5.2. Öneriler
5.2.2. Araştırmacılara Yönelik Öneriler
Minhas concepções sobre as estruturas de introjeção das figuras parentais, principalmente se estas figuras eram autoritárias, representavam uma nova expressão de autoritarismo ou seu contrário, a passividade. Contudo, percebo que o pai de Metamórfus era, sim, uma figura autoritária, mas foi a permissividade e passividade da mãe que serviu de contraponto para esta introjeção do mandatário. No caso de Temperança, também há um pai autoritário, no entanto, a figura materna aparece como terna e impulsionou os filhos para uma não repetência de suas vivências. Temperança abre as portas de casa; no início, copia a figura paterna, mas vivencia o impulso de liberdade plantado pela própria mãe.
Malévola, eis meu engano e minha surpresa, não teve um pai autoritário, ao contrário teve um pai permissivo e, ao mesmo tempo, disciplinador. A figura materna também representava a mesma simbologia. Então, qual o objeto internalizado? O objeto internalizado está na disciplina, rígida e exigente consigo mesma, trazida da educação das figuras parentais e dos outros elementos do meio cultural. A professora Malévola foi ensinada a dizer o que bem pensava sem censura, e suas brincadeiras impulsivas eram entendidas apenas como esquemas lúdicos de uma menina “capeta” como ela mesma se descrevia.
Então, o meio ecológico foi favorecendo sua introjeção paterna e materna, mas sua conduta autoritária está na aprendizagem de que tudo ela poderia fazer, livre. Se Metamórfus e Temperança aprenderam seu autoritarismo através da figura paterna, Malévola aprendeu seu autoritarismo através da permissividade paterna somada a seus construtos identitários.
Já no caso de La Mère, há ainda um terceiro ponto, a ausência do pai físico e a introjeção infantil de um pai imaginário, todo bom, todo permissivo, todo amante (ERIKSON, 1976). Creio que a introjeção do autoritarismo se deu pela conduta materna e pela exigência de um mercado de trabalho em que a mulher necessitava lutar por seus direitos.
“A socialização primária é a primeira socialização que o indivíduo experimenta, e em virtude da qual torna-se membro da sociedade”, de acordo com Berger e Luckmann (2003, p. 175). O homem internaliza o mundo através de sua subjetividade. No processo de construção identitária, o grupo inicial ou a socialização primária é de extrema importância, pois “é imediatamente evidente que a socialização primária tem em geral para o indivíduo o valor mais importante e que a estrutura básica de toda socialização secundária deve assemelhar-se a socialização primária” (ibiden, p. 175).
Os professores participantes desta pesquisa, quando iniciam sua narrativa, já trazem diretamente suas vivências na infância e as figuras parentais como base para sua atuação docente. Sempre que perguntava sobre os dados existentes no percurso histórico que os levaram a se tornarem professores, a retomada do tempo os levam direto para a infância e para as
primeiras relações. Eis tamanha importância de compreender que relações foram estas e como elas ainda influenciam ou influenciaram suas escolhas.
Vygotsky (1998, p.75) comenta que a “internalização de formas culturais de comportamento envolve a reconstrução da atividade psicológica tendo como base às operações com signos. Metamórfus, Temperança, Malévola e La Mère observavam seus primeiros significativos membros familiares. A mãe passiva que apanhava, algo que Metamórfus não gostaria de copiar; a mãe disciplinadora e ao mesmo tempo permissiva de Malévola; a mãe trabalhadora e autoritária de La Mère; a mãe trabalhadora e incentivadora de Temperança. Figuras maternas que em si simbolizavam vidas distintas que poderiam ser internalizadas ou não conforme as características individuais de cada participante. Todos eles foram tecendo suas identidades, imbricadas, certamente, nestas tessituras de muitos fios, com muitos tecelões, pois “todas as funções superiores originam-se das relações reais entre indivíduos humanos” (VYGOTSKY, 1998, p. 75).
As figuras paternas, quer sejam trazidas como presenças negativas ou positivas, também fazem parte destes professores em formação. Esta tessitura docente, tão humana e complexa, foi tingida pelas cores de muitos outros que habitam este sistema ecológico. Assim, “a transformação de um processo interpessoal num processo intrapessoal é o resultado de uma longa série de eventos ocorridos ao longo do desenvolvimento (VYGOTSKY, 1998, p. 75).
Acredito que introjeção dos elementos culturais das figuras parentais e do entorno ecológico não estão apenas na representação do poder dos demais elementos do sistema, mas das muitas simbologias existentes. O caminhão do pai de La Mère e o radinho de pilha; a cadeira dançante de Malévola; a árvore protetora de Metamórfus e o teatro; a pedra da baleia de Temperança e o muro de pedras. Muitos significados e muitos significantes, simbologias trazidas em seus registros históricos que pululam em seu imaginário e fazem parte de seu dia-a-dia como professores. Compreendo que todas estas histórias estão constituídas “pela maneira particular pela qual cada indivíduo se relaciona com o outro ou outros, criando uma estrutura particular a cada caso e a cada momento, o que é chamado de vínculo” (PICHON-RIVIÈRE, 2000, p. 3).
Lembro da atuação de cada professor. Do relacionamento traçado com suas turmas e seus alunos. De suas condutas diante do processo de avaliação, do chamamento de pais e responsáveis ou mesmo diante de queixas durante os conselhos de classe e reuniões de professores. Quando ao escutá-los, falando sobre seus pais e mães, é impossível não visualizar, como em uma tela, suas atuações profissionais. Vejo o pai agressivo de Metamórfus vociferando nas salas e gritando com os alunos. Quem estava gritando, o professor ou seu pai do passado? A mãe de Temperança incentivando a filha a buscar soluções para seus problemas. A professora fazia a mesma coisa com seus alunos, mesmo que tivesse de se sujar juntando lama no pátio. Quem estava ali? Mãe
ou filha? Observei nesta mesma tela o pai de Malévola ensinando-a a dizer palavrões. Que pai foi introjetado? O disciplinador ou o instigador? E, por fim, La Mère, com sua mãe repressora e que a fazia trabalhar para ajudar no sustento. Quem restou afinal?
Até o momento venho comentando sobre as figuras primárias e suas representações. Agora, meu intuito é trazer maiores informações sobre outros elementos que habitam o mesmo sistema de desenvolvimento ecológico circundante dos participantes desta pesquisa.