2.3. Türkiye’de Ar-Ge Faaliyetlerine Yönelik Vergisel Teşvikler
2.3.3. Teknoloji Geliştirme Bölgeleri Kanunu Çerçevesinde Sağlanan Vergisel
A construção da identidade do Magazine Luiza, assim como de boa parte das empresas comerciais brasileiras, cuja gênese remonta a década de 1950, é pontuada por relatos e narrativas de imigrantes, os quais passaram por grandes turbulências, antes de transformar em realidade os sonhos de empreendedorismo trazidos na bagagem. Isso porque, já em terra firme, além das disputas entre industriais-comerciantes, cujos interesses se chocam com os dos comerciantes- importadores (MARTINS, 1974), os futuros empresários ainda tiveram que lidar com a herança de uma economia primária exportadora, que predominou no Brasil entre séculos XVI e XX, representando uma barreira ao desenvolvimento tanto do comércio quanto da indústria (IANNI, 2004).
Foi neste cenário que alguns pioneiros do desenvolvimento econômico brasileiro, tais como o conde Francisco Matarazzo36 que aqui chegou em 1881, se perpetuaram na histórica econômica brasileira como grandes responsáveis pela indústria nascente. Logo que chegou, com algumas economias trazidas da Itália, o empresário abriu espaço para novas frentes de negócios, iniciando uma trajetória com altos e baixos, porém, deixou uma rica “herança cultural” às futuras gerações de empreendedores, baseada na ideologia do self made-man (MARTINS, 1974).
Originário de Castelabate, província de Salermo, na Itália Meridional, Francisco Matarazzo se instalou em Sorocaba, interior de São Paulo, com o intuito de comerciar.
Da minha terra, no sul da Itália, trazia um pouco de dinheiro, mas pouco. Aqui desembarcando, com a bolsa cheia de vontade de trabalhar, dirigi-me à Sorocaba, onde dei início à minha carreira, ajudado por um meu conterrâneo, o qual reunia as funções de sapateiro e de conselheiro municipal. Foi ele um bom e precioso amigo, talvez o meu melhor amigo. Conservo da sua memória uma rara veneração, e é sempre com infinita saudade que o recordo. [...] Estabelecido em Sorocaba, abri um botequim, ou venda como se diz aqui no Brasil. Eu lhe faço notar que não tive jamais, nem procurei ter, o que se chama patrão (MARTINS, 1974, p. 18).
36 O Grupo Matarazzo surgiu em 1881, sendo assim um dos mais antigos e sobre o qual se abateu a maioria das vicissitudes da industrialização – econômicas, culturais e políticas (MARTINS, 1974, p. 7).
A sua primeira casa comercial foi inaugurada em maio de 1882, marco de uma grande rede de empreendimentos que, aos poucos, foi se diversificando durante a longa trajetória em que Francisco Matarazzo se transformou em um homem influente, poderoso e rico37. Em boa parte, o império montado por ele se deve à sua capacidade de atuar, inclusive, como um “personagem mítico” (MARTINS, 1974) e de entender e compreender as idiossincrasias políticas sociais e econômicas de uma sociedade colonial em transição.
Aliás, como bem diz Godelier (1978), a chave para compreender a relação sociológica entre economia e sociedade em uma determinada formação social, tal qual nas sociedades baseadas nas relações de parentesco, casamento e nas relações políticas, encontra-se em sua estrutura. Citando McNetting38, o autor sustenta que nela se escondiam simetrias sutis, redes complexas a serem descobertas, ainda que as atividades de subsistência fossem vistas como realidades simples, indiferenciadas e que se repetiam da mesma e cansativa maneira, qualquer que fosse o lugar onde fossem encontradas (MCNETTING; ROBERT, 1971 apud GODELIER, 1978, p. 46).
Muitos incidentes de ordem política ameaçaram a evolução do incipiente comércio de açúcar, tabaco e mais tarde ouro, diamantes e algodão que o então Brasil Colônia mantinha com a Europa, principalmente com Portugal. Neste sentido, para que a atividade econômica aqui iniciada adquirisse o perfil de “negócio” no novo contexto socioeconômico e político, seus protagonistas tiveram que romper com um verdadeiro cipoal que a prendia ao status quo, se consolidando cada vez mais no Império até chegar à República (PRADO JÚNIOR, 2007).
Por essa linha de raciocínio o “casamento” entre o trabalhador e o aventureiro, tipologias que representam duas éticas opostas sugeridas em Raízes do Brasil (HOLANDA, 2004) para explicar a gênese social e cultural brasileira, parece ter significado a união perfeita. Isso se considerarmos a necessidade do
37 Segundo Martins (1974), a história do grupo Matarazzo no Brasil teve cinco fases relativas à associação e dissociação de capitais: a primeira, entre 1881 a 1890, com atuação individual; de 1890 a 1891, atuou tendo dois irmãos como sócios; a terceira, até 1911, esteve associado apenas a um irmão; de 1911 a 1924, sua empresa se transformou em sociedade anônima; a partir de 1924, o capital de Francisco Matarazzo e seus descendentes , que já era dominante, tornou-se praticamente exclusivo. Quanto ao objeto, segundo o autor, houve quatro fases: a primeira, até 1890, está
relacionada ao comércio rural e à fabricação de banha; a segunda, até 1990, ligada ao comércio e importação; a terceira, até 1930, o grupo retoma as atividades industriais; a última, de 1930 e diante, há o predomínio da atividade industrial, em que a concentração passou a ser horizontal. 38 Robert McNetting, “The Ecological Approach in Cultural Study” – A MacLeb Module in
incipiente capitalismo brasileiro contar com empresários no sentido schumpeteriano, ou seja, homens dotados de espírito de liderança e práticas inovadoras (PISCITELLI, 2006).
Ao descrever as características do trabalhador e do aventureiro, no prefácio de Raízes do Brasil, Antônio Cândido afirma o seguinte sobre as duas tipologias consideradas ideais, sob a ótica de Max Weber: “uma, busca novas experiências, acomoda-se no provisório e prefere descobrir a consolidar; a outra, estima a segurança e o esforço, aceitando as compensações a longo prazo” (CÂNDIDO, 2004, p. 14). A proximidade entre os dois tipos também é referida pelo próprio autor do livro.
Entre esses dois tipos não há, em verdade, tanto uma oposição absoluta como uma incompreensão radical. Ambos participam, em maior ou menor grau, de múltiplas combinações e, é claro que, em estado puro, nem o aventureiro, nem o trabalhador possuem existência real foda do mundo das ideias (HOLANDA, 2004, p. 44).
De acordo com a tese do autor, o continente americano teria sido colonizado por trabalhadores e o Brasil, por aventureiros. Nesse grupo onde estariam homens sem apreço pelas virtudes da pertinácia e do esforço apagado, tais como espanhóis, portugueses e até os próprios ingleses, que só no século XIX teriam adquirido o perfil a partir do qual se tornaram conhecidos entre nós. Mas apesar do “desleixo e de certo abandono”, segundo Holanda (2004), o português manifestou uma adaptabilidade excepcional em terras brasileiras.
Em termos de povoamento bem como de seu ajustamento às condições ecológicas, a sociedade caipira, berço do Magazine Luiza, é fruto da fusão entre a herança portuguesa e a do indígena, tendo o bandeirismo como pano de fundo (CÂNDIDO, 2003). O homem solidário, adepto de atividades coletivas, da convivência social e apegado ao trabalho, que são características marcantes do caipira como demonstram, aliás, os fundadores do Magazine Luiza – Pelegrino José Donato e sua mulher Luiza Trajano Donato – tem uma forte ligação com a empresa familiar, categoria essa que teve um peso significativo na economia brasileira.
Recursos próprios ou das famílias de empresários responderam por cerca de 80% do capital utilizado na fundação de empresas industriais, por volta de 1930 no Brasil (PEREIRA; BRESSER, 1974, p.12-15;17 apud PISCITELLI, 2006, p. 24). Ainda segundo a autora, só a partir da associação com o modelo de substituição de
importações, é que o empresário brasileiro pôde contar com escassa participação do capital estrangeiro vindo na bagagem de imigrantes, a exemplo do que aconteceu com o conde Matarazzo, ainda na faze imperial.
O poder e a gestão das empresas concentrados nas mãos de proprietários e de suas respectivas famílias foi uma estratégia adequada e válida somente nas primeiras fases do desenvolvimento capitalista no Brasil (PISCITELLI, 2006). Com a expansão econômica e o consequente crescimento das empresas, segundo a autora, a administração em bases familiares teve que ceder espaço à racionalidade e eficiência burocráticas, que aconteceu no Brasil, principalmente na década de 1950.
Foi nesse período, inclusive, que começou a despontar, nas grandes empresas, a categoria dos administradores profissionais, também conhecidos na literatura sociológica como “tecnocratas”39. Contudo, mesmo com a ascensão do gestor profissional desprovido de qualquer relação de parentesco com os empresários tradicionais, “o papel central da família nas micro e pequenas empresas brasileiras é positivamente avaliado até os dias de hoje” (RATTNER, 1985 apud PISCITELLI, 2006, p. 25).
No Magazine Luiza, onde a segunda geração da família controla o capital e a gestão dos negócios, apoiada por profissionais contratados, a herança cultural dos fundadores é lembrada de forma recorrente. Essa prática ocorre não apenas para reforçar a importância desse ativo invisível da companhia, mas, sobretudo porque eles permanecem atuando, inclusive como símbolos vivos da cultura organizacional da empresa.
Uma cultura que, em parte é fruto da astúcia, da coragem e, talvez, da vocação de um ator social que se transformou em uma personagem da história econômica do Brasil e, principalmente de São Paulo, tento atuado até a metade do século XIX40. Trata-se do caixeiro-viajante41, responsável pela fase incipiente do varejo brasileiro, até que os primeiros estabelecimentos comerciais de maior porte
39 Na sociedade industrial, a propriedade e o controle dos meios de produção tendem a separar-se cada vez mais. Quem toma as decisões já não são os proprietários no sentido jurídico, mas os técnicos, os gerentes, os diretores, formando uma “classe” característica (DAHRENDORF, R; 1957 apud STAVENHAGEN, 1979, p.163).
40 Disponível em: <http://www.uscs.edu.br/comu/mktvarejo/faq_sobre_varejo.php>. Acesso em: 20 jul. 2011.
41 Caixeiro-viajante é uma categoria de vendedores de produtos fora da região aonde são produzidos, uma prática comum em certas regiões do interior do País, onde não havia facilidades de transporte (Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki>).
instalaram-se nas cidades, vendendo artigos para a elite, inovando o comércio brasileiro, reproduzindo os modelos já desenvolvidos tanto na Europa quando nos Estados Unidos, com algumas poucas adaptações locais.
A partir dos anos 1950, quando os brasileiros começam a perder a sua vocação agrária e a manufatura já sendo responsável por 20% do produto doméstico bruto, a migração campo-cidade dá origem às massas urbanas (OLIVEN, 2002) e o comércio se moderniza. Surgem, então, as lojas de departamentos de grande porte e, posteriormente, já nos anos 60, os Shoppings Centers começam a redesenhar a paisagem urbana brasileira, evidenciando o American way of live, o modo de vida norte-americano do pós-guerra42.
Nesse contexto o nacional parece passar primeiro pelo regional, segundo Oliven (2002), como se as identidades regionais reagissem à tentativa de homogeneização cultural. Enquanto isso, o varejo vai se consolidando como um segmento importante na economia nacional e “dependente” (CARDOSO; FALETTO, 1981). Mas, mesmo sendo terceiro-mundista e “periférico”, o capitalismo brasileiro é dinâmico, tanto que verdadeiros ícones do “mundo dos bens” (DOUGLAS, 2008), tais como Mappin e Mesbla, “se desmancharam”, ao passo que novos modelos de organização empresarial flexível, como o Magazine Luiza, despontaram no mercado, alimentando novas aspirações de felicidade.