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FONTE: alexbotelho.com

FIGURA 47 - RESIDÊNCIA DO CONDOMÍNIO WEST PARK BOULEVARD. NATAL-RN (2011) FONTE: procalengenharia.com.br

Ainda segundo Tavares e Costa (2010) na medida em que vão expandindo as construções de condomínios horizontais e verticais, também vão crescendo os estabelecimentos de prestação de serviços

como forma de suprir a demanda gerada pela população dos condomínios. Mais especificamente os que se encontram nos limites de Candelária com os bairros Cidade Nova e Cidade da Esperança, pontos de maior concentração do maior número de condomínios bastante próximos uns dos outros. Portanto para atender esta demanda foram criados postos de gasolinas, lavanderias, lojas de conveniênci a, Shopping Centers, dentre outros. Assim, em torno dos condomínios e não dentro deles surgiu uma área comercial de pequenos consumos inaugurando nova tendência no morar.

No decorrer da investigação outras tendências se manifestaram. Era uma casa muito eng raçada [...] ninguém podia dormir na

rede porque na casa não tinha parede. As estrofes pertencem A casa, música de autoria do cantor e compositor Toquinho, retrata novas tendências do morar contemporâneo no espaço mais flexível. As décadas de 1997 (século XX) até 2007 (século XXI) cujo slogan/ideologia compartilhar versus isolar representou a transformação por que passou o design da moradia no Brasil, especialmente da camada social brasileira urbana. A individualização do uso dos espaços se tornou mais urge nte e necessária; e pensar em soluções para integrar estes ambientes tornou - se um desafio para os profissionais de arquitetura. ( NOMADS. USP. 97_07, 2007).

Uma proposta do Grupo Nomads, foi encorajar a substituição das paredes fixas por paredes móveis para que se permita a reorganização do apartamento de acordo com as funções ou atividades que estejam sendo desenvolvidas. Para o arquiteto Marcelo Tramontano, esta seria uma forma de aumentar os cômodos, tão apertados, cujas metragens já tinham sido bastante reduzidas em décadas anteriores.63

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Dados dos Relatórios (citado por VILLA [s.d.] )sobre a evolução das áreas úteis médias de apartamentos com 4 quartos a queda foi em torno de 6,82m². Em contrapartida apartamentos com 01 quarto ganhou 11,67 m² entre 1985 e 2004 (40,77 e passou para 52,44). Vinha em queda entre 1987 até 2002. Apresentou uma queda maior em 1997 quando chegou a 30,87 m² com perda de 9,9m². Em relação ao metro quadrado dos apartamentos de 3 quartos - que é a média de apartamentos

Por sua vez, tendo em vista da impossibilidade de aumentar a área construída dos novos projetos de acordo com o mercado imobiliário, outra solução foi a transformação interna dos espaços projetados o morador solicitando o aumento de um cômodo em detrimento de outro como mostra a entrevista a seguir:

Quando compramos este apartamento ele tinha quatro quartos. Como na nossa suíte não tinha closet, porque não tinha espaço para o mesmo, a solução foi abrir mão do quarto vizinho ao nosso e transformá-lo em closet. A nossa suíte ficou espaçosa, como queríamos. (Moradora do Condomínio Península, Rio de Janeiro, 2013).

Outra solução foi 0a proliferação das suítes em empreendimentos em todas as faixas de renda e o aumento de lançamentos de apartamentos do tipo loft e duplex para a classe média alta.

De todas as soluções propostas não se vislumbra como estas resolveram ou resolveriam a questão da necessidade de ampliação e o desejo de individualização d o espaço. O que se constata analisando folhetos de propagandas das construtoras e até nas entrevistas com arquitetos e designers de interiores é que foram priorizadas as áreas comuns e aumentados os equipamentos de uso coletivo, como salões de festas, jogo s, piscinas, saunas, quadras esportivas e salas de musculação, dentre outros. (VALÉRY, 2011).

Hoje, estão incluídos nos projetos e edifícios, condomínios

clubes (assim chamados pelas empresas construtoras dos imóveis) ou

penínsulas: pistas de caminhada e evidentemente enorme área verde, lan houses, espaços-gourmet, quiosques e garage -bands (para a banda de música), academias, capelas, alguns com shoppings (Rio e São Paulo), ônibus que servem de traslado para quem trabalha nas residências dos condomínios; e para quem trabalha em outros bairros ou pretende sair para resolver algum problema, o mesmo ônibus faz determinado

percurso, saindo da península, situada na Barra da Tijuca até o Barra Shopping, no Rio de Janeiro. Aumentaram os espaços coletivos com seus equipamentos e serviços para compensar a falta de espaço nas unidades residenciais.

Observa-se também em Natal esta nova tipologia residencial que já se tornou tendência que é a dos Condomínios Clubes, tendência que se disseminou da Zona Sul em direção ao município de Parnamirim. O que poderia ser interpretado, na lógica de Villaça (2009), como a pretensão dos incorporadores de tornar obsoletos antigos bairros residenciais para criar mercado para seus lançamentos, conforme aconteceu em São Paulo e Rio de Ja neiro; em Natal, se a lógica dos investidores locais era similar, parece que não tem sortido o mesmo efeito, pois, as construções expandiram -se para as periferias. O que presumidamente seria “massificação de demanda na qual se inclui a produção ideológica de novos estilos de vida e de novas formas de morar” (VILLAÇA, 2009, p.184) morar afastado do centro como o ideal para o consumidor não surtiu muito efeito; muitos consumidores desta nova ideologia reclamam da distância, no caso dos condomínios nos limites Natal e Parnamirim. À distância para o centro ou áreas próximas do centro, e com ela o engarrafamento do trânsito, impede o usuário, deste tipo de empreendimento, de chegar mais cedo em casa quando retorna do trabalho entre dezoito horas e dezenove horas, ou de outra atividade; e quando antecipa sair de casa mais cedo para o trabalho, deixar as crianças em colégios, quando se precisa ir ao médico, cinema, Shopping Center; ou até mesmo em busca de uma vida social mais dinâmica.

Portanto, nos últimos cinco a nos multiplicaram -se os condomínios verticais voltados para as camadas sociais abastadas nos antigos bairros residenciais como Tirol, Petrópolis e Barro Vermelho, especialmente condomínios próximos ao Shopping Midway Mall. A

justificativa dos agentes imobi liários para vender os novos empreendimentos é a valorização da localização, ou do ponto, transformado em mercadoria. Com o discurso da ampla acessibilidade constroem-se edifícios de apartamentos com preocupação mais no porte

do empreendimento, do que com a forma da casa. (VILLAÇA, 2009, p. 185). Não importa se o tamanho do apartamento “tem tendência a diminuir”, se satisfaz ou não, em sua totalidade, as necessidades do morador; se 98m² realmente acomodam famílias com gerações heterogêneas; se uma família com cinco pessoas, por exemplo, está acomodada de forma confortável. Para o investidor e o agente imobiliário que o representa, a localização (de preferência bairros como Tirol e Petrópolis em Natal; Barra da Tijuca, RJ) e os itens de lazer,

como piscina c om raia semi -olímpica, com SPA integrado, sauna, academia, quadra de squash, salão de festa e jogos, kids room, quadra poliesportiva (a exemplo do Residencial Manhattan, Natal; Condomínio Península, Barra da Tijuca/RJ) é que prevalecem. Assim constroem -se apartamentos com menos cômodos, e custos elevados, somados aos custos da futura decoração que é funcional (FIGURA 48).

Benzer Belgeler