3. II. URBAN’IN I. HAÇLI SEFERİ PROPAGANDASININ
3.3. Antakya Savaşı Sırasındaki Etkileri
No inicio de década de 1980 tornou-se publica a existência de uma doença até então desconhecida no meio médico – uma doença para qual não se conhecia a causa nem a cura e que se mostrava devastadora.
A divulgação dessa ameaça inicialmente aos homossexuais resultou numa organização crescente nos grupos gays, não só norte americano. Em meados de 1982 a doença foi denominada Acquired Immunodeficitncy syndrome (AIDS) – síndrome da imunodeficiência adquirida a partir de então a sigla passou a designar uma nova epidemia.
Onde podemos encontrar o vírus HIV:
• No sangue;
• Nas secreções do pênis e espermatozóides; • No leite materno;
• No corrimento e secreções vaginais.
A AIDS foi inicialmente identificada como síndrome que acometia indivíduos do sexo masculinos e homossexuais. A identificação clinica da AIDS ocorreu primeiramente nos EUA, onde logo, e quase exclusivamente, os homossexuais masculinos foram categorizados como grupo de risco.
Não demorou se constatou a ocorrência da doença em usuários de drogas injetáveis e hemofílicos, aumentando o numero dos grupos de risco, mas sobre os quais se manteve a concepção de grupos exclusivamente atingidos pela doença.
Observações clinicas e epidemiológicas indicavam que a doença era transmitida por via sexual e sanguíneas e que um vírus seria o agente etiológico.
Apesar de ter havido uma mudança do imaginário social no que se refere à AIDS e seus portadores, dois grupos até hoje sofrem pressões sociais e preconceito: os homossexuais e os usuários de drogas endovenosas. O comportamento que caracteriza os dois grupos não é aceito socialmente. Além disso, para os drogaditos, existem leis que podem levar o transgressor à cadeia. Para complicar mais ainda o quadro, a exemplo do que ocorreu nos últimos séculos com os portadores de outras doenças, a AIDS tem sido considerada como uma punição ao portador por uma força divina, devido ao pecado (Evans, 1994).
Concordamos com Jager (1988) ao afirmar que, em função de sua complexidade e implicações, a AIDS, como poucas doenças antes o fizeram, está exigindo uma cooperação constante entre profissionais de diversas especialidades médicas e sociais.
Para agravar o problema, somente após um período compreendido entre três semanas e seis meses depois da infecção pelo HIV é que os testes mais utilizados (Elisa e Western – Blot) conseguem detectar a presença do vírus no sangue pela produção de anticorpos pelo organismo. Isso significa que qualquer pessoa infectada que tenha contato sexual sem preservativo ou doe sangue durante esse período é potencialmente um agente infectante, mesmo que os resultados dos testes sejam negativos (Horsburgh Jr. e cols., 1989).
Alguns estudos efetuados documentaram um declínio da incidência do HIV, assim como a freqüência de comportamento de risco de contaminação entre homossexuais e bissexuais. Mas nem sempre isso ocorre. Estudo efetuado por Lemp e cols. (1994), com uma amostra de 425 pessoas homossexuais e bissexuais com idade entre 17 e 22 anos, encontrou 9,4% da amostra portadora do HIV e 19,8% com hepatite B. Além disso, cerca de um terço (33,74%) informaram praticar sexo anal sem proteção. Setenta por cento dos que foram diagnosticados como portadores do HIV informaram que não sabiam possuir o vírus. Esse desconhecimento, como se sabe, pode trazer sérios problemas em termos de saúde pública e as conseqüências epidemiológicas podem ser graves.
Oswalt e Matsen (1993) fizeram uma investigação com 206 estudantes universitários em Saratoga Springs (NY, EUA) e verificaram que todos eles revelaram saber que a AIDS pode ser transmitida por via sexual. Mesmo assim, 44% dos estudantes revelaram que usaram preservativos 50% das vezes em que tiveram relações sexuais. Noventa por cento deles revelaram que nunca tinham usado preservativo durante sexo anal.
Entre os usuários de drogas, as estatísticas são muito diferentes, dependendo do país e das políticas preventivas públicas. Na Nova Zelândia, um estudo feito entre 620 usuários de drogas intravenosas mostrou que apenas 0,5% de portadores do HIV. Embora existam estudos indicando que o uso de agulhas compartilhadas é comum na Nova Zelândia, a prevalência de infecção para o HIV em usuários intravenosos de drogas diminuiu. Talvez isso reflita o sucesso das campanhas públicas educativas (Dickson, 1994).
Por tratar-se uma doença de efeito devastador e também por ter sido descoberta há pouco mais de duas décadas, o conhecimento que se tem sobre a AIDS é ainda limitado e a ciência não possui recursos terapêuticos totalmente eficientes para o seu combate.
Com sorte e um tratamento correto, um paciente pode ter sua doença cronificada, porém com sérios efeitos colaterais devidos à grande quantidade de comprimidos diários que tem que ingerir. Isso aumenta a importância de comportamentos que previnam a contaminação.
Indiscutivelmente, muito se avançou no conhecimento da patologia até hoje. Nos últimos anos houve um aumento na compreensão da patogenia da infecção do HIV, resultando em alterações profundas no tratamento. Novos medicamentos demonstraram eficácia no atraso da progressão do HIV, possibilitando maior sobrevida e melhor qualidade de vida. Com a introdução de novos tratamentos anti-retrovirais em 1996, denominados de HAART (Highly Acitive Antiretroviral Theraphy), uma onda de esperanças surge com novas perspectivas em termos de prognóstico. A eficiência dos novos medicamentos tornava tão baixa a carga viral no organismo dos pacientes que os exames
laboratoriais não mais acusavam. Isso provocou uma euforia que obnubilou a compreensão dos fatos, permitindo que muitas pessoas abrissem a guarda em termos de prevenção, como se o problema da AIDS já estivesse equacionado. Estudos recentes demonstram que, apesar da manutenção de uma carga viral indetectável por dois anos, o vírus continua nos gânglios linfáticos e células mononucleares no sangue periférico, podendo reativar-se no caso de suspensão do tratamento (Furtado e cols., 1999). Além disso, muitos dos pacientes sob tratamento HAART sofreram efeitos colaterais importantes como do resultado do tratamento, o que interferiu de forma negativa na qualidade de vida.
Considerando que a tuberculose é uma doença eminentemente social, é fundamental, para a prevenção e controle, desenvolver ações que busquem erradicar a miséria e corrigir o desnível econômico da população (Rouquayrol, et al. 1999).
A concepção da tuberculose, que se mantem ao longo dos anos, é a de uma doença que vem de fora: do outro, do comportamento desregrado e amoral, do ar impuro, do local, dos fluidos, que leva ao medo da contaminação. Essas concepções e representações têm acompanhado a doença até hoje. Ao acessar os fatores e eventos histórico-sociais, que influenciaram e orientaram as práticas e as estratégias sociais de lidar com a doença, obtive dados para estabelecer algumas relações no entendimento das representações.
Em meados do século XIX (1860), a medicina associava a tuberculose “diretamente às condições de miséria em que vivia a população” (Chalboub, 1996). A grande preocupação, em termos de saúde publica, estava na destruição dos cortiços e na recuperação da zona urbana da cidade. Os cortiços eram vistos como mantenedores propagadores e acumuladores de sujeira e perigo social. Dentre estas preocupações, a tuberculose não figurava entre as principais epidemias que necessitava de controle.
Até o final do século XIX, acreditava-se que a tuberculose estava ligada à concepção de hereditariedade e às condições de vida, como habitações e trabalho. A noção de doença implicava-se na noção de herança dos mortos. O
mal era herdado enquanto constituição e, na época, a morte sobrevinha, por que a cura existia. Uma das explicações era que varias pessoas da mesma família adoeciam de tuberculose, outro fator que explica seria o fato que varias crianças nascerem doentes ou mortas, quando a mãe (ou parente próximo) tinha a doença, os médicos não percebiam que o confinamento familiar favorecia a propagação da doença na família.
Nesta época, não havia métodos diagnósticos e nem terapêuticos eficazes de combate a tuberculose, pois não sabia-se qual o agente etiológico e tampouco como lidar com esta situação. Os escarros, por exemplo, quando lançados ao chão, não perdiam as propriedades da enfermidade, mesmo quando secos (Guimarães, 1990). Criam-se as escarradeiras. Portanto, adapta-se ao meio com medidas de prevenção, e o doente adapta-se à doença, criando alternativas para não disseminar o mal.
Nesse mesmo período, estavam ligadas à tuberculose representações aparentemente opostas, como por exemplo, a visão romântica da debilidade física, do amor transformado e da degeneração da pessoa. Algumas destas representações, no Brasil, ocorreram da influência da chegada dos imigrantes.
Em paises europeus, a imagem de uma pessoa com tuberculose estava relacionada á idéia de sensibilidade ás artes, ao romantismo, a fineza dos sentimentos, sendo reconhecida no meio literário como a doença da paixão. O aparecer e a aparência física tornaram-se um valor importante naquele contexto (Sontag, 1984). Ser como um “tuberculoso” era também visto, por alguns grupos, como símbolo de distinção, que influenciou por muito tempo os padrões sociais europeus de vestir-se, viver, comer e de afirmar-se na sociedade.
Sontag (1984) mostra que, na “mitologia da tuberculose, geralmente há sentimentos de paixão que provocam o ataque da doença ou que se exprimem de paixão que provocam o ataque da doença ou que exprimem nesse ataque”. Tema recorrente para os escritores românticos, era raro as obras literárias e artísticas que não incluíam tísicos entre seus personagens (Bertolli Filho, 1993).
As fácies tísicas expressavam a inexorabilidade da morte ante o acometimento da tuberculose tanto pelo fatalismo da herança como pela falta de métodos terapêuticos eficazes, que o conhecimento cientifico só mais tarde traria.
A outra idéia era da degeneração da pessoa (mal social), reunia abstrações que demarcavam alguns comportamentos sociais (estilo de vida) e condições de vida (moradia, higiene e trabalho) como relevantes para o adoecimento.
No final do século XIX, em 1882, o médico alemão Robert Koch descobriu o agente causador da infecção. E nesta época, na saúde publica, as descobertas dos agentes causadores das doenças desordenavam a visão mantida, ate então a dinâmica e dos tratamentos das mesmas. O individuo é o agente hospedeiro e transmissor da tuberculose, ele é quem transmite, a partir daí as políticas de saúde modificaram e dão-se poderes e responsabilidade cada vez mais à medicina.
Com o desenvolvimento da medicina, a idéia de hereditariedade é posta de lado e a contaminação concretiza-se da existência do bacilo como causador da doença. Portanto, a descoberta cientifica, modifica não só a etiologia, mas também as formas de perceber e lidar com a doença.
As más condições de moradia, alimentação precária e local de trabalho são fatores importantes para a exposição ao bacilo da tuberculose e o crescente adoecimento da população. Desta forma, os menos favorecidos são os tem que maior risco de contrair a doença.
As discurssões na área médica, social e política deixavam claro que a educação em saúde era uma das medidas de profilaxia e que a estrutura urbana só favorecia a disseminação da doença; entretanto, ainda assim prevalecia o tratamento higiênico - dietético, para aqueles que podiam afastar-se do trabalho e manter uma boa alimentação.
doentes, rotulando-os como responsáveis por um tipo de mal social. OS mesmos são vistos como perigosos e contagiosos para a sociedade saudável; isto é também é válido para outras doenças contagiosas (Nascimento, 1991).
“Os doentes são culpados e responsabilizados socialmente pelo modo de vida ao não adotarem os costumes de higiene e de alimentação preconizados pela medicina; são também responsabilizados pela saúde dos outros” (Foucault, 1982).
Uma vez percebido que a incidência crescia, algumas instituições filantrópicas foram criadas e responsabilizadas pelam políticas de controle da tuberculose. No 4º Congresso de Medicina e Cirurgia, realizado na cidade do Rio de Janeiro em 1899, já havia pressão para a construção de sanatórios, locais apontados como uma solução para a erradicação da doença. Em 1990, foi criada a Liga Brasileira Contra a Tuberculose, que consolidava a preocupação médica e dos intelectuais em combater a doença.
Em fins do século XIX e inicio de XX, a tuberculose era a maior responsável pela mortalidade na cidade do Rio de Janeiro. Todos os anos ela eliminava grande contingente da população, só sendo sobrepujada por outra doença nos anos de epidemia. O Rio de Janeiro nada mais do que um aglomerado de pequenas vias insalubres, atopetadas de cortiços, onde permaneciam a massa heterogênea de trabalhadores e miseráveis dividindo o mesmo espaço.
A distribuição da prevalência da tuberculose fazia-se, portanto, comprovadamente, de maneira diferenciada por grupos de população, segundo sua condição de vida e trabalho. Fontenelle, estudando a distribuição da mortalidade por grupos de idade no período 1903-1930, apontou uma curva ascendente no grupo de 20-29 anos de idade e o ápice na faixa etária de 30-39 anos. A maior freqüência de mortalidade por tuberculose dava-se exatamente no período de vida produtiva em que o individuo está, portanto, duplamente exposto ao risco da contaminação, isto é, na moradia e no trabalho.
No inicio do século XX, a maioria dos trabalhadores do Rio de Janeiro tinha uma jornada de trabalho de 12 horas, em locais insalubres. Em função dos baixos salários, comiam mal e moravam precariamente, o que são elementos fundamentais na epidemiologia da tuberculose.
A Liga, como instituição não filantrópica teve um papel fundamental, sua função foi a de implementar no país os meios de cura e de profilaxia necessários para a tuberculose. Além disso, tem como estratégia de ação a divulgação da cura da doença e das medidas de prevenção, através de cartazes, palestras e ofícios encaminhados ao Governo Federal, solicitando medidas de prevenção da doença.
O governo sente cada vez mais pressionado a fazer uma reforma na estrutura de saúde e assume a causa como questão social importante para o desenvolvimento da nação; isto só ocorreu em 1920.
O médico sanitarista Oswaldo Cruz, então diretor geral de saúde publica, conseguiu implantar sua política de saneamento, porem antes de iniciar a execução do plano, o sanitarista sofreu grande resistência, mesmo da classe médica. Em companhia de Pereira Passos, prefeito do Distrito Federal, Oswaldo Cruz atuou com todo rigor autoritário, respaldado juridicamente e articulados em nome do saneamento básico e da modernização da capital.
Largas avenidas foram construídas, prédios demolidos, cortiços afastados da área central, ambulantes retirados das ruas. E a saúde pública, organizada militarmente, dizimou os mosquitos da febre amarela, exterminou os ratos, vacinou contra a varíola, procedeu a milhares de inspeções e desinfecções domiciliares e interditou casas comerciais.
No momento em que o estado expande a sua ação no controle da tuberculose também avançou. Calmette e Guérin descobrem a vacina BCG, comprovando-a em 1918 e apresentando-a a academia Francesa de Medicina em 1924. Esse recurso profilático foi logo introduzido no Brasil. Anos mais tarde, outra conquista tecnológica, dessa vez no campo de radiologia para fins de
diagnóstico e controle da tuberculose, veio enriquecer a luta contra a tuberculose: Manoel de Abreu, médico do setor de radiologia da Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose, desenvolveu, em 1936, uma técnica simplificada do método radiológico que dispensava instalação especial para sua aplicação e por esse motivo a técnica ficou conhecida como abreugrafia.