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AKP İktidarına Avantaj Sağlayan Yasaların Kabulü Meselesi

A organização de um pequeno grupo de

antiquisants em torno da RUM não passou

desapercebida pela instância dominante no campo das revistas especializadas nos estudos greco-latinos, a REG. Quem emitiu uma opinião sobre aà o o e te à foià oà p óp ioà di eto à da revista, Théodore Reinach.

O pretexto para tal manifestação surgiu da crônica que Georges Radet publicou logo no primeiro número da RUM, L’I ve tio de la

Monnaie (RUM, 1895: 116-121). Nela, entre

outras coisas, o autor insinuou que Reinach havia se apossado de ideias desenvolvidas por ele, Radet, sem lhe reconhecer os devidos créditos (em especial, no tocante ao comércio marítimo no Mediterrâneo Oriental).

A resposta veio na forma de uma nota breve e mordaz, estrategicamente colocada ao final da resenha que Théodore Reinach escrevera acerca de outro artigo publicado na RUM (REG, 1895: 159-160). Nesse texto, o autor criticou Radet por este se vangloriar da paternidade de e tasà ve dadesà ele e ta es à eà aproveitou a deixa para definir o lugar da RUM nos seguintes termos:

A revista de onde se extraiu esta excelente memória subsititui os Annales da Faculdade de Bordeaux e, creio eu, uma outra publicação similar; é já um progresso, mas me parece que os compêndios desse gênero, ao mesmo tempo vastos pelo programa e estreitos pela redação, são uma aplicação equivocada do princípio de descentralização universitária. A verdadeira descentralização consiste em abrir com liberalidade nossas revistas especializadas aos trabalhos de professores de província e não a inumar estes

trabalhos em saladas de frutas locais onde os especialistas não os irão procurar em meio a tantas coisas indiferentes .

Radet, por seu turno, respondeu à crítica dos dominantes naquele mesmo ano (RUM, 1895: 345-346):

O brilhante e fogoso diretor da Revue des Études Grecques não ama as revistas provinciais. Ele reserva suas preferências aos compêndios onde ele é mestre ou onde ele pode trazer o auxílio de sua ciência, que é vasta, aos seus colaboradores provinciais. Para ele, a verdadeira descentralização consiste em dirigir a Paris todos os trabalhos da província. O próprio Sr. Brunetière não estaria talvez muito satisfeito com esta definição inesperada. É difícil ver como artigos enviados de Toulouse ou Marselha, de Montpellier ou Bordeaux, a periódicos parisienses contribuirão para o desenvolvimento intelectual das cidades nas quais eles foram elaborados. O inverso se compreende melhor. Paris é povoada de provinciais que não guardaram uma má lembrança da província. Paris é mesmo povoada de parisienses que, por serem de tão pura raça parisiense como o Sr. Th. Reinach, não são contudo hostis à nossa iniciativa. A Sorbonne, menos orgulhosa que nosso espirituoso contraditor, não nos despreza e nós acolhemos bem as páginas que ela não hesita em ´inumar´ aqui.

Aliás, com o progresso do tempo e o aumento de recursos, nós não perdemos a esperança de dividir ossa “alada de F utas e um certo número de sessões homogêneas onde os especialistas encontrarão apenas memórias de mesma natureza. Sem dúvida, nossa publicação, qual seja ela, jamais terá o brilho daquela que o Sr. Th. Reinach tornou tão próspera e onde ele nos oferece uma hospitalidade generosa .

161 Mas qual o propósito da criação de uma nova revista? Já no derradeiro volume da RUM se anunciou que esta seria dividida em duas: a Revue des Études Anciennes e a Revue des Lettres Françaises et Étrangères, cada uma com sua fisio o iaàprópria (RUM, 1898: 362). No ano seguinte, a cisão foi justificada por Georges Radet como u aàde o iaàdaà leià ode aà daàdivis oàdoàt a alho ,àaà ualàteria por efeito a u i oàpelaàespe ializaç o (REA, 1899: 1-6). Ele, cujo posto de diretor foi mantido com o fim da RUM, sugeria com tal formulação que cada Faculdade de Letras do Midi publicasse um periódico especializado associado às atividades privilegiadas por seu corpo docente. Segundo tal proposta, Bordeaux ficaria encarregada do estratégico domínio daà e udiç oàg e o-lati a ,àhe a çaàdosàAnnales originais. Com efeito, em se tratando de uma área de grande prestígio dentro e fora da França, a tendência era que isso colocasse a Faculdade de Letras de Bordeaux no mapa da filologia clássica. Entretanto, advertiu Radet, só isso não bastava: era preciso também enfatizar os interesses e o caráter do local no qual a nova revista estava sendo produzida. E à seà t ata doà deà u aà olet eaà e idio al ,à a história das regiões meridionais (o sul da França e adjacências) deveria encontrar aí o merecido destaque.

A análise das formas de classificação explicitadas na tábua de matéria da REA aponta para a medida com que os temas mais u ive sais àseàarticulavam nela com os particulares .à No item Articles de Fond, por exemplo, instituiu-se desde o início a tripartição Orient Grec, Monde Latin e Antiquités Nationales, sendo a terceira seção aquela na qual se integravam as temáticas clássicas e regionais. Similar divisão se impôs ainda, embora posteriormente, ao item Bibliographie1. Além do mais, foram igualmente criados um item reservado às crônicas, onde se discutiram os mais variados temas, e o Bulletin Hispanique, o qual acompanhou a revista em seus três primeiros anos de vida2. Por fim, é importante sublinhar que a nova revista incorporou todo o aparato técnico necessário às grandes discussões arqueológicas, epigráficas e filológicas do período, instituindo desde 1899 seções específicas nas quais poderiam ser impressos desenhos, fotos e mapas indispensáveis ao bom entendimento de seus artigos.

1 Isso porque foi apenas em 1911 que as resenhas pararam de ser dispostas em um bloco único para

conhecerem o seguinte arranjo: 1) Orient Grec, 2) Monde Latin, 3) Préhistoire et Antiquités Nationales e 4) Antiquités Chrétiennes. Ainda assim, se comparados aos Articles de Fond, a Bibliographie teve uma estrutura mais instável. Entre 1911 e 1920, novos domínios foram criados (Ethnographie et Linguistique em 1919), bem como os antigos sofreram variações – assim, ao invés de Antiquités Chrétiennes, surgem

Monde Chrétien et Bizantin (1915) e Monde Chrétien et Arabe (1920). Isso sem mencionar os volumes

em que certas seções ou não aparecem ou não são mantidas.

2 O Bulletin Hispanique permanece integrado à REA até 1901. Em 1902 ele ganha estatuto de seção nos

Articles de Fond, desaparecendo no ano seguinte. Sua criação é fruto tanto da importância das

descobertas arqueológicas na Espanha, como do papel de Bordeaux e da equipe da REA em tal domínio (com destaque para Pierre Paris). Não por acaso, o Bulletin Hispanique tornou-se nesses mesmos anos um periódico independente (e, como a REA, até hoje existente).

162 Tal estruturação sugere que a equipe envolvida com a REA se esforçava para produzir certa diferença, algo como uma marca registrada, em um cenário ainda bastante restrito de publicações. Cientificamente, seus integrantes se valeram da formação de antiquisants de que dispunham para relacioná-la a questões regionais e, a partir daí, nacionais (isso enquanto as outras revistas tendiam a valorizar os grandes temas universais, dos quais decorrem a própria ideia de legado greco-latino). Institucionalmente, eles se esforçaram por promover alianças com as mais diversas forças regionais. Assim, a editoração provincial foi mantida com a criação da REA (ainda por intermédio de Feret et Fils), o mesmo valendo para muitos de seus patrocionadores (as faculdades provinciais, o Conseil Général de la Gironde e o Conseil Municipal de Bordeaux). Já quanto aos colaboradores, como será visto adiante, destacam-se tanto professores de província quanto diversas modalidades de eruditos locais.

Similar investimento não poderia se sustentar sem a dedicação e o espírito combativo das pessoas que o empreenderam. Michel Clerc, Henri de la Ville de Mirmont, Pierre Paris, Camille Jullian e Georges Radet, tal como os integrantes de certas vanguardas artísticas e científicas do período (entre elas a dos sociólogos), viram-se impelidos a concentrar sua presença nos espaços criados por eles (RUM e REA), saindo de lá apenas eventualmente e, em geral, para fortalecer sua posição ignorar grupo.

Um dado capaz de confirmar a pertinência da caracterização de tais indivíduos como equipe ou grupo provém dos números absoluto e relativo de artigos publicados por eles no conjunto das revistas dedicadas aos estudos greco-latinos3. Entre 1895 e 1898, Clerc, de la Ville de Mirmont, Paris e Jullian atuaram exclusivamente na RUM. Juntos, eles contribuíram com seis artigos, 20% de tudo o que foi nela publicado. A exceção que confirma a regra é Radet. Ele publicou nesses mesmos quatro anos um só artigo no BCH, o equivalente a 1,02% de toda a produção deste periódico. Em compensação, ele foi o de longe maior colaborador da RUM, publicando sozinho o mesmo número de artigos que todos os seus colegas. Desse modo, como grupo/equipe, os cinco antiquisants foram responsáveis por nada menos que 40% da produção da RUM.

Para o intervalo seguinte, situado entre 1899 e 1920, no qual a RUM transformou-se em REA, constata-se uma tendência similar. De la Ville de Mirmont, Clerc e Radet publicaram um total de quatro artigos na REG, os quais, somados, totalizam pouco mais de 1% da produção deste periódico para o referido período. Em compensação, ao lado de Jullian e de Paris, eles redigiram cento e vinte e um artigos na REA, totalizando 21,17% de tudo o que nela

3 Por certo, a produção desses autores não se resumiu a artigos científicos, pois, sobretudo na RUM e na

163 foi publicado. O destaque nesse caso é Jullian, o qual produziu setenta textos, mais da metade do saldo total do grupo.

Embora os dados acima dispostos – associados ao fato de serem os pesquisadores aos quais eles se referem todos jovens, formados nas melhores escolas francesas e professores de universidades provinciais – permitam falar de um grupo, eles pouco ou nada esclarecem sobre como tal associação foi possível. Afinal, existiam outros indivíduos com perfis parecidos e que, no entanto, não aderiram institucional e cientificamente ao mesmo projeto editorial. Para responder a tal questão, antes mesmo de aprofundar a análise da revista, é preciso resgatar e confrontar as biografias de seus principais animadores, problematizando em que medida elas apontam para a aquisição de certas disposições comuns.

O

GRUPO ANTES DO GRUPO

I(

UMA FORMAÇÃO DE ELITE

)

Ao se comparar as trajetórias dos membros da equipe inicial da REA, o local e a data de seus nascimentos são elementos que se destacam. Todos eram, afinal, de origem provincial e nascidos em fins da década de 1850. Mas se a data foi um provável fator de união, permitindo caracterizá-los como pertencentes a uma mesma ge aç o ,àoà es oàj à oàpodeàse àditoàdoà local. O fato é que eles provinham de regiões distantes umas das outras: Georges Radet nasceu no nordeste da França (Chesley, Champagne-Ardenne); Michel Clerc, no leste (Chalon- sur-Saône, Bourgogne); Henri de la Ville de Mirmont, no sudoeste (Bordeaux, Aquitaine); Pierre Paris, no sul (Rodez, Midi-Pyrénées); Camille Jullian, por fim, no sudeste (Marselha, Provence-Alpes-Côte dázu .à“o e-se a isso uma significativa diversidade de origens sociais: dentre os três indivíduos cuja profissão paterna foi identificada há um filho de banqueiro (Jullian), um filho de pequeno funcionário público (Radet) e um descendente da nobreza togada (de la Ville de Mirmont).

Ainda assim, havia um fator capaz de nuançar as eventuais diferenças preexistentes entre eles, transformando-as até em força adicional de integração: a passagem pela École Normale Supérieure (ENS). É difícil avançar quaisquer hipóteses sobre a constituição das elites letradas francesas ao longo dos séculos XIX e XX sem considerar tal instituição, espaço de treinamento ao mesmo tempo social e intelectual. Sua principal marca distintiva, acentuada no decorrer da Terceira República, era o vínculo com o Estado, do qual os alunos eram considerados funcionários. Além do mais, contrastando com uma Universidade onde deveriam encontrar acolhida todos os que desejassem levar seus estudos ao nível superior, a ENS e as demais Grandes Écoles (a École des Chartes, a École Polytechnique, a École des Mines, entre outras) promoviam anualmente concursos de ingresso com alto grau de dificuldade e para um

164 número muito reduzido de vagas. A contrapartida das dificuldades vinha na forma de significativas compensações, sejam elas de ordem material (como, por exemplo, o fato dos anos de estudo contarem para o tempo de aposentadoria), ou de ordem intelectual (os professores da ENS estarem invariavelmente entre os mais conceituados de suas respectivas áreas).

Outra importante vantagem dos normalianos provinha dos vínculos estabelecidos entre eles ao longo dos três anos que lá passavam. Apesar de a ENS ser uma das principais instituições auto izadasàaà disti gui àalgu à o mundo dos estudos literários franceses, ela integrava os membros das elites em um momento de relativa indistinção (o período da juventude). Assim, a despeito do passado e do futuro de cada aluno, esse era o lugar no qual afloravam entre eles solidariedades e conflitos cuja influência tendia a se perpetuar. Dito de outro modo: saber se colocar aí diante dos potenciais concorrentes e daqueles que se ocupariam mais tarde das mais distintas atribuições no seio da sociedade francesa poderia fazer toda a diferença na hora de viabilizar uma carreira, seja ela científica, literária ou burocrática4.

O primeiro contato entre os fundadores da REA seguramente se deu em tal ambiente. Todos, sem exceção, viveram a mesma experiência de deixar suas províncias de origem ou para se prepararem para o concurso da ENS nos mais renomados liceus de Paris (sobretudo Louis-le-Grand) ou para lá ingressarem diretamente. Três deles – Michel Clerc, Henri de la Ville de Mirmont e Camille Jullian – foram aceitos ao mesmo tempo, integrando a promoção de letras de 1877. Dois anos depois, na mesma promoção de Durkheim, entrou Pierre Paris. Georges Radet, por seu turno, foi o último a ser admitido, em 1881. Se é difícil precisar o grau e a intensidade das relações estabelecidas entre eles no período de preparação para o concurso de admissão e na própria ENS, não há dúvidas de que, direta ou indiretamente, eles passaram a se conhecer.

4 Ao analisar o estado do sistema de ensino francês em fins da década de 1960, Pierre Bourdieu insistiu

no fato de a École Normale Supérieure proporcionar uma chave privilegiada tanto para o domínio da i iaà pu a à espaço deàu à apitalàp op ia e teài tele tual ,à ua toàpa aàosàdaà i iaà apli ada àeà da arte (nos quais se destacam ora um capital de relações sociais, ora outras modalidades específicas de capital). O poder dos grandes normalianos consiste, assim, na capacidade de fazer convergir, independente do teor de seus investimentos, capitais de naturezas diferentes. Eles conhecem os integrantes das elites e estão familiarizados com as diversas ocupações que as caracterizam (BOURDIEU, 1984: 55-167). Jean-Pierre Faguer, estudando o sistema educacional francês nas décadas de 1950 e 1960, sublinhou ainda a importância dos cursos preparatórios para a ENS (os khâgnes e hypokhâgnes) como antecipação desse processo de acumulação de capitais (FAGUER, 1995). Embora tais resultados remetam a um período posterior ao aqui analisado, parece-me que eles revelam certas invariantes estruturais que acompanham o sistema de ensino francês desde os primórdios da Terceira República. Indicações nessa direção podem ser igualmente encontradas nos trabalhos de Fritz Ringer sobre os sistemas educacionais europeus (em particular, RINGER, 1992: 55-75).

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Benzer Belgeler