KADININ ÇALIŞMALARI VE KADININ DURUMU (1919-1923)
2.2. MİLLİ MÜCADELE DÖNEMİNDE KADIN CEMİYETLERİ
2.2.4. Anadolu Kadınları Müdafaa-i Vatan Cemiyeti
O conceito de atividade possui sua origem nos fundamentos da filosofia clássica de Kant e Hegel, nos escritos revolucionários de Marx e Engels e na abordagem Histórico-cultural de Vygotski, Leontiev e Luria (ENGESTRÖM et. al., 1999). A psicologia russa formulou a teoria da atividade com o objetivo de transcender os princípios behavioristas, construindo uma nova perspectiva, na qual a ação mediada por artefatos culturais está orientada a um objetivo (Id.).
O trabalho de Leontiev (2004) pretendia explicar o funcionamento das funções superiores de modo a compreender o pensamento humano e a conscientização. Para isso, ele propunha a configuração: atividade-motivo/ação-objetivo/operação-condições. Nesta estrutura, uma “necessidade” impulsiona dirigir-se a um objeto, constituindo o motivo da atividade; para satisfazer essa necessidade, realiza-se uma ação sobre o objeto; as condições contextuais caracterizam essa ação, e assim, influem no resultado da atividade, na satisfação da necessidade (LEONTIEV, 1992)29. Socialmente, várias ações são realizadas por diversos integrantes do grupo, guiados por um motivo comum.
28 Definição por Zinchenko apud Wertsch (1988), em que a expressão “artefatos da cultura” abrange
ferramentas e signos.
29 De modo diferenciado dos grupos animais, para o humano não há uma relação imediata entre o motivo
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De acordo com essa lógica, o conceito de mediação estabelece um vínculo com aprendizagens em situações específicas, vivenciadas, e possui lugar numa rede de conhecimentos, numa ordem discursiva e cognitiva. O conceito de interiorização, por sua vez, deve compreender a participação ativa e dinâmica, em que as interpretações pessoais intersubjetivas reproduzem e/ou transformam o contexto da atividade Do contrário, o conceito poderia ser interpretado como simples processo de armazenamento de informações, de aquisição ou transmissão de parte do conhecimento de modo estático e limitado, para que seja recuperado e utilizado no presente. Isso pressupõe que, durante o processo, não se pode estar dissociado de seus pares e de seu contexto, já que são estes elementos que indicam e instituem as significações presentes. Qualquer aprendizagem só possui sentido em uma comunidade específica e depende dos outros membros do grupo tanto para reestruturação psíquica da criança quanto para a compreensão de um discurso coletivo e a autoconsciência sobre este processo (DANIELS, 2001). Mediação e interiorização, portanto, carecem de sentido isoladamente; existem apenas em relação a situações contextuais, dentro de uma atividade social prática, a atividade principal ou “atividade-guia”.
Sobre esse processo de compreensão de um discurso coletivo e até mesmo sobre a autoconsciência da criança, Davydov (1999) afirma que a atividade humana, em suas formas coletivas e individuais, dá-se de forma tanto inconsciente quanto consciente, sendo “o processo de emergência da consciência e de suas funções na atividade muito difíceis de analisar” (p. 50). Devido as suas variantes – a relação entre os membros de um grupo, os procedimentos em que há troca de informações, as condições de aparecimento da atividade individual e as variadas transformações que ocorrem no sistema sociocultural (Ibid.) –, o processo de conscientização torna-se extremamente particular, visto que as referências de dado indivíduo nunca serão as mesmas dos outros indivíduos do grupo.
comer (objetivo), ou seja, o motivo possui relação imediata com o objetivo da ação; já o humano pode caçar (ação) por diversos motivos (por que o pai mandou, por que está com fome, por prática esportiva...), visando diversos objetivos (aprender a caçar, comer, desenvolver-se na prática esportiva). É quando o motivo coincide com o objetivo, de acordo com a intenção humana (a caça enquanto esporte visando desenvolver-se como esportista de caça) que há desenvolvimento. É quando há sentido entre estes elementos (motivo e objetivo), que a atividade humana adquire outra importância e complexidade, vinculando-se ao desenvolvimento psíquico (Leontiev, 1992). E assim, a busca consciente por satisfazer novas necessidades resignifica ao humano e aos contextos sociais e culturais.
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Torna-se desafiador encontrar respostas sobre o processo de conscientização de qualquer criança, independente das particularidades que esta apresente. Esta é uma questão que deve ser pensada no sentido de favorecer a compreensão e a reflexão da criança sobre os processos que vivencia, sobre seus pensamentos (BRUNER apud DANIELS, 2001), e por isso, aproxima-se mais da criação de estratégias singulares de intervenção, até que a criança possa participar da atividade, do que ao julgamento se ela é capaz ou não de realizar determinada tarefa.
Conceber e trabalhar com o desenvolvimento da criança de forma individual e específica é resgatar sua história, considerar suas particularidades e reconhecer os modos como procede para solucionar seus desafios (LEONTIEV, 1977), ou seja, é uma ação que está associada a sua zona de desenvolvimento potencial. Considerando que a atenção compartilhada com um adulto ou a parceria com crianças mais experientes não é por si só uma condição suficiente para trabalhar com a zona de desenvolvimento potencial, é preciso determinar a natureza e a qualidade da parceria de modo que esta seja qualitativa. Segundo Wertsch (1988),
a zona de desenvolvimento próximo se determina conjuntamente, pelo nível de desenvolvimento da criança e a forma de instrução aplicada; não é uma propriedade nem da criança nem do funcionamento interpsicológico por si só. (p. 87, trad. livre).
Nessa abordagem, é possível afirmar que o conceito de zona de desenvolvimento potencial na relação educativa com crianças com quadros de transtornos do desenvolvimento visa compreendê-las e investir na construção de vínculos produtivos com elas, reconhecendo que o desenvolvimento não se reduz a aprendizagem, mas parte também de sua dinâmica interna (Ibid.). Quanto mais difícil a comunicação e a interação com a criança, bem como interpretar a relação intersubjetiva que ali se estabelece, mais complexo é compreender e alcançar suas zonas de desenvolvimento potencial.
Partindo das escolhas e interesses da criança, Stone apud Daniels (2001) identifica quatro eixos essenciais para a construção de uma participação significativa, os quais podem ser pensados de acordo com as zonas de desenvolvimento potencial da criança: 1) Conquistar sua participação em uma atividade cultural significativa, de sua escolha, ainda que seja além de sua compreensão atual; 2) Observar sua participação de
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acordo com uma articulação entre sua gradativa compreensão sobre a atividade e a quantidade de apoio ou parcerias que necessita para realizá-la; 3) Diversificar a quantidade e a estratégia de apoio (gestos, demonstrações, indicações verbais, materiais concretos, diálogos etc.); 4) Reduzir gradualmente o apoio, na medida em que a criança possa controlar a tarefa ou ação.
Para cada um desses eixos é necessário pensar níveis de intervenção, os quais abrangem, por exemplo, a demonstração concreta de uma tarefa, a seleção de materiais, a indicação de uso de materiais (de modo fragmentado, por etapas ou sequencialmente), sugestões verbais claras e diretas, questionamento gerais, ou nenhuma intervenção pontual30. São indicações que partem da percepção concreta rumo à abstração dos conceitos, da possibilidade de imitação direta de uma ação à representação desta, de modo em que haja cada vez menos controle por parte do educador e mais autonomia e consciência da criança sobre sua tarefa.
Tais eixos e intervenções supõem uma compreensão mais completa sobre a zona de desenvolvimento potencial, a qual se torna possível apenas no contexto de uma atividade principal. A reestruturação psíquica da criança é consequência desse processo de participação:
A noção de “atividade-guia” é uma forma de identificar quais relações específicas na situação social de desenvolvimento são capazes de contribuir para o desenvolvimento das funções que conduzem à reorganização estrutural das funções psicológicas da criança... A atividade em si mesma não irá desenvolver a criança, mas para realizar a atividade-guia a criança se engaja em ações que servem para desenvolver as funções psicológicas necessárias àquela atividade. (CHAIKLIN, 2011, p. 665).
Durante a atividade principal (ou guia) surgem novas formações na consciência da criança, pois a partir do seu engajamento, a criança precisa interpretar, identificar, classificar, refletir, isto é, por em funcionamento suas funções superiores para solucionar desafios de determinada circunstância. Nesse processo de leitura de mundo, a criança separa-se dele, posiciona-se diante das situações e faz escolhas.
Evidente que a apropriação da experiência humana mediante a atividade principal é sempre um fenômeno ativo: todo esse processo necessita escolha da criança, requer sua motivação para que seja cocolaborativo. A estrutura da atividade é inerente a
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um componente afetivo, a um anseio ou desejo (DAVYDOV, 1999), sendo o motivo da atividade – quando há sentido entre uma necessidade e seus interesses particulares – o fator desencadeante de seu processo. Eis aqui uma grande questão para os casos de transtornos do desenvolvimento, dado que muitas vezes, essa criança é uma criança que parece não ter motivação. É preciso muita sutileza para notar seus interesses, até que ela se engaje em atividades que lhe sejam aprazíveis, e ainda muito cuidado com as formas de intervenção, que podem mais repelir uma parceria do que conquistá-la. Isso por que não basta que a criança escolha uma atividade para engajar-se, ela precisa fazer escolhas perante o outro. Por um lado, pensar na zona de desenvolvimento potencial dessas crianças parte primeiramente de uma aposta, no sentido de oferecer diversas situações e acreditar que alguma delas será escolhida pela criança. Por outro lado, ainda que a criança participe sem total compreensão da atividade, pode emergir também esta motivação. Pode ser que a criança passe a reinvidicar seu lugar na atividade a partir de seus interesses genuínos. Por isso a brincadeira é tão importante. Esta é uma atividade que pode indicar, numa análise mais apurada, quais as escolhas e possíveis motivações dessa criança.
No diálogo entre o jogo e o desenvolvimento de crianças com transtornos do desenvolvimento é preciso compreendê-lo como atividade em que há significações culturais, mas também como modo de organização de sistemas de atividade em que cada membro possui sua função numa cadeia social: como o jogo estabelece-se como elemento da cultura tanto como pode constituir-se enquanto atividade principal31.
31 De acordo com a análise de Cole e Engeström (2007), a atividade-guia (ou principal) defendida pelos
teóricos russos era definida pela faixa etária e pelos moldes organizados por sua sociedade, institucionalizada pelo governo da época. Atualmente, há uma crítica quanto a essa segmentação, sendo necessário considerar as contribuições de outras áreas do conhecimento e reconhecer que hoje a infância não é única, que a escolarização e a organização do trabalho, por exemplo, não são universais, e que há variações culturais, que envolvem fatores sociais e econômicos, que influem diretamente nas atividades práticas (Cole e Engeström, 2007). Atividade-guia é aquela que desperta maior motivação em alguém e está de acordo com as características do seu grupo sociocultural, representando a noção de comportamentos ou nível de experiência esperado pelo grupo (Id.). Neste estudo, trata-se especificamente da infância e do jogo e por isso é possível abordá-lo como atividade-guia da criança.
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