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ALT İŞVERENLİK SORUNUNA YÖNELİK ÇÖZÜM ÖNERİLERİ

DÖRDÜNCÜ BÖLÜM

C- ALT İŞVERENLİK SORUNUNA YÖNELİK ÇÖZÜM ÖNERİLERİ

A fase central dos procedimentos de análise dos dados principais compreendeu os seguintes passos: a) visualização das gravações das sessões orais que compõem o banco de material documentário e, b) concomitantemente, transcrição das sessões das duplas focais desta pesquisa. O processo de visualização e de transcrição foi importante para uma primeira compreensão da dinâmica interativa entre os pares das duplas focais.

O primeiro procedimento de análise dos dados foi desenvolver um panorama das principais rotinas interativas pressupostas na sessão oral em teletandem. Para tanto, foram destacados (a) o uso separado das línguas, (b) recursos multimodais utilizados (chat, imagens, entre outros), (c) avaliação da sessão e (d) temas das sessões. Essa análise foi realizada em decorrência da visualização das gravações, transcrição e leitura das sessões orais. Por meio da observação prévia das transcrições, as categorias destacadas se mostraram importantes para contextualizar as principais circunstâncias interacionais em teletandem e as dinâmicas interativas construídas pelos interagentes. Isso porque elas correspondem a alguns dos principais aspectos estruturantes da prática comunicativa em teletandem e que o diferencia, de diversos modos, de outros contextos de comunicação intercultural.

A relevância dessa caracterização prévia para a compreensão da negociação de sentidos e possível emergência de mal-entendidos pode ser explicada pela especificidade do tipo de relação interpessoal que se estabelece em teletandem. As rotinas pressupostas nesse contexto, embora possam ser compreendidas de diferentes formas, podem moldar a concepção geral da parceria e as estratégias de negociação de sentidos e abordagem de mal-entendidos. Nesse sentido, embora mal-entendidos sejam um fenômeno intrínseco a qualquer situação comunicativa, sua ocorrência de modo declarado pode ser evidenciada e negociada a partir do tipo de relação entre os interagentes ou importância para a continuação do diálogo e da parceria. Portanto, foi empreendida uma análise prévia descritiva, sem aplicação do aparato da ACD e das categorias de identificação de mal-entendidos, de modo sistemático. A utilização da ACD e a identificação dos mal-entendidos foram feitas nos itens subsequentes na análise com uma retomada aos aspectos identificados na caracterização prévia, conforme necessário.

O uso separado das línguas foi identificado por meio da leitura das transcrições e divisão do número de palavras no tempo de cada língua e a partir da identificação do momento em que os interagentes fazem a troca, por motivação própria ou orientados pelas mediadoras. Após a identificação do momento de separação do tempo para cada língua, foi

efetuada uma contagem média do número de palavras utilizadas por cada interagente. Essa contagem foi efetuada para identificar uma possível predominância de um ou outro interagente na produção oral durante a sessão. Os resultados foram organizados no Quadro 9, apresentado no capítulo de análise, com identificação de mistura de línguas quando esse se mostrou um recurso sistemático, ou seja, utilizado do início ao fim da sessão oral, na condução do diálogo.

Para identificação dos recursos multimodais utilizados (chat, imagens, entre outros), foi realizada, primeiramente, a descrição, nas transcrições, de atividades dos interagentes que indicavam a divisão do foco de atenção ao diálogo e a atividades paralelas como digitação, pesquisa, dentre outros. Em seguida, foram selecionados excertos ilustrativos dessas atividades para análise descritiva.

A descrição da avaliação da sessão também foi efetuada por meio da seleção de excertos ilustrativos, com base na ocorrência dessas atividades nas sessões. Foram considerados os momentos explícitos ou implícitos de negociação sobre a própria parceria, iniciados pelos interagentes ou motivados pelas mediadoras.

A identificação dos temas das sessões foi realizada por meio de seleção e marcação, nas transcrições, dos principais temas∕ assuntos abordados pelos interagentes. A seleção dos temas se deu com base em uma perpectiva qualitativa sobre as transcrições. Portanto, o objetivo foi estabecer um panorama geral sobre os tipos de conteúdos abordados, para auxiliar na compreensão inicial de como as parcerias são constituídas. Os principais temas destacados foram organizados em ordem de ocorrência em um quadro ilustrativo apresentado na seção 3.1 da análise.

Para identificação dos mal-entendidos, dos processos de negociação de sentidos e seleção dos excertos, por sua vez, foram considerados, primeiramente, momentos de negociação explícita ou de identificação de mal-entendidos pelos interagentes (mal- entendidos declarados, segundo Hinnenkamp, 2002, 2003 e Linell, 1995) ou “pontos críticos” ou “momentos de crise”, do ponto de vista do pesquisador, ou seja,

[...] momentos do discurso onde há evidência de que as coisas estão caminhando de maneira errada: algum distúrbio a exigir que os participantes reparem um problema de comunicação, por exemplo, mediante solicitações ou ofertas de repetições, ou mediante a correção de um(a) participante por outro(a); disfluências excepcionais (hesitações,

repetições) na produção de um texto; silêncios; mudanças súbitas de estilo. (FAIRCLOUGH, 2001, p. 281)

A partir desses tipos de indícios, dos quais os mais evidentes são destacados em negrito nas transcrições de cada dupla, os excertos foram selecionados e analisados. Para análise dos excertos das duplas foi utilizada a concepção tridimensional do discurso (FAIRCLOUGH, 2001) e o escopo dos mal-entendidos declarados, velados ou latentes (HINNENKAMP, 2002, 2003; LINELL, 1995).

A junção da perspectiva linguística, discursiva e social da ACD à categorização de mal-entendidos declarados, velados ou latentes ocorre de modo complementar e independente no processo de análise dos excertos destacados. A ACD possibilita uma compreensão da natureza da negociação de sentidos e a caracterização contextual de mal- entendidos em relação ao aspecto linguístico e sócio-discursivo da produção oral. A categorização de Linell (1995) e Hinnenkamp (2002, 2003) visa uma problematização dos mal-entendidos no nível comunicativo de identificação ou não desse fenômeno pelos interagentes ou pela pesquisadora. Portanto, a utilização das duas perspectivas objetiva construir uma análise ampla sobre mal-entendidos e sobre os processos de negociação e construção de sentidos.

A seguir, apresento uma ilustração que sintetiza os principais aspectos e processos explorados na análise de cada um dos níveis das duas abordagens para análise dos excertos selecionados nas transcrições.

A análise das narrativas de mal-entendidos do segundo grupo de participantes de pesquisa (dados secundários) é realizada de modo interpretativo (MOITA LOPES, 1994). O foco dessa análise é complementar a análise principal (transcrições). Tal foco visa estabelecer um diálogo entre os aspectos observados nas interações das duplas focais e o que os interagentes do segundo grupo identificam como mal-entendidos e como produzem sentidos sobre eles. Além disso, a análise desse grupo de dados possibilita uma compreensão mais ampla do fenômeno dos mal-entendidos no contexto teletandem, uma vez que, quando perguntados diretamente sobre o que compreendem por tais ocorrências, os participantes da pesquisa descrevem tal percepção de modo mais claro, reportando-se a suas experiências de interação.

O foco interpretativo na análise desse grupo de dados visa destacar as percepções dos interagentes em relação à emergência de mal-entendidos em suas interações. Esse objetivo atende a uma das principais questões do pesquisador qualitativo, que, segundo Woods (1999, p. 3), “busca descobrir os significados que os participantes anexam ao seu comportamento, como eles interpretam situações e quais são suas perspectivas de questões particulares”. Dada a natureza complementar e independente das narrativas em relação aos dados focais, sua análise não tem como objetivo estabelecer relações de triangulação com os aspectos analisados nas transcrições, mas de diálogo.31

Segundo Moita Lopes (1994), a análise interpretativa,

pode ser resolvida através de uma tática de análise de dados que primeiramente trabalha com base na procura das regularidades que surgem nos dados (padrões de unidades de significados) e que possibilitam a formação de um arquivo de dados, relacionados à(s) questão(ões) sob análise, que podem ser então novamente re-interpretados a partir do confronto com dados provenientes de outros instrumentos ou de novas investigações. (MOITA LOPES, 1994, p. 335-336)

Portanto, para análise das narrativas, primeiramente, elas foram agrupadas nos seguintes eixos temáticos: a) nível de proficiência, b) mal-entendidos linguísticos, c) conflitos e choques, d) estratégias de negociação de face (mudança de assunto, estratégias de comunicação e proteção da face). Esses eixos temáticos foram estabelecidos a partir da recorrência desses temas nas narrativas, por referências explícitas ou implícitas que os

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A mudança metodológica de análise das narrativas se dá pelo caráter complementar desse segundo grupo de dados e tendo em vista a construção de uma perspectiva diversificada sobre os dados. No entanto, a ACD também pode possibilita análises profundas e abrangentes para a análise desses tipos de dados.

aproximam na caracterização dos mal-entendidos. A partir desse agrupamento, os excertos foram analisados com foco no que emerge nessas narrativas como possíveis mal-entendidos. Portanto, para essa análise, não foi utilizada a categorização de Linell (1995) e Hinnenkamp (2002, 2003), pois as narrativas constituem uma reflexão posterior na qual os próprios interagentes produzem sentidos sobre suas percepções sobre mal-entendidos. Assim, por meio dessas percepções, não é possível identificar os processos de emergência e negociação desse fenômeno, propósito para o qual a categorização pode ser utilizada.

A seguir, apresento uma síntese das principais referências nas narrativas que orientaram a organização dos eixos temáticos para a condução da análise interpretativa.

Quadro 8: Excertos estruturadores da organização temática das narrativas a) Nível de proficiência

N1 – Mica: “A moça já esteve no Brasil [...] e fala muito bem o português, mas o rapaz ainda é iniciante [...] creio que por isso nossas interações estão mais sujeitas ao mal-entendido.”

N2 – Leda: “Meu parceiro é iniciante em português e talvez por isso chegue com várias perguntas prontas.”

N3 – Drica: “Quando uma das partes conhece bem a outra língua é mais fácil de resolver esses problemas.”

b) Mal-entendidos linguísticos

N6 – Dhiego: “Um dos mal-entendidos perceptíveis durante as sessões refere-se à natureza linguística da não-equivalência semântica com a palavra TEMPO em português para o inglês [...] O parceiro confundiu, portanto, os significados, devido ao caráter homógrafo da palavra.”

N9 – Denise: “Na interação com Truman, meus desentendimentos foram linguísticos.”

N7 – Gabriel: “Quando falei pinga elas começaram a dar risadas [...] em espanhol é um nome vulgar para o aparelho reprodutivo masculino.”

c) Conflitos e choques

N9 – Denise: “Um dos meus maiores desentendimentos [...] acho que depois desse “choque” ele começou a pensar diferente.”

N10 – Antonio: “A minha polêmica foi na verdade um mal-entendido. [...] minha interlocutora julgou que meu discurso, supostamente baseado em estereótipos, foi racista e falso. Esse fato me incomodou profundamente [...]”

d) Estratégias de negociação de face (mudança de assunto, estratégias de comunicação e proteção da face)

N2 – Leda: “Meu parceiro é iniciante em português e talvez por isso chegue com várias perguntas prontas. Algumas vezes não entende o que eu falo em português e quando tento explicar, muda de assunto.”

N5 – Rosa: “[...] minha parceira não tinha entendido uma palavra da qual usei, acredito que por estar tímida ela não quis falar a respeito e tentou mudar de assunto.”

N12 – Carla: “[...] eu percebi que ele não estava entendendo tão bem o que eu falava quanto dizia entender. Foi desconfortável, mas fingi que estava tudo certo e continuamos conversando.”

chamar a atenção dele fazendo uma troca de conversação em que ambos falam e se escutam.”

N3 – Dri: “Algumas vezes eu não compreendi o que a pessoa falou e pedi que ela repetisse, mas mesmo repetindo duas ou três vezes eu não consegui compreender e isso prejudicou o andamento da conversa.”

N8 – Dri: “[...] ele foi muito simpático e no final quando já nos despedíamos me disse que eu falava muito bem em inglês. Eu sorri, mas falei que não [...] mas depois pensei que talvez eu tenha sido desagradável sem querer.”

N4 – Adria: “Ele então fez uma expressão confusa e mudou de assunto, contudo retornei e perguntei- lhe se havia entendido o vocábulo metido, ele disse que sim, que seria um sinônimo de legal.”

N11 – Bianca: “Durante as interações não ocorreram mal-entendidos que comprometeram a qualidade da conversação.”

A análise abrange diferentes aspectos (linguísticos, pragmáticos, acordos etc.) que se relacionam com mal-entendidos. Além disso, ela mantém, também, um recorte para os aspectos linguísticos e sócio-discursivos (FAIRCLOUGH, 2001) que caracterizam os mal- entendidos descritos pelos interagentes. O foco da análise, portanto, é delineado a partir dos sentidos sobre mal-entendidos que podem emergir em cada narrativa, a partir da perspectiva do interagente brasileiro e da perspectiva interpretativa da pesquisadora.

Sintetizando este capítulo, nele foram apresentadas as orientações metodológicas, procedimentos de geração, coleta e organização do material documentário que constituem o banco de dados deste estudo, a caracterização dos contextos institucionais das parcerias de teletandem, dos participantes da pesquisa e dos procedimentos de análise dos dados. Além disso, foi estabelecida a relação entre a ACD (FAIRCLOUGH, 2001) e os níveis de categorização de mal-entendidos (LINELL, 1995; HINNENKAMP, 2002, 2003) que conduzem a análise dos dados. O micro contexto da sessão oral em teletandem foi descrito a partir da perspectiva dos processos de produção, distribuição e consumo do diálogo que o caracteriza (FAIRCLOUGH, 2001).

A seguir, passamos para o capítulo de análise dos dados. Ele é iniciado com a caracterização contextual da parceria das duplas focais. Para tanto, são levados em consideração os aspectos estruturais (divisão do tempo, uso separado das línguas, temas, partes da sessão) do diálogo entre as duplas. Essa caracterização prévia não pretende ser apresentada de modo determinista e dissociada dos processos de negociação de sentidos que são abordados na sequência. O objetivo é introduzir um panorama geral de como as sessões de cada dupla se configura de modo abrangente.

Após a caracterização contextual das duplas focais, a análise é desenvolvida com a exploração dos excertos selecionados, com foco para os níveis linguísticos e sócio-discursivos das negociações de sentidos (FAIRCLOUGH, 2001), e da emergência e caracterização de mal-entendidos (LINELL, 1995; HINENNKAMP, 2002, 2003). A análise dos excertos das transcrições é seguida pela análise interpretativa das narrativas do segundo grupo de participantes, com foco na identificação do que esses participantes identificam como mal- entendidos e como os problematiza. Por fim, as perguntas de pesquisa são respondidas e as considerações finais apresentadas.