MİMARİSİ, YAZI ve TEZYİNİ UNSURLAR
Çizim 14: Ortabağ Rumi Ortabağ Rumi
1.3.3.1. Anadolu Selçuklu Dönemi Çini Tezyinatın Karakteristik Özellikleri
Figura 2 .1 8 : Mario de Andrade por Tarsila do Am aral, 1922.
Font e: AMARAL ( 2003)
Não poderei nunca prescindir da opinião e conselhos do Lúcio 16
A I grej a do Carm o de São João del- Rei, que vim os representada pelo olhar de Tarsila, tam bém foi desenhada por Mário de Andrade. Porém , não podem os dizer que eles enxergaram exatam ente a m esm a igrej a. Se ela fez uso da linguagem purista com a finalidade discutida anteriorm ente, colocando as cidades acim a da passagem do tem po, sabem os que Mário17 olhou para
estes m esm os lugares sob a influência de um a bagagem m ais com plexa.
Figura 2 .1 9 : I grej a de Nossa Senhora do Carm o. Desenho de Mário de Andrade Font e: MÁRI O DE ANDRADE: cart as de t rabalho: correspondência com Rodrigo Melo Franco de Andrade, 1936- 1945 ( 1981)
Carm elo, A Capela de Sant o Ant ônio ent re out ros artigos. Foi colaborador de diversas
publicações, entre elas a "Klaxon", "Estética", "Terra Roxa e Outras Terras". Morre em 1945 em São Paulo.
O desenho dele, contudo, é representativo de um tem po em que as pessoas cultas sabiam desenhar e apresenta um traço razoavelm ent e hábil. Mário se coloca dentro da cidade, tentando incorporar a variedade de detalhes existentes no corpo arquitetônico da igrej a, que se vê obstruído pela presença prosaica do telhado. O que ele olha é a cidade onde se vive, a cidade do cotidiano, em que convivem o vernáculo e erudito.
Quando por ele transform ada em palavras, São João del- Rei é t raduzida, m elancolicam ent e, pela constatação de um presente contraditório:
Abre e m ostra o abandono
Teatro grego em São João d’El Rei
Onde j am ais Eurípedes será represent ado... Ninguém m ais pára nas pontes, Critilo, Novidadeirando sobre dam as casadas. Tenho pressa! Ganhem os o dia! Progresso! Civilização!
As plantações pendem m aduras
O m orfético ao lado da estrada esperando autom óveis... Pedreiras feridas,
Eletricidade subm issa... ( ANDRADE, 1981) .
A cidade conheceu um processo decadente, a partir do m om ento em que, no final do século XI X, outras cidades da região cresceram com ercialm ente. Por outro lado, vim os tam bém que as perdas em função deste processo não foram assim tão abruptas e, m uito pelo contrário, a cidade conservou um ar de progresso. Em relação à sua expansão territorial, São João del- Rei t eve um crescim ento não concentrado, com a perm anência de lotes desocupados no tecido urbano cent ral at é o início do século passado. Essa característica perm itiu que houvesse, tam bém , cert a diversidade nos est ilos arquit et ônicos em sua região cent ral, que m arcavam a passagem do tem po – o que não era um problem a para Mário.
atropelado pelo progresso e pela civilização, tão bem representado por Tarsila. A percepção apurada do artista sobre as contradições existentes naquele am biente em que se encontravam viu no tem po, ou na passagem dele, a denúncia de problem as com os quais todos tinham que conviver, fosse ali no int erior de Minas Gerais, fosse em São Paulo.
Logo, em sua poesia ele fala do que estava se perdendo, num prim eiro m om ento, para em seguida m ostrar a razão disso: o m undo estava sendo engolido pela fúria progressista dos hom ens. Porém , toda esta fúria não foi ( até quando?) capaz de apagar por com pleto aquele passado, que insistia em perm anecer e conviver lado a lado com as novidades.
Da inofensiva im agem m ental de um caipira com um a enxada nas costas que abana seu chapéu para o Ford que passa levantando poeira, vam os para o lançam ento da problem ática correspondente às questões de nacionalidade. Viviam eles o Brasil da enxada ou o do Ford?
O Brasil de M ário de Andrade
Sabem os que desde anos antes da Sem ana de 22 Mário de Andrade j á pesquisava a diversidade de expressões, populares ou erudit as, contidas nas regiões brasileiras, o que o levou a cobrir:
[ ...] quase t odos os dom ínios literários, art íst icos e científicos da época ( da literatura às belas- artes e à m úsica, do folclore à et nografia e à história) ( MI CELI , 2001) .
Este conhecim ento refletiu- se em sua literatura e proj etos culturais, com o o da Enciclopédia Brasileira, por exem plo. Macunaím a é a obra em que se percebe esta vontade de síntese na busca de um a identidade para o país, de um a cara para o brasileiro. E o olhar apurado do artista sobre as contradições existentes naquele am biente em que se encontravam fez com que captasse um a aura que tem no tem po, ou na passagem dele, a
denúncia de problem as com os quais todos tinham que conviver, naquela era das transform ações tão rápidas.
Freitas ( 1993) faz um a interessante análise ao com parar, em suas sem elhanças e diferenças, Macunaím a ( 1928) e Morravagin ( 1926) , rom ances publicados por Mário e Cendrars, respectivam ente. Para a autora, as obras representam um confront o cult ural, apesar de serem estruturalm ente sem elhantes. Rom ance, poesia, autobiografia e ensaio, os livros escapam e são tudo isso ao m esm o tem po, na luta dos autores contra as antigas form as lit erárias, na busca pelo espírito daqueles novos ares.
As “ diferenças na sem elhança” aparecem a partir do ponto de vista em que são retratados os anti- heróis. No caso brasileiro de
Macunaím a, Mário de Andrade deu um tratam ento que rem ete ao
que ele via com o a essência do ser brasileiro: o hom em tropical, ainda ligado à m agia e à em oção. O autor fez uso de lendas e do folclore brasileiros, principalm ente indígenas, am parado nas questões de identidade e nacionalism o. A part ir dest as lendas, ele costura fatos e os m ais diversos tipos diversos, indo do hom em urbano ao indígena m ais isolado.
Já no livro de Cendrars, a abordagem internacionalista da personagem Morravagin caracterizou o m ito europeu da conquista, fundado em atos racionais, frios, com o conviria a um a Europa positivista e cient ificist a. Const at am os, m ais um a vez, a diferença nos olhares dos dois “ viaj ant es” , o vanguardista internacional e o brasileiro. Se Cendrars estava ali procurando alim entar- se do exótico, do irracional que gera o m ito; tem os em Mário a busca de um outro m ito: aquele dos elem entos culturais que lhe perm it isse fundar e sintetizar que seria o verdadeiro Brasil.
Portanto, trabalhar com o exotism o seria afirm ar visões externas, det urpadas, e não usar com responsabilidade a m at éria prim a contida na com plexidade da coexistência do passado e do
Aleij adinho, out ro sím bolo
Em um a noit e no Hotel Macedo, onde estavam hospedados, Mário e Oswald discutiram sobre um a figura j á conhecida nos círculos que se interessavam pela art e ant iga: o Aleij adinho. Para o provocador Oswald, as obras do escultor m ineiro nada m ais eram do que um reflexo de sua falta de conhecim ento da anatom ia hum ana. Para o indignado Mário, aquilo seria j ustam ente a expressão de um gênio que lem brava os artistas m odernos, ao fazer uso das deform ações ( AMARAL, 1997, p.61- 2) .
Suas idéias a respeito do escultor tiveram argum entação organizada e exposta no texto O Aleij adinho18, de 1928. Mário de
Andrade inicia o texto falando do período entre os anos de 1750 a 1830, m om ento que seria para ele o de m aior m al- estar para a “ entidade nacional brasileira” ( ANDRADE, 1965, p.18) , tendo em vista as relações entre colônia e m etrópole. Aos poucos, o autor se aproxim a da Minas Gerais e com eça a elencar algum as das influências que fizeram o cam inho então inverso, portanto inesperado, de sair do Brasil e serem adotadas em Portugal.
Após situar o leitor, Mário cham a a atenção para a figura do “ m ulato” . Elem ento das classes baixas, porém não escravizado, o m ulato era detentor de um a liberdade e indefinição que o desgarrava da identificação com o branco/ senhor e com o negro/ escravo, m as, tam bém , colocava- o num lugar sem ident idade, inicialm ent e. Porém , é exat am ent e dest a sit uação nova, onde j á se percebe a m ult iplicidade de t ipos na “ raça brasileira” ( ANDRADE, 1965, p.18) , que surgiriam “ artistas novos que deform am sem sistem atização possível a lição ultram arina” ( ANDRADE, 1965, p.18) – cham am os a atenção para a possível relação,nesse sentido, com os Manifestos Antropofágico e Pau- brasil, no ato de absorção e reelaboração de elem entos im port ados.