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ANİMASYON SEKMESİ:

A noção de competência, como explicitado no capítulo II, tem embasado todas as propostas do Ministério da Educação no que diz respeito à formação dos profissionais da educação (Brasil, 1999, 2001, 2003a, 2003b, 2005). Apesar do trabalho coordenado entre a instância federal e a municipal, essa última tem autonomia para organizar e ministrar cursos de acordo com suas necessidades. Entra em cena, então, o CEFOPE, que promove cursos e oficinas pedagógicas para proporcionar aos educadores momentos de reflexão, discussão, ampliação do conhecimento, integrando os profissionais e socializando práticas didático-pedagógicas (João Pessoa, 2010). Apesar de reconhecerem que a formação continuada possibilita a troca de experiências, a reflexão e autoavaliação da prática docente e o domínio de novos recursos pedagógicos, as professoras participantes desta pesquisa fazem muitas queixas a sua elaboração e execução:

E5 - (Os cursos têm contribuído) porque a gente não tem tempo de ficar pesquisando... Agora é o seguinte: se o curso for bem planejado, porque o que o professor quer quando vai pra uns cursos desse é subsídio pra ele trabalhar em sala de aula. Porque ele não tem tempo de tá pesquisando nem de tá preparando... Agora se for só teoria, tá entendendo, o professor não... sinceramente, ele sai de lá achando que não teve muito proveito.

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E8 – Olhe, é a troca de experiências. Não vou dizer que ajuda muito, mas um pouco.

E4 - Pouco. Eu quase não vejo rendimento... Acaba sendo assim uma formação de desabafo, onde ninguém resolve nada, onde não se tem estratégia de mudança, não se tem nada, e a gente só fala, fala, fala... eu falo que a minha sala tá ruim, ela fala que o aluno dela tá assim, e a gente não vê solução para nada. Então, pra mim, isso não tem nenhum rendimento, né?

Salientamos no capítulo II que os cursos de formação de professores, tanto em caráter inicial quanto permanente, deveriam propiciar aos professores um momento de troca de experiências, por reconhecermos nele alternativas para o desenvolvimento de técnicas pedagógicas, de reconhecimento do trabalho pelos pares, bem como do efeito catártico que promove. De acordo com Zarifian (2011), a competência é também a capacidade de mobilizar redes de atores em torno da partilha dos mesmos problemas e, se necessário, para assumir áreas de responsabilidade compartilhada. Desse modo, o momento de desabafo assinalado pela docente não se constitui a priori como uma deficiência, mas numa forma eficaz de desenvolver competências. Tornar-se-á preocupante se a formação continuada se limitar a isso, em detrimento dos demais aspectos que podem ser abordados. As professoras pontuam outras fragilidades:

E7 - Eu acho que ajudaria se tivesse mais responsabilidade. Porque colocar um monte de professor numa sala de aula e colocar ele pra fazer cartaz e desenhar, não tá acrescentando em nada... Eu queria realmente assim, que eles

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trabalhassem de acordo com a nossa realidade e principalmente de acordo com a realidade da nossa cidade. Não ficar fantasiando! Às vezes eles colocam um monte de coisa que a gente não pode cumprir.

E6 - Eu digo que em nada. A pessoa lá isolada, descontextualizada, fora de suas necessidades.

E10 - Rapaz, assim, sinceramente... Tem uns que eu acho que têm melhorado algumas coisas. Mas têm outros que se tornou assim repetitivo... Outro dia, passou um filme que ninguém entendeu nada. Então, assim, não tem muito rendimento. Eles passam aquilo que a gente já faz. A maioria das coisas que eles dão lá a gente já faz, pratica na sala de aula. Entendeu?

Os depoimentos apontam que as principais falhas dos cursos oferecidos pela SEDEC estão relacionadas ao conteúdo ministrado, estando ainda insuficientemente contextualizado, por vezes demasiadamente teórico e repetitivo. A despeito dos avanços parciais, percebemos que as políticas educacionais, em grande parte, são construídas e implementadas de cima para baixo, sem a participação das professoras e sem considerar as variabilidades existentes nas escolas, o que explica essa falta de articulação com a prática cotidiana.

Reconhecemos a grande contribuição que esses cursos podem dar para a formação profissional das docentes, mas pontuamos a sobrecarga de trabalho por eles gerada, por serem organizados em dias e horários opostos ao que as professoras trabalham, o que dificulta a participação das mesmas, e ainda diminui a qualidade dessa

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participação. Uma professora relata a dificuldade de conciliar trabalhar, formação continuada e família:

E8 - Geralmente eu tô aqui de manhã e à tarde na outra escola. Mas os cursos oferecidos nos sábados, ou então à noite, aí eu vou. A gente tá muito cheia. Sábado mesmo a gente tem que passar o dia todinho aqui. Vai ter um curso oferecido pelo PDE. Aí são 2 sábados, o dia todinho. Aí é muito cansativo. E a gente é casada, tem os filhos pra gente dar atenção.

A sobrecarga de atividades limita a vida social e familiar dessas trabalhadoras. Em pesquisa realizada por Neves e Seligmann-Silva (2006), as professoras se queixam da falta de tempo para se divertir junto aos seus familiares e consideram não ter tempo suficiente para descansar antes de reiniciar uma nova semana de trabalho. Essa realidade implica em processos de adoecimento vivenciados pelas professoras.

Embora admitam a necessidade de aperfeiçoamento, a desvalorização salarial acaba por ser um obstáculo à participação das docentes nos programas desenvolvidos pela SEDEC, devido à necessidade de trabalhar 2 turnos para complementar a renda:

E7 - Acho que a gente perde muito tempo fazendo outra coisa ou trabalhando em vários horários pra conseguir aquela renda X pra no final do mês fechar os nossos compromissos, e a gente acaba não investindo naquilo que seria primordial, que é o nosso conhecimento. Porque a gente não pode passar aquilo que a gente não tem, se a gente não tem tempo pra pesquisar, pra estudar, fica cada dia mais difícil.

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Enquanto o governo não pagar um salário digno e condizente com o trabalho desenvolvido, o currículo e o tempo de serviço, as professoras vão continuar trocando os cursos de capacitação pela segunda ou terceira sala de aula. Não defendemos aqui, que a questão salarial é a solução ou a grande vilã da educação brasileira, mas reconhecemos a sua importância na construção de um sistema educacional de qualidade para os profissionais e os alunos.

As participantes da nossa investigação não mencionaram somente as deficiências, mas deram também sugestões para melhorar a eficácia dos cursos ministrados:

E7 - Por que não nos orientar acerca de técnicas para trabalhar com alunos especiais, como trabalhar com as crianças hiperativas, uma forma de atrair, os jogos, trabalhar com jogos para atrair os alunos?

Identificamos, a partir do posicionamento das professoras, a ausência da noção de serviço na concepção dos cursos e atividades propostas pelo CEFOPE. Contudo, esse é um conceito transversal que deve abranger todas as unidades de uma organização (Zarifian, 2001a). A educação, enquanto serviço prestado aos cidadãos, compreende uma grande rede de serviços, que começa desde o MEC até a professora na sala de aula. Pouco vale as professoras se mobilizarem para prestar serviço de qualidade aos alunos, se esse compromisso não é compartilhado com as demais instâncias.

A formação continuada será um instrumento mais eficaz de formação profissional quando for capaz de identificar as necessidades das educadoras, para avaliar a utilidade que os cursos propostos têm na atividade de trabalho dessas profissionais.

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Faz-se necessário coadunar o saber constituído ao saber investido, fruto da experiência pregressa das docentes e do contexto escolar.

A identificação das competências mobilizadas pelas professoras nas situações de trabalho constitui-se numa alternativa para conhecer as variabilidades e as competências já desenvolvidas – nisso reside a relevância da nossa pesquisa –, bem como diagnosticar deficiências, que ajudam na elaboração de propostas mais adequadas. Contudo, isso só será viável se for acompanhado de uma melhora substantiva na comunicação entre todos os setores e membros da SEDEC. Maggi (2006) coaduna com nossa posição ao afirmar que a formação continuada deve ser dinâmica, criativa e, principalmente, articulada pelos conhecimentos dos saberes teóricos e práticos oriundos das experiências das trabalhadoras. O desafio, como nos alerta Zarifian (2001b), é articular conhecimento e competências e fazê-los alimentarem-se reciprocamente.

A partir da compreeensão das profissionais, analisamos a importância dos cursos oferecidos pela Secretaria de Educação e Cultura para o desenvolvimento de competências. Na seção seguinte, abordamos as estratégias que as docentes têm adotado para desenvolver novas competências.

Benzer Belgeler