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Apresentaremos, nesta seção, o Currículo da Secretaria da Educação para o Ensino Fundamental – ciclo II da rede pública do Estado de São Paulo, criado a partir da Proposta Curricular (SÃO PAULO, 2008), dando maior ênfase às questões relacionadas ao ensino de Língua Inglesa e, mais especificamente, ao ensino da modalidade oral nas aulas de língua estrangeira.

O Currículo foi criado com o intuito de que “todos os alunos em idade de escolarização pudessem fazer o mesmo percurso de aprendizagem nas disciplinas básicas” (SÃO PAULO, 2011, p.4) e, dessa maneira, garantir um ensino mais igualitário e com objetivos comuns, buscando desenvolver competências e habilidades que contribuam para o enfrentamento dos desafios sociais, culturais e profissionais do mundo contemporâneo.(SÃO PAULO, 2011, p.8).

O documento prioriza a competência de leitura e escrita, pois “a competência de ler e de escrever é parte integrante da vida das pessoas e está intimamente associada ao exercício da cidadania”, além de facilitar a busca pelo conhecimento, “propiciando aos sujeitos sociais a autonomia na aprendizagem e a contínua transformação, inclusive das relações pessoais e sociais” (SÃO PAULO, 2011, p.15).

Dessa maneira, o desenvolvimento das competências de leitura e escrita vem contribuir com todas as disciplinas do quadro escolar, de maneira que o aluno tenha acesso aos diferentes textos (orais e escritos) e a situações sociais que gradualmente contribuam para a construção de seu repertório cultural.

Quanto à concepção do ensino na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, há de se considerar uma mudança na abordagem dentro de cada disciplina. Assim, o Currículo propõe:

[...] o desenvolvimento do conhecimento do aluno sobre as linguagens por meio do estudo dos conteúdos, historicamente construídos, associados a atividades que lhe possibilitem a interação com a sociedade e também o aumento do seu poder como cidadão, implicando mais acesso às informações e melhor possibilidade de interpretação dessas informações nos contextos sociais em que são apresentadas (SÃO PAULO, 2011, p.29).

Dessa maneira, o documento expressa a importância da linguagem e de suas manifestações nos diversos grupos sociais, colocando o aluno em um processo em que ele seja um agente participativo e capaz de lidar com esferas comunicativas.

Quanto à Língua Estrangeira Moderna (LEM), o Currículo ressalta a importância de o aluno saber utilizar a língua nos diversos contextos sociais:

[...] importa construir um conhecimento sistêmico sobre a organização textual e sobre como e quando utilizar a língua em situações de comunicação. A consciência linguística e a consciência crítica dos usos que se fazem da língua estrangeira devem possibilitar o acesso a bens culturais da humanidade. Os estudos de Língua portuguesa e de Língua Estrangeira Moderna constituem-se em excelentes meios para a sensibilização dos alunos para os mecanismos de poder associados a uma língua (SÃO PAULO, 2011, p.30).

O documento revela uma preocupação com a fase vivida pelos alunos no Ensino Fundamental ou início dos anos finais, apontando esse processo de mudança:

No Ensino Fundamental, os alunos passam por significativos processos de mudança, o primeiro deles ocorre já no início dessa etapa, quando o número de disciplinas no Currículo aumenta e o tempo (e, também, a atenção!) dedicado a cada uma delas torna-se bastante fragmentado. Assim, merece especial atenção a capacidade de planejar, organizar e monitorar a própria aprendizagem por meio do engajamento em projetos que culminem na produção de objetos concretos, tais como um folheto sobre uma localidade turística ou uma carta de apresentação pessoal (SÃO PAULO, 2011, p.111).

No Currículo (SÃO PAULO, 2011, p.111), para a organização dos conteúdos são considerados 2 princípios:

[...] a Relevância dos temas e sua adequação à faixa etária; e seu potencial para o desenvolvimento das competências de leitura e escrita por meio de situações de aprendizagem que promovam o uso da língua inglesa de forma contextualizada e significativa, bem como a reflexão crítica sobre esses usos e seus significados.

O Currículo justifica a escolha dos temas, inaugurando um movimento de diálogo entre língua e cultura, entre o conhecimento local e o conhecimento global, entre a realidade do entorno imediato dos alunos e outras realidades, determinando os seguintes temas para o 6º ano: “[...] (primeiros contatos, as línguas estrangeiras

em nosso entorno, descrição da escola, diferentes moradias)” (SÃO PAULO, 2011, p.112).

Em relação à organização das grades curriculares, como foi dito anteriormente, o Currículo tem suas raízes no desenvolvimento de competências e habilidades, organizando as grades curriculares em 3 partes: tema, textos para leitura e escrita e produção, sendo que “Essa organização evidencia a centralidade do texto e a relação entre os aspectos sistêmicos da língua inglesa, os temas tratados em cada bimestre e as habilidades de compreensão e de produção” (SÃO PAULO, 2011, p.113).

Para o Currículo, é fundamental tal articulação de saberes, pois é na interação com e por meio da língua que se dará o alicerce para um processo de aprendizagens contextualizadas e significativas.

Por fim, vale dizer que o foco nas competências de leitura e de escrita não significa a negação da oralidade. Pelo contrário: é por meio da oralidade que se instauram a interação e o diálogo, que se possibilita o desenvolvimento não só de habilidades linguísticas, mas, principalmente de habilidades de pensamento e de reflexão (SÃO PAULO, 2011, p.114).

Assim, o Currículo não inviabiliza o trabalho com a modalidade oral em Língua Inglesa, apontando sua importância nas interações e no que diz respeito ao oferecimento de um ensino mais completo, que abarque o desenvolvimento de habilidades essenciais no processo ensino-aprendizagem.

Por fim, o documento aponta seus objetivos, ressaltando a importância da apresentação de conteúdos significativos e de maneira contextualizada:

Assim, espera-se que os alunos, ao final da Educação Básica, tenham vivenciado diferentes aproximações com a língua inglesa, em contextos significativos de aprendizagem que possam contribuir para sua formação pessoal, acadêmica e cidadã (SÃO PAULO, 2011, p.113).