BİRİNCİ BÖLÜM Yazının İcadı
2. Anadolu’da Yazının Kullanılmaya Başlanması
O Turismo25 – escrito com letra maiúscula – é entendido como a área do conhecimento que estuda o fenômeno turístico e suas consequências, com base em uma epistemologia, construída nas últimas cinco décadas. No Brasil, é oferecido, em nível superior, desde 1971, quando a Faculdade do Morumbi (atual Universidade Anhembi Morumbi) criou o primeiro curso orientado à nova carreira. Em 1973, a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ofereceu, pela primeira vez, o curso de bacharelado em Turismo em uma Instituição de Ensino Superior (IES) pública. Desde então, muitas outras IES, públicas e privadas, têm oferecido o curso de Turismo, seja em nível de bacharelado como em nível tecnológico. Em função de ser uma área do conhecimento ainda em fase de consolidação, apresenta algums características singulares, as quais são apontadas por Andrade:
O turismo nasce de um conjunto de atividades de natureza heterogênea que impedem a constituição de ciência autônoma e de técnicas específicas independentes. Não dispõe de ordenamento disciplinar e rígido, nem de metodologia própria. Por isso deve ser estudado e analisado de acordo com as exigências e as propriedades dos métodos, dos sistemas e dos critérios específicos de um complexo teórico-técnico decorrente de significativo número de ciências e técnicas de domínio social e de qualificações comprovadas. Em decorrência, apenas as pessoas que conhecem as ciências fundamentais e as técnicas auxiliares do fenômeno turístico dispõem de condições de analisá-los de modo satisfatório (1995, 12).
De acordo com a classificação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Turismo é uma área do conhecimento submetida às Ciências Sociais Aplicadas. Sua árvore de domínio é bastante diversificada, pois empresta conceitos e termos de muitas outras áreas do conhecimento. A título de ilustração, podem-se destacar alguns dos muitos termos emprestados de outras áreas do conhecimento. Da Geografia, empresta, entre outros, conceitos e termos relacionados à paisagem e à relação que o homem estabelece com o território; da Arquitetura, importa conceitos e termos relacionados ao patrimônio e à sua valorização, conservação e interpretação; da História, utiliza os conceitos e termos que estão relacionados ao legado deixado pelas gerações precedentes e suas relações com a História; da Antropologia e da Sociologia, serve-se dos conceitos e termos relacionados às relações e eventuais conflitos dos turistas com as comunidades autóctones; da Sociologia do Lazer, importa noções e termos relacionados ao uso do tempo livre; da Ecologia, na sua condição de
25Estabelece-se, aqui, que Turismo é o campo do saber e, Turismo, a área de interesse da presente tese,
67 ciência autônoma, empresta os conceitos e termos que explicam os biomas, os ecossistemas e a interferência dos turistas nesses; da Biologia, importa conceitos e termos da Botânica e da Zoologia, relacionados à interpretação ambiental e à observação de flora e fauna; da Psicologia, empresta conceitos e termos que investigam o comportamento dos turistas e indagam sobre sua percepção; da Economia, herda alguns conceitos e termos que explicam as relações econômicas entre turistas e residentes, os fatores econômicos que justificam a atração ou retração da demanda; do Marketing, empresta conceitos e termos relacionados ao plano de marketing de um destino turístico ou de um empreendimento turístico; da Administração, utiliza os conceitos e termos relacionados ao plano de negócios, empreendedorismo, e às gestões pública e privada do turismo; do Direito importa termos e conceitos relativos a contratos e a outras questõesjurídicas, e, finalmente, da Educação Física, empresta conceitos e termos relacionados às modalidades de esportes praticados durante a viagem. A modo de ilustração, o quadro 1 apresenta alguns dos termos incorporados das áreas do conhecimento relatadas.
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GEOGRAFIA espaço turístico; paisagem cultural;
paisagem natural; sítio; situação
ARQUITETURA centralidade; refuncionalização;
requalificação; revitalização
HISTÓRIA História Cultural; História da Arte
ANTROPOLOGIA autóctones; comunidade indígena;
comunidade local
SOCIOLOGIA DO LAZER lazer; ócio criativo; tempo livre
ECOLOGIA biomas; ecossistemas marinhos; parque
nacional; reserva da biosfera; unidades de conservação
BIOLOGIA animais silvestres; aves migratórias;
baleia jubarte; Mata Atlântica; ornitologia
PSICOLOGIA efeito imitação; olhar estrangeiro; perfil alocêntrico, perfil psicocêntrico
ECONOMIA câmbio de moedas estrangeiras; demanda
elástica; demanda inelástica; plano de negócios
MARKETING praça, preço; promoção turística
ADMINISTRAÇÃO plano de negócios; parceria público-
privada
DIREITO contrato de fretamento; contrato de
transporte; indenização por perda de bagagem
EDUCAÇÃO FÍSICA canoagem; montanhismo; esqui
Quadro 1: Exemplos de termos incorporados pelo Turismo, proveninetes de distintas áreas do conhecimento.
Fonte: Autora.
Ademais, há algumas décadas, o Turismo vem cunhando uma terminologia própria, com termos já consolidados, embora nem sempre padronizados, como: agência de viagens, operadora turística e guia de turismo, entre outros. Como consequência desse quadro tão claramente multidisciplinar, encontram-se, no Turismo, muitos termos transpostos das áreas acima apontadas, dos quais, alguns exemplos foram apresentados no quadro 1. Além dessas transposições, é importante destacar que, nesta área, também se encontram termos, na terminologia em português, que são empréstimos de idiomas estrangeiros, sobretudo do inglês, como por exemplo: city tour e sightseeing, entre muitos outros, que ainda não estão presentes em dicionários da língua portuguesa. Resulta, portanto, relevante a contribuição da Linguística, e, especificamente, das Ciências do Léxico – particularmente da Lexicografia,
69 Terminologia e Terminografia - para os estudos do Turismo, com vistas a uma organização dos termos usados nos textos acadêmicos e comerciais dessa nova área do conhecimento, que está apenas se configurando. Cabe aqui explicar que, ao contrário de muitas linguagens de especialidades, na linguagem técnica do Turismo, os termos de textos acadêmicos e de textos comerciais não diferem tanto, visto que não há uma considerável distinção entre aqueles adotados pela Academia e os que são incorporados pelo trade turístico (conjunto de empresas que fornecem serviços e produtos turísticos, e que compõem esse mercado: companhias aéreas, meios de hospedagem, agências de turismo, etc).
Pesquisando dissertações e teses já concluídas junto à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, constatou-se que o Turismo já vem se consolidando entre as temáticas pesquisadas pelos alunos de pós-graduação dessa Faculdade. Em 2005, Karine Marielly Rocha da Cunha defendeu dissertação de mestrado com uma pesquisa sobre termos relacionados ao modal de transporte ferroviário, em italiano, intitulada “Viagem de trem pela Itália”, junto à Área de Filologia e Língua Portuguesa, sob a orientação da Professora Doutora Ieda Maria Alves. Em 2007, Josimeire Cristina Martins defendeu dissertação de mestrado com a pesquisa “A terminologia do Ecoturismo como espelho de diferentes visões”, junto à Área de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, sob orientação da Professora Doutora Stella Esther Ortweiler Tagnin. No segundo semestre de 2010, Rosemary Irene Castañeda Zanette defendeu tese de doutorado em Semiótica e Linguística Geral, com proposta de dicionário terminológico bilíngüe português-italiano para a subárea de Patrimônio Turístico, junto ao Departamento de Linguística, sob a orientação da Professora Doutora Maria Aparecida Barbosa. Ademais, já há algumas dissertações e teses defendidas, ou em andamento, junto à FFLCH-USP, sobre a linguagem especializada da aviação, tema que não deixa de estar relacionado, mesmo que indiretamente, à área do Turismo. No que concerne à área da aviação, que, indubitavelmente, pode ser considerada correlata ao Turismo, no segundo semestre de 2009, Eloísa Terezinha Fernandes da Silva, com orientação da Professora Doutora Maria Aparecida Barbosa, concluiu sua dissertação de mestrado, intitulada “Dicionário técnico bilíngue Inglês-Português da subárea do Check-list”. Conclui- se, com essas evidências, que o Turismo, e áreas a ele relacionadas, têm estimulado pesquisas junto à Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo, sobretudo no que tange às Ciências do Léxico. A presente pesquisa pretendeu avançar ainda mais neste campo, preenchendo a lacuna que concerne à terminologia desta subárea do Turismo, que é justamente a de Agenciamento de Viagens e Turismo. Acredita-se que esta proposta, isto é, a
70 de analisar os termos dessa subárea e, consequentemente, de elaborar um dicionário terminológico multilíngue, possa contribuir para enriquecer ainda mais o debate que se formou junto a essa Faculdade no que tange à terminologia da linguagem técnica do Turismo, em distintas subáreas ou em áreas correlatas.
A propósito da importância de um dicionário como forma de compreender melhor uma área do conhecimento, Greimas e Courtés denominam “Por Que um Dicionário” o segundo item do prólogo de sua obra Dicionário de Semiótica (1981), no qual apresentam um pequeno ensaio sobre a exposição de idéias de um determinado assunto, como, neste caso específico, a Semiótica, usando a estratégia do dicionário. Para isso, recorrem às relações sintagmática e paradigmática observáveis entre as unidades do sistema linguístico. Segundo Casadei (2001), Saussure denominou sintagmáticas ou associativas os dois tipos de relações que se estabelecem entre as unidades do sistema linguístico, sendo que cada unidade mantém uma relação sintagmática com a precedente e com a seguinte, em uma mensagem, obrigatoriamente linear. Ainda segundo Casadei, Hjelmslev, por sua vez, introduziu o conceito paradigmático, aplicável às situações em que se pode estabelecer uma relação associativa mental, baseada em um nexo semântico ou morfológico. M. A. Barbosa assim sintetiza a formalização de Greimas e Courtés:
Na visão desses autores, a forma de dicionário permite acesso imediato ao conjunto da terminologia, facilita a inserção de suplementos de informação, acompanhando o progresso das pesquisas e autoriza colocar, lado a lado, segmentos metalingüísticos de formulação desigual; seu maior problema é a dispersão alfabética dos conceitos, que dificulta o controle da coerência taxionômica subjacente. Esse inconveniente atenua-se, entretanto, pelo duplo sistema de remissões (1998b, 317).
Essas considerações têm evidente relevância para a proposta de dicionário terminológico para a subárea do Turismo denominada Agenciamento de Viagens e Turismo, que, neste estudo, pretendeu-se desenvolver, inclusive acrescentando o duplo sistema de remissões, sob forma de sinônimos ou sinônimos complementares, para resolver o inconveniente ao qual Barbosa se refere.
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