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4. BULGULAR VE YORUM

4.1. TÜRK ŞİİRİNDE ÇOCUK TEMASI (1923-1950)

4.1.1. Çocuk ve Aile

4.1.1.1. Çocuk ve Anne

4.1.1.1.1. Annenin Kaybı

Tratados Ratificados pelo Governo Fox

1) Convenção Interamericana sobre Desaparecimento Forçado de Pessoas - Ratificação em 9 de abril de 2002

2) Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes de Lesa Humanidade - Ratificação em 15 de março de 2002

3) Protocolo Facultativo da Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à Participação de Crianças em Conflitos Armados - Ratificação em 15 de março de 2002 4) Protocolo Facultativo da Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à Venda de

Crianças, Prostituição Infantil e Utilização de Crianças em Pornografia - Ratificação em 15 de março de 2002

5) Protocolo Facultativo da Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes - Ratificação em 11 de abril de 2005 6) Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional - Ratificação em 28 de outubro de

2005

Instrumentos que Implicavam o Reconhecimento da Competência de Receber Comunicações Individuais por parte dos Mecanismos ligados aos Tratados

7) Protocolo Facultativo da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher - Ratificação em 15 de março de 2002

8) Primeiro Protocolo Facultativo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos - Adesão em 15 de março de 2002

186 9) Declaração de Reconhecimento por parte do México da Competência do Comitê para

a Eliminação da Discriminação Racial, estabelecido pela Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial, em conformidade

com o artigo 14 da Convenção – Adesão em 15 de março de 2002

10) Declaração de Reconhecimento por parte do México da Competência do Comitê contra a Tortura, estabelecido pela Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos

ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, em conformidade com artigo 22 da Convenção – Adesão em 15 de março de 2002

Retirada de Reservas e Aceitação de Emendas

11) Retirada Parcial da reserva ao artigo 25-b do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (voto ativo dos ministros de culto)

12) Retirada Parcial da Declaração Interpretativa e da reserva à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (voto ativo de ministros de culto e celebração de atos

públicos de culto religioso)

13) Emendas aos artigos 17 (7) e 18 (5) da Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes – Aceitação em 15 de

março de 2002

Fonte: Autor, com base em Secretaría de Relaciones Exteriores, 2005; Informe de Ejecución del PNDH, 2005; Human Rights Watch, 2006; Mecanismo de Búsqueda de Tratados de la SRE (http://www.sre.gob.mx/tratados/Default.htm)

Em consonância com todas essas medidas, Jorge Castañeda, durante a sessão da Comissão de Direitos Humanos da ONU de 2001, rejeitou a tradição dos governos do PRI que usavam os princípios de não-intervenção e soberania para evitarem e se protegeram das críticas e pressões da comunidade internacional referentes ao tema dos direitos humanos, em outro exemplo das mudanças que o governo Fox promovia na política externa mexicana de direitos humanos. Em seu primeiro discurso como Secretário de Relações Exteriores perante a Comissão, Castañeda assinalou que

“Se ha sostenido que la defensa y la promoción de los derechos humanos constituyen asuntos internos de cada país que no deben sujetarse al escrutinio internacional. México no comparte esta tesis. Afirma categóricamente que los derechos humanos representan valores con validez absoluta y universal. En tanto que absolutos, no pueden ser condicionados por ninguna instancia. No son internos ni externos, son humanos. En particular, estamos convencidos de que no puede apelarse a la soberanía para justificar la violación de derechos que por su carácter fundamental y su trascendencia la anteceden. El ejercicio de la soberanía no puede, de ninguna manera, perseguir fines inhumanos; no puede, por tanto, ser ejercida por un Estado en contra de los derechos fundamentales de sus ciudadanos y de cada individuo que se encuentre en el ámbito de su soberanía. En tanto que valores universales, la situación de los derechos humanos en cualquier Estado es una preocupación legítima de la comunidad internacional en

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su conjunto. La labor de promover su vigencia y respeto es empresa común de todos los gobiernos y todos los pueblos, y no puede estar supeditada a la exclusiva voluntad de un gobierno”143.

Outra medida que demonstrava a nova atitude do governo frente ao tema dos direitos humanos foi a criação, ainda em 2001, da “Fiscalía Especial para Movimientos Sociales y Políticos del Pasado” (FEMOSPP), encarregada das investigações das violações aos direitos humanos cometidas durante os massacres estudantis de 1968, 1971 e também durante a guerra suja mexicana144. Em seu informe 26/2001, apresentado em 27 de novembro de 2001, a CNDH informou, com base em 532 queixas recebidas sobre casos de desaparecimento forçado, que durante a década de setenta e início dos anos oitenta, os anos da chamada “guerra sucia”, era possível comprovar 275 casos plenamente documentados de desaparecimentos forçados de que haviam participado autoridades estatais145. Para atender as recomendações desse informe os arquivos dos organismos de segurança do Estado relativos a essa época foram abertos, e se criaram a FEMOSPP e um comitê institucional de reparação dos danos às vítimas presidido pela Secretaria de Gobernación, vigente até hoje146.

Ainda em 2001 foi criada a Unidade de Defesa e Promoção de Diretos Humanos dentro da Secretaria de Gobernación (Segob), cuja criação “resultou de uma demanda explícita de ONGs nacionais no contexto da intensa pressão internacional e nacional depois da morte da ativista de direitos humanos Digna Ochoa”147 (Anaya, 2009, p. 51). Mas tal medida

143 “Palabras del Secretario de Relaciones Exteriores de México, Dr. Jorge Castañeda”. Comisión de Derechos

Humanos de la ONU, 57º. Período de sesiones. Ginebra, 20 de marzo de 2001. Disponível em: http://www.unhchr.ch/huricane/huricane.nsf/view01/BB3943288E6F2EE8C1256A180059E952?opendocument. Último acesso em 22 de junho de 2009.

144 Por guerra suja se conhecem as medidas de repressão militar e política empreendidas pelo PRI desde finais

dos anos sessenta até inícios dos anos oitenta que buscavam a dissolução dos movimentos de oposição política e armada contrários ao Estado mexicano.

145 Comisión Nacional de los Derechos Humanos (CNDH). Recomendación 26/2001. Disponível em:

http://www.cndh.org.mx/comsoc/compre/2001/146.htm. Último acesso em 20 de junho de 2009.

146 A FEMOSPP, por seu turno, encerrou suas atividades em novembro de 2006 com o término do governo Fox,

e suas investigações foram transferidas para a Coordenação Geral de Investigação da PGR (Procuradoria Geral da República). O caso que mais chamou a atenção para a atuação da FEMOSPP foi o relativo ao massacre do movimento estudantil de 1968. Como resultado das investigações da Fiscalía, a PGR acusou Luis Echeverría de crime de genocídio no caso da matança de Tlatelolco. O ex-presidente ficou sob prisão domiciliar, mas em março deste ano (2009) um tribunal federal ordenou decretar a liberdade absoluta de Echeverría por falta de provas, ainda que tenha reconhecido a prática delitiva do genocídio no caso do massacre dos estudantes.

147 Digna Ochoa, advogada e ativista de direitos humanos do Centro Prodh, foi alvo de várias ameaças de morte

na década de 1990, a ponto de em 1999 a Corte Interamericana de Direitos Humanos ordenar medidas preventivas para proteger sua vida e integridade física. Em 19 de outubro de 2001 foi encontrada morta, fato que logo levantou suspeitas sobre a possibilidade de homicídio e desatou a pressão de inúmeras ONGs mexicanas e internacionais sobre o governo para que ele investigasse o caso. Pressionado, o governo solicitou à CIDH que designasse um especialista independente para que ele avaliasse e revisasse as investigações realizadas, e apresentasse um informe final com suas conclusões. O caso foi analisado perante a CIDH em quatro audiências, e foram apontadas pela Comissão uma série de problemas e inconsistências durante as investigações, o que foi sublinhado também pela Comissão de Direitos Humanos do Distrito Federal (CDHDF). No entanto, nem a CIDH

188 não era resultado apenas da pressão de organizações da sociedade civil. Era parte, ademais, de uma política mais ampla do governo, já que outros órgãos especializados em direitos humanos foram criados a partir de 2001 não só na Secretaria de Gobernación e na Secretaria de Relações Exteriores, mas também na Secretaria de Segurança Pública e na Procuradoria Geral da República (PGR).

Os anos de 2002 e 2003 continuaram a assistir ao adensamento dos compromissos internacionais e à reformulação das estruturas institucionais domésticas do Estado mexicano em temas de direitos humanos. Em 2002, entrou em vigor a Lei Federal de Transparência e Acesso à Informação Pública Governamental, cuja observância e cumprimento ficaram sob responsabilidade do Instituto Federal de Acesso à Informação Pública (IFAI), órgão da administração pública federal criado em 2003 que dispõe de autonomia operativa, orçamentária e de decisão, e que está encarregado de promover e difundir o exercício do direito de acesso à informação, resolver os casos em que os pedidos de acesso são negados pelos órgãos estatais, e proteger os dados pessoais em poder das dependências e entidades do Poder Executivo Federal.

Em 2003 se firmou ainda um Programa de Cooperação sobre Direitos Humanos com a Comissão Européia para ampliar o conhecimento sobre os direitos humanos e seus mecanismos de proteção, e harmonizar as políticas e leis nacionais com os padrões internacionais na matéria (Missão do México ante a ONU, 2006). A estrutura administrativa da Secretaria de Gobernación foi também novamente reformulada neste período, entre 2002 e 2003. Em 2002, mais especificamente, houve a criação da Subsecretaria de Assuntos Legais e Diretos Humanos, mas as mudanças organizacionais que envolviam a secretaria de forma mais profunda no tema dos direitos humanos não parariam por aí, já que o governo Fox também estabeleceu a Comissão de Política Governamental em Matéria de Diretos Humanos, em 2003.

A Comissão era composta por membros de várias secretarias e agências governamentais sob liderança da Secretaria de Gobernación (Segob), “com o objetivo de introduzir os direitos humanos no desenho e implementação de políticas públicas” (Anaya, 2009, p. 42). Seu objetivo era criar um espaço para coordenar as ações em matéria de direitos humanos das várias dependências e secretarias da administração pública federal (Secretaría de

nem a CDHDF se posicionaram sobre se o caso era de suicídio ou homicídio, e por fim as investigações concluíram que a ativista havia se suicidado em razão de um quadro depressivo. No entanto, são inúmeros os ativistas de direitos humanos que não aceitam tal conclusão e defendem a tese de assassinato. Em 13 de março de 2007, a Procuradoria Geral de Justiça do Distrito Federal anunciou a reabertura do caso devido ao surgimento de novas provas.

189 Relaciones Exteriores, 2005, p. 144). Ela substituía a Comissão Intersecretarial para a Atenção dos Compromissos Internacionais do México em Matéria de Direitos Humanos que havia sido criada pelo governo Zedillo, em 1997. Sua presidência passou a ser exercida pela Segob, e não mais pela Secretaria de Relações Exteriores (SRE), como ocorrera anteriormente, em parte como uma resposta a uma antiga insistência das ONGs mexicanas que defendiam que ela deveria ser presidida pela secretaria que se encarregava dos assuntos internos do país, e não pela dependência que se ocupava da política externa (Maza, 2008, p. 46-7)148.

Outra medida que demonstrava a centralidade da agenda de direitos humanos para o governo Fox foi a elaboração do Programa Nacional de Direitos Humanos, em 2004, no âmbito da supracitada Comissão de Política Governamental em Matéria de Diretos Humanos. A idéia inicial era a de que o plano emergisse das conclusões e recomendações feitas pelo diagnóstico da situação dos direitos humanos que havia sido coordenado pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos. O programa, no entanto, não dispunha de um orçamento para sua implementação, e se restringia a uma série de ações desconectadas que as secretarias e agências já haviam planejado com anterioridade, sem propor qualquer tipo de indicativo ou cronograma para sua execução. Não eram estabelecidas prioridades nem compromissos de construir um conjunto específico de políticas públicas cujos avanços no tema dos direitos humanos pudessem ser verificados e medidos (Maza, 2008, p. 52; entrevista pessoal com Edgar Cortéz, 2008).

A despeito, contudo, das falhas e deficiências patentes do programa, Anaya argumenta que o Programa Nacional de Direitos Humanos teve pelo menos o mérito de pôr em marcha no país “um processo de promoção dos valores de direitos humanos dentro de alguns setores da burocracia que tradicionalmente não estavam familiarizados ou até mesmo desconfiavam dos direitos humanos” (Anaya, 2009, p. 42). Por fim, também no ano de 2004, estabeleceu-se em Ciudad Juárez a Comissão para Prevenir e Eliminar a Violência contra as Mulheres, e em 2005 o governo criou uma Fiscalía Especial para investigar os brutais e numerosos assassinatos de mulheres cometidos nessa cidade.

Muitas iniciativas domésticas de direitos humanos de Fox fracassaram, como foi o caso do projeto de uma reforma constitucional abrangente sobre direitos humanos proposta em 2004 pelo governo que nem mesmo foi discutida seriamente pelo Congresso. E mesmo

148 Na Comissão participavam de maneira formal, com voz, mas sem direito de voto, organizações da sociedade

civil que contribuíam com seus comentários para a definição de políticas e leis que o governo deveria implantar para assegurar o respeito aos direitos humanos no país.

190 quando muitas das iniciativas do governo sobre essa temática não fracassaram elas tiveram resultados frustrantes e desapontadores, como ocorreu com a “Fiscalía Especial para Movimientos Sociales y Políticos del Pasado” (FEMOSPP) e as comissões criadas para investigar os abusos contra os direitos humanos em Ciudad Juárez149. Além disso, mesmo as mudanças domésticas que obtiveram amplo sucesso e reconhecimento internacional, e a abertura completa do país ao escrutínio internacional não foram suficientes para frear os números alarmantes de violações que continuaram a ser cometidas no país, em muitos casos pelas próprias forças de segurança pública e/ou com a cumplicidade de autoridades estatais, como se pôde observar nos episódios de San Salvador Atenco e Oaxaca, em 2006150.

No entanto, isso tudo não invalida a constatação de que os direitos humanos se tornaram um componente explícito da agenda do governo no México de forma inédita. Apesar de todas as falhas e da insuficiência das mudanças domésticas no que diz respeito ao tema houve sim uma mudança importante da política externa de direitos humanos do país, o que nos coloca a necessidade de examinar, uma vez mais, as razões e causas que motivaram tais alterações.

O governo Fox aprofundou as mudanças na política externa de direitos humanos que, embora de forma lenta e gradual, já vinham sendo tomadas pelos dois últimos governos do PRI, dos presidentes Salinas e Zedillo, mas essa mudança é explicada pelo argumento aqui proposto ou ela foi causada pela pressão da rede transnacional de direitos humanos, como havia ocorrido nos dois últimos governos priístas? Abaixo apresento dados sobre as comunicações do exterior recebidas pela CNDH durante os três governos aqui analisados

149 Embora a FEMOSPP tenha contribuído para a reconstrução histórica de um longo capítulo da vida política

mexicana que havia sido escondido e negado pelo regime priísta, e tenha resultado no reconhecimento, pelo Estado, da utilização de práticas repressivas e criminosas, ela não conseguiu responsabilizar penalmente os que apontou como responsáveis pela guerra suja. Já com relação aos casos de mulheres desaparecidas e assassinadas em Ciudad Juárez, Chihuahua, os esforços do governo federal não foram capazes nem de frear a violência contra as mulheres, nem de responsabilizar criminalmente os responsáveis pelas violações.

150 Nos dias 3 e 4 de maio de 2006, mais de 2.500 policiais estaduais e federais se dirigiram ao povoado de San

Salvador Atenco, no Estado do México, para reprimir membros de um movimento social composto por comerciantes ambulantes (floristas) e militantes zapatistas que anos antes se haviam oposto à construção de um aeroporto em suas terras, depois de que estes haviam tomado uma rodovia federal e enfrentado a polícia. O resultado final da operação foi uma série de graves violações aos direitos humanos, envolvendo detenções arbitrárias, práticas de tortura, estupros e a morte de dois jovens. Já o caso de Oaxaca se iniciou em maio de 2006 com uma manifestação de professores que pediam reajuste salarial ao governo. Em junho, o governador Ulises Ruiz Ortiz, do PRI, deu ordens para que uma operação policial desalojasse os manifestantes do centro histórico da cidade de Oaxaca, de que resultou um grave enfrentamento entre professores e policiais. A tentativa de desalojamento gerou uma onda de protestos e descontentamento popular, e ao movimento de professores se uniram várias outras organizações sociais, políticas e populares, que em conjunto formaram a APPO (Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca), cujo objetivo era destituir o governador. A APPO organizou diversas marchas, invadiu prédios do governo, estações de rádio, fechou estradas, enfrentou a polícia estadual diversas vezes e tomou controle de setores inteiros da cidade. Somente depois de uma intervenção de tropas federais, passados mais de 170 dias de conflitos, é que a situação se normalizou na cidade, com um saldo de inúmeras violações aos direitos humanos cometidas por funcionários dos governos estadual e federal.

191 como um indicador da evolução da pressão da rede transnacional de ativismo em direitos humanos sobre o governo do México para avaliar se ela pode ter sido responsável pelas mudanças da política externa. Por meio dessas comunicações as ONGs internacionais e outros grupos estrangeiros expressam suas preocupações, dúvidas e críticas sobre a situação dos direitos humanos no país. Elas são, desse modo, uma espécie de termômetro que mede a atenção dispensada pela rede transnacional de direitos humanos para o caso mexicano ao longo dos anos.

TABELA 5.3 NÚMERO DE COMUNICAÇÕES DO EXTERIOR RECEBIDAS PELA COMISSÃO