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ALTI SĐGMA ĐÇĐN TASARIM (DFSS)

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6. ALTI SĐGMA ĐÇĐN TASARIM (DFSS)

Nas eleições presidenciais de 1994 o pastor José Wellington Bezerra da Costa apoiou o candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso. Nos cultos da Assembléia de Deus no Belenzinho, SP, o sacerdote pentecostal fazia questão de frisar que nas eleições os fiéis deveriam estar atentos para saber diferenciar a esquerda da direita. Em tom de brincadeira, enquanto falava, levantava a mão esquerda e a direita para reforçar suas instruções. A campanha das lideranças mostrou-se eficaz quando constatou-se, mais tarde, que o candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o menos votado pelos pentecostais. O Mensageiro da

Paz, no entanto, permaneceu calado. Não houve a mínima cobertura da participação dos

políticos assembleianos na campanha eleitoral. Suas páginas se ativeram à linha editorial

80 O plano foi idealizado para ser implementado em três fases: de dez. 93 a fev. 94: realização do ajuste

fiscal; de março a junho de 94: adoção da URV (Unidade Real de Valor - serviu como moeda de referência para conversão Cruzeiro/Real); e, finalmente, a partir de julho de 94: reforma monetária – transformação da URV em Real.

clássica de 1930. Na legislatura iniciada em 1994, quase 5% da Câmara dos Deputados era evangélica, mas o jornal não apresentou os eleitos para a gestão de 95 a 98.

Em janeiro de 95, porém, o Mensageiro da Paz rompeu o silêncio, de mais de três anos, com o artigo de Leclerc Victer Caitano, com o título 1995: o Evangelho pode restaurar

o Brasil. Caitano, no início do texto, ao mencionar o “Plano Real, o tetracampeonato mundial

de futebol e a interferência do Exército nas favelas do Rio de Janeiro”, classifica essas figuras de discurso como “boas situações”. Ou seja, para o autor o Plano Real e o desvio de função do Exército estão no mesmo nível das ações políticas efetivas para combate à violência e a miséria. No percurso narrativo expõe, segundo ele, fraudes eleitorais, aumento do índice de criminalidade e corrupção para pintar um quadro de desesperança. Busca, ainda, nos dados eleitorais de 1994 dados para embasar sua argumentação de que “o brasileiro acabou se enchendo de desesperança”. Para o articulista: “nunca se viu em nosso país um índice tão alto de votos nulos e brancos como no pleito do ano passado”. Sabe-se que nas eleições de 94 para presidente da República o índice de abstenção foi de 17,7%, votos brancos: 9,3%, e votos nulos: 9,6% (Nicolau, p. 1998, p. 28).

Caitano defende a idéia de que, a despeito da desesperança, é possível “restaurar” a nação brasileira que é comparada ao vale de ossos sequíssimos (Ez 37. 3,4). No encadeamento lógico do artigo, o leitor é levado ao desejo de interceder pela Nação nos moldes de Salomão81. Na organização discursiva, Caitano conduz o leitor a crer nos valores do

“destinador” — para se valer do termo apresentado por Barros (2005, p. 28) — para que se deixe manipular. Por fim, Caitano apresenta os “frutos da intercessão”, em uma tipologia da Sedução (op. cit., p. 29), afirmando que “todos tomamos conhecimento das conversões ao evangelho de alguns expoentes do mundo artístico e cultural, do meio político e da alta sociedade, gente considerada quase inalcançável”. Usando funções da linguagem expressiva/emotiva e conotativa/apelativa, Caitano envolveu o leitor diretamente no processo de comunicação em um típico texto persuasivo e sedutor, característico da propaganda e da política. A eficácia da manipulação fica por conta do sistema de valores pentecostais

81 Rei de Israel e de Judá que, segundo a Bíblia (1 Reis, 1 e 2 Crônicas), governou com sabedoria mantendo

um estado de paz. Seu reino atraía outros povos ao seu redor por suas riquezas e prosperidade. Sob seu reinado foi construído o Templo de Jerusalém. Salomão pediu a sabedoria que lhe garantiu as realizações, fama internacional e o trono. Mas o mesmo Salomão (1 Reis 9 a 11.8) abandonou a fé. Gardner (2000, p. 573) apresenta Salomão como tendo sido “o monarca mais bem sucedido do mundo, mas sua vida não foi considerada um sucesso em termos de verdades eternas. Ele é um exemplo, copiado, repetidamente de forma lamentável, de uma pessoa que fracassou em manter-se fiel a Deus até o fim”.

compartilhado por Caitano e o leitor do Mensageiro da Paz. Na parte final do artigo, Caitano afirma:

Os evangélicos que vêm primando pela ética em suas normas de ação e pela unidade do corpo de Cristo como pressuposto fundamental para o estabelecimento do Reino de Deus, e assumindo a forma coerente e organizada seu papel de agente transformador da sociedade, no combate à fome, à violência e à corrupção, têm conquistado o respeito de autoridades e da imprensa e, junto a elas, ganham espaços significativos para expor suas idéias (sic).

Sem medo de errar, podemos dizer que esses são apenas indícios da grande obra que Deus há de operar em nossa nação através da sua Igreja.

Continuemos pregando a Palavra de Deus, levando os brasileiros a restauração da alma, corpo e espírito e bombardeando os céus com nossas orações até que o Senhor sare nossa terra.

Certamente, através de mim e de você, o reino de Deus será estabelecido e suas verdades serão vividas em todos cantos deste imenso país! Deus esteja com você! Deus esteja com o Brasil! Que 1995 seja um ano pleno e restaurador!

Quando se encontra o nível temático: os evangélicos como agentes transformadores da sociedade, pode-se recair no erro de concluir que o texto encerra-se com a apresentação de uma nova componente teórica da teologia-pastoral na AD. Como pré-milenista, a AD, historicamente militou para ganhar quantas almas fosse possível antes da Grande Tribulação. O aspecto imanente do reino de Deus, para a AD, é a Igreja como meio da revelação de Deus na terra, que não encerra em si uma dimensão transformadora da realidade social. Para Caitano, no entanto, o estabelecimento do reino de Deus pressupõe atitudes éticas, unidade da Igreja e evangélicos que combatam a fome, a violência e a corrupção. Dessas ações adviriam as transformações na sociedade. No entanto, o autor do artigo, não atribui aos evangélicos papeis de agentes políticos de uma dimensão política do Reino. A transformação da sociedade se daria a partir do exemplo pessoal e pela intercessão, o que, em última análise, culminaria com, cada vez mais, pessoas abraçando a fé cristã. Trata-se de uma visão clássica da filosofia política e parcial de reino de Deus.

3.2.2.1 Dimensão Política do Reino de Deus

Para Sathler-Rosa (2004, p. 76), a dimensão política do reino de Deus pode ser entendida como transformação social expressa no conteúdo político-religioso inerente do reino de Deus. Argumenta o autor: “Os profetas enfatizaram que Deus via a sociedade como um todo. Apresentaram, então, uma ideologia política articulada com a fé religiosa”. Ou seja,

o reino de Deus implica em vínculos entre fatores religiosos e fatores sociais que pretendem um alcance transformador da sociedade, sem, no entanto, atribuir direitos divinos à autoridade política.

3.2.2.2 O Bem Supremo e a Pluralidade Cultural

A filosofia clássica, quando desenvolvida, partiu do pressuposto que as sociedades comungavam de uma concepção de bem, esta concepção era compartilhada por todos. Os filósofos políticos dessa época desenvolveram uma filosofia com o foco principal no que identificaram como o bem supremo. Logo a filosofia política clássica tinha como uma de suas tarefas a identificação do bem supremo e a partir do reconhecimento “do bem supremo” desenvolver propostas de formas de organização política que melhor conduzisse a um modo mais excelente de vida. Desde Platão, passando por Agostinho e Thomas de Aquino a filosofia política clássica é pensada segundo uma concepção de bem que norteia a vida dos indivíduos por ser um “bem supremo” que é o modo mais excelente através do qual os homens em comum realizam aquilo que de mais nobre e excelente podem aspirar para suas vidas. Na Cidade de Deus, obra de Agostinho, tem-se claramente a idéia de que os indivíduos devem dividir valores em comum e fazer com que nessa existência a Cidade Celeste possa estar presente em meio aos defeitos e vícios da natureza humana.

Atualmente não há consenso sobre as concepções de bem. Entre os indivíduos de uma sociedade há uma irredutível e intransponível barreira entre as noções, o modo de ver e de definir o conceito de bem. A sociedade moderna é caracterizada pelo pluralismo das formas de vida. Portanto seria desejável uma ideologia política articulada com a fé religiosa, que implique em vínculos entre fatores religiosos e fatores sociais com alcance transformador da sociedade. Na dimensão política do reino de Deus deve-se articular uma teoria política, que leve em consideração a pluralidade cultural, que aponte princípios políticos e ação pastoral viável.

Benzer Belgeler