A Grammar of Old Turkic’te, Uygurcada saptanan näçükläti, nätägläti, birtämläti ve kaltı sözcüklerinin yapısı birer zarf yapıcı ek olan +lA ve +tI ekleriyle
2.1.5.1. ḳ altı Soru Sözcüğünün Anlam Özellikleri
Ao percorrer este período de trinta anos, foi possível mostrar como a população de rua se construiu como questão social, como problema estatístico e sociológico, campo de problematização em que convergem múltiplos atores e seus ancoramentos institucionais. Para que este fenômeno fosse reconhecido como uma questão social e não mais individual e unicamente circunscrita, foi necessário um intenso trabalho de mediação e tradução, capaz de conectar e vincular a experiência de rua com outros elementos. Visto que a realidade de um objeto depende da extensão e solidez da rede mais ampla de objetos no qual está inscrito, nota-se que os atores aqui apresentados foram importantes mediadores no trabalho coletivo de confecção desta rede, capaz de suportar e gerar a população de rua enquanto uma realidade. Eles articularam a experiência de rua através de conexões mais ou menos estáveis, conhecimentos práticos e palavras para qualificá-la. Estes atores foram e são portadores de discursos que, em momentos diferentes, falam sobre a população de rua, para ela, por ela e em nome dela. Nos conflitos que engendraram, estes personagens estabeleceram vínculos discursivos entre a experiência de rua, a pobreza, o desemprego, a falta de moradia e outros temas sociais, dando sustentação legítima para esta problemática. E assim, possibilitaram o reconhecimento desta experiência, dando forma a ela e politizando-a, lançando-a na cena pública a partir de imagens emolduradas, e, tornando-a, assim, uma questão social.
A constituição da população de rua como questão social é resultado de feixes plurais de motivações, atores, instituições e eventos que historicamente foram se encadeando irregularmente, de maneira imprevisível, não linear ou determinada. Contudo, foi o jogo destes atores (e muitos outros), que permitiu a constituição de uma linguagem própria capaz de nomear e lidar com este universo de relações. As trajetórias e os deslocamentos que narraram e viveram, teceram a rede de inteligibilidade que tornou visível e dizível esta população de rua. Antes, a experiência nas ruas, elemento miúdo, menor e localizado (ainda que vibrante e agitado em sua incrível singularidade), não era um problema matizado e articulado no interior de um campo de discursos e práticas capaz de dotá-lo de uma forma mais consistente e acessível à esfera pública. Foram estabelecidos critérios de nomeação, codificação e categorização, ao mesmo tempo religiosos, institucionais, estatísticos e
jurídicos, montando uma grade de conexões em torno de um foco de problematização e a partir da qual a população de rua ganhou objetividade como tal. Numa concepção puramente pragmática, é razoável afirmar que antes desta gramática de relações ser tecida, não havia população de rua. Não que não existissem pessoas nas ruas, mas sim que era impossível nomeá-las, observá-las e entendê-las como tais. As pessoas que viviam nas ruas, com o passar dos anos começaram a adquirir imagens mais sólidas, e a ganhar números, rótulos e classificações capazes de situá-las na ordem do discurso.
Privilegiei a narrativa de atores que possuem pelo menos quinze anos de experiência neste campo de forças. Esta extensão temporal mínima permitiu a evocação de lembranças capazes de mostrar uma história não linear, na qual estes foram apanhados ao longo de suas trajetórias. Observa-se que os atores que foram escolhidos representam uma geração mais antiga de personagens engajados nesta rede de relações. Com a ampliação histórica desta rede, muitos outros atores, instituições, organizações governamentais e não governamentais passaram a gravitar em torno da questão. No entanto, os atores escolhidos assim o foram, pois suas narrativas, além de exporem um percurso temporal mais longo, permitiram articular um conjunto de enunciados e pressupostos de ação que organizaram e organizam, ainda que sob fortes alterações, estas relações.
Nas narrativas aqui apresentadas, foi dada muito mais importância aos períodos anteriores do que propriamente às práticas e aos contextos mais recentes, isto por dois motivos interligados. Um é que os próprios relatos descreveram mais detalhadamente e deram maior significação aos momentos passados do que os atuais. Ao aproximarem-se do tempo presente, quando os participantes do jogo aumentaram em número e interdependências, a articulação entre os elementos discursivos se afrouxava, tornando-os mais dispersos no interior da estrutura narrativa. Esta dispersão na elaboração do discurso provavelmente também ocorrera pois, como supunham que seu interlocutor estava por dentro dos fatos mais contemporâneos, os narradores não se preocuparam muito em explicar as complexidades envolvidas com a situação atual. Nota-se que, neste caso, a proximidade do pesquisador com o campo estudado inibiu a evocação e elaboração de experiências que poderiam adquirir certa importância. Outro motivo pelas quais as narrativas aqui apresentadas não permitiram enunciar muitos elementos mais contemporâneos foi que deliberadamente optei por não me esforçar em preencher tais lacunas discursivas no corpo do texto ou em detalhar a atual situação desta configuração de forças que, sem dúvida, historicamente foi se tornando mais densa. Como os próximos capítulos dedicam-se a uma etnografia de processos mais
contemporâneos, preferi apresentar, nesses capítulos, certos componentes da configuração atual.
Apesar de possuírem trajetórias interconectadas, é importante atentar para o fato de que hoje estes personagens se encontram em posições distintas nesta rede de interdependências. Não querendo embotar a especificidade e singularidade dos diversos destinos pessoais, é importante comentar que todos permanecem ligados, alguns mais que outros, ao universo cristão e do terceiro setor. Três destes personagens, Irmã Fortuna, Irmã Regina e Padre Júlio, possuem um estatuto próprio no interior do universo católico e continuam trabalhando em ONGs. Alderon, apesar de ter abandonado o seminário, permanece ainda próximo ao universo católico através da Associação Rede Rua, da qual, junto com Padre Arlindo, ainda é um dos principais responsáveis. Luiz Kohara continua atuando junto ao Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, onde, junto com outras pessoas ligadas à Igreja Católica, desempenha um importante papel na articulação de diferentes categorias oriundas das classes populares, em especial os movimentos de luta por moradia da região central. Pastora Mabel foi a única personagem filiada ao protestantismo que aqui foi apresentada e permanece trabalhando na AEB. Em verdade, as entidades que trabalham com a população de rua são em sua grande parte católicas, sendo que a presença da Pastora Mabel entre os atores aqui apresentados reflete também a baixa presença dos protestantes neste campo. Outros dois personagens apresentados, Carlinhos e Anderson, apesar de tornarem-se lideranças, tiveram suas trajetórias diretamente conectadas com organizações ligadas à igreja como OAF e a Pastoral do povo da Rua.
As narrativas evocadas foram todas efetuadas a posteriori, ou seja, foram elaboradas a partir do momento atual, com necessidades, intenções e preocupações também atuais e contemporâneas. Assim, tais memórias foram mobilizadas a partir de referenciais presentes no instante interlocutório, que inevitavelmente rearticularam e resignificaram formas e experiências passadas. No entanto, é possível afirmar que todos os relatos apresentados, alguns mais e outros menos, formularam verdadeiras narrativas de conversão. Pois, ao narrar trajetórias de inserção num campo semântico próprio, estes relatos também demonstraram como os significados ventilados neste universo, pouco a pouco, foram incorporados e apropriados, passando a fazer parte e a adquirir importância na vida dos próprios atores que, com o tempo, também passaram a manusear e por em circulação tais sentidos através de referenciais, situações e experiências próprias. Vale dizer, entretanto, esta estas narrativas de conversão não corresponderam propriamente a uma transformação religiosa, corresponderam, sim, à conversão a uma causa social. Ao entrarem em contato e serem embebidos por teias de
significados que articulam o universo da rua, estes atores foram mobilizados e provocados pelas próprias forças que atuam neste campo, incitando-os para a ação em torno de uma mesma questão que, aos poucos, foi configurando-se naquilo que hoje chamamos de população de rua.
Investi numa certa multiplicidade de perspectivas de maneira a escapar de possíveis narrativas originárias ou fundantes. Contudo, a forte interdependência entre posição dos narradores, narrativas e eventos narrados, colocou-se de tal forma que se tornou muito difícil esquivar-se de certos lugares comuns. Assim, a linguagem na qual todos estes atores se expressam a respeito do universo da rua provém, em grande parte, dos conhecimentos acumulados pelas Oblatas da OAF e que foram sendo apropriados, reempregados e resemantizados no decorrer dos anos. A compreensão da rua como um outro mundo, com regras, especificidades e formas de vida própria, é um tipo de formulação que já estava presente no trabalho desenvolvido pelos integrantes e colaboradores desta organização, e que inicialmente apareceu conectado ao discurso sobre experiência periférica do centro da cidade. Contudo, este mesmo saber, que com o tempo foi se conectando com outros discursos e se articulando mais fortemente através do signo rua, enxergava neste mundo uma ambigüidade que, com certas alterações, permanecerá até os dias de hoje. De um lado, a experiência da rua carregaria em si uma positividade religiosa, já que expressa a vontade de viver e a resistência à morte, e este vitalismo positivo é que tornava possível a crença na capacidade de organização e mobilização na luta pelo reconhecimento de que “somos um povo que quer viver”. Por outro lado, a rua já era vista como um lugar de destruição, sofrimento, abandono e dor, e por isso mesmo é que teria que ser alvo de caridade, ajuda e assistência social34.
Não há como negar que o conhecimento elaborado junto à Comunidade dos Sofredores de Rua foi a principal matriz discursiva na formação deste campo histórico. E não só pela forma de nomear tais sujeitos, mas também pelos modos de tratá-los. Apesar de saturada de significações religiosas, foi este discurso, também nada homogêneo, que permitiu levar em conta a população de rua, formulando sobre a mesma uma explicação que não fosse unicamente a da moral, mas também pautada por uma intencionalidade política e pedagógica
34 Como vimos no decorrer deste capítulo, o lançamento do livro População de Rua – Quem é, Como Vive,
Como é Vista (Vieira; Bezerra; Costa, 1994) é um acontecimento discursivo que permite um desbloqueio
epistemológico e político da questão, colocando, pela primeira vez, a experiência das rua como alvo de enunciados estatais, estatísticos e, também, sociológicos. Contudo, a compreensão da rua como um meio periférico, propriamente social, e marcado por uma resistência em relação à ordem urbana, já estava presente no discurso das Oblatas. No próximo capítulo, a ambigüidade sobre o valor do signo rua será retomada a partir de etnografias de manifestações públicas. Vale assinalar, no entanto, que um investimento ambivalente sobre este signo cultural já estava presente nas formulações iniciais desta organização, ambigüidade esta que reaparecerá sob outras roupagens nos dias atuais.
capaz de entendê-la e abordá-la mais eficazmente. Entretanto, se é verdade que a OAF foi a principal matriz na elaboração de um discurso e uma prática em relação à população de rua, coisa que inclusive outras pesquisas igualmente apontam (Barros, 2004, Domingues Jr., 2003), é verdade também que, no desenrolar dos anos, estas “maneiras de dizer e fazer” esta realidade foram fortemente alteradas. Técnicas que foram em muito modificadas ao serem apropriadas pelo Estado, por outros agentes e mediações, e ao tornarem-se modelo de uma política pública focal que foi se ampliando e modificando significativamente no decorrer das últimas décadas35.
No entanto, nesta transformação, o que mudou não foram unicamente modalidades de tratamento institucional ou pedagógico no que se refere ao universo da rua, as próprias disposições e interesses nos quais os atores engajaram-se, também, transformaram-se no curso desta história. Uma história que em nada é o resultado dos planos e das intenções destes atores particulares, mas antes constituem o subproduto inesperado do entrelaçamento dos planos e das intenções de uma multidão de agenciamentos díspares. As trajetórias analisadas aqui tão de perto, nada mais são do que a articulação e concretização de diagramas de forças que as perpassam e as ultrapassam. As narrativas atestam a instauração de um novo regime de relações estratégicas entre vários outros elementos, que também são efeitos de engrenagens e encadeamentos múltiplos, que ninguém, por mais poderoso que seja, controla.
O uso dos relatos possibilitou aproximar-nos deste mundo através de uma “visão de dentro”, perspectiva que joga com as singularidades numa constelação de interesses e disposições interiores. Estas micro-histórias narradas permitiram observar a especificidade dos atores e os variados modos de integração destes num jogo dinâmico de proximidades e distâncias, dificultando uma redução do complexo ao simples. A montagem do texto e as conexões causais dos acontecimentos acorridos foram articuladas preferencialmente através de narrativas que foram os verdadeiros lastros através do qual foi possível navegar entre diferentes situações, coletivos e lugares na cidade. No que se refere à constituição histórica da questão, privilegiei os difusos pontos de contato entre, de um lado, a cronologia dos atores e suas temporalidades biográficas, e de outro lado, a dinâmica temporal e as transformações do próprio campo de relações analisado. Neste processo tive que adotar uma estratégia textual que apresentasse os atores um por um. Esta abordagem experimental permitiu-me detalhar certos procedimentos e itinerários específicos, mas infelizmente dificultou a compreensão do funcionamento simultâneo desta rede de relações. Seria possível, pois, contar esta história
35 No terceiro capítulo será melhor discutido alguns processos relativos às apropriações e alterações desta matriz discursiva, bem como a entrada de outras técnicas e tecnologias de intervenção e gestão da população de rua.
através de vários outros modelos temporais, contudo, através das cronologias biográficas e coletivas evocadas acredito ter aproveitado mais as construções semânticas imanentes a cada estrutura narrativa, e, deste modo, me aproximado mais da situação concreta nas quais os próprios atores vivenciaram a história36.
Acredito que para tecer a trama desta história mais detalhadamente, levando em conta a complexa distribuição das causalidades e o alongamento das cadeias de interdependências, seria preciso atrelar mais profundamente os modelos temporais dos atores e do campo de relações com o próprio movimento da história urbana. Na incapacidade e impossibilidade de reconstituir a teia completa dos discursos, atores e instituições, vale comentar e conectar alguns outros importantes elementos mais “oficiais” da história aqui narrada e que até então foram apenas marginalmente tocados.
E um destes elementos é o próprio Estado, cuja presença nesta constelação de forças alterou radicalmente suas relações37. Desde 1989, quando pela primeira vez houve uma preocupação da prefeitura municipal em conhecer melhor este universo vinculado à rua para melhor intervir, até o ano de 2004, a cidade de São Paulo passou por quatro administrações chefiadas por políticos filiados a dois partidos distintos – o PT e o PDS-PPB38. É importante atentar para o fato de que esses partidos ocupam espaços opostos no campo político-eleitoral, assim as mudanças do poder municipal foram marcadas por grande descontinuidade política e administrativa. Esta descontinuidade implicou em importantes diferenças de postura a respeito da gestão da cidade, bem como alterou o andamento de certas políticas municipais, inclusive no que se refere à população de rua.
Na construção de uma nova política municipal para a população de rua, como ocorrida na gestão Erundina (1989-192), se fazia necessário o estabelecimento de uma família de significados comuns não só às organizações e entidades religiosas que trabalhavam com o tema, mas também comum à própria máquina pública. Um imperativo que se colocava, portanto, era o de articular o conhecimento já existente com outros novos, através de uma linguagem específica, mensurável e compatível com a lógica oficiosa e burocrática do Estado.
36 Para uma discussão mais profunda sobre a variação histórica e os possíveis modelos temporais empregados nas formas de articulação entre presente, passado e futuro, ver Lepetit (2001). Aponto apenas que, no próximo capítulo, através de descrições densas de eventos coletivos será possível, ao menos, vislumbrar o movimento conjunto e simultâneo de atores diversos numa dada ocasião.
37 O Estado é uma instituição prenhe de empecilhos, microconflitualidades e atores internos que um dia deverão ser melhor mapeados em relação à população de rua. O que fica presente aqui são apenas seus efeitos sobre o campo social analisado, bem como as políticas públicas em relação à população de rua. Uma apresentação mais sistemática sobre estas políticas públicas focais pode ser encontrada em Barros (2006).
38 O prefeito Celso Pitta, no final de sua gestão, estava filiado ao PTN, mas foi eleito pelo PPB. O PPB, por sua vez, foi criado a partir da fusão do PDS com outros partidos, e recentemente se transformou em PP. Sobre as alterações do poder municipal e a política habitacional, ver Marques e Saraiva (2005).
Ou seja, tais saberes sobre o mundo da rua e suas relações só poderiam ser apreendidos e apropriados legitimamente pelo poder público se inseridos e traduzidos numa ordem discursiva própria à “razão do Estado”: a estatística (Foucault, 2004). O estabelecimento deste saber específico à racionalidade estatal foi uma condição para que uma política focal pudesse ser implementada na cidade. Sem informações mais concretas sobre a realidade em que se iria intervir, a criação de convênios e linhas de financiamentos públicos seria inviável. Foi também nesta gestão que a questão ganhou maior visibilidade, não só pela pesquisa efetuada, mas pela organização de discussões, seminários e o estabelecimento de um fórum de interlocução entre as entidades que trabalhavam com o tema e os próprios gestores públicos. Fórum que teve não só o papel de transmitir para o Estado o conhecimento sobre esta população, mas constituir um espaço de diálogo onde foi possível imaginar, inventar e criar esta nova política.
As gestões de Paulo Maluf (1993-1996) e de Celso Pitta (1997-2000), em relação ao tema aqui analisado, possuem muitas semelhanças. Ambas foram marcadas por fortes conflitos com esta rede de atores, que no período anterior já começara a se articular mais intensamente. Alguns convênios foram fechados e muitos outros abertos. Entretanto, ao fechar os canais de diálogo e intervir nas práticas políticas construídas anteriormente, estas gestões permitiram o fortalecimento das alianças entre estes atores (ONGs, Fóruns, cooperativas e a Pastoral da Rua), em oposição às práticas da prefeitura. Apesar de haver, nestas duas gestões municipais, certa tendência à estagnação na atenção com a questão (Domingues Jr., 2003), é importante ressaltar que no final da gestão Pitta, como foi narrado por Padre Júlio, houve uma relativa aproximação da prefeitura com estes atores.
A regulamentação da Lei de Atenção à População em Situação de Rua, na gestão municipal Marta Suplicy (2001-2004), foi outro importante momento de alteração nas relações que gravitam em torno da população de rua. A aparição desta lei não só nomeou e constituiu juridicamente o grupo de interesse “população de rua”, mas também estabeleceu formas institucionais de regulação das relações que conectam o morador de rua, passando pelas organizações mediadoras, até o Estado. Apesar de esta lei oficializar e formalizar, através de um direito específico e juridicamente reconhecido, uma série de demandas que foram se construindo ao longo do percurso temporal aqui narrado, é importante ter em conta que muitas premissas desta lei não foram seguidas39.
39 Alguns dos efeitos institucionais da Lei de Atenção à População em Situação de Rua serão debatidos no terceiro capítulo deste trabalho. Mas deve-se atentar para o fato de que a mesma prefeitura que regulamentou esta lei, também a descumpriu.
Outro elemento importante na trama desta história (e que em outro estudo deveria ser mais detidamente avaliado), é a já comentada razão estatística. Sabe-se que a estatística participa ativamente da construção de consensos cognitivos que regulam os debates, as divergências, as polêmicas e inclusive as críticas que refutam os indicadores. Como afirma Desrosière: “a construção de um sistema estatístico é inseparável da construção de espaços e