• Sonuç bulunamadı

Analyses For Determining Suitable Turbulence Model

3. MATERIAL AND METHODS

3.3. Design Of Air Channel By Means Of CFD

3.3.2. CFD Analysis Studies

3.3.2.4. Analyses For Determining Suitable Turbulence Model

Como aspecto preliminar que antecede qualquer análise científica acerca de problemas jurídicos desponta o questionamento sobre o que vem a ser o direito, como meio de definir a opção do pesquisador por determinada linha jusfilosófica, a fim de produzir resultados harmônicos e coerentes entre si. Essa questão suscita discussões intermináveis entre os juristas, sociólogos e demais cientistas sociais.

A definição essencial do direito se trata de um problema “supracientífico ou jusfilosófico”, que ultrapassa a competência da ciência jurídica, “pois a questão do ‘ser’ do direito constitui campo próprio das indagações da ontologia jurídica”.16

13 Lair da Silva Loureiro Filho, Introdução ao direito. Introdução ao direito. Belo Horizonte: Del Rey, 2009, p. 61.

14 Cristina Costa, Sociologia: Introdução à Ciência da sociedade, cit, p. 21.

15 Lair da Silva Loureiro Filho, Introdução ao direito. Introdução ao direito, cit., p. 61.

16 Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 28.

Nilo Batista ressalta a relevância das referências pautadas na investigação metodológica jurídica. Além da escassez dessas referências, o autor chama a atenção para o recorrente desinteresse da “literatura penalística nacional em incorporar tal debate, optando freqüentemente por refugiar-se em concepções simplistas e surradas, ou mesmo, sob o influxo do neotecnicismo jurídico antes referido, por silenciar a respeito dele.”17

Como ponto de partida para responder o que vem a ser o direito, deve-se passar necessariamente pela definição do que vem a ser a ciência jurídica?

No sentido filosófico, a ciência implica a existência de complexos conhecimentos constatados, com caráter descritivo, ordenados em relação de conexidade, genéricos e sistematizados. Procura dar uma explicação satisfatória da realidade, constata o que existiu, existe e existirá, justificando como saber o certo e verdadeiro.18

Pode-se afirmar que determinada disciplina é ciência quando houver objeto de estudo determinado pela operação do cientista, através do método que fixa as bases de sistematização da ciência.19 O sucesso da investigação científica depende do método adotado, “porque a segurança e a validade do resultado do pensamento científico dele advém”, sob pena de resultar em “experimentos sem consistência”.20

17 Nilo Batista, Notas históricas sobre a teoria do delito no Brasil. Ciências penais. Revista da

Associação Brasileira de Professores de Ciências Penais. São Paulo: Revista dos Tribunais, jul- dez de 2004, n. 1, p. 133.

18 Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 17.

19 Sobre a ciência jurídica vide Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito,

cit., p. 30.

Júlio German Von Kirchmann defende a abordagem científica do direito, caso contrário, a simples alteração de palavras pelo legislador faz com “bibliotecas inteiras se convertam em lixo”.21

A Jurisprudência22 preenche todos os requisitos do conhecimento científico, por sistematizar o conhecimento demonstrado, obtido metodicamente e voltado a determinado objeto.23

As doutrinas epistemológicas justificam teoricamente a ciência do direito, dando à investigação jurídica um caráter científico, em seis direções fundamentais: jusnaturalismo24; empirismo exegético25; historicismo casuístico26; sociologismo eclético27; racionalismo dogmático28 e; egologia existencial29.30

21 Júlio German Von Kirchmann, El carácter a-científico de La llamada ciencia Del derecho.

Savigny, Kirchmann, Ziltelmann, Kantorowicz. La ciencia del derecho. Buenos Aires: Losada, [s.d.], p. 251-286.

22 Miguel Reale explica que a “Ciência do Direito durante muito tempo teve o nome de

Jurisprudência, que era a designação dada pelos jurisconsultos romanos. Atualmente, a palavra possui uma acepção estrita, para indicar a doutrina que se vai firmando através de uma sucessão convergente e coincidente de decisões judiciais ou de resoluções administrativas (jurisprudências judicial e administrativa). Pensamos que tudo deve ser feito para manter-se a acepção clássica dessa palavra, tão densa de significado, que põe em realce uma das virtudes primordiais que deve ter o jurista: a prudência, o cauteloso senso de medida das coisas humanas” (Lições preliminares

de direito. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 62).

23 Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 33.

24 O jusnaturalismo acompanha a evolução humana desde os primórdios quando as leis eram de origem divida, passando pela moderna filosofia de Stammler e Del Vecchio. A lei natural tem a característica da imutabilidade dos seus primeiros princípios, indissociável da natureza humana, por isso, não depende do legislador. As leis elaboradas por este derivam dos primeiros princípios naturais, contudo, não são naturais. O direito natural no século XVII passou da fase objetiva e material para a fase subjetiva e formal, de raízes teológicas, “buscando seus fundamentos de validade na identidade da razão humana”. Nessa fase o direito natural adota o método dedutivo cujo ponto de partida está na hipótese lógica sobre o estado natural do ser humano para se alcançar todas as normas derivadas. Essa evolução trouxe uma “dignidade metodológica especial” à ciência do direito, através da ordenação de preposições, ligando a ciência e o pensamento sistemático. Nesse período surgem estudos indicativos da natureza humana como genuinamente social (Grotius, Pufendorf e Locke) ou como originariamente a-social ou individualista (Hobbes, Spinoza e Rousseau) (Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 36-40).

25 A principal expressão da ciência jurídica no século XIX foi o exegetismo, pautado no entendimento de que a lei escrita significa a totalidade do direito positivo, o que levou os juristas a exercerem a função de analisar com rigor o texto legal e “revelar o seu sentido”. Contudo, não negaram o jusnaturalismo, admitiam que as leis positivadas eram a expressão do direito natural. Isso conduz ao raciocínio da época de reduzir o estudo do direito “a mera exegese dos códigos”. “O racionalismo buscava a simetria, a construção lógica perfeita, o que levou à utopia. Foi essa mesma simetria que conduziu os juristas franceses, do século XIX, à idolatria do Código de Napoleão, resumo da moral do mundo, considerado como o edito de natureza eterna e imutável”. “A escola da exegese reuniu a quase-totalidade dos juristas franceses (Proudhon, Melville, Blondeau, Bugnet, Delvincourt, Huc, Aubry e Rau, Laurent, Marcadé, Demolombe, Troplong, Pothier, Baudry-Lacantinerie, Duranton etc.)”. A doutrina da exegese por considerar somente a

Essas concepções epistemológico-jurídicas sobre o caráter científico da Jurisprudência expressam discrepâncias inconciliáveis atinentes ao problema, impossibilitando pronunciamentos definitivos sobre “o objeto de investigação da ciência jurídica e de se eleger o seu método adequado”.31

Maria Helena Diniz observa que o jusnaturalismo foi superado pela moderna filosofia fenomenológica dos valores, “ao conceber o direito como objeto cultural, que pode ocorrer tanto sob a forma de direito justo como de direito injusto”. O direito natural, como ideal valorativo, é incompatível com a imprescindível neutralidade axiológica da ciência. Por isso, não embasa a ciência do direito.32

Goffredo Telles Júnior discorda da idéia indicativa de um direito natural formado pelo conjunto dos primeiros e imutáveis princípios da moralidade. Estes “não são normas jurídicas e, em conseqüência, não podem ser chamadas de existência do direito positivo delineia um sistema jurídico fechado e completo, onde as lacunas não existem (Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 50-57).

26 O historicismo casuístico tem três vertentes: 1ª) rejeita a “teoria jusnaturalista como sistema de princípios morais e racionais”; desenvolve uma teoria “acentuando a dimensão histórica da relação jurídica” (Gustav Hugo); 2ª) “oposição à codificação do direito”, pois não deve ser considerado como “produto racional do legislador”, mas como manifestação do povo pelas tradições e costumes (Savigny) e; 3ª) conjuga o direito natural – formado pela história com o direito positivo, no qual o legislador os representa; considera que o conhecimento científico do direito deve se pautar na experiência jurídica, através do método empírico, pois o direito é um objeto real decorrente da experiência (Friedrich Puchta) (Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à

ciência do direito, cit., p. 97-101).

27 O sociologismo eclético tem essa denominação porque conjuga diversas tendências teóricas que consideram o direito como sociologia, dogmática, direito positivo, etc. (Maria Helena Diniz,

Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 10116),

28 O racionalismo dogmático foi expresso pelo positivismo kelseniano. Maria Helena Diniz esclarece que Hans Kelsen “não negou a utilidade sociológica do direito, nem mesmo sustentou que a justiça não existe, pois em inúmeras passagens de suas obras chega até a admitir a possibilidade de considerações axiológicas, não permitindo apenas que essas lucubrações sejam feitas pela ciência jurídica” (Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 116-131).

29 A escola da egologia existencial foi fundada por Carlos Cossio, que considera necessário pautar a ciência do direito na “conduta humana, enfocada em sua dimensão social, e não a norma jurídica. Considera o direito como um objeto cultural, composto de um substrato, que é a conduta em interferência intersubjetiva, e de um sentido, que é o dever de realizar um valor. O direito (...) é um objeto cultural egológico por ter por substrato uma conduta humana compartida, sobre a qual incidem valores” (Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 97- 101).

30 Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 35. 31 Idem, ibidem, p. 33.

Direito.” Considera o direito natural como aquele “que não é artificial. É o Direito consentâneo com o sistema ético de referência, vigente em uma dada coletividade”. O direito artificial pode não coincidir com o sistema de referência da sociedade, constituindo “um Direito desajustado, às vezes corrompido e às vezes corruptor. É um pseudo-direito e, às vezes, uma contrafação do direito. Ele forçará o surgimento de interações humanas insubmissas.”

Observa o autor que “nem todo Direito promulgado é Direito natural. Natural, só o é o Direito promulgado que for consoante com o sistema ético de

referência da coletividade em que ele vigora.”33

A idéia central de Goffredo Telles Júnior está na tese denominada como

direito quântico34, na qual os primeiros sinais de vida no planeta Terra foram às manifestações no núcleo das células, que trazem mensagens genéticas emitidas pelo DNA (ácido desoxiribonucleico), “sendo causa determinante de

predisposição dos seres vivos. Dessas indefectíveis mensagens, depende, certamente, a vocação social do gênero humano, isto é, o impulso natural para a

convivência.” Trata-se, segundo o autor, da “primeiríssima fonte da disciplina da

convivência”, “situada no patrimônio genético do ‘animal político’.”35

No entendimento de Goffredo Telles Júnior isso não significa que existe apenas “uma ordenação ética ideal” em decorrência da identidade do fundo genético humano. O meio ambiente diversificado influência a ocorrência de “mutações nos patrimônios genéticos coletivos, ocasionando a formação de

índoles e estados de consciência diferentes, em grandes e diversificadas coletividades”, fato que explica a diversidade cultural das Nações.

33 Goffredo Telles Júnior define o direito natural como “o conjunto das normas autorizantes em que a inteligência governante da coletividade consigna os movimentos humanos que podem ser oficialmente exigidos, e os que são oficialmente proibidos, de acordo com o sistema ético vigente” (Direito quântico: ensaio sobre o fundamento da ordem jurídica. 8. ed. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2006, p. 356).

34 Explica o autor que, “O termo DIREITO QUÂNTICO é um nome. É o nome criado pelo autor deste livro, com a intenção deliberada de assinalar que as LEIS – criações da inteligência, para a ordenação do comportamento humano em sociedade – são tempestivas expressões culturais de subjacentes, silenciosas e perenes disposições genéticas da Mãe-Natureza. Esse nome foi inventado para lembrar que a DISCIPLINA JURÍDICA DA CONVIVÊNCIA é a ordenação do UniVerso no setor humano” (Goffredo Telles Júnior, Direito quântico: ensaio sobre o fundamento

da ordem jurídica, cit., p. 361).

Com o passar do tempo o sistema ético de referência se modifica, por conseguinte, os bens soberanos de determinada sociedade. Estes têm existência histórica, com fundamento no ácido nucléico. O ser humano constrói e é construído pela história. Esta é permanente, em contínuo desenvolvimento para promover “a fonte doadora de sentido ao mundo circundante.” Essa história serve de referência para a pessoa julgar, avaliar e conferir valor às coisas. O ser humano constitui “o bem primordial e, nessa qualidade, a referência para a determinação dos valores dos outros bens”.36

Convém transcrever as palavras de Goffredo Telles Júnior sobre a experiência jurídica:

O Direito como experiência não pode ser considerado como uma simples série de fatos incluídos dentro de uma categoria estática, dentro de uma forma jurídica a priori. A experiência jurídica há de ser apreendida como uma experiência integral, em que não só os fatos objetivos, mas, também, as categorias subjetivas, que os qualificam, são igualmente partes da experiência, e igualmente se acham incluídos na história do ser humano. (...) A experiência jurídica é sempre a atualização objetiva de um estado de consciência de uma comunidade. É a objetivação do que é considerado jurídico dentro de um grupo social. Em outras palavras, é a vivência daquilo que uma comunidade, por convicção generalizada, qualifica de jurídico, num determinado momento histórico e num determinado lugar. Em conseqüência, explicar a experiência jurídica pela conexão dos fatos objetivos que a constituem, não é conhecê-la. O conhecimento dessa experiência exige a revelação do sentido e do valor desses fatos – sentido e valor que lhes é efetivamente conferido pela generalidade dos indivíduos componentes da comunidade em que tais fatos se verificam. As tábuas de bens do ser humano, suas ordens éticas que são, afinal, suas categorias axiológicas, seus

sistemas de referência, não se formam na razão pura, como desligadas das coisas, mas, pelo contrário, são hauridas nas

coisas mesmas ou, melhor, no próprio ser humano, no que há de temporal e no que há de atemporal nesse ser, ou seja, no homem

histórico. (...) Isto significa que o sentido das coisas e o valor delas dependem de sua correlação com o ser humano, dentro do processo de perfazimento desse ser. E é de notar-se que, desse sentido e desse valor, dados pelas pessoas às coisas, depende, por sua vez, em cada momento, o rumo da história.37

36 Idem, ibidem, p. 349-352. 37 Ibidem, p. 352-353.

Trata-se do denominado “mundo da cultura, porque é o mundo das coisas

adaptadas pelo ser humano aos interesses humanos; das coisas cultivadas por esse ser, incluindo-se entre tais coisas, o próprio ser humano”.38

Miguel Reale aponta a cultura como objeto do conhecimento em decorrência do conjunto “autônomo de fatos e atos ordenados em função de determinados valores entre si dialeticamente implicados”. Por isso, define a cultura como a reunião de “bens que a espécie humana vem historicamente acumulando para realização de seus fins específicos”.39

O mundo jurídico, nas palavras de Goffredo Telles Júnior, também é conhecido como o “mundo dos valores, porque é o mundo das coisas consideradas como bens do ser humano, isto é, das coisas com valor para as pessoas”.40

Tércio Sampaio Ferraz Júnior destaca como conseqüência da divergência sobre a concepção do direito entre norma e realidade o desenvolvimento de pensamentos jusfilosóficos preocupados com a superação dessa oposição, com fundamento no culturalismo, que propõem mediante fórmulas sintéticas para a ciência jurídica “uma metodologia própria, de caráter dialético, capaz de dar ao teórico do direito os instrumentos de análise integral do fenômeno jurídico, visto como a unidade sintética de três dimensões básicas: a normativa, a fática e a valorativa”.41

38 Ibidem, p. 354.

39 Miguel Reale, Cinco temas do culturalismo. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 8. Maria Helena Diniz afirma que a cultura “é tudo que o ser humano acrescenta às coisas (homo additus naturae, diziam os clássicos) com a intenção de aperfeiçoá-las. Abrange tudo que é construído pelo homem em razão de um sistema de valores. O espírito humano projeta-se sobre a natureza, dando-lhe uma nova dimensão que é o valor, Cultura é a natureza transformada ou ordenada pela pessoa humana com o escopo de atender aos seus interesses” (Compêndio de introdução à ciência do

direito, cit., p. 131).

40 Goffredo Telles Júnior, Direito quântico: ensaio sobre o fundamento da ordem jurídica, cit., p. 354.

41 Tércio Sampaio Ferraz Júnior, A ciência do direito. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 38. Nesse mesmo sentido, Maria Helena Diniz, ao estudar a concepção culturalista do direito, ressalta o seguinte: “Ante a necessidade de se ver o direito como um fenômeno inserido em situações vitais, dotado de sentido, a ciência jurídica surge como uma ciência cultural” (Compêndio de introdução à

Maria Helena Diniz considera essa concepção do direito como um objeto criado pelo ser humano (culturalismo jurídico), considera uma das “mais recentes conquistas no campo da epistemologia jurídica”.42 Destaca a autora que a “ciência cultural ocupa-se com o espírito humano e com as transformações feitas pela atividade espiritual na natureza, isto é, com os objetos culturais”.

Segundo o culturalismo a ciência do direito se caracteriza como uma ciência cultural cujo objeto de estudo é o direito, “como objeto cultural, isto é, como uma realização do espírito humano, com um substrato e um sentido”.43

Essa foi a proposta de Miguel Reale através da teoria do tridimensionalismo e das concepções raciovitalistas, a teoria de Emil Lask e a egológica de Carlos Cossio.44

A Ciência do Direito, além de interpretar e organizar o ordenamento jurídico, tem por fim investigar criticamente os problemas sociais e propor soluções através de enunciados científicos.

As ciências são desenvolvidas para aperfeiçoar a vida humana. O Direito, assim como a biomedicina, a física e a robótica, tem o relevante papel de encontrar soluções para os problemas postos e aparentemente insolúveis.

A biomedicina enfrenta os desafios de encontrar a cura de uma doença grave, o anticorpo para combater determinado vírus letal ou que deixa sequelas e etc. A física e a robótica procuram desenvolver e aperfeiçoar tecnologias através de conhecimentos físicos, capazes de satisfazer as necessidades humanas, como a busca de petróleo em profundidades marítimas, inatingíveis pelo ser humano.

O inconformismo dos juristas e da sociedade exige uma busca permanente do plano normativo ideal, em prol da paz social e da tutela dos direitos humanos

42 Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 131. 43 Idem, ibidem, p. 132.

fundamentais. Inegável a evolução jurídica, assim como a evolução tecnológica, em decorrência da evolução cultural da humanidade.

A filosofia qualifica o Direito como ciência, pois o insere no mundo da

problematização; força a reflexão abstrata, contrapondo-se ao tecnicismo jurídico.45

As investigações científicas de cunho jurídico são desenvolvidas diuturnamente. A metodologia, por ser uma ciência social voltada ao estudo e aprimoramento dos regramentos da vida em sociedade, tem múltiplas características. O cientista do Direito utiliza os métodos histórico (reconstrução temporal e espacial da evolução jurídica), analítico (lógica do Direito), empírico (experiência prática) e dialético (platonismo: diálogo entre interlocutores para obter a verdade; hegelianismo: construção de enunciado para caracterizar a realidade em movimento e em contradição, através de preposições pautadas em três momentos - tese, antítese e síntese, inerentes ao pensamento humano).

Tércio Sampaio Ferraz Júnior pontua sobre a dificuldade da investigação jurídico-científica em decorrência da obrigatoriedade de envolvimento de aspectos metacientíficos na solução de qualquer problema.46 Maria Helena Diniz destaca que “a crise da ciência do direito consiste, exatamente, nessa grande inexatidão, daí a aporia do conhecimento científico-jurídico, que persistirá enquanto os juristas não se puserem de acordo sobre o objeto e método de sua ciência”.47

Embora não caiba ao teórico do direito estabelecer as condições de verdade dos juízos formulados, é imprescindível para o desenvolvimento da investigação jurídico-científica o auxílio da epistemologia jurídica a fim de fixar o objeto da ciência jurídica decorrente da linha filosófica adotada que confere coerência lógica à pesquisa, evitando resultados contraditórios e confusos.

45 José Renato Nalini, Porque filosofia? São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, cit. 16. 46 Tércio Sampaio Ferraz Júnior, A ciência do direito. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 16. 47 Maria Helena Diniz, Compêndio de introdução à ciência do direito, cit., p. 34.

Por isso, dogmaticamente se elege a fórmula Reale48, com raízes no culturalismo jurídico, como a linha filosófica a nortear toda a pesquisa científica, uma vez que o direito decorre da cultura humana de determinada Nação. Conseqüentemente, a norma é indissociável dos fatos e dos valores.

Miguel Reale considera a unidade do direito como de processos, “essencialmente dialética e histórica, e não apenas uma distinta aglutinação de factores na conduta humana, com se esta pudesse ser conduta jurídica abstraída daqueles três elementos (facto, valor e norma)”. A conduta enseja a implicação