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ḳayu Soru Sözcüğünün Anlam Özellikleri

Belgede On nc Yzyl ncesi Trkesinde Soru (sayfa 182-190)

Hacıeminoğlu, kayu sözcüğünün “hani, hangi, nerede” anlamlarında kullanıldığını belirtmiş, Eski Türkçeden başlayarak değişik dönem ve alanlardaki

2.1.14.1. ḳayu Soru Sözcüğünün Anlam Özellikleri

Fazia um ano do “massacre dos moradores de rua”. O acontecimento tinha obtido grande repercussão na época, chegando até a sair em periódicos internacionais. Um caso um tanto sinistro no qual, em apenas três dias consecutivos (19, 20 e 21 de agosto de 2004), 15 pessoas que dormiam nas ruas foram alvo de fortes golpes e pancadas na cabeça, sendo que os culpados nunca foram encontrados. O atentado tinha matado sete pessoas. Dos oito sobreviventes, sabe-se atualmente apenas do paradeiro de dois. O que tornou o tal episódio mais problemático ainda, é que os principais suspeitos da matança são policias militares e, como se isso não fosse o bastante, existe a forte hipótese de que algumas vítimas que sobreviveram ao atentado e outras testemunhas do crime tenham sido assassinadas também por policiais (Estado de São Paulo, 19/09/2004, Folha de São Paulo, 20/08/2004). Foi com o intuito de chamar a atenção das autoridades e da opinião pública, para o caso de impunidade

59 Algumas vezes, quando da negociação com instâncias do poder público ou privado, catadores são acompanhados por técnicos de entidades e ONGs que os apóiam. Essa prática, com o recente fortalecimento do movimento, deixou de ser consenso dentro do MNCR e, algumas vezes, torna-se motivo de muitos atritos entre os catadores mais politizados e os técnicos “apoiadores”. As divergências giram, basicamente, em torno do fato dos primeiros desgostarem da demasiada atuação e interferência dos segundos no processo de organização e negociação, já que a proposta do MNCR é fundada justamente na autogestão e organização dos próprios catadores. Enquanto, por outro lado, os técnicos afirmam serem necessários, pois, no diálogo direto com instâncias superiores (grandes empresas e órgãos públicos), facilmente os catadores são “enganados” e “iludidos” com promessas. Independentemente, se os catadores são iludidos ou não, é importante ressaltar que tal controvérsia demonstra um debate de fundo que talvez tenha como querela o grau da “tutelagem” que as organizações apoiadoras possuem sobre o MNCR.

ocorrido e para a situação das pessoas que ainda se encontram vivendo nas ruas de São Paulo, que o protesto “contra o massacre da população de rua” fora organizado pela Pastoral do Povo da Rua e outras organizações, como o recém nascido Movimento Nacional de defesa e luta pelos direitos da População em Situação de Rua.

O drama se daria, não por acaso, num palco, num espaço-tempo privilegiado. Meio- dia, numa plena sexta-feira, em frente à escadaria da Catedral da Sé, marco zero da cidade e ambiente carregado de simbolismo. As sextas-feiras são em geral dias mais movimentados no Centro e no horário do almoço, esta vida ganha mais dinâmica ainda. Contudo, naquele dia o local parecia possuir uma ebulição mais intensa do que o normal. Justamente em frente à escadaria da Sé, havia um palanque onde se realizariam algumas apresentações musicais. O palco montado não fazia parte da manifestação planejada, e por deixar pouco espaço para os manifestantes se alojarem nas escadas, aquelas estruturas de metal e toda gente ali amontoada aumentava mais ainda a impressão de bagunça e confusão, aspectos estes tão ligados à experiência dos espaços públicos do centro de São Paulo.

Naquele apertado espaço, todos foram gradativamente se amontoando e se ajeitando, até que às 12h20 já havia umas 500 pessoas, juntamente com toda a parafernália alegórica e festiva de bandeiras, percussões, placas, apitos, faixas, cartazes e bandeirinhas. O que era notável em toda aquela movimentação era a multiplicidade dos personagens envolvidos. Participavam deste drama inúmeros atores sociais: religiosos vestidos com seus respectivos figurinos, políticos, algumas figuras sujas e alcoolizadas, usuários de albergues, catadores com carroças, representantes e lideranças de sindicatos, movimentos e organizações sociais, jornalistas e fotógrafos. Muitos vendedores ambulantes também estavam observando aquele acontecimento que, ali mesmo, no seu espaço diário de trabalho, transformava-se em um teatro. Bem acima de toda aquela efervescência, ebulição e confusão coletiva, um helicóptero de imprensa voava e registrando à distância o evento.

No centro da escadaria da Catedral da Sé, havia uma cruz de madeira e papelão com os nomes dos mortos escritos e um cobertor pendurado em sua haste superior, como se fosse um cachecol. No chão e no entorno da cruz havia caixas de papelão, latas e latinhas de refrigerante vazias, pilhas de papel e garrafas plásticas, todo um conjunto de objetos que diziam respeito ao chamado lixo urbano e ao material de trabalho de grande número de pessoas que vivem nas ruas de São Paulo. Desde o massacre do ano passado, até então, todos os dias dezenove algum tipo de cerimônia era feita ali na frente da escadaria da Sé, com

aquela mesma cruz, para lembrar o ocorrido e a impunidade dos culpados60. Naquele dia, passado um ano da matança, o caso era relembrado de maneira espetacular.

Com o microfone na mão, Padre Júlio Lancelotti comandava o trabalho coletivo de figuração. Ao seu lado, encontravam-se o Arcebispo de São Paulo Dom Cláudio Hummes e representantes de várias denominações religiosas, como Pastora Mabel, da Igreja Batista, uma outra Pastora da Igreja Metodista, um Babalorixá61. Sendo que posteriormente, no transcorrer do ato, um rabino e uma monja apresentaram-se também publicamente. Todos sacerdotes tiveram acesso ao microfone. Com exceção do Padre Júlio, que sempre buscava politizar mais as questões, a paz era o mote dos discursos dos religiosos e todos, cada um ao seu modo, apontaram para a importância do poder público “dar a devida atenção ao Povo da Rua”. Repetidamente, anunciava-se ao microfone que os sacerdotes ali presentes representavam “todas as igrejas, unidas pela paz”.

Os escritos hasteados pelos manifestantes eram muitos. Havia grandes bandeiras brancas, as coloridas do MNCR e outras com a escrita “Peace”, que despontavam marcadamente na multidão. Outros escritos menores em cartazes diziam: “Dignidade Para o Povo da Rua. Casa de Oração”, “Um ano, onde estão os culpados?”, “Somos um povo que quer viver. Pastoral da Rua, Arquidiocese de São Paulo”, “Deus está conosco”, “Não vamos nos calar”, “Onde está a justiça?”, “Queremos solução”, “Somos seres humanos”. Nas carroças dos catadores enfeitadas ali presentes, também era possível ler: “Não somos marginais, somos seres humanos, queremos respeito”, “O Povo da Rua não é lixo, é gente, é cidadão, não pode ser tratado como lixo”, “Queremos trabalhar”, “Queremos continuar no centro”, “Matarazzo quer varrer o povo da rua do centro. Coopamare”.

Nos últimos meses, o subprefeito da Sé e as políticas de intervenção no Centro tinham sido alvo de muitas críticas, e tais críticas chegaram até mesmo a aparecer na imprensa. Provavelmente um dos motivos pelo qual o evento ganhou tamanha força e visibilidade foi devido à insatisfação de alguns segmentos da região para com as atitudes tomadas pelo poder público. Particularmente o MMC (Movimento de Moradia do Centro) e o MNCR

60 E isso era afirmado constantemente pelo Padre Júlio Lancelotti no microfone. Em verdade eu mesmo cheguei a presenciar dois destes eventos menores que foram feitos à noite, quando a Praça da Sé estava mais tranqüila, e possuíam um forte caráter religioso. Aquela cruz, com o nome dos mortos, parecia ter se tornado uma espécie de símbolo para os grupos envolvidos na articulação política do pós-massacre. A cruz estava presente nos dois cerimoniais menores que ali assisti nos dias 19, e foi também levada e exposta no II Festival Lixo e Cidadania em Belo Horizonte, Minas Gerais, encontro este em que instituições, movimentos sociais e representantes do poder público discutiram as condições e possibilidades da população de rua e dos catadores de materiais recicláveis do Brasil.

61 No caso deste Babalorixá, Pai Antônio, o interessante é que quando tomou o microfone deu o depoimento de ter sido menor de rua por dois anos em sua infância, sendo que quem o salvou da rua foram os Orixás.

participavam ativamente do protesto. Alguns dias antes do evento, 70 famílias sem-teto tinham sido expulsas de uma ocupação feita pelo MMC. Naquele dia, integrantes do movimento estavam lá reclamando do ocorrido e pedindo apoio público para sua causa. No caso dos catadores, as críticas eram várias.

Fazia mais de quatro meses que a Coopamare, que se localizava embaixo de um viaduto, estava sendo ameaçada de despejo pela prefeitura. O espaço, que fora cedido há mais de doze anos pela gestão municipal de Luiza Erundina (PT, 1989-1992), deveria ser desocupado segundo a nova prefeitura, pois constituía local de alto risco. O problema maior é que não se propunha nenhum tipo de negociação ou barganha por outro espaço. A luta pela permanência da Coopamare no local era de extrema importância para o movimento dos catadores e para as organizações que trabalham com estas pessoas. Por ela ter sido a primeira cooperativa de catadores de materiais recicláveis do Brasil, e por encontrar-se na maior capital do país, constituía-se como uma referência simbólica e estratégica de resistência, não podia ser fechada. Outra questão mais emergencial para os catadores era o fato de que, apenas três dias antes da manifestação, a prefeitura tinha apreendido cerca de uma dezena de carroças. Este fato gerou um temor generalizado entre os catadores de que agora se viam ameaçados de perder seus instrumentos de trabalho.

Neste mesmo período, também foram fechados pela prefeitura vários depósitos e ferros-velhos clandestinos localizados no Centro, tirando potencialmente a alternativa de trabalho dos catadores avulsos e não organizados. Estas ações da prefeitura foram interpretadas e anunciadas na manifestação como o “massacre dos catadores”. Afirmava-se que no caso do “massacre da população de rua”, apesar de toda suspeita, não se sabia claramente quem eram os culpados, e agora no “massacre dos catadores” sabia-se muito bem quem era o culpado: a própria prefeitura. No microfone, falava-se: “Não vamos permitir o segundo massacre, pois agora sabemos quem são os responsáveis. É o poder público!”.

Padre Júlio entrega, então, um documento escrito pelo MNCR ao Senador Eduardo Suplicy (PT). Este se compromete a reunir-se com Andrea Matarazzo e Floriano Pesaro, para conversar sobre as reivindicações dos catadores. O interessante é que Pesaro, atual Secretário da Assistência e do Desenvolvimento Social, também se encontrava ali, só que diferente do senador, não conseguiu ter acesso ao microfone. Em verdade quis falar, mas não conseguiu, pois foi impedido pelo Padre Julio, que afirmou que aquele momento da manifestação era um ato ecumênico e somente depois é que o ato se tornaria político. Aí, então, poderia pronunciar-se.

Depois de muitos cantos e orações, faz-se uma reza do pai-nosso. Neste exato momento três moradores de rua, que cercavam e não paravam de interpelar o senador, disputam entre si o direito de rezar segurando a mão da autoridade. Enquanto o padre no microfone reza, a imagem do Senador Suplicy, de olhos fechados e de mãos dadas com dois aparentes e “típicos moradores de rua”, é filmada pela câmera da imprensa, que não poderia deixar de perder um registro daquele.

A multidão coloca-se, então, em movimento. O carro de som na frente e os manifestantes no entorno e atrás. O ajuntamento ao deslocar-se parecia novamente um desfile, uma procissão, com músicas, cruz, bandeiras e carroças. Vinte e cinco carrinhos davam um destaque à mobilização e um aspecto de cauda e cortejo. Canta-se o hino dos catadores de materiais recicláveis e outras músicas com referências religiosas e espirituais que falam do Povo da Rua. Frases são afirmadas: “Não vamos permitir o segundo massacre”, “os catadores não sujam a cidade, eles a limpam”, “o Povo da Rua vai catar o lixo e a corrupção que está sujando a política”. Como em jogos de guerra, também nos jogos de linguagem coisas são projetadas em direção a um outro interlocutor. Assim, palavras de combate e diálogo foram lançadas ao mundo, à cidade, à prefeitura e aos próprios anunciantes. Medos e desejos imbricados eram “arremessados sobre a realidade”, através das fissuras abertas pelas palavras: “Não vamos sair do Centro”, “Povo da Rua é para lutar, construir um poder popular”.

A marcha tinha uma trajetória pré-definida: da Praça da Sé iria para o Ministério Público e depois seguiria para a Câmara dos Vereadores da cidade. Ao passar pela porta do Ministério Público, representantes do Povo da Rua, dos catadores e do movimento de moradia deixam lá uma coroa de flores com o nome das pessoas mortas. A coroa é para “lembrar o Ministério Público da impunidade do massacre”, diz o Padre Júlio, que no microfone coordenava toda dramatização daquele teatro de rua.

Ao chegar à Câmara dos Vereadores, toda a multidão começa a se juntar no espaço exterior. Padre Júlio, ao microfone, anuncia: “Não precisam ficar com medo, a casa é nossa, nós que pagamos por ela”. E todos começam a gritar: “a casa é nossa!” Organiza-se instantaneamente uma assembléia naquele espaço, cobra-se a presença de vereadores e abre- se o microfone. Representantes do MMC contam a história do despejo de setenta famílias pela polícia. Um representante do MNCR protesta contra “a política municipal de expulsão dos catadores” e afirma em tom combativo que “nem os catadores organizados e os desorganizados vão sair do Centro”. Neste exato momento, uma figura que, desde o início do cortejo, já aparentava estar um tanto alcoolizada, toma o microfone e começa a louvar o Padre Júlio. Um grupo de jovens religiosos ligados à Toca de Assis, que trajavam roupas de monge

franciscano e tinham a cabeça raspada, jovens estes muito animados e que durante toda marcha cantarem a dançaram entusiasticamente, ao ouvirem aquela exaltação em direção ao Padre Júlio, em coro começaram a gritar: “viva o Padre Júlio, viva o Padre Júlio...” Aquela exaltação do padre durou muito pouco e foi bruscamente cortada por uma oblata de São Bento da OAF, que ao pegar no microfone disse de maneira severa: “Nós não podemos desviar do foco. Temos que estar muito atentos para tudo o que fazemos. Quem deve ser louvado aqui é o povo da rua e os catadores”.

Consertado o descaminho, voltou-se a discutir sobre o papel das personagens do poder público. Padre Júlio, que continuava a comandar toda aquela figuração coletiva, chama o secretário da assistência Floriano Pesaro ao microfone. Contudo, ele não aparece e é criticado pelo padre. Alguns vereadores e outros políticos tomam o microfone e falam. Entre eles está o Subsecretário Nacional dos Direitos Humanos, que afirma que irá ajudar na aceleração das investigações sobre o “massacre da população de rua”. Outro representante do MNCR toma o microfone e, com uma boa oratória, diz que “as ruas são também espaços de trabalho” e que os “movimentos populares deveriam se unir e não ficar separados, lutando por seus interesses particulares”. Fica combinado que dia 19 de todo mês haveria um encontro na escadaria da Sé, e este encontro seria um ato de vida e não de morte. Às três horas da tarde, após muitas palavras de combate e frases de efeito, chega-se ao fim do evento. É anunciado que haverá um lanche e neste instante toda aquela multidão se dispersa, correndo para a fila. A confusão é tanta que se torna necessário acalmar as pessoas, dizendo que haverá lanche para todos. A fila que se forma é enorme e repleta de pessoas aparentemente de origem simples. Come-se o pequeno sanduíche, toma-se o copinho de suco e, então, vai-se embora.

Belgede On nc Yzyl ncesi Trkesinde Soru (sayfa 182-190)