• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 5. ÇALIŞMA ALANININ SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK AÇISINDAN

6.3. Alt Çalışma Alanı Projeleri

De posse dos conceitos estudados, realizei painéis com especialistas, tais como professores da disciplina em nível de graduação e pós-graduação strictu e latu sensu; dirigentes de organizações de tamanhos entre pequeno e médio porte, de setores diferenciados como financeiro, educação e tecnologia com o objetivo de identificar elementos e dimensões comuns às definições. A partir desse trabalho de investigação das diferentes proposições

conceituais e dos quadros de referência construídos para alguns conceitos extremamente amplos, como o proposto por Jarzabkowski (2005), percebeu-se que havia dimensões comuns, embora nem todas estivessem presentes em todos os conceitos investigados.

Dessa maneira, identificou-se como sendo dimensões comuns aos diversos conceitos de estratégia estudados:

- A construção de significado para o contexto: Quando Ansoff (1965) fala de decisões em relação ao ecossistema, quando Porter (1980) fala de forças competitivas, ambos estão falando de uma interpretação do ambiente onde a organização está inserida no momento presente. Essa apreensão de contexto coincide com a percepção de Cabral (1998) e a afirmação de Machado-da-Silva, Fonseca e Fernandes (1999, p.1) de que “a noção de ambiente constitui elemento fundamental nos estudos que tratam [...] de estratégia empresarial” (essa dimensão também será referida como apreensão do contexto);

- A configuração de futuros imaginados: apesar de a maioria dos autores pensarem estratégia como a busca de um futuro imaginado, sabe-se também que há estratégias defensivas (PORTER, 1980) que buscam proteger a organização de um risco futuro. De qualquer modo, a perspectiva de se configurar um quadro futuro para a organização, é uma dimensão presente em todos os conceitos estudados.

- Os caminhos delineados: definir o que fazer, quais as forças a serem envolvidas ou levadas em consideração, seja na perspectiva interna, seja na perspectiva contextual, é uma dimensão que se apresenta em conceitos como o de Steiner e Meiner (1978), o de Pettigrew (1977), Thietart (1984), Besanko et al (2000), entre outros.

- Finalmente, um elemento que redefiniu inclusive a orientação recente dos estudos sobre estratégias são as práticas levadas a termo, que se incorporaram definitivamente ao conceito de estratégia pelo trabalho de Jarzabkowski (2005).

Cabe ainda destacar que as dimensões explicitadas como componentes do processo de construção de estratégia serão referidas no processo de investigação como categorias de análise a serem observadas na investigação etnográfica e na Análise de Discurso. As dimensões de caminhos e práticas deverão ser investigadas com suporte da teoria da agência, que é, de acordo com Machado-da-Silva et al ((2005, p.24), “a capacidade de interferir em eventos, não necessariamente de modo intencional”. Apesar dos autores confirmarem a intencionalidade como um elemento constitutivo da agência, muito embora não seja uma condição sine qua non da mesma, para o caso da construção de estratégias, ela será assumida como essencial para a construção das dimensões citadas.

A proposição apresentada será utilizada como linha orientadora da investigação a ser realizada no trabalho de campo dessa proposta. Deve-se destacar que as dimensões apresentadas são explicitadas dessa maneira intencionalmente. Primeiro para romper com a idéia de linearidade que possa se abstrair do conceito. O que se pretende é que a estratégia organizacional, para se encaixar no escopo conceitual apresentado, deve contemplar as quatro dimensões. Não existe o pressuposto de ordem temporal entre elas e tão pouco simultaneidade de ocorrência.

Essa forma de se compreender estratégia como um processo social e que se sustenta na explicação de como os indivíduos elaboram a significação dos fenômenos sociais em processos contínuos de intersubjetivação, que operam tanto na perspectiva relacional, como na perspectiva individual vai ao encontro a uma busca iniciada no sentido de se compreender um conceito notoriamente importante por ser “um ponto obrigatório de ligação entre o mundo interior das organizações [...] e o mundo exterior” (CLEGG, CARTER E KORNBERGER, 2004). Esse desvio intencional do viés marcadamente determinístico13 dos estudos de estratégia no Brasil, tem o objetivo de explorar a afirmação de Hambrick (1980), de que a multidimensionalidade dessa disciplina torna difícil a possibilidade de haver consenso ou mesmo definição conceitual, apesar de uma quase unanimidade determinística prevalecer nos estudos sobre estratégia.

Esse desvio coincide ainda com a perspectiva de Bourgeois III (1984) ao recusar-se a aceitar a gestão da estratégia como um “aprisionamento reativo adaptativo” de circunstancias determinísticas pelo fato de (1) a teoria organizacional ter chegado a ponto de assimilar a possibilidade de haver sempre uma melhor maneira de lidar com as variadas circunstâncias, a partir de teorias contingências derivadas de sistemas abertos; e (2) em outra abordagem, os analistas políticos afirmarem que as políticas são formadas em processos incrementais, sendo uma inutilidade o trabalho de planejamento racional. Assim, protesta o autor ao afirmar que parece restar ao gestor se resignar, ao invés de tentar influenciar o destino da organização, e “sucumbir à matriz de forças determinísticas representada pelo ambiente, a tecnologia e a força humana” (BOURGEOIS III, 1984, p.586).

O redirecionamento proposto coincide com a necessidade de desenvolvimento do campo de investigação da estratégia proposta por Whipp (2000) ao afirmar que, mesmo

13

segundo Abbagnano (2000), o determinismo é uma concepção relativamente recente na filosofia e que, em uma das duas correntes conceituais por ele proposta, é utilizada para nomear concepções científicas que se fundamentem nos preceitos da causalidade.

percebendo-se a progressiva extensão das áreas de interesse dos estudos de estratégia, esses estudos têm sofrido pela ausência de suporte teórico dos campos sociológico, legal e econômico, alternativo à linha neoclássica da economia, gerando aquilo que ele denomina de “silêncios ruidosos”. Esses silêncios podem ser percebidos principalmente pela homogeneidade dos estudos sobre estratégia nas principais revistas especializadas sobre o assunto, onde se observam prevalências sazonais de correntes teóricas e, sobretudo, uma prevalência quase que total de estudos determinísticos, reforçados pela quase inexistência de estudos onde se utilizem metodologia qualitativa.