GEREÇ VE YÖNTEMLER
KAN ANALİZİ
No que se refere às instituições de acolhimento, o caminho percorrido foi bem diferente. Até poucos anos, as instituições estavam relegadas ao desconhecimento e descaso da sociedade e das políticas públicas. Reproduziam o abandono, do qual é vítima grande parte da população com quem trabalham (Gulassa, 2005).
Com a promulgação do ECA (Brasil, 1990), o acolhimento institucional passa a ser concebido como medida de proteção, em caráter excepcional e provisório, às crianças e aos adolescentes que tenham seus diretos violados. A pobreza, legalmente, deixa de ser causa suficiente para institucionalizar crianças. Todavia, estudos mostram que esta ainda é uma das principais causas de institucionalização da infância (AASPTJ-SP, 2004; Ipea, 2005; Serrano, 2008).
Assim, as instituições de acolhimento ainda são voltadas ao atendimento da população pobre e, muitas vezes, sendo o primeiro e único recurso para lidar com as situações encobertas sob os rótulos de negligência e abandono familiar (Fonseca, 2009) que, frequentemente, decorrem de uma pobreza endêmica que atinge gerações de famílias. Políticas públicas omissas e ineficazes acabam por não promover condições suficientes para a garantia do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes no seio de suas famílias (Rizzini & Rizzini, 2004).
A prática de atender pobremente à pobreza, reiteramos, resiste e vigora, no caso das instituições de acolhimento. Até hoje falta-lhes legitimidade. São consideradas, pela sociedade e também por quem ali trabalha, como um “lugar que não deveria existir” (Gulassa, 2005). Por ser assim, pouco investimento é feito, não só financeiro, mas também profissional e, principalmente, na elaboração de práticas e ambientes de acolhimento que primem pela qualidade e possibilitem, de fato, o desenvolvimento da infância que temporariamente necessita viver nesse contexto.
É comum que, ainda hoje, se ofereçam às crianças e adolescentes apenas os cuidados com o corpo (alimentação, higiene e saúde) e educação repressiva (Rizzini & Rizzini, 2004). Educar os pobres para a subordinação é, portanto, uma prática antiga e muito atual. Necessário se faz criar nova cultura de acolhimento que: “[...] preserve, resgate e possibilite às crianças e aos adolescentes encontrar-se com a própria história, entender suas dificuldades e acreditar em sua capacidade de construir um novo projeto de vida, com mais atuação e autonomia [...]” (Guará, 2006, p. 61).
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Por outro lado, nos últimos anos, estamos vivenciando um momento histórico nunca antes ocorrido. Iniciativas regionais têm surgido com o intuito de criar normativas de funcionamento para instituições que desenvolvem programas de acolhimento institucional, objetivando promover parâmetros para o reordenamento dos mesmos, ao mesmo tempo em que propõe diretrizes de fiscalização mais efetiva pelos órgãos competentes (ver exemplos: Estado de São Paulo, 1998; Estado do Rio Grande do Sul, 2001; CBIA/SP; IEE-PUC/SP, 1993; CMDCA/RJ), 2001; CMDCA/SP, 1998).
Tais documentos discorrem frequentemente sobre características das instalações físicas da instituição; regularidade da documentação; avaliação de serviços técnicos; alimentação; financiamento e manutenção financeira; metodologia de trabalho; individualização do atendimento; razão adulto-criança variando conforme faixa etária da população atendida; procedimentos de entrada e desligamento; entre outros pontos.
Segundo Oliveira (2007), parte-se da ideia de reordenamento como um necessário processo de mudanças para que a instituição que acolhe crianças e adolescentes atenda aos princípios estabelecidos no artigo 92 do ECA (Brasil, 1990), que se desdobra em alguns indicativos práticos, no artigo 94, os quais, embora sejam direcionados para a medida socioeducativa de internação, devem ser aplicados, no que convier, às entidades de acolhimento. Muito resumidamente, os dois artigos mencionam a preservação dos vínculos familiares; o atendimento personalizado em grupos pequenos; a não separação de grupos de irmãos. Além de evitar a transferência de instituição, oferecer estrutura física adequada; preservar a identidade e dignidade das crianças e dos adolescentes; reavaliar periodicamente cada caso, informando aos órgãos competentes e à própria criança e/ou ao adolescente a respeito do desenvolvimento processual, entre vários outros princípios e indicativos.
Recentemente, três iniciativas nacionais também surgiram, contribuindo para compor esse novo tempo de mudanças. A primeira refere-se ao Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (Brasil, 2006), constituindo-se “[...] um marco nas políticas públicas no Brasil, ao romper com a cultura de institucionalização de crianças e adolescentes ao fortalecer o paradigma da proteção integral e da preservação dos vínculos familiares e comunitários [...]” (p. 14). A segunda iniciativa traz as Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (Brasil, 2009e), documento lançado há alguns anos, contendo princípios, orientações metodológicas e parâmetros de funcionamento para as várias modalidades de serviços voltados ao acolhimento de crianças e adolescentes. A terceira iniciativa é a sanção da Lei 12.010/2009 (Brasil, 2009a) com as alterações realizadas pelo Senado Federal no ECA
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(Brasil, 1990), especificamente no que se refere ao direito à convivência familiar e adoção (Pachá, Vieira Junior & Oliveira Neto, 2009).
De depósito de crianças, bem lentamente, as instituições de acolhimento estão passando a ser vistas e concebidas como lugares de cuidado e educação coletiva. Muito precisa ser feito para que essa mudança de concepção seja incorporada na prática, na rotina, no dia a dia das crianças que vivenciam essa situação.
O momento histórico de mudanças e transformações, pelo qual a área de acolhimento institucional está passando, a educação infantil já o vivenciou, porém há décadas atrás. E, durante este intervalo de tempo, um vasto knowhow foi produzido na área de Educação, abordando inúmeras questões. Dentre elas, destaca-se o processo de recepção e acolhimento de crianças.
Existem especificidades e diferenças imensas entre um processo de acolhimento no contexto escolar e um processo de acolhimento em um abrigo institucional. Todavia, é interessante conhecer como isso ocorre no dia a dia de instituições de acolhimento, para identificar se o que foi produzido pela educação infantil pode auxiliar a reflexão sobre as práticas atuais.