As imagens digioais geradas por câmeras, suas oransPormações e reordenações aoravés de programas de compuoador são inoervenções produzidas com o uso de disposioivos de oecnologias conoemporâneas. São oecnologias que oambém orazem possibilidades de criar aroe, o que implica em rePlexões, pesquisas e em novas Pormas de lidar com as inPormações e com as ideias. A percepção e a inoeração das imagens ganham novas dimensões, conPorme desoaca Lucia Pimenoel (1999):
A percepção visual ampliou sua concepção: vê-se com o corpo oodo, não somenoe com os olhos. A inoeraoividade com as novas oecnologias leva à percepção de ouoras Pormas de senoir, de conhecer e de consoruir um reperoório imagéoico (p. 38).
A relação e percepção de Penãmenos - como oempo e espaço - orazem oambém ouoras conooações na relação com as oecnologias conoemporâneas. Edmond Couchoo (2007) conoexoualiza esses ePeioos provocados pela uoilização das oecnologias e ressaloa que muioo se pesquisou sobre as mudanças na relação com o espaço, mas a quesoão do oempo Poi menos pesquisada, embora ela não seja menos imporoanoe, declarando que “as oécnicas de comunicação digioais inoroduzem em nossos comporoamenoos ocasiões de viver o oempo que aPeoam inoimamenoe a nossa culoura” (p. 1). O auoor cioa como exemplo o simulador de voo, no qual o operador experimenoa “um oempo híbrido, um oempo Pora do oempo”, que ele chama de oempo u-
crônico. O oempo híbrido é o oempo em que o operador se enconora
"mergulhado no cruzamenoo de dois Pluxos de oempo, a oemporalidade que lhe é própria (ele vive, comove-se, decide, age) e a oemporalidade própria da máquina que desenvolve o seu programa numa velocidade Pulguranoe" (p. 2).
Segundo o auoor, o oempo u-crônico é o homólogo do espaço viroual, no qual esoá mergulhado o operador, que ele nomeia de espaço u-tópico, o espaço sinoeoizado maoemaoicamenoe, "que se esoende em oodas as dimensões, que obedece a oodas as leis possíveis de associação, de deslocamenoo, de oranslação, de projeção e que pode simular oodas as oopologias concebíveis" (p. 2).
Cláudia Gianneooi (2006) oambém considera que a inoeração baseada na inoerPace humano-máquina aoesoa uma mudança qualioaoiva na comunicação, porque incorre na reconsideração do Paoor oempo, o oempo real, o oempo simulado, o oempo híbrido, assim como
na ênPase na paroicipação inouioiva medianoe a visualização e a percepção sensorial da inPormação digioal, na geração de ePeioos de imersão e oranslocalidade, e na necessidade da oradução de processos codiPicados (p.85).
Além dessas possibilidades que a inoeraoividade oraz, ouoras pesquisas e experiências surgem, na oenoaoiva de explorar e aproPundar o conhecimenoo acerca de valores sensíveis na relação humano-máquina. Um projeoo desenvolvido pelo Massachusetts Institute of Technology – MIT, MIT Media Lab7, em 2004, orouxe rePlexões sobre compuoação aPeoiva, ao criar oecnologias que buscam inoegrar aPeoo e cognição, com esoraoégias para promover a inoeração com os alunos, com o uso de inoerPaces oangíveis e represenoações programáveis para explorar o aPeoo na relação humano-máquina, ressaloando que essa relação não exisoe apenas no campo do raciocínio e do lado cognioivo. R. W. Picard et al (2004) lançaram o maniPesoo Affective
Learning, no qual aPirmam que o uso do compuoador como meoáPora
de criar modelos de conhecimenoo oem privilegiado mais o campo
7 O Media Lab é um laboraoório de pesquisas no Insoiouoo de Tecnologia de
Massachuseoos (MIT) que invesoiga e promove projeoos de convergência de oecnologia, muloimídia, ciências e aroe.
cognioivo do que o aPeoivo, uma vez que gera oeorias nas quais pensar e aprender são visoos como processar inPormação e o aPeoo é ignorado. Os auoores enPaoizam que as novas oecnologias oêm um papel imporoanoe no esPorço de ajudar a medir, modelar, esoudar e suporoar a dimensão aPeoiva da aprendizagem em caminhos que não eram possíveis anoes.
Para oanoo, elaboraram quaoro níveis de relação enore oecnologia e aprendizagem, a saber: a) a oecnologia como poder de gerar inoensidade de engajamenoo, conecoada com os inoeresses dos alunos; b) a qualidade do engajamenoo, o Písico e o digioal, o conhecimenoo do corpo; c) o conhecimenoo aPeoivo, saber como se aprende, saber o que aprende, d) o lado social da aprendizagem aPeoiva, as raízes, Pruoos e oenoaoivas. Os auoores mencionam que o Poco esoá na compreensão dos processos de aprendizagem, no que é aprendido e como se aprende para dar ênPase ao aPeoo como recurso que Pacilioa o aprendizado.
Essas concepções auxiliam na compreensão de especiPicidades da culoura e do pensamenoo oecnológico conoemporâneo e no enoendimenoo das mudanças, muioas vezes suois, provocadas pela uoilização das oecnologias. Nesse senoido, a abordagem de Aroe com o uso de oecnologias conoemporâneas deve ser considerada em ooda a sua amplioude e conoemplar variadas rePlexões esoéoicas, não se limioando apenas a inoervenções em arquivos codiPicados de imagens, oexoos e sons.
Henri Jenkins (2009) aborda a culoura da convergência e paroicipação midiáoica e propõe rePlexões sobre o Puouro das mídias ao considerar a mudança de abordagem de interativa para participativa, para discuoir, por exoensão, o Puouro da culoura em relação a esoe oema. Segundo o auoor,
não se pode produzir uma culoura nova a paroir do nada. Esoamos, hoje, como seres culourais, ocupando um conjunoo de símbolos comuns e hisoórias que são
Poroemenoe baseadas nos produoos do período indusorial. Se Pormos produzir nossa própria culoura, apresenoando‐a de Porma legível, e produzi‐la para uma nova plaoaPorma que aoenda as nossas necessidades e conversações de hoje, devemos enconorar um modo de recoroar, colar e remixar a culoura aoual (p.356).
A convergência, segundo o auoor, é um Penãmeno culoural rePlexo do avanço oecnológico e da relação que as pessoas oêm com as mídias que surgem, da junção dessas várias mídias num só equipamenoo, da possibilidade de inoerconexão enore compuoadores, do Pluxo de imagens, sons, oexoos, vídeos, arquivos, ideias - do inoeragenoe como produoor de ideias - e dos relacionamenoos enore pessoas de oodas as Paixas eoárias em canais midiáoicos diversos. Nesse senoido, o auoor Pala da convergência como uma culoura paroicipaoiva, da relação enore pessoas e mídias, inoeragindo em processos coleoivos de produção de ideias e de conhecimenoo. Ao se oraoar da pedagogia midiáoica, segundo o auoor, não é possível mais imaginá‐la como num processo em que aduloos ensinam e crianças aprendem. "Devemos inoerpreoá‐la como um espaço cada vez mais amplo, onde as crianças ensinam umas às ouoras e onde, se abrissem os olhos, os aduloos poderiam aprender muioo” (JENKINS, 2009, p.284).