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4. ALTI SĐGMA VE DĐĞER KALĐTE KAVRAMLAR
É nesse cenário de crescimento econômico, fluxo imigratório e consolidação da republica que desembarcam no Brasil os primeiros pentecostais, vindos dos EUA. Na leva de 1910 estavam Gunnar Vingren e Daniel Berg que em breve fundariam a Assembléia de Deus na Região Norte do Brasil e Luigi Francescon que assentaria os alicerces da Congregação Cristã no Brasil na Região Sudeste.
2.2.5.1 Fatores que Favoreceram os Primeiros Pentecostais no Brasil
Tem-se pesquisado sobre os possíveis fatores que cooperaram com o sucesso dos primeiros pentecostais no Brasil em fazer prosélitos. Interessam à presente pesquisa as formulações em que há cuidado com as condições e efeitos concretos na vida social60 sem
preocupação com a essência do pentecostalismo. Dentre muitas, pode-se citar alguns formulações mais próximas às questões religiosas da época. Um dos primeiros fatores que se pode apontar, que facilitaram o trabalho dos primeiros pentecostais, é o amplo espaço de atuação que encontraram ao chegar Brasil. Kidder (1980, p. 269), em sua pesquisa, revela um grande espaço vazio que a Igreja Católica não ocupava. Tal lacuna favorecia a superstição e uma situação religiosa de desalento. Considera o autor:
Em poucos assuntos observa-se tão completa unanimidade de vista entre escritores brasileiros, como no que respeita ao estado religioso do país. Particulares e eclesiásticos, estadistas, comerciantes e políticos, todos concordam que a situação religiosa é a mais baixa e desanimadora possível.
No Pará, estado escolhido por Vingren e Berg para se fixarem, a situação da Igreja Católica é também descrita por Kidder como alarmante. Há falta de clérigos, não há planejamento para formação de novos clérigos e algumas paróquias, em 1840, já estavam há
60 Para Max Weber o interesse no estudo da religião não deveria ser com sua essência, mas sim com suas
doze anos sem vigário. “A região do Rio Negro compreende quatorze aldeamentos e dispõe de um único padre”. No relato de Kidder encontram-se ainda muitos exemplos, mas cabe ressaltar o Pará. Nas três comarcas de Belém, no baixo e no Alto Amazonas, existiam, na mesma época, trinta e seis paróquias vagas.
Outro fator que cooperou a favor dos primeiros pentecostais no Brasil é a seletividade na atuação da Igreja Católica em função da composição da sociedade brasileira. Vieira (1980, p. 237) apresenta um levantamento aproximado da composição racial da população brasileira em 1858, que pode servir de base para estimativas do Pará em 1910. A pesquisa feita Dr. Robert Ave-Lallemant61 revela que somente 22% da população do Império era branca. Os
88% restante, no geral, não contava com a assistência da religião oficial do Estado. E quando um clérigo era obrigado a realizar um serviço religioso para um negro, ficava estampada a desconsideração. Para exemplificar a questão, cita-se o relato de Agassiz (1975, p. 95) sobre uma cerimônia de casamento que o pesquisador assistiu no Rio. O sacramento fora encomendado por um senhor escravista que queria ver seus escravos casados na Igreja Católica:
O padre, um português de ar arrogante, olhar ousado, interpelou os noivos, e, com a precipitação menos respeitosa, lhes dirigiu algumas rudes palavras sobre os deveres do matrimônio, interrompendo-as várias vezes para censurar a ambos, e principalmente a ela, porque não praticava os ritos com tanta rudeza e brutalidade como ele. Mais com tom de imprecação do que de prece, ordenou-lhes que se ajoelhassem diante do altar; depois, tendo dado a bênção, rugiu um amém, jogou ruidosamente o livro das orações sobre o altar, apagou os círios e despediu os recém-casados da mesma forma que teria expulsado um cão para fora da capela.
Ao chegarem ao Brasil, Vingren e Berg encontraram espaço para atuação não só deixado pela Igreja Católica, mas também pelos protestantes de missão que estavam no Pará. Kidder esteve no Pará em 1839, fez contatos com autoridades locais e distribuiu algumas Bíblias, abrindo o caminho para outros missionários no futuro. Em 1880 o pastor metodista Justus H. Nelson chegava ao Pará para organizar a Igreja Metodista Episcopal em 1890. Em 1892 publicou um artigo no jornal metodista e distribuiu folhetos em que combatia o que dizia ser a idolatria dos católicos. Justus ficou preso por mais de quatro meses. Em 1896, retornou aos EUA. Retornou ao Brasil, mais tarde, onde permaneceu até 1926, quando retornou novamente para os EUA, mas antes de partir “entregou ao pastor Manuel Tertuliano
Cerqueira, da Primeira Igreja Batista do Pará, suas poucas ovelhas para não ficarem desgarradas e sem orientação espiritual” (Long62 in Almeida, 1977, p. 17).
2.2.5.1.1 Primeira Igreja Batista do Pará
A Primeira Igreja Batista do Pará — PIBPA — foi fundada em 1897 pelo missionário Eurico Alfredo Nelson (1876-1923) que iniciou seus trabalhos no Pará em 1891. Almeida (1977, p. 18) conviveu com Eurico Nelson a partir de 1921 e o apresenta como um senhor de 58 anos, “bastante forte e de ânimo inquebrantável”. Seu traço marcante de não se impor, lhe rendeu resultados negativos, isto pela “falta de decisões que tantas vezes chegou a desanimá- lo”. Outra característica de Eurico Nelson, que irá facilitar a entrada dos pentecostais no Pará, é o entendimento sobre sua missão, percorria as terras da Região Norte do Brasil e pouco ficava na PIBPA. Como resultado da ausência de Nelson, a igreja enfrentava graves crises. O problema comum, encontrar líderes63 capazes que se pusessem à frente do trabalho diário da
igreja. Na falta de pastores, os moderadores leigos assumiam o controle. Em 23 de junho de 1910, ano da chegada de Vingren e Berg, chegava a Belém, vindo de Portugal, Jerônimo Teixeira de Souza para assumir como co-pastor da PIBPA, pastoreada por Almeida Sobrinho.
Em julho chegava, mais reforço, João Jorge de Oliveira que regressava dos EUA, onde fora estudar. Depois de problemas internos envolvendo violação de correspondência, João Jorge resolve abrir uma congregação na Cidade Velha e leva consigo vários membros da PIBPA. Em novembro de 1910, Sobrinho deixa a PIBPA e assume o co-pastor em meio a dificuldades de uma igreja dividida. Em janeiro de 1911 Jerônimo Teixeira de Souza deixa o cargo de pastor (Almeida, 1977, p 49). A igreja volta a ser dirigida por um moderador leigo. João Jorge deixa a congregação de Vila Velha em abril de 1911. E é na ausência de Eurico Nelson, em que a igreja encontra-se dirigida por um moderador leigo, diácono José Baptista de Carvalho, que os pentecostais chegam ao Pará e procuram a igreja batista. De acordo com a Ata n. 216 da PIBPA, Vingren é recebido oficialmente para fazer parte da igreja no dia 03 de março de 1911. No mesmo dia o moderador pede exoneração do cargo. Berg foi
61 AVÉ-LALLEMANT, Robert. Viagem pelo sul do Brasil no ano de 1858. Rio: Instituto Nacional do livro,
1953. 2 vol.
62 LONG, Eula Kennedy. De meu velho baú metodista. São Paulo: Imprensa Metodista, 1968.
63 No endereço eletrônico da Primeira Igreja Batista do Pará pode-se encontrar um relato com as datas e os
líderes em cada período. Pode-se perceber que na época que antecede e na chegada de Vingren e Berg houveram várias trocas de liderança. http://www.pibpa.org.br/nossaigreja/?id=pastores
apresentado para fazer parte da igreja em 12 de março de 1911 (PIBPA, Ata n. 217) sob moderação do diácono José Plácido da Costa.
Luigi Francescon converteu-se à fé evangélica em 1892 na primeira Igreja Presbiteriana Italiana em Chicago. Em 1907, Francescon juntou-se ao Movimento Pentecostal de William Durham. Em 1910, Francescon chegou ao Brasil, procurando sem tardar uma igreja Presbiteriana em São Paulo. Sem sucesso procurou prosélitos junto a imigrantes italianos e migrantes nordestinos (Mendonça, 1977, p. 157). Sem tardar inicia sua diligente pregação fazendo 11 prosélitos que logo foram batizados.