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Ankara Etnografya Müzesi Merdivenleri, Ön Cephe

3.3.2.1 Aspectos estruturais

Os dados foram coletados por meio de um questionário autoadministrado disponibili- zado online em um site especializado em pesquisas científicas e amplamente utilizado pelos acadêmicos brasileiros: Surveymonkey. Dentre as principais vantagens relacionadas a esta estratégia de coleta citam-se: elevada velocidade de obtenção dos dados; nenhum problema com a equipe de campo; nenhuma tendenciosidade do entrevistador; e baixo custo quando comparado com os demais métodos de coleta de dados. Como desvantagens, destacam-se: baixo controle da amostra e do ambiente onde o respectivo instrumento de coleta é preenchi- do; limitação a perguntas simples; e baixo índice de respostas (MALHOTRA et al., 2005). Especificamente em relação a esta última desvantagem, Babbie (1999, p. 253) observa que “alcançar uma alta taxa de respostas resulta em chance menor de viés de resposta” e que uma taxa acima de 70% é considerada como muito boa, apesar de não haver consenso na literatura que trata deste assunto em particular.

O questionário foi estruturado em sete partes principais (APÊNDICE A), com as per- guntas sendo colocadas em uma sequência lógica para facilitar seu preenchimento pelos res- pondentes: a) Instruções de preenchimento; b) Recursos informacionais; c) Perfil dos profis- sionais da equipe de inteligência; d) Infraestrutura tecnológica; e) Ferramentas analíticas; f) Produtos de inteligência; e g) Dados sobre os respondentes e suas organizações.

As questões foram apresentadas de maneira simples, direta e objetiva, com a explica- ção dos conceitos considerados como essenciais e que pudessem gerar algum tipo de proble- ma relacionado ao entendimento adequado de seu significado, conforme sugestões apresenta- das por autores como Malhotra et al. (2005), Collis e Hussey (2005), Gonçalves e Meirelles (2004) e Cooper e Schindler (2003). Para evitar esses problemas, as observações apresentadas por Babbie (1999) também foram levadas em consideração: fazer apenas as perguntas cujas respostas os respondentes provavelmente sabem; perguntar apenas coisas relevantes; e ser bastante claro no que está sendo perguntado.

3.3.2.2 Caracterização dos construtos

Os construtos, seus respectivos indicadores e as demais variáveis consideradas neste trabalho foram selecionados a partir de uma extensa revisão da literatura pertinente (destaque especial para os questionários utilizados por Calof e Dishman, 2002,eSaayman et al., 2007, e corroborados por meio de um painel realizado com especialistas da área – pesquisadores, con- sultores e profissionais da inteligência) (APÊNDICE C), além das contribuições fornecidas pelo orientador desta pesquisa.

Ao todo, dois construtos representativos dos recursos informacionais (QINF) e huma- nos (EXPT) e duas variáveis dos recursos tecnológicos (CATE) e analíticos (CAAN) conside- rados como essenciais pelos profissionais da inteligência consultados foram utilizados nas análises realizadas. Ressalta-se que os recursos financeiros não foram considerados neste tra- balho, em decorrência do fato de a maioria dos respectivos profissionais os ter considerado como informações estratégicas para as suas organizações e, portanto, sigilosas. A confiabili- dade das escalas utilizadas para os construtos QINF e EXPT foi determinada pela análise da consistência interna por meio do coeficiente Alfa de Cronbach, conforme se observa pela lei- tura do Quadro 20.

QUADRO 20

Atributos importantes para a caracterização dos recursos utilizados no processo de IC

(continua)

Construtos e

Variáveis (Identificados) Atributos (Selecionados) Atributos Cronbach Alfa da Qualidade

informacional (QINF)

Completude, relevância, precisão, confiabi- lidade, validade, atualidade, publicidade e quantidade.

Relevância, precisão, confia-

bilidade, validade, atualidade. 0,894

Expertise da

equipe de IC (EXPT)

Criatividade, persistência, perspicácia, objetividade, capacidade analítica, comuni- cabilidade, relacionamento, conhecimento das ferramentas analíticas, conhecimento do mercado/setor, visão sistêmica da orga- nização.

Objetividade, capacidade analítica, conhecimento do mercado/setor, visão sistêmi- ca da organização.

(conclusão)

Construtos e

Variáveis (Identificados) Atributos (Selecionados) Atributos Cronbach Alfa da

Capacidade Tecnológica (CATE)

Áudio/vídeo conferências, groupware, base de dados online, painéis eletrônicos, redes sociais, sistemas especialistas, softwares de IC, data warehouse, data mining, personal

brain, gerenciamento eletrônico de docu-

mentos, internet, intranet, mídias móveis,

e-mail e telefone.

Base de dados online, softwa-

res de IC, data warehouse, internet, intranet, e-mail.

0,755

Capacidade Analítica (CAAN)

Cinco forças de Porter, análise SWOT,

benchmarking, análise de patentes, análise

de cenários, engenharia reversa, balanced

scorecard, matriz produto-mercado, matriz

BCG, fatores críticos de sucesso, cadeia de valor, jogos de guerra.

Cinco forças de Porter, análi- se SWOT, benchmarking, análise de cenários.

0,749

Nota: Para a confiabilidade ser considerada satisfatória, autores como Babbie (1999), Hair et al. (2005) e Malho- tra et al. (2005) têm sugerido um Alfa de Cronbach > 0.600.

Fonte: Autor da pesquisa

Para a caracterização e mensuração dos respectivos construtos e variáveis, três escalas foram utilizadas: a) Escala de ranqueamento para selecionar os atributos considerados como os mais importantes pelos profissionais da inteligência consultados (1 – Mais importante ... n – Menos importante) – todos os construtos e variáveis; b) Escala Likert balanceada de 7 pon- tos (1 – Discordo totalmente ... 4 – Neutro ... 7 – Concordo totalmente) com escolha forçada para os construtos - Qualidade Informacional (QINF) e Expertise (EXPT); e c) Escala de fre-

quência para determinar o grau de utilização dos recursos tecnológicos (CATE) e analíticos

(CAAN) pelos respectivos profissionais em suas atividades de inteligência (1 – Nunca ... 4 – Às Vezes ... 7 – Sempre).

A premissa é a de que o nível de eficiência do processo de IC está diretamente relacio- nado à utilização de recursos informacionais com o maior nível de qualidade possível e fre- quente utilização das principais tecnologias da informação e da comunicação e das ferramen- tas analíticas existentes, além de uma equipe capacitada de profissionais com habilidades, competências, conhecimentos e capacidades diferenciadas.

As demais variáveis consideradas neste trabalho estão relacionadas à estrutura das e- quipes de inteligência e dos processos de IC das organizações pesquisadas, com especial des- taque para a quantidade de profissionais existente nas equipes de inteligência, a experiência

desses profissionais com as atividades de inteligência, a formação acadêmica em IC, o tempo de dedicação aos trabalhos nas unidades de inteligência (partial ou full time), a observação das políticas informacionais adotadas pelas suas organizações, especialmente no tocante à coleta de dados e informações apenas de fontes públicas, e a participação dos treinamentos em IC oferecidos.

Também foram consideradas variáveis relacionadas ao funcionamento dos processos de IC das organizações pesquisadas, como: quantidade de usuários efetivamente atendidos; número de concorrentes que as equipes de inteligência conseguem monitorar simultaneamen- te; quantidade média de fontes de informações utilizadas para a obtenção dos recursos infor- macionais necessários; tempo gasto na geração dos produtos de inteligência demandados; frequência de disseminação; e prazo médio de entrega dos respectivos produtos de inteligên- cia gerados para os usuários. Por fim, variáveis relacionadas ao perfil dos respondentes e de suas respectivas organizações também foram consideradas.

3.3.2.3 Pré-teste: sugestões apresentadas e alterações realizadas

O pré-teste do instrumento de coleta, conforme sugestões apresentadas por Malhotra et

al. (2005), Collis e Hussey (2005), Gonçalves e Meirelles (2004) e Cooper e Schindler

(2003), foi realizado com o objetivo de eliminar problemas futuros relacionados ao preenchi- mento e ao entendimento adequado de seus itens e levou em consideração fatores como tama- nho, formato, clareza da redação, tempo de preenchimento e adequação das variáveis conside- radas (conteúdo). Foram convidados oito revisores, sendo três profissionais da área da IC e cinco acadêmicos com conhecimentos sólidos em métodos e técnicas de pesquisa, com publi- cações sobre o tema da IC. As sugestões apresentadas por eles estão listadas no Quadro 21, a seguir.

QUADRO 21

Sugestões apresentadas após a realização do pré-teste do instrumento de coleta

Revisores Sugestões apresentadas

Profissional da IC (1) Inclusão de novas tecnologias da informação e comunicação (por exemplo, áu- dio/vídeo conferência); redução do tamanho do questionário; discriminação dos produtos de inteligência por tipo; e definição dos conceitos centrais.

Profissional da IC (2) Melhorar a clareza de algumas questões; reduzir a quantidade de itens referentes aos recursos tecnológicos e analíticos; evitar conceitos com significados próximos (por exemplo, astúcia e perspicácia); colocar a opção “Outros” nas questões, para permitir maior interação e possibilidade de novas respostas.

Profissional da IC (3) Sem sugestões. Afirmou que o questionário estava muito bom e suficiente o bastan- te para um entendimento adequado de como o processo de IC realmente funciona. Introdução de itens referentes à capacidade das equipes de inteligência: quantidade de usuários efetivamente atendidos e de concorrentes monitorados.

Orientador Mudança da escala Likert de 5 para 7 pontos para maior discriminação das respos- tas; redução do tamanho das frases; introdução de mais ferramentas analíticas (por exemplo, análise da cadeia de valor); introdução de uma escala de ranqueamento (ordem de importância dos atributos referentes aos recursos informacionais, huma- nos, tecnológicos e analíticos considerados) para melhor discriminação das respos- tas; e mudanças no leiaute do questionário para evitar confusões.

Doutor em Ciência da

Informação Estratificação dos produtos de inteligência por tipos; e definições mais precisas para os conceitos dos respectivos produtos de inteligência.

Doutora em Ciência da Informação

Nenhuma sugestão foi apresentada. Afirmou que o questionário estava apropriado para o fim a que se destina.

Doutora em Estratégia

e Marketing Correções gramaticais; mudanças nos enunciados das questões de ranqueamento, colocando os escores no corpo do texto; mudanças dos conceitos com significados parecidos (por exemplo, astúcia e perspicácia); redução da quantidade de atributos para evitar confusão nos respondentes; e retirada de frases em forma negativa, para evitar adaptações nas análises das mesmas.

Doutor em Estratégia

e Marketing Colocar as definições antes das questões; colocar um exemplo de preenchimento de escala na apresentação do questionário; nas escalas de ranqueamento, destacar que as opções poderiam ser marcadas uma única vez; correção da gramática em algu- mas questões; incluir a opção “Outros”, para maior flexibilidade das respostas; ranqueamento de no máximo cinco itens, especialmente nas questões com mais de dez itens.

Fonte: Autor da pesquisa

Grande parte das sugestões apresentadas pelos acadêmicos e profissionais da área da IC foi atendida, com especial destaque para: a) alteração da escala Likert de 5 pontos inicial- mente considerada para a de 7 pontos; b) introdução de uma escala de ranqueamento, para a discriminação dos atributos considerados como essenciais para os construtos considerados; c) introdução de itens nas questões consideradas como incompletas; d) inclusão da opção “Ou-

tros”, para maior flexibilidade e interação com os respondentes; e) elaboração de um leiaute mais amigável do instrumento de coleta para facilitar o seu preenchimento; e f) definição dos conceitos considerados como essenciais para o entendimento adequado das respectivas ques- tões.

Benzer Belgeler