construir uma nova identidade [...] (Giovane de Carvalho Costa , Anexo IVX, p.3), sintetiza. De acordo com o empresário, significa: investir no que está dando certo com simplicidade e praticidade, com uma produção enxuta. “[...] Acho que é isto que vai ocorrer, passa por este período aí e vai encontrar caminhos com os pequenos empreendimentos, mais competitivos dentro do seu pequeno porte” (GIOVANE DE CARVALHO COSTA , Anexo IVX, p.3).

Com o foco na qualidade também estava a empresa gaúcha Czarina que havia passado a operar com células de trabalho, e não mais com uma linha de produção, com novas gestões de qualidade pautadas pelo conceito da importância e da função de cada um dentro do processo produtivo.

Também vale ressaltar o programa de apoio do BNDES ao complexo coureiro- calçadista brasileiro que em 1995, 1996 e 1997 intensificou a atuação a partir da criação do Programa de Apoio ao Setor Coureiro-Calçadista, vigente no período de abril de 1995 a junho de 1998, cujos objetivos foram a restauração da competitividade da indústria coureiro-calçadista, através da modernização produtiva e gerencial nos seus diversos segmentos, de forma a enfrentar os desafios impostos pelo novo padrão de concorrência.

De acordo com relatório feito por Gorini e Siqueira (1999), o montante de desembolsos efetuados no período foi de cerca de US$ 189 milhões, mas o setor recebeu recursos também através de outros programas do BNDES, tais como, entre outros: Nordeste Competitivo; de Apoio à Exportação de Produtos Manufaturados; de Apoio à Indústria de Bens de Consumo Não-Duráveis; para Comercialização de Máquinas e Equipamentos; de Conservação do Meio Ambiente. Se incluirmos esses

Benzer Belgeler