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3. ALTI SĐGMA ALTYAPIS

Em 1859, Ashbel Green Simonton foi enviado ao Brasil pela Junta das Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana nos EUA. Ashbel teve uma experiência religiosa durante um avivamento em 1855. Estudou com Charles Hodge, no Seminário de Princeton, que despertou o seu interesse pela obra missionária. Em 1862 organizou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Simonton criou o jornal Imprensa Evangélica (1864), organizou o Presbitério do Rio de Janeiro (1865) e fundou o Seminário Primitivo (1867) em Campo de Santana. Em 1865 foi criado o primeiro Concílio do Presbitério do Rio de Janeiro, após a organização das três primeiras igrejas Presbiterianas no Brasil: Rio, São Paulo e Brotas. Teve como membros fundadores os missionários: Simonton, Alexander Latimer Blackford e Francis J. C. Schneider. No mesmo ano, o ex-padre José Manoel da Conceição foi ordenado para o presbitério. Conceição viajou pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro, passou por lugares onde antes havia sido pároco. Em brotas obteve sucesso na sua atividade diligente de fazer prosélitos. O sucesso só não foi maior, segundo Hauck et alii (1992, p. 246), porque na sua abnegação extrema, abriu um campo missionário após o outro sem planejamento e com muitas dificuldades de comunicação com Presbitério, “e estes em muitos casos não tinham maneira de canalizar o movimento que Conceição havia desencadeado”.

Simonton, precursor da Igreja Presbiteriana no Brasil, faleceu em 1867 e foi um dos primeiros a ser sepultado no, ainda recente, Cemitério dos Protestantes, no bairro da Consolação. “Anos depois, foram sepultados perto dele os ossos do ex-sacerdote Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873), o primeiro pastor evangélico brasileiro” (IPB).

2.2.2.1 Protestantismo Continua Ganhando Espaço

O protestantismo brasileiro continuou ganhando espaço no campo de batalha47 das

relações de força com a religião oficial. Começa a esmaecer o protestantismo de imigração que não apresenta fortes traços de agressividade ou controvérsia onde os imigrantes evangélicos estavam ligados à sua religião como veículo de identidade cultural e o proselitismo não fazia parte dos objetivos da comunidade. O sistema jurídico brasileiro se abria progressivamente ao protestantismo e algumas igrejas iam se formando e tomando forma. Em 1845, a igreja franco-alemã do Rio de Janeiro, já possuía uma fachada que a apresentava como templo de culto. A Bíblia ladeada por dois cálices na frente do templo foi o recurso para contornar a proibição de que o local do culto dos protestantes não poderia ter forma exterior de templo. Em 1863 a legislação, agora, permitia aos ministros das religiões acatólicas o direito de celebrar casamentos com efeitos legais. Podia-se registrar os filhos de protestantes, o óbito e posterior sepultamento em lugar apropriado (Hauck et alii, 1992, p. 247).

2.2.2.2 Reação do Jornal O Apóstolo ao Avanço do Protestantismo

Enquanto o protestantismo ganhava espaço, o café seguia sua marcha de expansão para o Oeste Paulista e os movimentos abolicionistas ganhavam aceitação. Surgiam propostas de uma abolição gradual da escravatura e um acontecimento marcou o Segundo Império: A Guerra do Paraguai (1864 – 1870). Pela historiografia brasileira o conflito resultou da “megalomania e dos planos expansionistas do ditador paraguaio Solano Lopes”, pelo lado paraguaio a guerra foi o resultado da agressão de vizinhos poderosos a um pequeno país independente (Fausto, 2004, p. 208). Mas para os articulistas do jornal católico publicado na Corte, O Apóstolo, os culpados pela Guerra do Paraguai eram os protestantes. O combate dos católicos aos protestantes podia ser acompanhado através do jornal em seus artigos e editoriais. A principal estratégia usada pelo jornal foi a publicação de severas críticas aos supostos personagens, Cabrera e dois calvinistas suíços, que teriam espalhado o protestantismo pelo Paraguai. “Por esta razão, os paraguaios, que sempre tinham sido bons

47 Na sociologia dos sistemas simbólicos de Bourdieu, a simbolização e suas bases sociais são revisitadas.

Em A economia das trocas simbólicas, a sociedade é interpretada como um campo de batalha operando com base nas relações de força manifestadas dentro da área de significação.

católicos, haviam-se transformado em animais selvagens e tinham invadido o Brasil”, segundo O Apóstolo48 (apud Vieira, 1980, p. 210).

A Guerra do Paraguai despertou o interesse de emigração de ex-combatentes da Guerra de Secessão, nos EUA, para auxiliar o Brasil. Enquanto para o Império o reforço era visto com bons olhos, para os católicos era uma ameaça de invasão protestante. Os editoriais reforçavam a tese do bispo Dom Antônio de Macedo Costa de que o protestantismo era “o germe da morte, que não poderia produzir nada a não ser a dissolução de nossa unidade política e religiosa49”. Pouco a pouco os ultramontanos ganharam força no campo de batalha

religioso-político e apoiados pela Encíclica Quanta cura e o Sílabo dos Erros, promulgado por Pio IX, se lançaram na empreitada de marginalizar os protestantes. Vieira (1980, p. 37-38) salienta que em 1870 “os ultramontanos dominavam o clero brasileiro, tendo, de há muito, suplantado o jansenismo e o catolicismo liberal de todos os tipos”. Se por um lado o protestantismo se expandia em terras brasileiras pelos trabalhos de missão, por outro lado, os conservadores da Igreja Católica se estabeleciam no controle da igreja brasileira, dos seminários e obtinham vitórias políticas, entre elas o Decreto n. 1.911 de 28 de março de 1857 que permitia punir qualquer clérigo sem direito a apelar à Coroa.

2.2.2.3 Confederados no Brasil

O protestante James Cooley Fletcher estava empenhado no compromisso de trazer os confederados50 para o Brasil. Em 1865 foi aprovada a lei de subsídio para construção da linha

a vapor51 que Fletcher, envolvido na aprovação, esperava servir para transportar os imigrantes

vindos do sul dos EUA. A cidade de Santa Bárbara d´Oeste e, depois, Americana, no Estado de São Paulo, são frutos desse esforço. Estima-se que entre 1867 e 1871, pelo menos, três mil

48 O Apóstolo era um instrumento de divulgação dos ideais ultramontanos. Publicado de 1866 a 1901. O

artigo citado encontra-se no Apóstolo de 25 de agosto de 1867 sob título: A Colonização e a Religião Católica no

Brasil.

49 Publicado em A Estrela do Norte, Belém, 30 de agosto de 1863 (apud Vieira, 1980, p. 210).

50 A proposta era a da vinda para o Brasil dos veteranos da Guerra da Secessão que lutaram pelos Estados

Confederados da América e todos os interessados em construir a nova Virginia em terras brasileira. A Confederação foi criada em 1861 pelos estados separatistas do sul, insatisfeitos com a eleição em 1860 do presidente abolicionista Abraham Lincoln.

51 A Companhia Ferry (1862) do acionista Tomas Rainey ampliava os contratos de concessão para as linhas a

famílias de confederados desembarcaram no porto do Rio de Janeiro. Mas a maioria retornou para os Estados Unidos pouco tempo depois. Santarém também recebeu os confederados. Fletcher concentrava seus esforços no estreitamento das relações entre Brasil e os EUA. Nos EUA, divulgou o Brasil através do livro: Brasil e os brasileiros, publicado em 1856.

Benzer Belgeler