AKIL VE VAHİY ARASINDAKİ MÜNASEBET 1. İTİKÂDÎ AÇIDAN AKIL-VAHİY İLİŞKİSİ
3.2.3. Amelî açıdan Hüsun-Kubuh
O aumento do conhecimento e da consciencialização sobre as alterações climáticas e os impactes verificados e esperados sobre os sistemas naturais, a actividade económica, o tecido social e a vida dos cidadãos, tem vindo a impor a necessidade de desenvolver políticas de adaptação e mitigação às alterações climáticas, neste sentido foi desenvolvida a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC), que foi aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 24/2010, em 01 de Abril de 2010.
Segundo a RCM nº 24/2010, a ENAAC encontra-se organizada em quatro objectivos, nomeadamente:
1º Objectivo - recolha de informação para criar uma base científica e técnica; 2º Objectivo - redução da vulnerabilidade e o aumento da capacidade de resposta; 3º Objectivo - comunicação e divulgação dos impactes das alterações climáticas e da Estratégia, para promover maior participação dos agentes sociais;
4º Objectivo - cooperação a nível internacional para a adaptação às alterações climáticas.
A ENAAC contempla uma abordagem por sectores, tendo sido identificados alguns sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento de acções de adaptação às alterações climáticas. As acções de adaptação preconizadas na ENAAC visam aumentar a capacidade de resiliência de diversas áreas e sectores estratégicos, nomeadamente da área dos recursos hídricos. Desta forma, a ENAAC visa constituir medidas para o controlo da procura de água, segurança do abastecimento de água para consumo humano, protecção e promoção do bom estado das massas de água e redução do risco de situações extremas de cheias e secas. Estas medidas deverão ser planeadas e implementadas, pelos agentes locais que interajam com o meio hídrico, à escala das bacias hidrográficas, das ilhas, no caso das Regiões Autónomas, dos sistemas de abastecimento de água para consumo humano e dos sistemas de drenagem e tratamento de águas residuais. Em relação às bacias hidrográficas internacionais, dever-se-á intensificar a colaboração com Espanha, de forma a desenvolver medidas de adaptação conjuntas (Comissão para as Alterações Climáticas, 2009).
O impacte das alterações climáticas nos recursos hídricos em Portugal irá afectar diversas áreas, como por exemplo, a produção de energia, a agricultura, a pesca, algumas indústrias, principalmente, do tipo consumidor intensivo de água, a
qualidade de vida dos cidadãos (saúde e bem-estar) e o meio ambiente. De seguida, exemplificam-se alguns efeitos no desenvolvimento socioeconómico de acordo com que se encontra identificado no PNA (INAG, 2001), na ENAAC (Comissão para as Alterações Climáticas, 2009) e no estudo elaborado no âmbito do SIAM (Santos e Miranda, 2006).
Em relação à produção de electricidade em Portugal, através das massas de água, não se prevê que a nível nacional haja um impacte muito significativo, pois apesar da produção ser afectada pela variação dos caudais hidrológicos, prevê-se que no Norte do país durante os meses de Inverno, ocorra um aumento do caudal nos rios Douro, Cávado e Lima, o que aumenta o potencial hidroeléctrico, enquanto no Centro e Sul do país, as previsões sugerem diminuição do potencial hidroeléctrico, no entanto esta redução não é significativa, porque a maioria dos aproveitamentos se situa nas bacias hidrográficas do norte do país.
No caso da agricultura, a questão é um pouco mais complexa porque a maioria das culturas existentes dependem das condições edafoclimáticas e das disponibilidades de água para rega, o que implica a realização de estudos de adaptação das culturas às previsões das alterações do clima, do solo, dos recursos hídricos, seleccionar as variedades que melhor se adaptam aos climas quentes e secos e menos exigentes em água. Acentua-se a importância da gestão racional da água, através de sistemas eficientes de armazenamento, transporte, distribuição e aplicação, nomeadamente com a instalação de regadios mais eficientes, a modernização dos regadios existentes e inovação tecnológica.
Também a actividade piscatória será afectada pelas alterações na temperatura da água do mar e por possíveis alterações na zona costeira determinadas principalmente pela subida do nível das águas, afectando as zonas estuarinas, como por exemplo o Tejo e o Sado, as Rias de Aveiro e Formosa que são importantes zonas para o desenvolvimento de espécies e que poderão vir a comprometer as mesmas.
A indústria será potencialmente afectada pelos efeitos das alterações climáticas nos recursos hídricos, principalmente os sectores da indústria que dependem de grandes consumos de água e/ou que dependem de matérias-primas afectadas pelas alterações climáticas, como por exemplo, produtores de água engarrafada, bebidas e refrigerantes, as agro-indústrias e as indústrias de base florestal (pasta e papel, cortiça e madeira).
O abastecimento de água para consumo humano também poderá se encontrar comprometido no que diz respeito à qualidade da água, podendo provocar doenças como diarreia e cólera, caso não exista um adequado controlo da qualidade da água e um adequado tratamento. Também poderão ocorrer surtos de doenças de origem alimentar devido a eventuais períodos de seca prolongada e consequente aumento dos níveis de poluição da água e crescimento de agentes patogénicos.
O impacto das alterações climáticas nos recursos hídricos afecta igualmente a saúde dos ecossistemas, a redução da disponibilidade de água e o aumento da temperatura da água o que poderá afectar o normal desenvolvimento das espécies. O aumento da temperatura da água, também poderá provocar impactes negativos no processo de refrigeração das centrais termoeléctricas, devido à maior dificuldade no cumprimento de normas ambientais, ao aumento dos caudais de descarga e de alteração na qualidade da água, principalmente no que diz respeito à temperatura da água de descarga.
De acordo com o ponto 6, da RCM nº 24/2010, a resposta às alterações climáticas é formada por um conjunto de acções consecutivas, que envolve a definição dos cenários climáticos socioeconómicos, a identificação dos riscos e dos impactes inerentes às alterações climáticas, a gestão de medidas de adaptação e de mitigação de acordo com os riscos determinados, a avaliação e revisão das estratégias adoptadas para readaptação e a determinação da eventual necessidade de efectuar alterações e correcções às mesmas. Este é um processo dinâmico, que exige a contínua identificação dos perigos e riscos e da adopção de medidas de adaptação adequadas à realidade.
Segundo a Comissão para as Alterações Climáticas (CAC, 2009), a operacionalização da ENAAC e a consequente implementação de medidas não depende somente do Governo mas de diversos actores públicos e privados e dos cidadãos, ou seja exige o envolvimento de um vasto conjunto de sectores e uma abordagem integrada nas acções a desenvolver referidas anteriormente. Para alcançar uma abordagem conjunta, o Governo deve fomentar uma integração progressiva das medidas de adaptação às alterações climáticas nas políticas sectoriais, nomeadamente, nas políticas de ocupação do solo, económicas, sociais, incluindo a actualização de normas e regulamentos.
Assim, as Autoridades e Autarquias devem utilizar o conhecimento local, as organizações devem realizar análise de risco relacionadas com as alterações climáticas
e integrarem os resultados obtidos nas suas estratégias e medidas, os cidadãos devem adoptar os seus padrões de comportamento, por forma a aumentarem a sua capacidade de colaboração e de resposta a emergências relacionadas com o clima, assim como a adopção de práticas que contribuam para o combate e capacidade de resiliência às alterações climáticas.
Para uma efectiva implementação da ENAAC, foi necessário criar uma estrutura organizacional composta por um Grupo de Coordenação, Comité Executivo (CECAC), Grupos de Trabalho Sectoriais e Painel Científico. O organograma da Figura 12 evidencia como é a interacção entre os diferentes grupos de trabalho.
Figura 12 - Organograma para o desenvolvimento e implementação da estratégia
Fonte: Comissão para as Alterações Climáticas, 2009, p.32
III.3. Entidades Governamentais com responsabilidades na gestão dos Recursos