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4.1. Öğretmen ve Öğrencilerin Comenius Programının Amacına Ulaşma

4.1.2. Öğrencilerin Comenius Programının “ Eğitimde Kaliteyi Arttırma” Alt

As raízes de Metamórfus com o teatro são muito fortes. É possível fazer uma aproximação com a disciplina de História e seu desejo pelo teatro. Ser ator é contar uma história através de uma narrativa que não é sua, mas, acaba-se por incorporar em sua forma interpretativa, bem como a maneira como esta interpretação é levada ao público.

A disciplina de História conta fatos reais, ou que se acreditam reais, tentando reconstituir os tempos humanos em espaços concretos. Assim, a disciplina de História tinha um atrativo a mais para Metamórfus, já que ele conseguia esta aproximação quando escutava seus professores. Na quinta-série ele adorava História, principalmente pela maneira vivencial, espontânea e divertida como professora utilizava os recursos didáticos para dar aula. Entretanto, esta situação mudou na sexta-série, quando uma outra professora assume a disciplina e passa a utilizar apenas livro texto e questionário. “Gilson, eu estou enxergando ela agora. Ela dava atividade e sentava. Ficava lendo um livro”.

Metamórfus, em sua maneira de ser professor, mesmo quando estava preocupado com o silêncio e a ordem, além de manter-se no emprego, gostava de buscar recursos mais criativos para suas aulas. “Eu acho que não tenho nada daquela professora… eu procuro trazer aulas lúdicas para meus alunos… coisas que não fiquem muito maçante… trabalho muito com filmes e documentários”.

Inicialmente, mesmo utilizando estes recursos, Metamórfus ainda era afetivo negativamente, depois, como já disse anteriormente, ele foi modificando-se, transformando seu espaço docente em um ambiente mais rico em expressão e comunicação.

Mas, foi um professor no Ensino Médio chamado Elói quem marcou decisivamente a vida de Metamórfus. Este professor conseguia trazer para a disciplina de História aquilo que estava faltando: “ele falava muito de política… instigava muito a gente a pensar, e aí eu comecei a gostar”.

Este foi um período importante para Metamórfus, já que estava trabalhando, mas ainda era um adolescente dividido entre os interesses familiares, a preocupação financeira, sua sexualidade e a descoberta de um ponto de apoio que poderia ser uma forma de falar: teatro e história. A História como palavra chave de criticidade que faz o homem sair de seus espaços de escuta e deslocar-se para um espaço de expressão.

6.2.7 – A SALA DE AULA NO TEMPO PRESENTE

Atualmente,tanto no relato como nas observações, Metamórfus apresenta-se mais seguro, e considera que seu grande aprendizado foi quando começou a “dar aula” na escola pública, na rede estadual. Esta aprendizagem está atrelada à circunstância de segurança financeira e à importância que descobriu de função para crianças muito pobres, um reflexo daquilo que foi um dia mas, principalmente, à capacidade que descobriu em lidar com um público diversificado, a maioria adultos-jovens e trabalhadores.

O professor revela que as atividades que desempenha na escola pública são as mesmas da escola da rede privada de ensino. Este é um posicionamento importante, pois diz da responsabilidade que o professor tem em sua função como educador e não apenas como trabalhador assalariado. Sabe que sua função transpõe os muros da escola e vai além da “passagem de conteúdos”. Revela que “a única coisa que o estado não tem é o apoio para lidar com a falta de limites. Às vezes, é necessário fazer uma aula mais maçante, ou uma atividade valendo pontos… pois este é um jeito que eu encontro para que aconteça a aula”.

Talvez, aqui, ainda esteja um dos construtos que estão nestas raízes de Metamórfus, em que a nota ou o trabalho valendo nota são utilizados como forma de manter a disciplina em sala de aula. Estas características estão presentes, pois muitos professores que passaram na vida de Metamórfus usavam do mesmo recurso, sem mencionar o pai, que não utilizava nota, mas o castigo para ter aquilo que queria.

O professor sabe que este recurso é apenas paliativo e comenta que não gosta de fazer isto, mas que de imediato é o que resolve em determinadas situações: “… eu não gosto, mas faço. Faço quando tenho de fazer, porque é o jeito para a aula acontecer”.

O professor Metamórfus tem clareza de que o apoio da coordenação da escola privada, seu primeiro emprego como docente, foi fundamental para sua transformação. Comenta que tem uma vontade muito grande que os alunos entendam as coisas, que consigam refletir sobre suas próprias vidas, que relacionem as aulas com o cotidiano. Este desejo o fez procurar pelos colegas, afastando-se daqueles que só reclamavam e se aproximando de outros que eram mais experientes e que poderiam sugerir atividades práticas para sua própria experiência.

O ator que não imaginava ser professor hoje em dia diz que “a nossa profissão é muito linda”, e procura leituras em Jussara Hoffmann e Paulo Freire. É importante salientar que estes dois autores estão intimamente ligados a questões de emancipação de camadas populares e, principalmente, a questões que envolvem uma reflexão constante sobre a prática docente.

Hoje, Metamórfus diz que “eu sou um grande vencedor… tenho ainda muito para conquistar. Mas, acho que de onde eu saí, de uma família sem tradição cultural, me tornar o professor que sou hoje… leitor, pessoa preocupada com a sociedade”. Apesar de Metamórfus falar em cultura de forma tradicional, pensando em conhecimento e alfabetização, revela que existe um status em ser professor, uma maneira de atuar e ser atuante, pois acredita em sua profissão como uma forma de emancipação social e de colaboração com a sociedade hodierna. Quando comenta sobre sua participação com seus alunos da escola estadual, sua maior preocupação é considerar que é possível buscar o sonho e vencer. Além disso, possibilita aos seus alunos a condição de pensar sobre suas próprias vidas e nas possibilidades reais que existem em seu cotidiano.

Aquele professor que gritava e que humilhava os alunos já ficou no passado. Comenta: “Acho importante eu me dar conta disso, porque isto acontece em sala de aula, se eu fizer isto com meu aluno, se eu gritar com ele, ele vai gritar comigo. Se eu oprimir, ele vai querer sair desta posição”.

Metamórfus pára e pensa na criança que foi e começa a identificar o aluno em sua frente como um produto importante de sua própria atuação. Ele sabe que o sujeito tem história, vontades e desejos e que se por um momento ele não respeitar esta história, poderá desencadear uma série de dificuldades em relação aos limites e à disciplina escolar. Pode desencadear, inclusive, a possibilidade do aluno gostar ou não dele, como professor e, como conseqüência desta atuação, gostar ou não da disciplina de História.

Fico extremamente feliz quando observo e escuto a narrativa de Metamórfus. Aquele professor que vociferava e se enraivecia já ficou no tempo passado. Existe sim, um homem que

sonha e que vive as frustrações de sua profissão, mas que não deixa um ideal de busca e de possibilidades para ser empreendido.

Benzer Belgeler