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Os alunos apresentam dificuldades em compreender determinados conteúdos e tais obstáculos podem ser oriundos da presença de concepções em relação aos conceitos científicos que são ensinados. As CA não são fáceis de serem modificadas na estrutura cognitiva do indivíduo, além de serem capazes de sobreviver a longos períodos de instrução científica (POZO; CRESPO, 2009).

Mortimer (1996) aponta que as concepções alternativas podem ser fortemente influenciadas pelo contexto do problema, apresentando-se de forma

estável na estrutura cognitiva, além de serem muito resistentes às mudanças. O autor reforça o fato de que elas independem de idade, sendo observadas em estudos realizados com crianças, adolescentes e alunos de nível superior.

As CA são constituintes importantes do processo de ensino e aprendizagem. Apesar de representarem concepções equivocadas, elas servem como ancoradouro para a explicação e construção do novo conhecimento a partir de novas informações que são recebidas no processo educacional (PAIVA; MARTINS, 2005).

Diversas são as explicações para as dificuldades de aprendizagem observadas no processo educacional, como, por exemplo, a didática profissional do docente, a falta de motivação do aluno em sala de aula, problemas de memória e fixação de conteúdos na estrutura cognitiva, entre outros (BAHAR, 2003). Nesse sentido, as concepções alternativas também são capazes de ocasionar obstáculos na aprendizagem do indivíduo, pois afetam diretamente a compreensão adequada dos fenômenos e conceitos considerados cientificamente corretos para a comunidade acadêmica.

As concepções alternativas podem ter origens variadas, desde o senso comum a partir de experiências cotidianas, por exemplo, até alguma explicação que pode ser feita de forma equivocada em plena sala de aula. No caso das que tem origem sensorial, seu surgimento ocorre de situações cotidianas, em que o sujeito busca dar significados aos acontecimentos presentes em seu dia a dia. Essas concepções espontâneas se referem àquelas em que sabemos fazer, ou seja, às ações que conseguimos fazer, mas apresentamos dificuldades em explicar ou verbalizar de forma geral.

É importante associar a essas concepções um caráter de pessoalidade, tendo em vista que elas são construídas a partir da interação do sujeito com os objetos de estudo ou com outros aspectos relacionados ao seu cotidiano. Nesse caso, a vivência social exerce papel importante na interpretação que o discente faz em cada situação para elaborar e reconstruir suas concepções (LIBANORE, 2007).

As concepções também podem ter sua origem a partir de elementos culturais presentes na vida do aluno. Nesse caso, a concepção alternativa não estaria tão relacionada à interação de mundo, mas, sim, a aspectos relativos ao

meio social e cultural em que o sujeito está inserido. Nesse sentido, é importante salientar a importância da mídia na divulgação de informações que podem influenciar o conhecimento do indivíduo.

A confiabilidade nas fontes de informação é baixa quando se fala da das relações cotidianas. É necessário tomar cuidado quando receber informações novas sem considerar uma fonte científica, pois pode causar confusão na estrutura cognitiva do aluno. Nesse sentido, Pozo e Crespo (2009, p.93) afirmam que:

O aluno é bombardeado por diversos canais de comunicação que proporcionam, praticamente sem qualquer filtro, conhecimentos supostamente científicos que, contudo, podem ser pouco congruentes entre si.

É muito importante ficar atento às fontes de informação, tendo em vista que elas podem apresentar de forma superficial e generalizada conceitos técnicos científicos. Também pode haver uma ênfase em fatos e acontecimentos que atraem maior interesse da população em detrimento do compromisso com orientações educativas que visem a uma aprendizagem significativa dos educandos (PAIVA; MARTINS, 2005).

As concepções alternativas também podem ter origem na própria escola. Nesse caso, as explicações equivocadas, errôneas ou simplificadas são passadas aos alunos que as interpretam e, por consequência, acabam assimilando um conceito que não se adéqua ao que é cientificamente aceito. Outro fator importante refere-se aos livros didáticos e demais ferramentas utilizadas que podem ser empregadas em diversos contextos e de forma inadequada e proporcionar o surgimento dessas concepções.

Nesse contexto, as concepções podem ser decorrentes de erros conceituais presentes em livros didáticos, de explicações inadequadas e até mesmo da didática do professor, ou seja, na própria maneira como o docente ensina o conteúdo científico. O que ocorre, nesses casos, é uma associação do conhecimento, que foi transmitido de maneira inadequada ao aluno, com os seus conhecimentos prévios, tornando a construção do novo conhecimento confusa ou inadequada na estrutura cognitiva do educando. Os conhecimentos científicos acabam se difundindo com os de domínio cotidiano, aplicando a

ambos um referencial comum e podendo ter, como consequência direta, uma incompreensão da própria natureza do discurso científico.

Em relação às concepções alternativas que podem ter origem no meio escolar, Libanore (2007) reforça que o aluno recebe novas informações de cunho científico e estabelece relações com os conceitos prévios para a construção de um novo conhecimento que pode ser inadequado em relação ao conhecimento científico considerado correto. Nesse sentido, é possível afirmar que houve a formação de concepções alternativas por parte do educando, tendo em vista que os novos conceitos elaborados em sua estrutura cognitiva não se encontram de acordo com as concepções e ideias defendidas atualmente pela comunidade acadêmica.