III. BAŞLICA ÜLKE GRUPLARI İTİBARIYLA İHRACAT
III.7. Amerika Ülkelerine İhracat Artışı İvme Kaybediyor
A história da infância no Brasil também foi marcada por etapas da história e da política que culminaram em grandes diferenças e disparidades sociais, e consequentemente fizeram resultar diferentes infâncias. Todo esse processo está de acordo com o que destaca Ferreira (2013), ao reconhecer a infância como uma constituição social, histórica e cultural que está interligada a determinadas formas de pensamento, conhecimento e saberes e que recebe um novo significado por meio dos debates econômicos, políticos e acadêmicos.
No Brasil, observa-se que a infância, desde o período da colonização, sofria tentativas de adestramentos físico e mental por parte dos jesuítas, principalmente em relação às crianças indígenas. Foi através do Cristianismo que muitas práticas, como aborto, infanticídio, abandono, comercialização e sacrifícios foram extintas gradativamente. Entretanto, os castigos físicos constituíram-se em prática rotineira utilizada para repreender a natureza ‘má’ das crianças e instruí-las a obedecer aos adultos.
O colonialismo europeu em expansão nas Américas, acrescentado ao episódio do tráfico de escravos advindo da África, acarretou grandes impactos para a infância negra, branca e indígena.
A história de crianças em embarcações portuguesas quinhentistas, as quais enfrentavam fome, abusos sexuais e humilhações, caracterizou-se como história de dramas particulares e coletivos (RAMOS, 2004).
As crianças negras e indígenas foram duramente atingidas pela violência, sendo obrigadas a passar por processos que envolveram migração, trabalhos pesados, castigos físicos e cruéis, além de serem separadas de suas famílias para serem vendidas como mercadorias.
Como assinala Chaves (2000), o predomínio e a subjugação da população que vivia no Brasil teve início com a catequização dos índios adultos, que apresentaram forte resistência em relação aos valores e costumes instituídos pelos colonizadores. Assim que os jesuítas perceberam o fracasso em dominar a população adulta, lançaram seus objetivos junto às crianças indígenas. Dessa forma, procederam a separação entre pais e filhos por meio da sedução dessas crianças, com o fim de estabelecer um novo convívio com os jesuítas. Ainda
assim, crianças demonstravam resistência à aculturação, rejeitando o modo de vida que os padres lhes ofereciam, fugindo de volta para sua tribo.
Diante dessa situação, os padres passaram a castigar os índios mais resistentes, inclusive os pajés. As crianças índias, que no convívio com a sua tribo não conheciam a violência, passaram a descobrir no seu dia a dia os castigos físicos e a repreensão por parte dos jesuítas. Ao doutrinarem as crianças, os jesuítas obrigavam-nas não somente a abandonar seus costumes, mas também a abominá-los.
No que se refere aos relacionamentos entre pais e filhos na população indígena brasileira, além de não existir punições físicas por parte dos pais, também não existia entre eles a prática de entregar os filhos para que outros cuidassem. Chaves (2000) ressalta que tais práticas foram introduzidas pelos portugueses, particularmente, pelos jesuítas, com o objetivo de “cristianizar”, ou mais especificamente “dominar os indígenas.”
Em relação ao sentimento de infância - de uma consciência das características infantis, Chaves (2000) observa, de acordo com a descrição de Philippe Ariès, que não se fazia presente na população indígena. Chaves (2000) ainda ressalta que, apesar de os índios brasileiros conceberem as crianças como frágeis, elas eram inseridas na sociedade dos adultos sem distinção. A criação dessas crianças se dava em meios aos adultos como forma de socialização, com a intenção de preservar a cultura.
Outra prática que demonstra a inexistência de sentimento de infância entre os povos indígenas brasileiros constata-se nos registros dos historiadores e religiosos do século XVI, nos quais são descritas histórias de abortos e assassinatos de crianças recém-nascidas, em caso de deformidade.
O que Chaves (2000) defende é que, apesar do ponto de vista do ato de colonizar estar relacionado a interesses na colonização da população indígena, constata-se que:
[...] a criança índia nem sempre usufruía de cuidados e proteção, mas contraditoriamente, estava sujeita a violências extremas. Não eram castigadas quando aceitas, mas assassinadas quando rejeitadas. Não se abandonavam as crianças, mas as matavam e sendo filhas dos inimigos as devoravam (CHAVES, 2000, p.16).
Infância Negra
Outra infância no Brasil colônia que merece destaque é a negra escrava. A escravidão no Brasil trouxe diferentes consequências para a vida de milhares de crianças. Poucas
sobreviviam à travessia oceânica. Além das péssimas condições de sobrevivência nos navios, o tráfico de escravo privilegiava os adultos do sexo masculino. As crianças não eram alvo de investimento senhorial, e sim, suas mães, que com as crianças trabalhavam em cafezais, plantação de cana de açúcar e demais atividades.
Restrito número de crianças eram importadas no tráfico, conduzidas pela mãe. Essas crianças jamais encontrariam compradores no mercado de escravo, pois os senhores não exerciam cuidado com os descendentes de escravos, além do grande risco no investimento em crianças, considerando as altas taxas de mortalidade infantil, uma vez que a maioria chegava somente até aos cinco anos de idade.
A área costeira era a principal rota do tráfico, entretanto muitas caravanas de escravos cortavam o território brasileiro a pé, onde homens, jovens, mulheres e crianças caminhavam famintos, doentes, sedentos e até ensanguentados (REIS, 2007).
Muitas mães, ao darem luz a seus filhos em solo brasileiro, eram obrigadas a abandoná-los em esteiras ou redes para que estas pudessem amamentar os filho da sinhá. As crianças muito pequenas e desassistidas na senzala tendencialmente apresentavam má formação no crânio por serem mantidas em uma única posição ou vinham a falecer precocemente.
Em estudo apresentado por Reis (2010), assinala-se a existência e, com frequência, da vida familiar de escravos. A família era considerada uma instituição significativa não somente para os escravizados, como também para os seus proprietários. Essa família tinha algumas características como a ilegitimidade das uniões, a ausência de convivência entre o casal, e, muitas vezes, era formada somente de mães e filhos, o que não extinguia as relações afetivas.
Alguns arranjos, como o compadrio, também eram realizados de forma que a comunidade negra se tornava responsável por assistir crianças nascidas sem um pai presente ou com a improbabilidade da assistência materna. Esse laço de parentesco pode ser considerado como uma organização de redes sociais, possibilitando assim a estruturação da vida cotidiana.
Reis (2010) registra que a rebeldia, os descontentamentos de muitos escravos eram resultados da impossibilidade de desenvolver seus laços familiares
[...] ou de parentesco, ou de preservar relacionamentos afetivos ou de preservar relacionamentos afetivos, manifestaram-se em circunstâncias as mais variadas, a exemplo das fugas em família ou busca de parentes, dos crimes cometidos contra os que abusavam de familiares de cativos, dos suicídios de mulheres escravizadas precedidos do infanticídio contra seus
filhos, além de um comportamento cotidiano rebelde em função da pressão senhorial sobre a parentela escrava (REIS, 2010, p.49).
O trabalho infantil escravo era iniciado desde muito cedo e sob as mais diferentes maneiras. Muitas crianças negras, a partir dos quatro anos de idade, já desempenhavam trabalhos domésticos; outras, aos 11 e 12 anos, pastoreavam gado ou até mesmo costuravam. A criança era considerada como um escravo em miniatura e desde pequena era preparada para, posteriormente, cumprir funções realizadas pelos adultos. Muitas crianças eram negociadas no mercado escravo conforme suas habilidades de passar, engomar, remendar roupas, reparar sapatos, etc. (GÓES; FLORENTINO, 2004).
Faziam parte do dia-a-dia dessas crianças, além do trabalho forçado a que eram submetidas, pequenas humilhações e, consequentemente, grandes agravos. Algumas crianças escravas,
[...] sob a ordem de meninos livres, puseram-se de quatro e se fizeram de bestas. As crianças que viviam mais afastadas do contato senhorial, por sua vez, por certo não encontravam destino muito diferente. Sobre elas as informações disponíveis são as mais lacônicas, mas não é difícil imaginar o quanto aprendiam pelo tratamento dispensado a seus pais, se ainda os tivessem, ou a seus parentes (GÓES; FLORENTINO, 2004, p.186).
A promulgação da Lei do Ventre Livre não representou grandes avanços no que se refere à melhoria de vida das crianças negras. A lei proibia a desagregação da família escrava pelo comércio; entretanto que adiantava à criança ganhar liberdade, se seus pais estavam sob o jugo da escravidão? A função do Estado em conceder melhores condições de sobrevivência para essas crianças e seus familiares era nula. Muitos negros sob a exploração do trabalho não dispunham de moradia e emprego e, consequentemente, viviam em situação de marginalidade.
Meninos e meninas brancos
Os meninos brancos do período colonial, apesar de criados com alguns privilégios, sofriam rigorosas punições por parte da família e nas salas de aula. Em família era castigado por todos os membros e nas escolas por padres e professores. Esses castigos tinham requintes de violência e crueldade.
Em relação à menina do Brasil Colônia, esta não tinha liberdade para correr, pular, subir em árvores ou até mesmo para brincar. Era considerada praticamente prisioneira em sua
própria casa. O destino da maioria era o casamento (geralmente, aos 12 anos de idade) ou a ida ao convento que tinha como finalidade preservar a virgindade. A menina não estava livre dos castigos na forma de beliscões ou, até mesmo, a possibilidade de assassinato por parte de seu pai ou mãe, no caso de insinuação para o sexo oposto.
O gênero feminino na sociedade do Brasil Colônia era considerado inferior, pois as pretensões das meninas não podiam ultrapassar os desejos de seus pais e, posteriormente, as do marido.
No que tange à criança pobre no período colonial, esta passava por sérios problemas de ordem material, assim como os decorrentes da não condição de receber apoio familiar para enfrentar as desigualdades da realidade. Nesse período, também era comum os maridos abandonarem os lares, e, assim, muitas mulheres não tinham apoio do companheiro para subsistência do filho. Dessa forma, as crianças sofriam por fome, abandono e podiam ser doadas a outras famílias para viverem de favor ou sobreviverem por meio do trabalho doméstico.
No que se refere às crianças órfãs, Ramos (2004) argumenta que um dos primeiros registros dessa realidade é conhecido como os Órfãos do Rei. Essas crianças (com idade inferior a 17 anos) eram encaminhadas ao Brasil em embarcações marítimas para se casarem com homens de destaque da coroa portuguesa. Muitas dessas meninas eram estupradas a bordo por marinheiros, fato que acabavam ocultando, por receio de serem enjeitadas no comércio matrimonial ou por vergonha. De acordo com Ramos (2004), são escassos os relatos a respeito dessa realidade.
No período colonial, as crianças órfãs bem como as abandonadas foram gradualmente sendo amparadas por instituições religiosas. A prática de dispor crianças nas portas de desconhecidos ou de pessoas de bem passou lentamente a ser substituída por instituições que tinham como objetivo cuidar de crianças e adolescentes desprotegidos. A Santa Casa foi uma dessas primeiras instituições.
O problema das crianças abandonadas estava relacionado às condições de miséria vivenciadas por muitas famílias e também por questão moral, por se tratar de filhos ilegítimos. Entretanto, a maior parte dos expostos morria logo em seguida ao abandono por fome, frio ou, até mesmo, devorados por animais. Outras eram lançadas no estabelecimento denominado roda dos expostos, instituição conhecida como o primeiro asilo para crianças.
Na verdade, foram poucas crianças abandonadas que obtiveram condições de asilo. Essas crianças logo eram encaminhadas para amas de leite que tinham a criança sob sua guarda e em troca de um trabalho remunerado. Esse sistema, entretanto, foi denunciado por
fraudes e abusos de toda a sorte. Muitas crianças, após o período de criação das amas de leite, não tinham para onde ir e, consequentemente, acabavam vagando pelas ruas, se prostituindo, vivendo de esmola ou roubando (TORRES et al., 2009; MARCILIO, 2009).
Somente no século XVIII, foi assinada a lei Alvará de Regulamentação que tratava dos cuidados de crianças abandonadas e órfãs, permitindo o acolhimento dessas crianças em instituições como roda dos expostos e em casas particulares de casais considerados honestos e de bons costumes. Essa política de assistência a crianças em situação de vulnerabilidade persistiu por quase dois séculos, da Colônia à Primeira República, sendo bastante criticada por filantropos e higienistas que consideravam esses locais como espaços para despejo de crianças indesejadas, comercialização do leite de escravas, adoções ilegítimas e meio para camuflar o infanticídio e a mortalidade de crianças.
As dificuldades de sobrevivência das famílias pobres induziram muitos pais a abandonarem seus filhos. Isso, antes, era visto como um problema a ser amparado pela filantropia privada e pelos orfanatos para depois ser encarado como problema de Estado, o que exigia a adoção de políticas sociais. É a partir da pressão dos movimentos higienistas que o Estado começa a assumir diretamente a assistência e a correção de crianças e adolescentes. Somente em 1899, foi criado, no Rio de Janeiro, o Instituto de Proteção e Assistência à Infância, com o objetivo de resguardar crianças pobres, enfermas, abandonadas, etc.
Freitas (2009), ao discorrer sobre a história da infância através da literatura de Gilberto Freyre e Mario Andrade, afirma que a criança pode ser considerada como um símbolo vivo da violência em sociedade. A infância, ao mesmo tempo em que era proclamada com um destino à civilização, sofria diferentes formas de violência. A criança era vista como “anjo” ao morrer e concomitantemente era vista como depositário da ira alheia. Destaca-se que, ao tratar a criança como anjo, ela não tinha nem identidade própria. A mortalidade infantil era algo que fazia parte da rotina das famílias, “se viesse a morrer estaria em um lugar melhor”.
Outro problema apontado por Freitas (2009) são os relatos cruéis da situação da infância numa sociedade patriarcal, em que a criança era “depositária da ira alheia”. A sociedade patriarcal e escravocrata ora apontava a criança como anjo, ora apontava como detentora de uma perversidade inevitável. Práticas essas, narradas por Freyre, que levam Freitas a questionar a “falta de relativização em relação aos preconceitos e protótipos de cada época. Falta quebrar a imagem da criança como depositária das conciliações atrozes da sociedade” (Ibidem, p.261).
Tal configuração leva-nos a indagar sobre as recorrências presentes nas ações até os dias atuais, em que as crianças são consideradas como propriedade das famílias ou expressões
menores, quando são maltratadas física, verbal e psicologicamente e suas expressões de opinião e sentimentos são desvalorizadas em meio aos adultos.
No decorrer do século XIX, por influência da industrialização, do capitalismo e de valores individuais da sociedade brasileira, a família antes patriarcal passou a ter novos formatos, de modo que os casamentos começam a ser concretizados, envolvendo interesses individuais; pais e filhos começam a desenvolver maior intimidade, ao mesmo tempo, que diminuiu a prática de castigos corporais. Nesse novo formato há na família uma maior igualdade entre os sexos, maior domínio da taxa de natalidade, maior número de separações e de novos casamentos (BRUSCHINNI, 2005).
Na era crescente da industrialização brasileira, o médico e a mãe foram figuras importantes na formação e disciplinarização da criança, no contexto da família. Assim, o corpo da criança foi se tornando corpo político. Aspectos como o desenvolvimento, a educação e a saúde passaram a ser problemas de Estado. O zelo com a criança deixa de ser uma questão pessoal para ser uma responsabilidade social. A intervenção médica não se restringiu somente à saúde, mas também a questões de forma disciplinar. A criança, apesar de ser severamente castigada, deveria ser vigiada e controlada (HOLLANDA, 1990).
É na virada do século XX que a categoria “menor” começa a ser construída. Enquanto o termo infância era utilizado para os filhos das camadas sociais média e alta, o termo menor, que era empregado para nomear o ser humano na faixa etária anterior à maioridade penal, passou gradativamente a ser utilizado numa condição estigmatizante, ou seja, os filhos de pobres, o menor carente, abandonado ou, até mesmo, delinquente.
Para tanto, o Estado brasileiro criou, em 1927, o Código de Menores que consolidava praticamente todas as regulamentações legais referentes à assistência e situação irregular de menores. Entretanto, com o processo de modernização, industrialização e, consequentemente, o crescimento acelerado das cidades, a concentração de renda, os problemas de desigualdade e de pobreza só agravaram a situação das crianças pobres.
A visibilidade da criança como um ser humano singular, com características e direitos específicos, aconteceu no século XX, tendo como base a formulação dos Direitos Naturais do Homem e do Cidadão, durante os séculos XVII e XVIII. É no século XX que a criança passa a ter um destaque na medicina, ciências jurídicas, psicológicas e pedagógicas, sendo suas especificidades descobertas. Nesse momento acontece a modernização e o desenvolvimento de diferentes autores e obras, propiciando assim uma investigação mais direcionada à educação, à escola e à criança.
No ano de 1959, as Nações Unidas proclamam a Declaração dos Direitos Humanos da Criança, documento que acarretará importante e profunda colisão com as atitudes dos países no que diz respeito à infância. Mas, como sair desse encantamento com a descoberta da infância com o surgimento da legislação e do grande interesse por parte da ciência considerados como uma grande conquista para a infância? Ferreira (2013) convoca-nos a criar um distanciamento para falar que
[...] a infância nesse composto será palco de novas reconfigurações de estratégias de saber/poder. Os ideais de progresso e de ordem da nação necessitavam de uma gestão populacional mais refinada e sub-reptícia, baseada nos conclames da ciência, mas também em um governo econômico, em termos de uso mínimo da força e da imposição (FERREIRA, 2013, p.45).
Não se está invalidando todo esse avanço em prol da infância; conquistas foram alcançadas, mas, como apregoa Ferreira (2013), é preciso realizar sobre nós mesmos a suspeição, quando estamos dentro de todo esse emaranhado de discursos e práticas.
A declaração dos Direitos da Criança teve grandes impactos nos governos nacionais. No Brasil, em 1989, logo após ratificar a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989), o país começa a redesenhar políticas sociais para a infância em busca do cumprimento integral das disposições da Convenção. Segundo Marcilio (1999),
A ação codificadora do Brasil antecede a própria Convenção das Nações Unidas. Ela está positivada em nossa Carta Constitucional de 1988, principalmente em seus artigos 227, 228 e 229, que seguiram a doutrina da Declaração dos Direitos da Criança. (...) Esta ação coordenada iniciou-se sob influência dos documentos internacionais e da Frente Parlamentar pela Constituinte. Em 1987 constituiu-se a Comissão Nacional da Criança e Constituinte, instituída por portaria interministerial e por representantes da sociedade civil organizada. Criou-se a Frente Parlamentar Suprapartidária pelos Direitos da Criança e multiplicaram-se por todo o todo o país os Fóruns de Defesa da Criança e do Adolescente. Foram estes esforços conjugados do governo e da sociedade civil que garantiram a redação dos três artigos da Constituição de 1988 que defendem os direitos da criança (MARCILIO, 1999, p. 3-4).
Dessa forma, a Constituição Brasileira somada à Declaração dos Direitos Humanos e à Declaração dos Direitos da Criança impulsionaram, em 1990, a assinatura do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que representou uma revolução no que diz respeito à doutrina, às ideias, práticas, ações em relação à criança brasileira.
O destaque na formulação desse documento vai para a participação de diferentes segmentos da sociedade, como organizações não governamentais, Pastoral do Menor,
UNICEF, OAB, o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, bem como a participação de entidades religiosas, universidades, etc. Outro avanço foi a formação dos Conselhos de Direitos e dos Conselhos Tutelares, o que centralizou forças no que diz respeito ao movimento de defesa dos direitos da criança e dos adolescentes.
Em 1992, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconheceu, no Brasil, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Na mesma década, foram efetivadas ações de enfrentamento da exploração sexual, por meio de conquista de espaço nos meios de comunicação social e na agenda de organizações governamentais e não governamentais. Tem- se, por decorrência, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a prostituição infantil, evento marcante na agenda social, bem como a campanha de artistas, buscando conscientizar a população sobre a exploração sexual. Em 1990, aconteceu o lançamento, pelo presidente da República, da Campanha de combate à exploração sexual.