FĐNANSAL PERFORMANSIN DEĞERLENDĐRĐLMESĐ 4.1 Araştırmanın Önemi ve Amacı
4.4. Araştırmanın Bulguları ve Analiz 1 2003 Yılı Analizi ve Değerlendirmes
Historicamente construída, a distinção entre cultura e civilização perpassa, então, uma postura com relação a questões de ordem política. Com os progressos motivados pelos ideais revolucionários de 1789, aparecem a civilidade, a urbanidade e todo um trato com a coisa pública que fez do termo “civilização” a representação de um ambiente às voltas com a organização dos cidadãos. Este destaque se faz necessário para que possamos deixar bem clara a postura da Kultur com relação à atividade política: não se infiltrar nela para manter a independência do pensamento. Neste ponto, é interessante ressaltar, como o fez Lo Bianco (1998), quatro aspectos que caracterizaram o ideal da Bildung: o apoliticismo, o cultivo de si, a totalidade e a interioridade. Numa explanação rápida entre eles, deixaremos o apoliticismo por último.
Se nos remetermos ao que já foi produzido neste capítulo, partindo de um pequeno estudo etimológico do termo “cultura”, veremos que essas noções já se apresentam inerentes à história do vocábulo. O cultivo de si, já mencionado, aqui tem ligação com o que veremos sobre o apoliticismo no sentido de que mudanças no contexto social podem ser feitas, mas na “esfera do espírito, da mente, no plano das representações e não no da política” (LO BIANCO, 1998, p. 71). Isso porque o auto-cultivo se vincula a um auto-domínio que não é conseguido ao acaso, pelo contrário, acontece pouco a pouco na tentativa de educar e de aperfeiçoar a interioridade. Figuram aqui personalidades pertencentes ao movimento
“Tempestade e ímpeto”16, como Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller, ícones da genialidade que o povo alemão poderia oferecer para o mundo.
A noção de totalidade faz menção à responsabilidade que o indivíduo teria consigo mesmo e com a evolução de suas capacidades. Há um apreço pela educação no que ela permite a realização da personalidade em sua plenitude, na possibilidade de desenvolvimento de uma vocação para uma “totalidade harmoniosa”. O “sujeito da totalidade”, diferente do que à primeira vista pode ser entendido, é submisso ao todo de maneira espontânea e com iniciativa; ele é livre de uma forma diversa da liberdade pregada pela Revolução Francesa, pois o alemão se identifica com o todo – com o todo de seu passado e o conseqüente esforço de incorporá-lo ao presente.
Vale dizer, ao se identificarem ao todo não é criada uma incompatibilidade entre o desenvolvimento individual e o serviço do todo social. A idéia de que é no e para o todo que o indivíduo se desenvolve está presente não só em Troeltsch mas em muitos outros autores alemães e terá repercussões acentuadas em toda a concepção da Bildung, que passa a visar exatamente o melhoramento em direção a este todo harmonioso. (LO BIANCO, 1998, p. 75)
Nesse sentido, a interioridade tem uma relação muito forte com a figura de Martinho Lutero, líder da Reforma Protestante iniciada em terras alemãs. Foi ele quem deu os primeiros passos para uma unificação idiomática da Alemanha ao traduzir, em 1521, para o alemão clássico o Novo Testamento17. Esta tradução, que acabou se configurando numa primeira tentativa de unir o povo germânico, aproxima a religião da permanente preocupação com a perfeição e a educação de si.
16 Movimento literário romântico alemão do século XVIII, que influenciou também o campo da música, surgido
em resposta aos ideais iluministas de privilégio à razão.
17
Dados extraídos do endereço eletrônico http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/alemanha.pdf, em setembro de 2007.
Como afirmamos acima, tocamos por último na noção de apoliticismo. Ao fazê-lo, nossa intenção é retomar a discussão que a citação de Freud, em O futuro de uma ilusão (1927), iniciou. O apoliticismo se refere a uma não participação em ideologias políticas que possam influenciar e esmorecer a independência de pensamento. Podemos perceber que a isenção de um afrontamento político por parte dos artistas e intelectuais alemães difere radicalmente da participação cidadã na política francesa, “pois para os franceses tratava-se de um amálgama entre cultura e política, apontando antes para a dimensão das articulações de poder entre os diferentes grupos sociais; dimensão esta sempre ausente nas considerações espirituais, artísticas e religiosas produzidas pela cultura alemã” (LO BIANCO, 1998, p. 69).
Distinguindo-se de “cultura”, “civilização” se liga a toda uma conjuntura presente no território francês que se personifica em uma instituição cujas preocupações estão voltadas diretamente para a organização da vida social, para as articulações do poder político, para o desenvolvimento direcionado pela razão, algo tido como superficial pelos alemães, pois tratar de assuntos pragmáticos não tocaria o cerne da questão existencial humana. A divisão que se inicia por movimentações políticas do Estado francês e do povo alemão se concretiza no cotidiano dessas duas regiões, o que esclarece suas diferentes características e suas fortes tradições.
Assim, avaliamos que a noção de apoliticismo fica clara na atitude de Freud em se furtar à distinção entre cultura e civilização não pela desconsideração aparentemente desinteressada da questão, mas pela atitude respaldada pelo espírito crítico vinculado à cultura alemã como exercício intelectual. Se Freud adota uma postura apolítica, como outros grandes pensadores de sua época, o faz como postura política ativa que se coloca em uma posição que consegue antever um mal-estar nascido de uma associabilidade do alemão (já que se trata de um povo que, mesmo pensando numa produção universal, se fechou em si mesmo) por conta de um sentimento de supressão de sua espontaneidade, e da exploração advinda do progresso de um
sistema que exige do indivíduo uma renúncia de parte de si. Como a própria expressão anteriormente destacada já conclama, começamos a nos infiltrar no conteúdo do livro freudiano O mal-estar na cultura (1930), agora já com informações que nos situam na diferença entre dois termos que causam discussões em diversos campos das ciências humanas, e de posse de um argumento que esclarece a não entrada de Freud em tal embate, isto é, sua postura apolítica apoiada na posição de crítico da sociedade.
Para prosseguirmos nossa caminhada, portanto, devemos pesquisar como Freud fala de cultura nas linhas de O mal-estar. Para tanto, não poderemos deixar de tocar, antes, na construção teórica realizada no livro Totem e tabu, pois, apesar de já encontrarmos em cartas da época pré-psicanalítica pensamentos de Freud sobre em quais fundamentos se constituiu nossa sociedade – como, anteriormente expusemos, é o caso de seu Rascunho N, de 1897 –, esta obra de 1913 é tida, inclusive por ele mesmo, como uma “primeira tentativa [...] de aplicar o ponto de vista e as descobertas da psicanálise a alguns problemas não solucionados na psicologia social” (FREUD, 1913, p. 17). Dentre os problemas, o que recebeu uma das principais contribuições é o da origem de nossa cultura, presente no quarto ensaio do referido livro, cuja hipótese traz a idéia de uma horda primitiva e da morte do pai que a liderava.