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Cap. 5 – O Palácio da Vila do Carmo (1710-1717)
(...) assim me parece representar a Vossa Majestade que em todos os governos há casa para os governadores, menos neste governo, sendo o que mais necessita por serem todas as casas de palha, e a não serem estas não teriam onde viver com segurança pelos grandes incêndios que de contínuo aqui sucedem (...).
Dom Brás Baltasar da Silveira, 22 de maio de 1714.
Em novembro de 1709, enquanto paulistas e forasteiros enfrentavam-se no Rio das Mortes, orquestrou-se em Lisboa o reordenamento político das Minas. Uma nova unidade administrativa, separada do Rio do Janeiro, a capitania de São Paulo e Minas de Ouro, foi designada a Antônio de Albuquerque, a quem se confiaram prerrogativas especiais. O governador deveria largar a praça carioca ao sucessor e tão logo passar a São Paulo e aos distritos mineradores. Ao preposto cabia a escolha do local de “vossa residência em qualquer destas partes, que vos parecer mais conveniente ao meu serviço”. Apesar da menção à capital paulista, as ordens reais concentravam-se nas Minas de Ouro, onde o enviado tinha a incumbência de fundar povoações, expulsar religiosos de mau procedimento, pôr em arrendamento o direito dos quintos, coibir os descaminhos, levantar regimento de até quinhentas praças e distribuir patentes militares, inclusive as de “governador das povoações”, para as quais havia de eleger com igualdade paulistas e reinóis.360
Chama atenção a prerrogativa concedida a Albuquerque de escolher, a seu arbítrio, a localidade ou o sítio de instalação de sua moradia. O rei deixou em aberto, inclusive, a opção por “qualquer destas partes”, isto é, por São Paulo ou pelo “distrito das Minas”. Outra vez delegou-se ao funcionário comissionado a responsabilidade pela tomada de decisões importantes, à luz do trato direto com o contexto local. Na prática, a definição da residência governamental implicava o estabelecimento de um centro político. Muito embora esse aspecto não tenha sido mencionado explicitamente, permanecia a obrigatoriedade de que o governador fosse recepcionado, abrigado e protegido por potentados locais. A Coroa valia-se de um acordo tácito e contava com a
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ESTABELECIMENTO do governo do senhor Antônio de Albuquerque. Lisboa, 9 de novembro de 1709. APM SC 04, p 1-4. O mesmo documento consta em CARTA régia dando instruções para o estabelecimento do governo de Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, APM, SC 05, fls. 23-24; e ainda CARTA de V. Majestade para o senhor governador e capitão-general Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho em que se dá a forma da criação deste novo governo de São Paulo e Minas, e direções para ele. APM, SC 06, fl. 2.
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existência de interessados em prover o teto oficial, ambiciosos de acrescer o rol de serviços prestados à monarquia. Além disso, a liberdade de escolha por parte do funcionário permitia a obtenção de vantagens e a consecução de estratégias políticas que parecessem mais apropriadas ao momento.
Antônio de Albuquerque permaneceu no Rio de Janeiro nos primeiros meses de 1710. Em abril, ainda no litoral, informou que partiria logo para São Paulo, “por viagem de mar arriscada”, e dali para as Minas, “em cuja jornada hei de gastar não só muito tempo, mas considerável fazenda”. Alegando o alto custo da jornada e o elevado preço das mercadorias nas Minas, “porque tudo em aquelas partes é muito caro, em que a menor moeda é uma oitava de ouro que são dez tostões”, solicitou e obteve acréscimo de mais seis mil cruzados em seu soldo, que alcançou, assim, dezesseis mil cruzados.361 O percurso até São Paulo se deu ao longo do mês de maio e a posse ocorreu nessa vila a 12 de junho, em cerimônia realizada na câmara municipal. Vinte dias depois, o general presidiu uma junta de procuradores em que tiveram assento trinta e seis homens, entre os quais se achavam membros do clero local, oficiais da câmara de São Paulo e procuradores das vilas de São Vicente, Santos, Parnaíba, Mogi, Jacareí, Jundiaí, Itu e Sorocaba, e ainda alguns expoentes da “nobreza” local. A reunião realizou-se “nos Paços onde mora o governador”, em residência espaçosa o suficiente para recepcionar a extensa lista de representantes convocados pela autoridade, que dava início à política de decisões colegiadas, marca de sua gestão e da de seu sucessor na capitania de São Paulo e Minas de Ouro.362
Dez dias depois, a 17 de julho, nova junta foi convocada e dirigida pelo general. Também ambientada nos “Paços onde mora o governador”, essa sessão teve assistência de plateia pouco menor, formada por trinta e três indivíduos, entre os quais inexistiam eclesiásticos. A questão da imposição de direitos a serem carreados para a Fazenda Real dominou a reunião. Outro tema discutido relacionou-se à proposta de criação de três companhias militares pagas, a serem compostas por nativos, cujas atribuições seriam a guarnição da capitania de São Paulo e “alternativamente” a “guarda à pessoa que a governar e aos ministros de justiça, para esta se administrar com respeito e obediência, e a poder haver para todos os mandatos do governo”. Por fim, travou-se um longo debate sobre a proibição do porte de armas de fogo por parte de mamelucos, carijós, mulatos e
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AHU, Rio de Janeiro. cx. 8, doc. 867.
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TERMO de uma junta geral que fez senhor governador e capitão-general Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho sobre a nova forma e cláusulas com que S. Majestade foi servido mandar criar este governo para aumento das Minas e sossego e restituição a elas destes moradores de São Paulo. São Paulo, 7 de julho de 1710. APM, SC 06, fls. 3-5
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negros, “esta casta de gente” que transitava fortemente armada, mesmo na ausência de seus senhores.363
As juntas de julho se desenvolveram em momento especialmente tenso e propiciaram o reencontro de Albuquerque com as lideranças paulistas há pouco derrotadas na peleja contra os forasteiros, no Arraial Novo. Um basta às “inquietações das Minas” e a exigência de que paulistas tivessem assegurados o “comércio” e o trânsito até a zona mineradora foram propostas defendidas uniformemente pelos presentes, na expectativa de que “se conservarão os que nelas assistirem e entrarem com justiça e sem vexação alguma ocasionada pelos forasteiros”. Além da querela com os emboabas, outro assunto dominou a primeira sessão: o descontentamento com o monopólio da comercialização de sal, a partir de seu armazenamento na vila de Santos. Solicitou-se do rei o fim do estanco, que estava a causar escassez no abastecimento de sal e a especulação do preço desse produto.364 O pedido refletiu o clima de insatisfação que culminou, meses depois, na célebre ação perpetrada pelo justiceiro Bartolomeu Fernandes de Faria, que, saído de Jacareí com duzentos índios e africanos armados, seus escravos, invadiu a vila de Santos, arrombou e saqueou armazéns onde se estocava sal, para depois repartir o butim entre os necessitados de Serra Acima.365
Quando a pilhagem aos depósitos da baixada santista ocorreu, o governador já se encontrava nas Minas. Partiu de São Paulo a 10 de agosto, lá deixando, em conformidade com a jurisdição que lhe havia sido confiada pelo rei, um “governador de povoação”, o mestre de campo Domingos da Silva Bueno. No dia 21 de agosto, dormiu em Guaratinguetá. No princípio de setembro, pisou no Rio das Mortes. E a 11 desse mês já assinava cartas a partir das “Minas Gerais”. Permaneceu ali até, pelo menos, o fim do mês, expedindo registro a 28 de setembro, outra vez referenciado das “Minas Gerais”.366 Fato contraditório de sua jornada constou na carta que escreveu ao rei no dia 12 de outubro de 1710, assinada em Guaratinguetá, a sugerir um possível retorno ao caminho de São Paulo em outubro.367 Esse regresso talvez explique a inexistência de
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TERMO de uma junta que convocou o sr. governador e capitão general Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho sobre vários particulares pertencentes ao aumento da Fazenda Real e quintos de ouro, e companhias pagas que se devem levantar nesta Vila de São Paulo. 17 de julho de 1710. APM, SC 06, fls. 6-8.
364
APM, SC 06, fls. 3-5.
365
MONTEIRO, J. M. “Sal, justiça social e autoridade régia São Paulo no início do século XVIII”.
Tempo, n. 8, 1999, p. 23-40.
366
APM, SC 07, fls. 20-35v.
367
CARTA do governador das Minas, Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, ao rei [D. João V], sobre a falta de cumprimento da ordem para não irem para as ditas Minas, eclesiásticos sem emprego ou préstimo de missionários, e sobre o mau procedimento de muitos frades e clérigos que ali se encontram. Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, 12 de outubro de 1710. AHU, MG, Cx. 1, doc. 20.
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despachos seus na secretaria de governo ao longo desse mês.
De toda forma, a 10 de novembro de 1710, Albuquerque presidiu a primeira junta de procuradores realizada nas Minas, com a presença de moradores oriundos dos principais arraiais. A sessão transcorreu nas “Minas Gerais em casas em que mora o senhor governador”.368 Vinte dias despois, a primeiro de dezembro, uma segunda conferência também foi assinada no mesmo endereço.369 Muito embora o termo “Minas Gerais” abrangesse àquela altura áreas compreendidas pelos futuros termos de Vila Rica e Vila do Carmo, Diogo de Vasconcelos foi categórico na afirmação de que a primeira junta sucedida em solo minerador teria se dado no Ribeirão do Carmo, onde o governador fixara inicialmente sua residência. Segundo o autor, a escolha da sede teve propósito político estratégico. O Carmo se mantivera neutro ao longo da Guerra dos Emboabas e rechaçara a jurisdição de Nunes Viana, permanecendo fiel à “autoridade legítima”. Além disso, entre seus próceres constavam tanto paulistas quanto forasteiros que não se envolveram nos confrontos de véspera e nutriam convívio pacífico entre si. Essa “neutralidade” teria determinado a opção pela localidade.370
A leitura feita pelo historiador é convincente e se adéqua às evidências documentais disponíveis.371 Um relato anônimo do Códice Costa Matoso de fato confirma que o general “no Ribeirão fez a sua assistência e ali convocou a todos os principais destas Minas”.372 A concórdia das facções beligerantes era objetivo a ser alcançado pelo governador, superando assim a animosidade entre descobridores e forasteiros. Nesse sentido, o exemplo do Carmo representava simbologia política que convinha explorar. A escolha domiciliar parece coadunar-se, ademais, à lógica seguida por Albuquerque em ocasiões pretéritas, em Caeté e no Rio das Mortes, por exemplo, quando optara por abrigar-se em casas pertencentes a indivíduos considerados neutros ou não alinhados aos partidos em disputa.
Apesar de haver sediado as juntas no Carmo, Albuquerque não esteve imóvel nessa localidade. Seu curto, itinerante e atribulado mandato à frente da nova capitania legou registros de estadias intermitentes e de movimentações constantes. Imediatamente
368
TERMO de uma junta geral que fez nestas Minas o Sr. Gov. e Cap. Gen. Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho sobre o estabelecimento e melhor forma que se haveria de tomar para esta nova conquista e sua conservação; e meio mais suave que se devia eleger para a boa arrecadação dos quintos de S. Majestade. Minas Gerais, 10 de novembro de 1710. APM, SC 06, fls. 8-10.
369
TERMO da segunda Junta que se fez por ordem do sr. governador e capitão general Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, para se continuar o que se havia proposto e principiado no primeiro antecedente. Minas Gerais, 1º de dezembro de 1710. APM, SC 06, fls. 11-12v.
370
VASCONCELOS, D. de História Antiga... p. 287.
371
FONSECA, C. D. Arraiais e Vilas D´El Rei: espaço e poder nas Minas setecentistas. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011, p. 145.
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após a primeira conferência, rumou para as “Minas Gerais de Ouro Preto”, onde despachou documento datado do mesmo dia, 10 de novembro. Pouco depois, estava em Casa Branca, nos campos de Ouro Preto, a assinar despachos entre 15 e 19 de novembro de 1710. Sepultou dois escravos seus em Cachoeira do Campo nesse período.373 Uma narrativa anônima registrou a informação de que a primeira residência de Albuquerque nas Minas localizava-se no arraial de Santo Antônio da Casa Branca.374 Dois dias adiante, a 21 desse mês, o governador tornou a referenciar suas cartas a partir das “Minas Gerais”.375 Não sabemos se empreendeu outros deslocamentos. O mais provável é que tenha permanecido no Carmo ao longo desse mês intercalado entre fins de novembro e fins dezembro de 1710.376
Todavia antes do ano novo recolocou o pé na estrada, em direção ao Rio das Velhas. Passou por Sabará, a 4 de janeiro, esteve em Caeté entre 14 e 21 desse mês e depois voltou ao primeiro arraial, onde se hospedou entre 24 de janeiro e 8 de fevereiro de 1711. Terá sido recepcionado e mantido por Borba Gato em Sabará, como o fora o superintendente José Vaz Pinto na década anterior? Não sabemos. Ao todo, ficou por mais de um mês no Rio das Velhas. Em trânsito de volta, expediu documento nas “Minas Gerais” (de Ouro Preto), no dia 15 de fevereiro, antes de chegar em definitivo ao Ribeirão do Carmo, a 17 desse mês.377
Deu-se então o período mais extenso no Carmo, a comprovar que, àquele momento, o governador dispusera-se a residir nesse arraial. Ali domiciliou por quase cinco meses ininterruptos, até 7 de julho de 1711. Em abril, lavrou-se o termo de ereção da vila, a primeira das Minas, mas mesmo após esse despacho Albuquerque continuou a referenciar seus documentos a partir do “Arraial do Ribeirão do Carmo”. A ata de
373
Segundo Diogo de Vasconcelos, “Albuquerque passando pela Cachoeira deixou doentes dois escravos gentios de Guiné: Frutuoso e Pedro. O primeiro ali faleceu no dia 17, e o segundo no dia 18 de novembro de 1710, como se vê do 1º livro de óbitos”. VASCONCELOS, D. História Antiga... p. 287.
374
Códice Costa Matoso... p. 200.
375
APM, SC 07, fls. 36v.-37.
376
Há dilema factual relativo à localização da segunda junta realizada nas “Minas Gerais”, a 1º de dezembro de 1710. Diogo de Vasconcelos afirmou que essa junta teria se dado no arraial de Ouro Preto, de maioria emboaba. Porém, a indistinção dos referenciais descritos nas sessões de 10 de novembro e de 1º de dezembro não permite certificar tal localização. Ao contrário, como vimos, uma evidência documental comprova que o governador esteve nas “Minas Gerais de Ouro Preto” no dia da primeira junta, a 10 de novembro, e não no da segunda. Diferentemente do que sucedera nos primeiros tempos da ocupação, quando a jornada entre Carmo e Ouro Preto podia se estender por até quatro dias, em razão das adversidades situadas no caminho, àquela altura já havia se tornado possível cumprir o trajeto entre o Carmo e Ouro Preto em menos de um dia de jornada, como se pode comprovar documentalmente em despachos feitos por governadores em anos posteriores, assinados a partir das duas localidades, numa mesma data. Por isso acredito que a primeira junta de fato ocorreu no Carmo, apesar da carta assinada em Ouro Preto no mesmo dia. Por fim, em vista da homologia descritiva encontrada nas duas atas, julgo que ambas as juntas foram sediadas num só local, nesse caso, na Vila do Carmo. VASCONCELOS, D.
História Antiga... p. 287-88.
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ereção foi assinada “nas casas em que mora o senhor governador”.378 Já os termos de eleição e de posse da câmara, ocorridos nos dias 4 e 5 de julho, se deram “no Palácio em que mora o senhor governador”.379 Essa foi a primeira vez que o termo “palácio” designou a morada de um general mineiro. Com a fundação da câmara, o arraial transformou-se enfim em “Vila de Nossa Senhora do Carmo de Albuquerque”. O rei, pouco depois, ao reconhecer a criação, retirou a homenagem ao governador, inserindo o título de “leal” à vila que resistira ao governo de Nunes Viana.380
Uma segunda etapa de deslocamentos resultou na criação de outras duas vilas. Nos dias 8 e 9 de julho, a autoridade achou-se em Vila Rica, a presidir as mesmas sessões de ereção, eleição, juramento e posse da câmara, todas sucedidas “nas casas em que assiste” ou “nas casas em que mora” nessa povoação.381 A 10 de julho ainda expediu documentos referenciados em Ouro Preto.382 Na semana seguinte repetiu o cerimonial em Sabará, a inaugurar Vila Real da Conceição, em sessões ocorridas nas “casas onde se acha o senhor governador”, expressão comprobatória de que não chegara a residir no Rio das Velhas, ali estando apenas de passagem.383 Hospedou-se em Vila Real por dez dias, entre 17 e 27 de julho. Ao partir, deixou o mestre de campo Sebastião Pereira de Aguillar como governador dos distritos de Caeté e Sabará, função que o mesmo exercera anteriormente na condição de capitão-mor.384
Até esse momento, os documentos atestam a existência de duas moradias utilizadas pelo governador, um “Palácio” no Carmo e uma “casa” em Vila Rica. De sua chegada às Minas Gerais, em setembro de 1710, até a segunda jornada ao Rio das Velhas, em julho de 1711, o governador permaneceu a maior parte do tempo em seu “Palácio” no Ribeirão do Carmo, sobretudo ao longo do mês de dezembro de 1710 e no
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TERMO de uma junta que fez no arraial do Ribeirão do Carmo o senhor governador e capitão general Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho para se haver de levantar no dito arraial uma das vilas que S. Majestade tem ordenado se erijam nestas Minas. Ribeirão do Carmo, 8 de abr. de 1711. APM, SC 06, fl. 14.
379
TERMO da junta que se convocou para se fazer a nova eleição da câmara que há de servir este ano, nesta nova vila. Vila do Carmo, 4 de jul. de 1711. APM, SC 06, fl. 17v. TERMO de Posse e juramento que se deu aos novos eleitos oficiais da câmara que saíram para servir este ano. APM, SC 06, fl. 18. Grifo meu.
380
VASCONCELOS, D. História Antiga... p. 291.
381
A expressão “casas em que assiste” ocorre no TERMO de ereção de Vila Rica. 8 de julho de 1711. APM, SC 06, fl. 20. Já a outra, “casas em que mora”, se repete no TERMO de eleição que se fez para os eleitores que hão de eleger os oficiais da câmara desta nova vila. Vila Rica, 8 de julho de 1711. APM, SC 06, fl. 21v. E também no JURAMENTO e posse dos Oficiais eleitos para a câmara. Vila Rica, 9 de julho de 1711. APM, SC 06, fl. 22.
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APM, SC 07, fl. 122v.-123.
383
TERMO de ereção de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, Rio das Velhas. Arraial de Barra do Sabará, 17 de jul. de 1711. APM, SC 06, fl. 23.
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ORDEM para o mestre de campo dos auxiliares dos distritos do Rio das Velhas, Sabará e Caeté, Sebastião Pereira de Aguillar, ficar governando os ditos distritos na forma que o faria como capitão-mor. Vila Real, 27 de julho de 1711. APM, SC 07, fl. 128v.
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intervalo entre meados de fevereiro e princípios de julho de 1711. Nesse interim, porém, pernoitou frequentemente em Ouro Preto, valendo-se de imóvel ao seu dispor ali situado, mesma propriedade onde recepcionou os oficiais da recém-criada câmara de Vila Rica, empossados na casa “onde mora” o governador. Além desses dois imóveis residenciais, o trânsito e as curtas estadias por diferentes arraiais das “Minas Gerais”, como Cachoeira do Campo e Casa Branca, e do Rio das Velhas, como Caeté e Sabará, implicaram na escolha de dormitórios esporádicos, talvez mutáveis ou volantes em cada localidade.
Depois disso, entretanto, houve transferência da residência oficial do Ribeirão do Carmo para a vila vizinha. A partir de 7 de agosto – quando o general retornou da viagem empreendida a Sabará, para a criação dessa vila – até fins de setembro, os registros exarados por Albuquerque foram todos expedidos nas “Minas Gerais”. A nomenclatura genérica não deixa claro se a estadia se deu preferencialmente em Vila Rica. Pelo menos um registro, datado de 27 de agosto, foi lavrado em Casa Branca. No mesmo dia, contudo, outros documentos estão referenciados em “Minas Gerais”, o que induz à impressão de que essa nomenclatura pudesse corresponder, por metonímia, àquele arraial. Nessa data o mestre de campo Pascoal da Silva Guimarães foi nomeado “governador” de Vila Rica.385 Ou seja, Albuquerque não se achava nesse distrito e por isso delegara a função a um terceiro. Teria residido no arraial de Casa Branca todo esse tempo? Não sabemos. O mais provável é que estadias variadas pela região de Ouro Preto, a incluir o interior da vila e os demais arraiais, possam ter ocorrido. Mas uma coisa é certa: não houve retorno à Vila do Carmo.386
Porque no dia 21 de setembro de 1711 chegou o aviso de que o Rio de Janeiro havia sido invadido por corsários franceses.387 Às pressas, organizou-se expedição de socorro, capitaneada pelo próprio general, que jamais tornou à capitania cujo governo