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Anlatı Metinleri Metin 1 – M1-

EKLER:

Ek 1. Anlatı Metinleri Metin 1 – M1-

As conversações sobre o PSPN se deram em um ambiente de convergência sobre o mérito da instituição do Piso, mas de compreensíveis diferenças táticas sobre como alcançar o objetivo. Enquanto os representantes governamentais apontavam as dificuldades dos estados e dos municípios, a Confederação estudava as alternativas para provar a viabilidade do PSPN. Embora em desvantagem do ponto de vista decisório, a CNTE tinha, a seu favor, a iniciativa de propor o debate nacional sobre a oportunidade da instituição do Piso. Mais ainda: para amadurecer a proposição, antes de reivindicar a ação do governo federal, desencadeara uma intensa discussão interna.

O debate interno da Confederação teve, desde o início, alto grau de acordo, mas, também, não esteve imune às incertezas e às contradições. A maior parte dos sindicatos filiados acreditava que o Piso seria uma solução estrutural para os baixos salários. Alguns, porém, preferiam lutar por reajustes anuais como forma de manter o sindicato em constante movimento em torno de uma pauta tradicional. O ativismo dá ideia de combatividade e isso, para alguns, torna a dinâmica mais importante do que o conteúdo. Também havia situações instaladas há muito tempo, como regimes horários que facilitam acúmulos de jornadas. Por último, havia o receio de que a conquista do Piso pudesse ser politizada, tanto pela direção da CNTE, quanto pelo governo, que poderiam, além dos dividendos políticos, legitimar a mesa de negociação como uma forma de construção de acordos trabalhistas.

O que de fato houve foi uma mesa de “conversação” que partiu de um diagnóstico da realidade salarial de estados e municípios. Entre os vários estudos produzidos por todos os atores envolvidos no processo, uma estimativa apresentada pelo MEC (BRASIL, 2007) mostrou que a realidade dos salários iniciais praticados por estados e municípios era, no mínimo, preocupante. Para se ter uma ideia da capacidade de compra, no início do ano de 2007, o salário mínimo era de R$ 380,00. Registre-se, também, que o “salário inicial” não correspondia a um piso de carreira, mas à remuneração, de fato, recebida pelos trabalhadores em educação por 40 horas semanais de trabalho.

Tabela 1: Média do salário inicial estimado (em R$) dos profissionais de educação, em início de

carreira, por unidade da federação – 2007

UF Municipal Estadual Acre 719 863 Alagoas 575 690 Amapá 1.140 1.367 Amazonas 757 908 Bahia 606 727 Ceará 557 668 Distrito Federal ... 1.763 Espírito Santo 701 841 Goiás 714 857 Maranhão 591 709 Mato Grosso 778 933

Mato Grosso do Sul 839 1.006

Minas Gerais 742 890 Pará 662 794 Paraíba 578 694 Paraná 815 978 Pernambuco 557 669 Piauí 565 678 Rio de Janeiro 1.013 1.216

Rio Grande do Norte 532 638

Rio Grande do Sul 820 983

Rondônia 688 826 Roraima 1.108 1.330 Santa Catarina 845 1.014 São Paulo 979 1.174 Sergipe 685 821 Tocantins 614 737 Brasil 960 715

Taxa de crescimento anual 1,75% 1,75%

Fonte: Ministério da Educação (BRASIL, 2007).

Nota: Salário inicial correspondente à jornada de 40 horas semanais.

A estimativa apresentada pelo MEC suscitou o seguinte questionamento: Como estados e municípios fixam vencimentos iniciais de carreira? Na maior parte dos casos, o que compete orçamentariamente ao Executivo – já que os outros poderes são autônomos – é repartido desigualmente entre as várias categorias de funcionários públicos. A diferença entre

os maiores e os menores salários pode chegar a atingir três dígitos. Isto é: um professor ou um funcionário da educação pode ganhar cem vezes menos que outro servidor público do próprio Executivo. Como resultado, o peso numérico na folha de pagamento – considerando que a educação tem o maior número de matrículas – é inversamente proporcional aos recursos despendidos. A correção desse desvio depende da disposição política dos governantes que, por sua vez, enfrentam pressões corporativas e, em alguns casos, até mesmo, disputas jurídicas.

Não é irrelevante a questão do endividamento dos estados, fator que diminui, substancialmente, a capacidade de investimento, custeio e manutenção da máquina pública. Some-se a isso a baixa capacidade de arrecadação de muitos estados e municípios, por vários motivos, alguns combinados entre si: promoção da guerra fiscal, falta de políticas de enfrentamento à sonegação de impostos e concessão de incentivos fiscais indiscriminados e por largo período de tempo. No caso dos municípios, deve-se levar em conta que expressiva quantidade deles tem arrecadação própria muito inferior aos repasses constitucionais por parte da União. Essa situação levaria, posteriormente, a senadora Ideli Salvatti (PT/SC) a acreditar que o PSPN não seria aprovado sem a emenda que regula a complementação da União:

Era impossível, inclusive, você falar em Piso, tendo apenas o fundo de financiamento para o ensino fundamental [Fundef]. Era impossível porque a maior parte das competências em relação à educação básica é dos estados e dos municípios e, portanto, se você quer dar um reconhecimento profissional ao professor tem que pensar nas formas de sustentação. O professor é professor, independente do nível e da rede em que ele leciona. Então, se nós não tivéssemos o fator unificador do financiamento, que é o Fundeb, jamais nós poderíamos ter avançado para a conquista do Piso. Eu acho que foi todo esse conjunto de fatores, o fato do governo Lula ter encampado a idéia e ter aprovado. Isso obviamente, de maneira inquestionável.(D-4)

O deputado federal Carlos Abicalil (PT/MT) concorda com a senadora sobre a dificuldade de aprovação do PSPN sem esse adendo. “Foi uma exigência dos tucanos, particularmente, do ex-ministro Paulo Renato”, esclarece (D-1). Abicalil foi além, sugerindo que a posição do deputado federal Paulo Renato (PSDB/SP) fosse, em primeiro lugar, assimilada por seu próprio partido, posto que, desde a apresentação de emendas, já havia indicativos da propositura da ADI contra o Piso, capitaneada pela governadora do RS, também do PSDB.

Esse tipo de contradição que viria a se apresentar reforça a ideia de que o financiamento do Piso deveria ser bancado pelo esforço conjugado de municípios, estados e União. Ao mesmo tempo, os estudos para a fixação do valor do Piso não deveriam se limitar ao exame

da situação da folha de pagamento – que todos concordavam ser indispensável – mas avançar no estabelecimento de um diagnóstico mais amplo e abrangente. Para tanto, a CNTE propôs que se considerassem os seguintes elementos:

• receita de impostos do ente federado – significa a capacidade de arrecadação,

cujo montante financia o conjunto dos investimentos e das despesas;

• percentual de vinculação de recursos à educação por parte do ente federado – considera que alguns estados e municípios vinculam 30 ou 35% dos impostos, superando o mínimo constitucional;

• receita de suplementação de recursos por parte da União – leva em conta os recursos advindos da União, que reforçam o orçamento dos demais entes federados; • número de alunos em relação ao número de profissionais – considera as necessidades da rede para o adequado atendimento à demanda;

• amplitude das remunerações dentro de cada carreira – prevê as condições de movimentação na carreira, considerada a sua extensão;

• jornada de trabalho – considera as diferenças de tempo de dedicação ao trabalho, o que interfere no número de profissionais necessários;

• processo educativo – diz respeito à qualidade, à diminuição da repetência e a outros fatores que concorram para a melhoria do fluxo escolar;

• diferença entre receita potencial e receita realizada – refere-se ao esforço fiscal para arrecadar recursos perdidos por isenções e sonegações de impostos;

• organização do tempo escolar – considera as necessidades geradas pelo aumento de tempo de permanência do aluno na escola;

• forma de contratação dos profissionais – observa a natureza do vínculo empregatício e seus desdobramentos na carreira;

• impactos na aposentadoria – antecipa o planejamento da situação e da proporção de aposentados no sistema. (VIEIRA, 2010, p. 72-5)

Esses referentes serviram de base para a CNTE realizar um estudo exploratório em dez estados da federação54, abrangendo todas as regiões, onde, além dos próprios estados, foram escolhidas cidades de pequeno, médio e grande porte, incluindo as capitais. Esses dados serviram de subsídio para vários estudos, objetivando chegar a um número considerado compatível com a valorização da profissão. Porém, se apresentou uma situação contraditória ou, no mínimo, dúvidas a serem respondidas. Essas dúvidas se relacionavam tanto com a disputa externa quanto com os obstáculos à construção de acordo interno, no âmbito da

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O Grupo de Trabalho da CNTE promoveu um estudo de campo com a seguinte abrangência: Acre (Rio Branco, Bujari e Senador Guiomard), Espírito Santo (Vitória, Guarapari e Anchieta), Goiás (Goiânia, Trindade e Inhumas), Maranhão (São Luís, Raposa e São José do Ribamar), Mato Grosso (Cuiabá, Primavera do Leste e Poconé), Mato Grosso do Sul (Campo Grande, São Gabriel do Oeste e Aquidauana), Pará (Belém, Santa Izabel e Ananindeua), Paraná (Curitiba, Colombo, Fazenda Rio Grande e Araucária), Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Gravataí e Charqueadas) e Santa Catarina (Florianópolis, Biguaçu e Palhoça). O Grupo foi composto pelos dirigentes da CNTE (Gestão 2005/2008): Denilson Bento da Costa, Heleno Araújo Filho, Joel de Almeida Santos, Maria Antonieta da Trindade, Marta Vanelli, Milton Canuto de Almeida, e Silvinia Pereira de Sousa Pires.

própria Confederação. Por isso, era fundamental encontrar respostas para essas duas ordens de questões:

a) teriam esses estudos força suficiente para convencer os representantes dos governos estaduais e municipais a aceitá-los? A CNTE não podia competir com a estrutura e a capacidade técnica dos governos. Ao mesmo tempo, fora dela a iniciativa do debate sobre a viabilidade do PSPN e esse era seu principal trunfo perante os interlocutores e a sociedade; e

b) como convencer a própria base de que os números deveriam expressar um compromisso político, mas não poderiam ficar diametralmente opostos à capacidade orçamentária dos estados e municípios? Na luta pelo Piso, a Confederação já havia reivindicado um Salário Mínimo Necessário, calculado pelo Dieese, para um regime de 20 horas semanais de trabalho. Para os setores mais radicalizados do movimento, independentemente das mudanças ocorridas na conjuntura, esse era o único parâmetro aceitável.

A CNTE passou a debater Piso quase que em tempo integral, testando todas as fórmulas que pareciam factíveis, mas não chegava a uma resposta alentadora. Até que um dia, ocorreu à presidência da Confederação resgatar o valor do Acordo Nacional de Educação para Todos e do Pacto pela Valorização do Magistério e Qualidade da Educação, cujo compromisso era a “implantação de um piso salarial profissional nacional do magistério de, no mínimo, R$ 300,00 (trezentos reais), com garantia de seu poder aquisitivo em 1º de julho de 1994” (BRASIL, 1994, p. 22). Foi uma espécie de descoberta do óbvio: enfim, havia um sólido argumento para apresentar ao governo federal, ao Consed e à Undime, todos signatários do Acordo Nacional e do Pacto pela Valorização do Magistério. Além disso, a justificativa embutia um componente discursivo de grande impacto: desafiava o Governo Lula a não ficar aquém do Governo Itamar Franco.

Benzer Belgeler