• Sonuç bulunamadı

1.4. Yazma Becerisi Değerlendirme Süreci

2.4.3. Akran Değerlendirmesi

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde foi fundado em 3 de fevereiro de 1982 como uma entidade de direito privado e sem fins lucrativos, e é um reflexo da articulação dos secretários estaduais de saúde.105

Antes mesmo da institucionalização jurídica do CONASS, os secretários estaduais de saúde vinham se encontrando para discutir problemas comuns, principalmente relacionados ao modelo de atenção à saúde e ao financiamento deste sistema. Estes encontros eram influenciados pelos ventos da redemocratização, os ideais da reforma sanitária106 – reforçados pela Conferencia

de Alma-Ata107 – e também por questões concretas, como a necessidade de maior infra-estrutura

e o aumento da pressão da sociedade por uma ampliação do atendimento (Conass, 2007, p. 39).108

Em seus encontros,

105 A articulação dos profissionais vinculados à saúde é mais antiga no Brasil e remonta à década de 1940, quando foi

realizada a 1ª Conferência Nacional de Saúde. ver Anexos para uma lista das Conferências Nacionais de Saúde.

106 O movimento da reforma sanitária materializou-se também do lado acadêmico, com a criação de departamentos

de medicina saúde pública e sua organização em torno do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (CEBES), responsável pela edição da revista Saúde em Debate, e da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) (Cohn, 1989; CONASS, 2006)

107 É como ficou conhecida a Conferência Internacional Sobre Cuidados Primários de Saúde, organizado pela

Organização Mundial de Saúde em 1978 na cidade de Alma-Ata (Cazaquistão). Foi a partir deste encontro que “a preocupação com a questão da saúde coletiva passou a fazer parte das discussões dos governos de diversos países, de organizações internacionais e das próprias comunidades, que tomaram consciência da urgência em dar maior atenção à saúde dos seus habitantes.” (Conass, 2006, p. 35). O relatório da Conferência está disponível em: http://www.opas.org.br/coletiva/uploadArq/Alma-Ata.

108 Nelson Rodrigues dos Santos estabelece uma relação entre o êxodo rural verificado na década de 1970 e o

aumento da tensão social: “Acontece exatamente nos anos 1970 uma explosiva migração das cidades pequenas para as cidades grandes, da zona rural para a urbana. Várias cidades médias, em uma década, passam a ter o dobro de habitantes, porém, essa segunda metade é justamente a população pobre, recém imigrada, sendo a maior parte

Todos os secretários nas reuniões chegaram à conclusão de que eles até poderiam construir a infra-estrutura, mas teriam muitas dificuldades em ter os recursos para custeio. Ficou claro para todos que estavam pretendendo cumprir a recomendação da Assembléia-Geral da OMS, de que eles deviam fazer ações para oferecer postos de saúde, onde a população pudesse chegar pelos seus próprios meios de locomoção e conseguir recursos para fazer a rede funcionar. Ficou claro que o problema era comum, todos os secretários tinham o mesmo problema. (Jatene apud Conass, 2007, p. 39).

Dois foram os aspectos que levaram à articulação dos secretários estaduais de saúde: 1) enfrentamento de problemas similares em termos de infra-estrutura e financiamento das ações; 2) a percepção de que o Governo Federal deveria ampliar o financiamento para as redes estaduais de saúde e descentralizar o sistema.

Os Secretários Estaduais de Saúde estimulados pelo clima de mudanças pelo qual passava o Brasil tomam uma decisão de unir forças no sentido de aumentar sua representatividade, para poder negociar com o Governo Federal, na definição de políticas, estratégias, prioridades, formas de atendimento, estabelecendo condições para cumprir a meta prevista na Conferência de Alma- Ata. (Conass, 2007, p. 40).

Conforme resgatou Adib Jatene, em seu depoimento para o livro de memórias do CONASS, o marco zero da entidade foi uma reunião realizada no dia 3 de fevereiro de 1982, em Curitiba:

Numa reunião que nós tivemos em Curitiba, alguns secretários sugeriram que criássemos um Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde. E como eu participei da 7ª Conferência [Nacional de Saúde, realizado em 1980], cuidando desse assunto, e tinha conversado com vários outros secretários, sugeriram meu nome como primeiro presidente. Essa reunião foi após uma outra ocorrida em Manaus109. Nessa reunião de Manaus foi elaborado um documento

em que havia compromisso de todos os secretários para lutar no sentido de tornar realidade a meta da OMS: Saúde para Todos no ano 2000. (Jatene apud Conass, 2007, p. 39).

A etapa de formação do CONASS está relacionada com a identificação de pontos em comum entre os secretários estaduais. Os compromissos assumidos na Conferência Mundial da

desempregada.” (Santos apud Conass, 2006, p. 32). É exatamente esse novo contingente populacional urbano que começou a pressionar os setores de saúde estaduais e municipais.

109 Reunião realizada nos dias 3 e 4 de dezembro de 1981 pelos secretários estaduais de saúde. Foi elaborado o

Documento de Manaus, dirigido ao ministro da Saúde, cujos principais pontos foram: o repasse de um percentual do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados arrecadados pela União; a garantia de participação do INAMPS na manutenção das redes estaduais enquanto os recursos propostos não fossem garantidos; ampliação das verbas para o Plano Nacional de Saúde. (Conass, 2006, p. 43).

Organização Mundial de Saúde em Alma-Ata também mostraram que o setor de saúde no Brasil, da forma como estava organizada, não atingira as metas propostas. O sucesso dependeria de uma reorganização do sistema de atenção à saúde, envolvendo descentralização das ações e maior apoio técnico e financeiro por parte do Governo Federal.

O primeiro presidente do CONASS foi o secretário de saúde de São Paulo Adib Jatene, que assumiu o cargo durante o primeiro biênio (1982-3). Para Zilda Arns, que à época fazia parte dos quadros da Secretaria de Saúde do Paraná, o papel de Jatene foi fundamental para a consolidação do Conselho:

Lembro que foi colocada a situação do Brasil, a situação epidemiológica, e o que poderia ser feito se os estados estivessem mais unidos, se tivessem mais entrosamento. E lembro bem do Adib Jatene, que frisava que deveria ser fundado um Conselho de secretários estaduais de saúde, para que houvesse um órgão que coordenasse essa articulação, essa soma de esforços em nível nacional. Lembro-me que à noite alguns secretários de saúde se mobilizaram e Adib Jatene estava muito animado, falando da necessidade de se criar um organismo, e todos os secretários estavam favoráveis. (Arns apud Conass, 2006, p. 41).

A criação do CONASS contou com a presença do ministro da Saúde e também do ministro da Previdência Social, ocasião que foi aproveitada pelo CONASS para solicitar “a representação deste Conselho nos órgãos colegiados federais de interesse para área de saúde.” (Gazeta do Povo, 1982, apud Conass, 2006, p. 39). Desde sua origem, o Conselho tem uma meta clara de tentar influenciar nas decisões sobre o sistema de saúde brasileiro.

Segundo o próprio CONASS, o intuito era tornar as Secretarias Estaduais de Saúde “mais participantes do esforço de reconstrução do setor saúde, como parte de uma ampla pauta social” (Conass, 2003, p.9). Em seus primeiros anos a entidade pautou-se por atividades pontuais,

(...) dado o estágio ainda primário de organização da gestão da saúde no País. O Governo Federal, por intermédio do INAMPS e do Ministério da Saúde, era na prática o único gestor do sistema de saúde brasileiro, ficando os Estados e os municípios, que apenas gerenciavam suas redes próprias, como meros prestadores de serviços, ao lado dos filantrópicos e privados. (Conass, 2003, p.9).

Do ponto de vista sistêmico, o Conselho passou a pressionar o Governo Federal por mudanças, principalmente a unificação da política de saúde, então a cargo de dois ministérios, o da Saúde e da Previdência Social. A principal preocupação, porém, era quanto ao financiamento das ações de saúde pelos governos estaduais, dado o aumento da demanda por parte da

população e à centralização de ações e recursos nos dois ministérios. Ainda como resultado da reunião de Manaus, ficou decidido que os secretários iriam à Brasília propor a criação de um fundo federal destinado ao financiamento das ações de atendimento primário dos governos estaduais. A reunião foi com o ministro do Planejamento Delfim Neto e, segundo Jatene, a idéia foi bem recebida:

Nós fomos todos para Brasília, expusemos isso ao Ministro e ele achou muito interessante a idéia e nos disse duas coisas: “Consigam que seus governadores falem comigo, que eu apoio esse programa. E segundo, marquem uma audiência com o Ministro Golberi do Couto e Silva – da Casa Civil – cuja opinião é fundamental. Eu vou me dedicar a esse assunto, embora o que vocês estão propondo, um percentual do IPI ou do imposto de renda, não me parece viável, mas eu vou estudar uma forma de fazer esse fundo.” (Conass, 2007, p. 46).

Segundo Jatene, o Governo Federal chegou a criar um fundo com as características propostas, mas recebeu do novo ministro chefe da Casa Civil Leitão de Abreu o seguinte comentário: “‘Olha secretário, de fato o fundo está criado, mas não vai ser destinado às secretarias estaduais. Nós vamos colocar esse fundo no BNDE, acrescentar um S [social] e esse recurso ficará a disposição do Presidente, para atender situações emergenciais, inclusive na área da saúde’. Essa foi uma enorme frustração.”(Jatene apud Conass, 2006, p. 46).

José Guedes, que fazia parte da equipe estadual de São Paulo, percebeu que a priorização da saúde dependeria, ao menos naquele momento, não só da articulação dos secretários estaduais, como relatou em depoimento para o livro de memórias do CONASS,

(...) ouvi do Delfim Neto naquela reunião, o seguinte: “só vocês – era um grupo de secretários estaduais – é que dizem que saúde tem prioridade. Eu não recebo aqui governadores dizendo que saúde é prioridade. Não recebo aqui prefeitos dizendo que saúde é prioridade. E hoje – ele dizia – está em Brasília, percorrendo os vários gabinetes do governo, um grupo de prefeitos, que está discutindo o subsídio especial para o diesel. Então, isso para eles é prioridade, é o transporte e não sei mais o quê. Saúde não aparece aqui”. Então, acho que esse foi um momento importante. Isso está no nascimento do CONASS, um pouquinho antes, um pouquinho depois dessa primeira reunião. Foi uma coisa de muita consciência naquele momento, em que os secretários estavam certos de que teriam que tentar conquistar este espaço, esta prioridade. (Guedes apud Conass, 2006, p. 46).

Os secretários estaduais de saúde, que já se articulavam em fóruns informais, começavam então a dar os primeiros passos em direção à cooperação e coordenação de suas ações. Esta articulação ocorreu antes das eleições para governadores e prefeitos ocorrida em 1982.

Benzer Belgeler