2. ANTENLER VE ANTEN PARAMETRELERİ
2.2. Anten Parametreleri
2.2.3. Anten yönlülüğü
Fazendo um contraponto a este modelo de formação, podemos apresentar as ideias de Freire sobre a prática educativa e as suas contribuições para a formação docente, buscando pensar a teoria em permanente relação com a prática dos sujeitos e o resultado dessa análise, como uma conscientização libertadora da capacidade humana que busca o “Ser Mais”, permanentemente, condição sempre possível de ir mais longe, de aprender mais, através de uma rigorosidade epistemológica que o ato de pesquisar/estudar pode possibilitar.
O estudo da Pedagogia Paulo Freire para os educadores atuais, evidencia o percurso teórico-metodológico de um educador que dialogou com as pessoas do povo, com teóricos e críticos, mas que enfrentou corajosamente as questões do seu tempo em busca de uma sociedade mais justa e digna para todos.
Utilizando-se dos aportes teóricos e práticos fez da docência, mesmo em meio as injúrias, angústias e dissabores, uma possibilidade através da esperança no papel político da educação e na transformação dos sujeitos e, consequentemente, um sonho de uma sociedade mais humana.
Os resultados desses programas, dado o seu caráter recente, precisarão ser avaliados no que tange à sua efetividade, em termos de impacto das ações na qualidade do trabalho escolar, uma vez que a qualificação individual do professor não necessariamente resulta em melhoria dos indicadores de qualidade do trabalho da escola média. [...] Não se está dizendo, com isso, que a qualificação deve se dar no trabalho, mas sim que é preciso desenvolver processos intencionais e sistematizados que envolvam os docentes que atuam na mesma escola ou pelo menos no mesmo processo pedagógico, uma vez que, pela via do trabalho individual, não existe possibilidade de transformação.
Em sua obra Pedagogia da Autonomia, Freire (2013) atenta para a inconclusão do ser humano, de sua inserção num permanente movimento de procura e da importância de se ultrapassar da curiosidade ingênua para a curiosidade crítica em busca da curiosidade epistemológica.
Se compreendermos o professor como um sujeito em permanente processo de aprendizagem e construção do conhecimento, onde este analisa criticamente o seu fazer em um constante ato formador enquanto ser humano no Mundo e em relação com outros seres humanos, esse tipo de compreensão demonstra uma nova proposta de formação docente.
Para Paulo Freire, a formação dos educadores e educandos deverá ser contínua, ou seja, permanente e em constante reflexão crítica, pois nós, seres humanos temos a capacidade de sempre avançarmos e aprendermos mais e nos reconstruirmos a cada nova aprendizagem em busca do “Ser Mais”.
Compreendendo essa busca infinita e própria do ser humano Freire (1993, p. 19-20) afirma que:
E é nessa relação enquanto seres humanos que Freire (2009) nos fala da importância da postura ética do professor. Da ética do exercício profissional crítico e responsável perante a prática educativa, que pensa a educação enquanto possibilidades humanas, no entanto, sem negar e ser indiferente às injustiças e diferenças sociais propostas por uma sociedade de classes.
Paulo Freire (2009) nos apresenta uma proposta de formação continuada atrelada a uma concepção humanizadora da escola, dos educadores e das educadoras, educandos e educandas e de todos os profissionais da educação que se voltarão para a construção de um projeto progressista que se distancia dos moldes ora empregados nas agências privadas financiadas pelo Estado.
Seria realmente impensável que um ser assim, “programado para aprender”, inacabado, mas consciente de seu inacabamento, por isso mesmo em permanente busca, indagador, curioso em torno de si e de si no e com o mundo e com os outros; porque histórico, preocupado sempre com o manhã, não se achasse, como condição necessária para estar sendo, inserido, ingênua ou criticamente, num incessante processo de formação. De formação, de educação que precisamente devido à invenção social da linguagem conceitual vai muito mais além do que o treinamento que se realiza entre outros animais.
Pensar o (a) professor (a) como intelectual transformador é desmitificar a visão deste como apenas um técnico-burocrático que vai apenas cumprir com as pautas hegemônicas determinadas por grupos que veem a escola como uma instituição determinada a contribuir com o seu projeto modernizante, tal qual o modelo econômico de cunho empresarial.
É preciso pensar as instituições escolares como espaços públicos que incorporem os projetos de vida de seus sujeitos e amplie suas possibilidades com vistas a buscar uma postura profissional e ética que incorpore o exercício da cidadania.
Os professores não podem ter uma postura ingênua ou acrítica sobre o processo educacional, pois sabe-se que a educação não é neutra e a escola não está a parte de um projeto de sociedade. Portanto, repensar as formações continuadas que ora estão na agenda das políticas educacionais é um ato de reflexão crítica e tomada de consciência política, revelando compromisso com a educação pública que cumpra com o seu papel de formação da cidadania com vista a uma tomada de consciência e luta por uma transformação social. .
O educador crítico analisa a sua realidade, indignando-se com as injustiças, mas também, anunciando possibilidades, pois tem consciência dos obstáculos existentes numa sociedade de classes, no entanto, não acredita num determinismo, posto que os avanços que a sociedade brasileira alcançou ocorreram através de lutas e resistência da sociedade civil organizada. Então, observamos ser possível a mudança, ou como diria Freire (1981), seria a busca pelo “Inédito Viável”.
O engajamento na luta por uma profissionalização docente que compreenda os educadores como portadores de saberes, ora construídos na prática, no exercício e experiência da profissão, ora contrapondo esse conhecimento empírico com o conhecimento epistemológico para se construir uma cultura pluralista e de fomento à pesquisa; poderá ser fortalecida a partir das discussões sindicais e pautas dos movimentos
A mudança só poderá ser viável diante os movimentos de resistência coletivos, numa perspectiva de contra-hegemonia. “A história pode ser nomeada e refeita por aqueles que se recusam a permanecer passivos diante do sofrimento e opressão humana. Os educadores podem se unir a fim de politizar a natureza do que acontece nas escolas e estender o trabalho político em nossas salas de aula para outras esferas públicas.” (GIROUX, 1997, p. 211).
da categoria, a exemplo das reuniões e discussões promovidas pela: Associação Nacional pela Formação dos Profissionais de Educação (Anfope), Conferência Nacional de Educação (Conae, 2010, 2014), fóruns nacionais, estaduais e municipais sobre formação e valorização dos professores.
Através desses movimentos de resistência dos grupos sociais organizados e, em específico, na área educacional, observamos como se deu o embate de forças diversas para aprovação da Lei nº 13.005/2014 que institui o Plano Nacional de Educação (2014-2024), com 20 metas apresentando proposições que vislumbram mudanças para a Educação Brasileira.
O PNE apresenta como lema uma escola pública que tenha um sistema nacional articulado de educação para todos os brasileiros e que busque valorizar os seus profissionais de educação como agentes transformadores.
Então, acreditamos que os professores como parte do grupo dos intelectuais críticos possa fazer parte desse movimento contra hegemônico, indignando-se, declarando, conscientizando e lutando para que menos indivíduos aceitem as condições excludentes que lhes são apresentadas como “únicas e melhores”, portanto, a importância de um projeto coletivo dentro da escola e, também, em articulação com as lutas sociais legitimadas nos movimentos organizados em busca de uma sociedade mais justa e democrática.
Analisando a história da educação brasileira podemos compreender o presente, a partir do momento que situamos as práticas educacionais relacionadas aos modelos econômicos e políticos existentes desde o nosso passado e que, ainda, deixam os seus ranços na existência atual. E que, também, práticas tanto inovadoras como as consideradas negativas no nosso presente, podem já ter surgido, anteriormente, mas que não encontraram suporte adequado para se difundirem, porém, hoje retornam mais fortes e situadas com os interesses de uma determinada parcela da sociedade.
Partindo desse conceito de educação numa perspectiva de problematização e questionamento crítico dos sujeitos Freire (1991, p. 77, grifo do autor) afirma que:
A proposta de uma formação permanente dos professores é uma forma de contribuir para uma educação problematizadora, onde os sujeitos (educadores e educandos) sejam capazes de fazer uma leitura crítica do mundo, na perspectiva de contribuir com a transformação e mudança da realidade na qual estão inseridos. Segundo Freire (1998, p.24), “é necessário uma reflexão crítica sobre a prática e que isto se torne uma exigência da relação teoria-prática sem a qual a teoria pode virar blábláblá e a prática ativismo”.
Freire (1998) vai atentar para a importância da reflexão crítica como postura imprescindível para alcançar a consciência epistemológica. Ora, o educador desempenha, também, papel político, portanto, não poderá assumir uma posição neutra diante dos acontecimentos do Mundo, tampouco, contribuir para que os educandos assumam uma postura acrítica e indiferente.
Se este profissional se reconhece como agente de transformação, compreenderá a necessidade da formação como uma busca permanente em prol do pensar certo.
Nessa compreensão da necessidade individual e particular de formação permanente dos sujeitos em busca do Ser Mais, não podemos esquivar a responsabilidade do Estado, junto às instituições públicas de ensino, de promover as formações continuadas dos seus educadores. No entanto, é preciso que através de pautas organizadas, coletivamente, essas formações atendam às suas reais necessidades de construção do conhecimento numa perspectiva crítica de reflexão da realidade que “envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer”, defendidos por Freire (1998, p.43).
E a partir dessa postura, os professores se reconhecerem como intelectuais transformadores que não mais apenas desenvolvam os projetos educacionais impostos a
A educação que se impõe aos que verdadeiramente se comprometem com a libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como seres “vazios” a quem o mundo “encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência especializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como “corpos conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo.
“Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas incertezas”. (FREIRE, 1998, p. 30)
estes sem oportunidade de questionamentos, mas assumindo uma postura de resistência e de autonomia e cidadania plena perante os interesses que lhes são alheios.
Hoje, o princípio democrático em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva só vem se estabelecendo diante das diversas lutas travadas pelos vários atores e agentes sociais ao longo da nossa história e nas palavras de Gentili e Stubrin (2013, p. 25) não podemos deixar de considerar que os avanços aconteceram e ainda há muito o que fazer, mas é evidente que “[...] qualquer avaliação não pode desconhecer os avanços, as conquistas, as realizações de uma década que tornou o Brasil uma nação mais justa, mais democrática e igualitária. Uma década em que a educação modelou um presente e um futuro melhor”.
Sendo assim, a proposta freireana de formação permanente corrobora com as discussões atuais acerca da formação dos profissionais da educação que estão nas agendas das políticas voltadas para uma educação humana e problematizadora das questões cotidianas da ação docente.
Em consonância com os ideais freireanos de educação, temos a concepção de educação incluída nas novas DCN’s para a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério da educação básica, Parecer do CNE/PC Nº 2/2015:
A partir desses novos marcos legais que redirecionam a formação docente na agenda atual das políticas educacionais, compreendemos que novos rumos serão dados em busca de propostas de formação dos profissionais da educação, visando melhores condições de exercício profissional e, consequentemente, valorização que passa, também, por melhores salários e melhoras nos planos de cargo e carreira.
Segundo Freitas (2015, p. 306) ao analisar as concepções e desafios a partir das novas DCNs (Parecer e Resolução CNE/CP nº 2/2015) para a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério da educação básica, afirma:
[...]A formação continuada deve se efetivar por meio de projeto formativo que tenha por eixo a reflexão crítica sobre as práticas e o exercício profissional e a construção identitária do profissional do magistério.(BRASIL, 2015, p.34).
Compreendemos que a valorização dos profissionais da educação, a partir das novas prescrições legais em vigor, ainda se constituem como um processo de luta para a sua implementação, portanto, necessita de muita conscientização e coragem daqueles que se encontram engajados na educação.
A busca por uma educação pública de qualidade requer, ainda, muitos esforços da sociedade na luta por políticas educacionais que atendam a população estudantil e aos profissionais da educação.
Na busca de maior organicidade das políticas, as novas DCNs enfatizam que estes processos implicam o repensar e o avançar nos marcos referenciais atuais para a formação inicial e continuada por meio de ações mais orgânicas entre as políticas e gestão para a educação básica e a educação superior, incluindo a pós- graduação e, nesse contexto, para as políticas direcionadas à valorização dos profissionais da educação.
CAPÍTULO III- O CONTEXTO DA EDUCAÇÃO ESTADUAL DE PERNAMBUCO