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Anadolu’da Tasavvufî Cereyanlar ve Bağlı Oldukları Merkezler

BÖLÜM 2: TASAVVUF KÜLTÜRÜNÜN ANADOLU’YA GİRİŞİ, YAYILIŞI VE

2.4. Anadolu’da Tasavvufî Cereyanlar ve Bağlı Oldukları Merkezler

As análises dos demais dados fenotípicos – Marmorização da carne (M), Lipídeos Totais (intramuscular, LT), Espessura de Gordura Subcutânea (EGS) e Força de Cisalhamento (FC) – foram realizadas no Departamento de Química e Bioquímica, Instituto de Biociências, Unesp, Botucatu-SP, Brasil, conforme descrito abaixo.

A marmorização foi avaliada visualmente (escores subjetivos de 1 a 5) segundo metodologia descrita previamente (AUS-MEAT LIMITED, 2001). A espessura de Gordura Subcutânea (EGS) foi mensurada com um paquímetro seguindo metodologia descrita pelo USDA Quality Grade (1989). Os Lipídeos Totais foram avaliados pelo método de Bligh e Dyer (1959). Em poucas palavras, este método consiste em retirar, moer e pesar 3 a 5g de carne de cada amostra individual de Longissimus dorsi, desprovida de qualquer tecido adiposo ou conectivo visível. Clorofórmio e Metanol foram adicionados à amostra de carne moída e homogeneizados por 30 minutos, para extração dos lipídeos. A suspensão foi centrifugada (1.000g) para separar a fase hidrofílica (descartada), a sólida (descartada) e a hidrofóbica (volume mensurado). Desta fase hidrofóbica 5mL foram transferidos para beckers previamente pesados, os quais foram colocados para secar em estufa durante a noite (20°C). O conteúdo de lipídeos foi calculado pela diferença de peso do Becker após a secagem da suspensão hidrofóbica. Foram feitas duplicatas das avaliações de Lipídeos Totais para cada animal.

A força de cisalhamento foi determinada de acordo com Wheeler et al. (1995). Em poucas palavras, as amostras de carne congeladas foram descongeladas sob refrigeração (4oC por 24 horas), até que a temperatura interna atingisse 5 a 6oC. As amostras foram então cozidas até que a temperatura interna atingisse 71oC e depois foram resfriadas durante 24 horas (5 a 6°C), antes da retirada de seis (6) a oito (8) cilindros de cada amostra. Os cilindros apresentavam 1,27cm de diâmetro e eram paralelos à orientação das fibras musculares. Os cilindros foram cortados pelo equipamento Warner-Bratzler com 25Kg de capacidade, à velocidade padronizada de 20cm/minutos. Foi calculada a média dos valores obtidos para os cilindros de cada amostra e esta média correspondeu ao número utilizado nas análises estatísticas.

6.3.3 Extração de DNA e genotipagem

Inicialmente, procedeu-se a maceração em nitrogênio líquido de 250mg de carne retiradas das amostras do músculo Longissimus dorsi, cada amostra representando um indivíduo.

A extração do DNA foi realizada por método não fenólico, baseado na digestão com protease K e precipitação com NaCl e álcool (SAMBROOCK, 1989). Cada solução de DNA foi checada quanto à concentração e à integridade e depois diluída para concentração de trabalho (10ng/uL) e armazenada a -20°C até a genotipagem.

Os animais foram genotipados para os polimorfismos dos genes LEP, TG and

DGAT1 pela reação da polimerase em cadeia seguida pela restrição enzimática

originando variação nos tamanhos dos fragmentos de DNA obtidos. Tal técnica é conhecida pelo termo em inglês: polymerase chain reaction – restriction length

polymorphism (PCR-RFLP). Os alelos C e T de LEP foram determinados pela

amplificação de fragmentos no éxon 2, seguida pela digestão com a enzima de restrição Kpn2I, conforme descrito por Buchanan et al. (2002). Para a determinação dos alelos C e T de TG, um fragmento com 548pb localizado na região não codificadora 5’ foi amplificado e digerido com a enzima PsuI, método descrito por Thaller et al. (2003). Os alelos A e K de DGAT1 foram identificados pela amplificação de um fragmento com 411pb, correspondente ao éxon 8, seguida da digestão com

CfrI, de acordo com trabalho de Lacorte et al. (2006).

Depois da digestão dos produtos amplificados dos genes LEP, TG e DGAT1, os fragmentos de DNA foram separados em geis de agarose 3,5%, 2% e 2%, respectivamente. O sistema de eletroforese utilizado foi horizontal. Os fragmentos de DNA foram visualizados no gel em função do uso de brometo de etídio e exposição à luz ultravioleta. A imagem de cada gel foi fotografada por um sistema digital de foto- documentação para posterior análise. O tamanho dos fragmentos de restrição foi determinado pela comparação com um marcador, padrão de peso molecular de 100pb. Genótipos individuais foram determinados para cada polimorfismo pela análise do tamanho dos fragmentos descritos pelo número de pares de bases.

6.3.4 Análise estatística

Freqüências alélicas e genotípicas foram calculadas de acordo com Weir (1990). Diferenças nas freqüências alélicas dos polimorfismos dentro e entre os cinco grupos genéticos foram determinadas pelo método de Goodman adaptado por Curi e Moraes (1981).

As caracteristicas de interesse foram analisadas utilizando o procedimento

General Linear Models (GLM) do programa SAS (STATISTICAL ANALYSIS

SYSTEM, 1999). O modelo linear utilizado para analisar as características quantitativas considerou, adicionalmente ao efeito de grupo genético, a interação entre grupos genéticos e grupos contemporâneos da seguinte forma: Yijk = µ + Gi + GGCj + eijk, onde Yijk = característica de produção (fenótipo), µ = média geral, Gi = efeito fixo do genótipo (i = 1,2,3), GGCj = efeito fixo da interação grupo genético e grupo contemporâneo (j =1,...,9), e eijk = erro aleatório. O critério para composição dos grupos contemporâneos incluiu as variações de sexo, idade ao abate, confinamento e fazenda de origem. Genótipos com freqüência muito baixa (abaixo de 10%) na amostra total de indivíduos ou grupos genéticos com apenas um genótipo não foram incluídos na análise para evitar resultados não confiáveis. Pela mesma razão, quando a maioria dos animais (> 80%) em um dos genótipos era do mesmo grupo genético, o genótipo foi excluído por completo da análise. O efeito de touro não foi incluído no modelo linear, pois havia número muito pequeno de animais na amostra originários de um mesmo touro. A possibilidade de confundir o efeito do genótipo com o efeito do touro sobre as características fenotípicas estudadas foi reduzida devido ao grande número de famílias de meio-irmãos.

6.4 RESULTADOS

As variantes alélicas do gene LEP (C e T) foram observadas em todos os cinco grupos genéticos. Os dois fragmentos, originados pela restrição, 75 e 19pb foram observados na presença do alelo C e o alelo T foi determinado pela presença de fragmento intacto com 94pb. Indivíduos heterozigotos apresentaram os três

94bp 75bp 19bp

tamanhos de fragmentos 94, 75 e 19pb (Figura 4). Os grupos genéticos com maior influência Bos indicus (Nelore e Rubia Gallega X Nelore) apresentaram freqüência menor do alelo T (4,3 e 7,7%) em comparação ao grupo Camchim (39%), mas não diferenciaram do Brangus Tricross (26,3%) e do Pardo Suíço Tricross (20%). Nenhum indivíduo com genótipo TT foi encontrado nestes grupos.

M CT TT CC

Figura 4 – Polimorfismo RFLP produzido pela restrição com a enzima Knp2I no gene bovino LEP. M = 100pb padrão de peso molecular; CC = genótipo caracterizado pela presença de fragmentos com 75 e 19pb; TC = heterozigotos caracterizados pela presença de fragmentos com 94, 75 e 19pb; TT = genótipo caracterizado pela presença de um fragmento com 94bp

As duas formas alélicas do gene TG foram encontradas: C (fragmentos de restrição com 295 e 178pb) e T (fragmento com 473pb, produto intacto da PCR). Alelos C e T do gene TG (Figura 5) foram encontradas na maioria dos grupos genéticos, mas apenas o alelo C foi encontrado nos animais Nelore resultado na ocorrência de um genótipo único para esses animais (CC). O grupo genético fruto do cruzamento Rubia Gallega X Nelore apresentou freqüência muito baixa do alelo T (1,9%). Não houve diferença da segregação deste polimorfismo entre os grupos N, RG x N e B Tricross. A ocorrência do alelo T aumentou conforme o acréscimo de influência Bos taurus em cada grupo: Brangus Tricross (15,8%), Canchim (22%) e Pardo Suiço Tricross (33,3%).

473pb 295pb 178pb 75pb 411pb 208 and 203pb M CC CT TT

Figure 5 – Polimorfismo RFLP ocasionado por restrição com a enzima PsuI do gene bovino TG. M = 100bp padrão de peso molecular; CC = genótipo caracterizado pela presença de fragmentos com 178 e 295pb; CT = heterozigotos caracterizados pela presença de três fragmentos 473, 178 e 295pb; TT = genótipo caracterizado pela presença de um fragmento com 473pb

Os alelos do gene DGAT1 (K e A) segregaram em todos os cinco grupos. Quando apenas o alelo K estava presente identificou-se um fragmento de 411bp, correspondente ao produto intacto da amplificação. Na presença do alelo A estava presente uma banda, a qual representa dois fragmentos de restrição descritos em trabalhos anteriores (208 e 203bp). Indivíduos heterozigotos foram identificados pela presença de fragmentos com os três tamanhos 411, 208 e 203pb (Figura 6). O alelo

A foi marcadamente menos freqüente em animais da raça Nelore, os quais

apresentaram apenas 5,4% de A em comparação ente 53 e 67%, considerando os valores de todos os outros grupos.

M KA KK AA

Figura 6 – Polimorfismo RFLP produzido pela restrição com a enzima CfrI no gene bovino DGAT1. M = 100pb psdrão de peso molecular; AA = genótipo caracterizado pela presença de dois fragmentos com 203 e 208pb; KA = heterozigotos caracterizados por três fragmentos 411, 203 e 208pb; KK = genótipo caracterizado pela presença de um fragmento com 411pb

Freqüências alélicas e genotípicas descritas para os três polimorfismos, em cada grupo genético se encontram resumidas nas tabelas 4 e 5, respectivamente.

Tabela 4 - Freqüências alélicas dos polimorfismo de LEP, TG e DGTA1 nos cinco grupos genéticos e na amostra como um todo (Maio de 2007, Botucatu)

Grupo Genético

N RG x N C B Tricross PS Tricross

Polimorfismos Alelos

n=46 n=26 n=41 n=19 n=15

Total

LEP/Kpn2I C 0,957A;a 0,923A;a 0,610B;ab0,737AB;a 0,800AB;a 0,810

T 0,043B;b 0,077B;b 0,390A;ab0,263AB;b 0,200AB;b 0,190

TG/PsuI C 1.000A;a 0,981A;a 0,780B;a 0,842AB;a 0,667B;ab 0,881

T 0,000B;b 0,019B;b 0,220A;b 0,158AB;b 0,333A;ab 0,119

DGAT1/Cfrl K 0,946A;a 0,462B;ab 0,329B;b 0,474B;ab 0,367B;ab 0,568

A 0,054B;b 0,538A;ab 0,671A;a 0,526A;ab 0,633A;ab 0,432

n equivale ao número de indivíduos em cada grupo genético. N = Nelore; RG x N = Rubia

Gallega x Nelore; C = Canchim; B Tricross = Brangus Tricross; PS Tricross = Pardo Suíço Tricross.

A, B Letras distintas significam diferença na freqüência alélica entre grupos genéticos (P< 0.05).

a, b, Letras distintas significam diferença na freqüência alélica dentre cada grupo genético (P< 0.05).

O polimorfismo do gene LEP foi informativo em todos os grupos genéticos, embora o número de indivíduos que apresentou o alelo menos freqüente (T) foi reduzido entre os animais Bos indicus (Nelore). O polimorfismo do gene TG não foi informativo para os animais Bos indicus (Nelore). O polimorfismo do gene DGAT1 foi informativo em todos os grupos genéticos, mas dentre os indivíduos de genótipo KK mais de 80% foram do mesmo grupo genético, o Nelore.

Table 5 – Freqüências genotípicas dos polimorfismos de LEP, TG e DGTA1 nos cinco grupos genéticos e na amostra como um todo. Botucatu, 2007.

Grupo Genético N RG x N C B Tricross PS Tricross Polimorfismo Genótipo n=46 n=26 n=41 n=19 n=15 Total LEP/Kpn2I CC 0,913 0,846 0,415 0,526 0,667 0,687 CT 0,087 0,154 0,390 0,421 0,267 0,245 TT 0,000 0,000 0,195 0,053 0,067 0,068 TG/PsuI CC 1.000 0,962 0,610 0,648 0,467 0,789 CT 0,000 0,038 0,341 0,316 0,400 0,184 TT 0,000 0,000 0,049 0,000 0,133 0,027 DGAT1/Cfrl KK 0,913 0,077 0,073 0,067 0,158 0,347 KA 0,065 0,769 0,512 0,632 0,600 0,442 AA 0,022 0,154 0,415 0,211 0,333 0,211

n equivale ao número de indivíduos em cada grupo genético. N = Nelore; RG x N = Rubia Gallega x Nelore; C = Canchim; B Tricross = Brangus Tricross; PS Tricross = Pardo Suíço Tricross.

A análise visual da Marmorização da carne se revelou ineficiente para os indivíduos da raça Nelore e para os cruzamentos estudados, animais abatidos em idade jovem, pois a variabilidade do escore foi muito baixa. A grande maioria dos animais apresentou escore 1 e apenas alguns poucos animais apresentaram escore 2. Assim, não foram feitos estudos de associação para esta característica. A média dos quadrados mínimos e o desvio padrão de cada característica fenotípica, referente a cada genótipo estão apresentadas na tabela 6.

Table 6 – Média dos quadrados mínimos e desvio padrão para características fenotípicas, valores encontrados nos grupos genotípicos dos polimorfismos LEP/Kpn2I, TG/PsuI e DGAT1/Cfrl (Maio de 2007, Botucatu)

Características Fenotípicas

Locus Genótipos EGS (cm) LT AOL (cm2) FC (Kg)

LEP/Kpn2I CC 3,42±1,50 0,016±0,012 67,61±9,72 3,68±0,87 CT 3,96±1,60 0,015±0,010 69,20±9,09 3,70±0,88 TG/PsuI CC 3,85±1,55 0,021±0,011 73,50±10,25 3,41±0,53 CT 4,00±1,63 0,017±0,013 73,05±8,25 3,30±0,79 DGAT1/Cfrl AA 3,19±1,76 0,017±0,012 69,76±10,39 3,64±0,75 AK 3,43±1,46 0,016±0,012 70,19±10,69 3,42±0,72 EGS = Espessura de Gordura Subcutânea; LT= Lipídeos Totais; AOL = Área de Olho de Lombo.

Os genótipos CC e CT foram analisados no estudo de associação feito para o polimorfismo LEP/Kpn2I, mas nenhum efeito significativo foi encontrado para os fenótipos de EGS (p=0,1038), LT (p=0,6298), AOL (p=0,3355) e FC (p=0,9189). Para caracterizar os efeitos do polimorfismo TG/PsuI, os genótipos CC e CT foram testados. Não houve efeito de genótipo (TG/PsuI) para as características EGS (p=0,7101), LT (p=0,2813), AOL (p=0,8044) ou FC (p=0,4361). Para o polimorfismo

DGAT1/Cfrl os genótipos AA e AK foram considerados e também não foram

encontradas associações com as características pesquisadas: Espessura de Gordura Subcutânea (p=0,5244), Lipídeos Totais (p=0,6293), Área de Olho de Lombo (p=0.8235) ou Força de Cisalhamento (p=0,2124).

6.5 DISCUSSÃO

Em 1997, Pomp et al. (1997) descobram um marcador RFLP no gene LEP utilizando a enzima Sau3AI, o qual segregava em inúmeras raças Bos taurus, mas era fixado em gado Brahman (Bos indicus). Bhuchanan et al. (2002) fizeram uso da enzima Kpn2I para revelar a substituição de citosina (C) por timina (T) no éxon 2 do gene LEP, animais das raças Angus, Hereford e Charolêsa (Bos taurus). Para tal substituição foi prevista a troca entre os aminoácidos argenina e cisteína

(AF120500). A freqüência geral encontrada para os alelos de LEP por Buchanan et al. (2002) foi de 54% e 46% para os alelos C e T, respectivamente. Estes números são aparentemente distintos dos encontrados pelo presente estudo, ou seja, 81% para o alelo C e 19% para o alelo T. Tal diferença pode ser explicada pelo fato da literatura citada ter estudado apenas animais Bos taurus, enquanto o presente trabalho genotipou animais Bos indicus e cruzamentos entre Bos indicus e Bos

taurus. Na verdade, mesmo entre animais Bos taurus as freqüências alélicas podem

variar dependendo da origem da raça. As raças britânicas apresentam maior freqüência de T, enquanto nas continentais maior ocorrência de C (BUCHANAN et al., 2002).

Polimorfismos do gene da leptina foram associados com diversas características de importância econômica incluindo capacidade de ingestão alimentar, produção de leite e características de carcaça (VAN DER LENDE et al., 2005). Um estudo com Bos tarus (Angus, Charolais, Limousin and Simmental) descreveu associação entre polimorfismos do éxon 2 (LEP) e rendimento de tecido magro na carcaça (SCHENKEL et al., 2005). Geary et al. (2003) descobriram uma relação negativa entre concentrações plasmáticas de leptina e Área de Olho de Lombo, além disso, as concentrações de leptina foram associadas com classificação de carcaça e deposição de gordura (marmorização, espessura de gordura subcutânea, deposição de gordura em rim e coração, deposição de gordura pélvica), em cruzamentos entre raças Bos taurus (1/2 Angus + 1/4Charolais + 1/4Tarentaise). Nenhuma correlação foi encontrada entre Área de Olho de Lombo e LEP no presente estudo, o que contradiz os trabalhos anteriores.

A deposição de gordura foi afetada pelo genótipo e animais homozigtos para o alelo T produziram mais mRNA (expressão gênica da leptina) do que animais homozigotos para o alelo C em Bos taurus (BUCHANAN et al., 2002), mas resultados semelhantes não foram repetidos em Bos indicus puro ou cruzado (dados aqui apresentados). Os resultados aqui apresentados são consistentes com um estudo de associação que pesquisou 3129 indivíduos, incluindo diversas raças Bos

taurus e 317 animais Bos indicus (Brahman), conduzido por Barendse (2005) que

não encontrou associações entre o polimorfismo LEP/Kpn2I e marmorização, espessura de gordura subcutânea, deposição de gordura total e intramuscular.

A deposição de gordura, especialmente gordura intramuscular, pode interferir com a percepção de maciez da carne (CROUSE et al., 1989). Estudo anterior mostra

associação entre LEP e maciez da carne (SCHENKEL et al., 2005). Por isso, testamos os efeitos dos polimorfismos de LEP, TG e DGAT1 sobre a força de cisalhamento (estimativa mecânica da maciez da carne), mas nenhuma associação foi encontrada. De acordo com Crouse et al. (1989), escores mais altos para maciez foram obtidos em painéis sensoriais quando o conteúdo de gordura intramuscular ultrapassava 5%. No presente trabalho, os valores observados para os Lipídeos Totais (gordura intramuscular) não excederam 3%, o que pode ter dificultado a observação uma associação entre genótipo, deposição de gordura e maciez da carne.

O polimorfismo na região não codificadora 5’ do gene TG foi patenteado por Barendse (1999) e é avaliado pela técnica PCR-RFLP com o uso da enzima PsuI que possibilita a distinção entre os alelos C e T. Nossos resultados mostraram que o alelo T é menos freqüente que o C. Resultados semelhantes – 22 a 25% de freqüência do T – foram descritos para animais Bos taurus (MOORE et al., 2003; THALLER et al., 2003). Pode-se pressupor que a influência da genética Nelore na raça Canchim e nos cruzamentos Tricross aumentou a variação na freqüência alélica do T (15 a 33%) em comparação aos números apresentados para Bos taurus. A freqüência baixa de T já havia sido relatada para animais Bos indicus na raça Brahman (CASAS et al., 2005), mas este é o primeiro registro de fixação do alelo C em animais Nelore.

Estudos anteriores relataram os efeitos do polimorfismo TG/PsuI sobre características de marmorização da carne (BARENDSE, 1999), EGS e AOL (CASAS et al., 2005); gordura intramuscular (THALLER et al., 2003); diferenças esperadas na progênie (DEP) para porcentagem de cortes de carne e para peso de carcaça (RINCKER et al., 2006). Além disso, Barendse (2004) sugeriu que TG/PsuI é uma mutação funcional, responsável por alterações fenotípicas associadas ao QTL e que

T é o alelo favorável para a deposição de gordura intramuscular. Mesmo assim,

resultados contraditórios têm sido publicados e os dados do presente trabalho concordam com aqueles que não encontraram associações entre o polimorfismo de

TG e marmorização ou maciez da carne em Bos indicus (CASAS et al., 2005).

Rincker et al. (2006) não encontraram associação entre o polimorfismo e a marmorização, a gordura intramuscular, a AOL ou a EGS em animais Bos taurus da raça Simental. Moore et al. (2003) não encontraram associação entre o polimorfismo e DEP relacionada a EGS em Bos taurus. A variação alélica entre C e T no gene TG

é avaliada comercialmente pelo painel de marcadores GeneSTAR Quality Grade (Genetic Solutions/Bovigen Pty. Ltd.) e o último estudo de validação confirmou a presença de T entre as carcaças dos tipos Choice ou Prime, embora não se tenha conseguido associar o marcador com Marmorização (VAN EENENNAM et al., 2007). No presente trabalho, a baixa freqüência do alelo favorável (T) pode ter dificultado a associação do polimorfismo com as características fenotípicas, afinal apenas 4 animais pertenciam ao grupo TT (poucos dados fenotípicos para trabalhar).

Winter et al. (2002) descreveram o polimorfismo DGAT1/CfrI (AW446985 – GRISART et al., 2004) como sendo uma alteração não conservativa de dois nucleotídeos GC para AA nas posições 10433 e 10434 (AJ318490). A alteração de nucleotídeos leva à substituição de lisina por alanína na proteína (K232A). Winter et al. (2002) associaram o alelo carreador da lisina ao maior conteúdo de gordura no leite, sugerindo ainda que o polimorfismo seria uma mutação funcional no QTL descrito para conteúdo de gordura no leite. Foi observado que a variante K era mais comum em vacas Jersey (cerca de 80% de freqüência do alelo K), seguidas por vacas Holandesas e vacas da raça Anatolian Black (aproximadamente 35% de K) e por último em outras raças de corte, Bos taurus (inferiores a 20%). Estudos anteriores realizados em Bos indicus de corte mostraram o alelo K como sendo fixado nessas raças (TANTIA et al., 2006; WINTER et al., 2002) ou presente em freqüência muito elevada (CASAS et al., 2005). Lacorte et al. (2006) mostraram em seus resultados que o alelo K estava fixado em animais Nelore e Guzerá (Bos

indicus).

A novidade do presente trabalho está em revelar a ocorrência, em baixa freqüência, do alelo A em animais Nelore (5,4%). Os animais cruzados (Bos indicus X Bos taurus) apresentaram 33 a 48% de freqüência de K, um número intermediário entre os resultados encontrados em literatura (MOORE et al., 2003; WINTER et al., 2002) nas raças de corte Bos taurus e os resultados aqui mencionados para Bos

indicus. A falta de associação entre o alelo K e maior Marmorização ou maior

porcentagem de Lipídeos Totatis encontrada no presente trabalho não condiz com a literatura que considera o polimorfismo DGAT1/CfrI como funcional para características relacionadas à deposição de gordura (GRISART et al., 2004). Mas, as discrepâncias de resultados entre animais com diferente base genética a respeito dos efeitos de DGAT1/CfrI são conhecidas, pois o efeito significativo sobre gordura intramuscular em vacas Holandesas não foi encontrado em animais da raça

Charolêsa num mesmo estudo (THALLER et al., 2003). Os resultados aqui descritos são consistentes com os de Casas et al. (2005) que não encontrou associações entre os alelos K e A e características como EGS, marmorização, score de maciez ou AOL em gado Brahman (Bos indicus). Kühn et al. (2004) descreveram polimorfismo baseado no número de sequências repetitivas (variable number of tandem repeat, VNTR) localizado no sentido 5’ do gene DGAT1 que tem efeito sobre o conteúdo de gordura no leite e pode explicar a variação desse fenótipo mesmo entre animais AA (homozigotos para DGAT1/CfrI), esclarecendo aspectos do QTL no BTA14. Existe possibilidade de que o polimorfismo 5’ VNTR DGAT1 contribua para a variação na deposição de gordura em animais Bos indicus.

Concluindo, discrepâncias entre estudos de associação podem estar relacionadas a diferentes influências genéticas, efeitos epistáticos e/ou influências do ambiente e do manejo sobre os dados fenotípicos (DEKKERS, 2004). Tais fatos somados à fixação (ou baixa freqüência de alelos) em Bos indicus (Nelore) e à falta de associações significativas encontradas neste estudo para os marcadores mencionados dos genes LEP, TG e DGAT1 reforçam a afirmação de Casas et al. (2005) que afirmam ser necessário o desenvolvimento de marcadores adicionais adequados ao gado Bos indicus.

6.6 AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a Universidade Estadual Paulista (UNESP) por oferecer a infraestrutura para o estudo e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) bem como ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro.

7 CONCLUSÕES

As freqüências alélicas do polimorfismo estudado no gene CAPN1 foram semelhantes entre os cinco diferentes grupos genéticos, contrariando a hipótese formulada.

As freqüências alélicas dos demais polimorfismos pesquisados – CAST/XmnI,

LEP/Psy2I, TG/PsuI, DGAT1/CfrI – foram diferentes entre os grupos genéticos,

corroborando com a hipótese. Pela primeira vez foi descrita a segregação dos polimorfismos CAST/XmnI, LEP/Psy2I e DGAT1/CfrI na raça Nelore. O polimorfismo

TG/PsuI não foi informativo na raça Nelore, pois todos os animais deste grupo

apresentaram genótipo homozigoto para o alelo C.

Não foram encontradas relações entre as características fenotípicas – Força