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2. BÖLÜM: KÜLTÜREL BAĞLAMDAKİ ÇALIŞMALAR: BOYUT,

2.5. ALİ SELAMİ SARGUT’UN EMİK, ETİK VE TÜRETİLMİŞ ETİK

Na semana do início oficial de campanha eleitoral em 2010, O Globo publicou resultados de duas pesquisas de intenção de voto para presidente, dos institutos Datafolha, no dia 3, e Ibope, dois dias depois. O empate entre os candidatos Dilma Rousseff e José Serra apresentado nessas sondagens refletia e reforçava o cenário projetado pelo jornal de que se tratava de uma eleição extremamente polarizada, centrada em uma disputa muito acirrada entre os dois candidatos.

Sem chamada de primeira página, a pesquisa de intenção de voto do Datafolha foi o principal tema político em uma edição dedicada à eliminação do Brasil na Copa do Mundo. A sondagem havia sido divulgada no dia anterior com exclusividade pelo jornal Folha de S.Paulo, mas ainda assim respondeu por quatro das sete matérias dedicadas às eleições presidenciais do jornal carioca.

Na reportagem Curvas diferentes foram abordadas divergências entre o resultado do Datafolha e o de uma pesquisa do Ibope divulgada no dia 23 de junho, em que Dilma Rousseff aparecia com 40%, contra 35% de José Serra, e 12% de Marina Silva. De acordo com a nova pesquisa do instituto paulista, o candidato tucano teria agora 39% das intenções de voto, Dilma Rousseff teria 38% e Marina Silva, 10%. O procedimento de comparar duas pesquisas produzidas por institutos, metodologias e datas diferentes foi visto com reservas pelo Ibope e pelo Datafolha, ouvidos na reportagem.

Na notícia Aliados de Serra e Dilma preveem campanha acirrada até o fim, o jornal dá espaço à disputa de sentido dos resultados da pesquisa protagonizada pelos três representantes das candidaturas que mais pontuaram. A presença de porta-voz da candidata Marina Silva nesse tipo de reportagem é rara, quadro que se modifica apenas na reta final do primeiro turno.

Embora tenha realçado discrepâncias entre os dois institutos, o jornal não fez questionamentos sobre possíveis inconsistências internas à sondagem do Datafolha. É dito, por exemplo, que Marina Silva caiu de 12% para 8% no sul, um terço do seu eleitorado na região, sem qualquer comentário sobre as possíveis razões. Também não se pergunta ao instituto sobre a distância entre José Serra e Dilma Rousseff ter aumentado em seis pontos no nordeste em relação à pesquisa Datafolha anterior (Datafolha: Serra tem 10 pontos à frente de Dilma no Sudeste; Ibope deu empate).

Um dos porta-vozes da campanha de Dilma Rousseff, o líder governista Cândido Vaccarezza, ao comentar a pesquisa, falou que houve “um desvio exagerado na região sul”, porém poupou o instituto: “não é intencional, mas é um resultado que saiu do padrão”. Naquele momento, o empate entre Dilma e Serra foi comemorado pelas duas candidaturas como prova de que suas estratégias estavam no caminho certo; não havia espaço para questionamento das pesquisas (Aliados de Serra e Dilma prevêem disputa acirrada até o fim).

No dia 5, o veículo apresenta os números de uma nova pesquisa Ibope, agora na primeira página (Ibope: Sudeste puxou crescimento de Serra), com identificação do contratante, a Associação Comercial de São Paulo. A sondagem apresenta empate entre Dilma e Serra, com 39%, sendo o principal assunto da cobertura. Ao abordar a diferença de resultado em relação à pesquisa anterior do próprio instituto, que registrava 40% para a petista e 35% para o tucano, o jornal oferece explicações de origem “técnica” e “política” (Sobe-e-desce eleitoral: Serra avança em três regiões, Dilma perde ponto com as mulheres e Marina cai no Sudeste). A primeira fica por conta de Márcia Cavallari, diretora executiva do instituto, que credita à propaganda veiculada no mês de junho a razão da subida geral de Serra; e a “política”, com o deputado tucano Jutahy Junior, que justifica o fato de o candidato “patinar no nordeste” com as alianças políticas da candidata governista em oito dos nove estados na região e a “orgia publicitária” que teria ocorrido até o dia 30 do mês de junho em favor da petista. As duas declarações acabam tornando confuso o argumento da vinculação da propaganda à mudança de posição dos candidatos.

Novamente, o fato político é o empate, agora confirmado, espelhado por um segundo instituto que goza de reputação junto aos grandes grupos de comunicação do país. As campanhas de Dilma e Serra reafirmam o discurso de que suas estratégias estão tendo o efeito esperado e que “tanto petistas quanto tucanos entendem que, só depois do começo da propaganda eleitoral na TV, as pesquisas passarão a refletir diretamente como os eleitores reagem aos candidatos” (PT e PSDB apostam no horário eleitoral para assumir dianteira. (5 jul., 2010)). O jornalista Ricardo Noblat, em sua coluna no jornal naquela edição, afirmou que o empate devolveu entusiasmo aos torcedores do tucano. Relembrou o processo decisório que levou o político paulista a lançar-se pela segunda vez à disputa pela presidência, quando o PSDB encomendou e apresentou-lhe uma pesquisa “destinada a provar que ele deverá derrotar Lula – quer dizer, e com todo o respeito – o poste escolhido por Lula para sucedê-lo”. O colunista refere-se ainda ao papel das pesquisas de intenção de voto nas eleições ao comentar que o

equilíbrio restabelecido por elas naquela primeira semana de julho animou além das duas candidaturas melhor posicionadas:

O time de Dunga afundou depressa. Imagine só se o de Serra ou o da Dilma tivesse afundado antes do início oficial da campanha. Ou do início da propaganda eleitoral gratuita marcado para o dia 17 de agosto. Convenhamos: a eleição perderia sua graça. Não para os eleitores. Mas para nós, jornalistas. E para os políticos. E para os lobistas e homens de negócios. E para caçadores de empregos.

No editorial Festival de gastança (7 jul., 2010), o jornal expressa a leitura que faz do cenário naquele momento relacionando-o à posição de crítica à política de gastos do governo Lula, como repercussão da principal reportagem veiculada no dia anterior (Em três dias, meio bilhão de emendas parlamentares).

As pesquisas de opinião indicam, por enquanto, que as eleições serão mais apertadas para o Planalto do que o governo pressupunha a partir dos índices de aprovação do presidente Lula. Com esse volume de gastos e contratação de pessoal, o atual governo compromete a futura administração. Seja ela de quem for.