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3 ĠSTANBUL BOĞAZI'NIN HĠDRODĠNAMĠĞĠ

3.2 Ġstanbul Boğazı Ġklimi

3.2.3 Akıntı DavranıĢ Analizi

Apesar das perdas populacionais registradas no Nordeste, e na Bahia em especial, os estoques demográficos aumentaram significativamente na segunda metade do século XX. Em 1940, como vimos, eram apenas 76 municípios baianos com mais de 20 mil habitantes. Em 1960 e em 1980 (FIGURA 19) esse número aumentou significativamente, tanto em quantidade como em volume de população residente. Mesmo que quatro municípios do rol de 1940 tenham saído da lista, os dados de 1960 registravam a presença de 114municípios com mais de 20 mil habitantes, portanto 34 novos integrantes. Nos 20 anos seguintes, no período 1960/80 esses municípios continuaram a evoluir positivamente ou repetiram o comportamento anteriormente explicitado, isto é, continuaram perdendo muita população a despeito de terem sustentado um crescimento vegetativo expressivo e significativo incremento da urbanização?

No período 1960 e 1980 as alterações parecem ter sido distintas das do período anterior: as perdas de população foram expressivas, mas, curiosamente dos 114 municípios assinalados nos Anexos 8 e 9, exatamente a metade deles, 57, é número que equivale aos municípios perdedores e ganhadores. De fato, 57 municípios perderam em 20 anos um total de 674.225 pessoas enquanto os outros 57 ganharam 1.863.117 novos residentes. Nesse último número, o município de Salvador sozinho agregou 846.278 novos habitantes, ou seja, 45% do total supracitado. Depreende-se

175 que, mesmo excluindo a Capital da análise, o volume de crescimento populacional entre 1960 e 1980 superou o volume de perdas (em 342.614 pessoas).

Figura 19 - Municípios baianos com população superior a 20 mil hab - 1980 Fonte IBGE, 1980.

No que tange ao processo de metropolização do RB, liderado por Salvador, se comparada com as grandes metrópoles brasileiras o crescimento foi muito alto, 4,2%

176 ao ano, bem superior à média de crescimento da população brasileira no século XX (um dos mais altos do mundo). Esse foi o período em que o fenômeno da metropolização ganhou forte expressão no Brasil e não é por outra razão que em 1974 foram instituídas as nove primeiras regiões metropolitanas. É provável que estivesse em consolidação o processo de macrocefalia urbana em torno de Salvador como sugeriam alguns autores brasileiros, a exemplo de Milton Santos. Por outro lado, convém salientar que outros trabalhos detalham melhor o processo de forte concentração de pessoas e atividades econômicas nas principais metrópoles do país, mas que teria alcançado seu vórtice em 1980. No que tange a Salvador, os dados irão demonstrar que a metrópole baiana ainda conviveu com alto nível de concentração demográfica até 1991, e só a partir de então seu crescimento passou a experimentar significativo arrefecimento.

Tal como nas décadas anteriores, é seguro dizer que Salvador atraía um contingente muito grande de migrantes do interior baiano, nos moldes clássicos da migração por etapas (RAVENSTEIN, 1980). O dado novo do período é a afirmação e o surgimento de centros urbanos de porte intermediário que firmavam posição proeminente na rede de cidades do estado a exemplo de Feira de Santana, Camaçari, Paulo Afonso e Vitória da Conquista. Cidades médias tradicionalmente conhecidas como Juazeiro, Bom Jesus da Lapa, Irecê, Itabuna, Ilhéus e Jacobina ainda brilhavam na constelação de polos urbanos entre 1960-1980 e a resiliência de processos inerciais de conteúdo histórico e cultural podem explicar parte da luminosidade desses centros urbanos. A perda populacional de 674.225, não obstante as emancipações que ocorreram, é menos contundente que a do período anterior. Certamente os investimentos da SUDENE, as grandes obras de infraestrutura e o próprio dinamismo de Salvador influíram no menor grau de perdas da Bahia para as demais Unidades da Federação, mesmo que o êxodo rural do Semiárido continuasse expressivo.

Um grupo de municípios da rede de cidades chegou a 1980 com estoques de população expressivos (mais de 50 mil habitantes) e não sofreu perdas continuadas67 por emigração entre 1960 e 1980. Os 22 municípios que comparecem nesse rol, afora Salvador, são: Feira de Santana, Juazeiro, Camaçari, Bom Jesus da Lapa, Paulo

67 A referência a “perdas continuadas” é necessária quando se efetua a análise de intervalos temporais

de 20 anos. Perdas por emigração em um dos três censos podem ser compensadas por ganhos no censo subsequente resultantes da imigração líquida, da migração de retorno, do aumento do crescimento vegetativo ou do saldo migratório ligeiramente positivo.

177 Afonso, Irecê, Itabuna, Senhor do Bonfim, Jacobina, Vitória da Conquista, Ilhéus, Alagoinhas, Valença, Ipirá, Campo Formoso, Euclides da Cunha, Santo Antônio de Jesus, Barra, Riachão do Jacuípe, Castro Alves, Jequié e Serrinha (FIGURA 19).

A hipótese de maturação de uma rede urbana tardia no estado da Bahia, vis-à- vis a macrocefalia urbano-metropolitana de Salvador, pode ser examinada pela simples contabilização do número de municípios que viveram a transição urbana entre 1960-1980 no rol dos que não perderam população. Considerando que a noção de transição urbana se faz acompanhar da situação domiciliar urbana majoritária, ou seja, quanto maior o Grau de Urbanização (GU) mais completa estará a transição urbana, cabe averiguar quantos municípios no rol dos 57 evoluíram para um GU superior a 50%. Os dados são claros e indicam que em 1980 a maioria dos municípios mais proeminentes da rede urbana baiana ainda eram rurais. Menos de 46% deles, isto é, 26 dos 57 municípios aqui estratificados possuíam populações residindo predominantemente em áreas urbana. Se o número de municípios rurais com população expressiva (acima de 50 mil habitantes) e que não perderam população no período de 1960/1980 for significativo isso reforça não só a hipótese de transição urbana tardia, assim como crescimento vegetativo elevado.

Foram 11 os municípios com mais de 50 mil habitantes que se mantiveram dominantemente rurais em 1980. Dentre estes, dez estão presentes na listagem dos 22 que não sofreram perdas continuadas de população, a exceção digna de nota é Xique-xique. Em outras palavras, dos 22 principais municípios da rede de cidades da Bahia em 1980 (excluído Salvador) que sustentaram taxas positivas de crescimento entre 1960 e 1980 quase a metade deles (10) ainda exibia populações domiciliadas predominantemente em áreas rurais. É provável que esses municípios possuam uma vocação agro rural que não convém ser ignorada porquanto no período em foco o GU da maioria deles evoluiu relativamente pouco. Estudos mais detalhados podem explicar melhor essa evidência, especialmente se forem correlacionados com suas condições edáficas e bioclimáticas.

Os dados apontam que o adensamento e maturação da rede urbana da Bahia, tal qual é conceituada nos estudos contemporâneos, parece ser recente e tardio se comparados com as redes urbanas dos estados do Sudeste. Tudo indica que nas proximidades do ano de 1991 (data de levantamento censitário) a rede de cidades da Bahia começou a ganhar mais densidade como sugerem os pontos de inflexão do

178 crescimento das populações dos principais municípios (como se verá em seguida) e relatam saturação da expansão urbana de Salvador.

De outra parte, conviria apontar quais os principais protagonistas da rede urbana em 1980, dada a dinâmica de crescimento entre 1960-1980. Tendo em vista o volume de população que acumularam no período (notadamente nas suas áreas urbanas), foram apenas nove os municípios que se destacaram: Feira de Santana, Juazeiro, Camaçari, Paulo Afonso, Itabuna, Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista, Ilhéus e Alagoinhas, como se constata na Tabela 18.

Tabela 18 - População total e urbana dos 20 principais municípios com mais de 20 mil habitantes em 1960 segundo maiores ganhos na variação de estoque, por situação domiciliar e grau de urbanização - (1960 a 1980)

Municípios

População Recenseada Variação

Bruta Total

1960 1970 1980

Total Urbana G.U. Total Urbana G.U. Total Urbana G.U.

Recôncavo e Faixa Litorânea

Salvador 655.735 638.592 97,4 1.007.195 1.004.673 99,75 1.502.013 1.499.613 99,84 846.278 Valença 40.186 17.862 44,4 48.038 21.321 44,38 66.277 31.799 47,98 26.091 Itabuna 118.417 67.687 57,2 112.721 94.827 84,13 153.339 137.724 89,82 34.922 Ilhéus 104.429 56.936 54,5 107.971 66.046 61,17 131.456 80.831 61,49 27.027 Alcobaça 21.930 3.408 15,5 32.323 4.018 12,43 40.212 4.532 11,27 18.282 Camaçari 21.849 10.031 45,9 33.273 20.137 60,52 89.164 76.123 85,37 67.315 Interior Sertanejo Vitória da Conquista 143.486 53.429 37,2 125.573 84.053 66,94 170.619 127.512 74,73 27.133 Feira de Santana 141.757 69.884 49,3 187.290 131.720 70,33 291.506 233.631 80,15 149.749 Alagoinhas 75.422 42.571 56,4 77.963 56.062 71,91 102.166 79.688 78,00 26.744 Jacobina 75.214 19.992 26,6 76.519 25.307 33,07 103.967 36.185 34,80 28.753 Ipirá 48.422 4.207 8,7 56.860 6.640 11,68 69.756 12.598 18,06 21.334 Irecê 43.686 10.748 24,6 62.313 19.199 30,81 87.922 37.435 42,58 44.236 Juazeiro 40.742 23.855 58,6 61.648 39.083 63,40 118.175 64.323 54,43 77.433 Campo Formoso 35.926 5.833 16,2 37.263 5.483 14,71 56.692 11.126 19,63 20.766 Senhor do Bonfim 34.498 17.522 50,8 46.665 25.806 55,30 63.834 39.702 62,20 29.336 Euclides da Cunha 31.983 5.213 16,3 41.588 6.418 15,43 50.400 10.023 19,89 18.417 Paulo Afonso 25.259 19.499 77,2 46.126 38.346 83,13 71.137 61.965 87,11 45.878

Bom Jesus da Lapa 23.234 8.338 35,9 40.776 15.531 38,09 69.192 24.344 35,18 45.958

Xique-xique 22.589 7.409 32,8 30.879 12.873 41,69 42.321 20.441 48,30 19.732

Sta. Maria da Vitória 20.715 3.957 19,1 31.216 7.740 24,79 38.759 17.262 44,54 18.044 Total 1.725.479 1.086.973 62,99 2.264.200 1.685.283 74,43 3.318.907 2.606.857 78,54 1.593.428 Fonte: Censos demográficos, 1960, 1970 e 1980.

No ano de 1960 o estado da Bahia possuía 332 cidades (sedes municipais), que somavam 2.083.716 habitantes - 35% da população do estado. Embora a Bahia apresentasse baixa taxa de urbanização, o número de cidades com população entre 5.001 e 10 mil habitantes havia se ampliado consideravelmente em relação às décadas anteriores, chegando a 26 localidades, em contraste com as 18 cidades que se encontravam nessa faixa na década passada (SILVA e SILVA 1989, p. 204-205). Também se ampliou o número de unidades em praticamente todas as faixas

179 hierárquicas: já existiam, por exemplo, 16 cidades na faixa entre 10.001 e 20.000 hab. Salvador, por sua vez, passou a marca dos 500 mil habitantes, mantendo sua grande amplitude demográfica em relação ao restante do estado, com mais de 30% da população urbana.

Ao observar a posição das cidades mais populosas da Bahia entre 1950 e 1960, percebe-se que houve pouca alteração na hierarquia urbana desses centros. Salvador e Feira de Santana continuaram sendo as localidades mais importantes do estado, mesmo fazendo parte de grupos diferentes (Salvador se situava na faixa hierárquica de cidades com população superior a 500.000 e Feira de Santana, naquela que se situava entre 50.001 e 100.000 hab.). As demais, com exceção de Paulo Afonso e Candeias, já apareciam no grupo de localidades de maior centralidade desde décadas passadas, ou seja, as mudanças ocorreram mais com as unidades já situadas dentro do grupo. Itabuna e Vitória da Conquista assumem as posições de Ilhéus e Alagoinhas, que aparecem posicionadas atrás daquelas, como se pode observar na Tabela 19.

Tabela 19 - Cidades baianas com população ≥ 10 mil hab. - 1960

Cidades População (%) Salvador 630.878 32,0 Feira de Santana 61.612 2,9 Itabuna 54.268 2,6 Vitoria da Conquista 46.778 2,2 Ilhéus 45.712 2,1 Jequié 40.158 1,9 Alagoinhas 38.246 1,8 Juazeiro 21.196 1,0 Paulo Afonso 19.499 0,9 Itapetinga 17.646 0,8 Santo Amaro 17.226 0,8 Valença 17.137 0,8

Santo Antônio de Jesus 14.902 0,7

Nazaré 14.644 0,7 Senhor do Bonfim 13.958 0,6 Ipiaú 13.164 0,6 Ibicaraí 13.155 0,6 Maragogipe 12.575 0,6 Candeias 12.500 0,6 Jacobina 12.373 0,6 Cruz das Almas 12.190 0,6 Cachoeira 11.415 0,5 Serrinha 10.284 0,5 Canavieiras 10.264 0,5

Bahia 2.083.716 -

180 De acordo com os resultados do censo, percebe-se que a maioria das cidades empurradas para as últimas posições (entre as mais populosas) se situam no Recôncavo tradicional. Cachoeira, a mais importante vila do RB no século XVIII, aparece em penúltima posição hierárquica, com 0,5% da população urbana do estado. Em relação à quantidade de estabelecimentos varejistas, ela aparece na 20ª posição. Já Maragogipe, que saiu do grupo em 1950, retornaria em 1960.

Como recém mencionado, aparecem na lista das cidades mais importantes década de 1960 as localidades de Paulo Afonso, que se emancipou do município de Glória dois anos antes da realização do censo de 1960. Esse processo foi reflexo da criação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – CHESF - em 1948, que impulsionou a chegada de migrantes para o trabalho de construção da usina e depois, para a operação do complexo hidrelétrico. Já Candeias, que se emancipou de Salvador também em 1958, tem seu crescimento atrelado ao fato de sediar, juntamente com Simões Filho, o Centro Industrial de Aratu, complexo fundado na década de 1960. O destaque de Paulo Afonso e Candeias no sistema urbano baiano em 1960 reflete a política implementada pelos governos após 1930, apresentada anteriormente, que objetivava industrializar o interior do Brasil e integrá-lo às cidades cabeças da rede urbana brasileira.

O censo do ano de 1970 registrou o maior incremento populacional da Bahia em toda a sua história. A população deu um salto entre 1960 e 1970: de 5.990.605 para 7.583.140 habitantes. O incremento nesse decênio foi de 26,39%, ou seja, o estado ganhou em termos populacionais, 1.592.535 habitantes. Nesse censo, 23 cidades baianas apresentaram população urbana superior a 15.000 habitantes.

Na referida década, a Bahia apresentava pequeno dinamismo econômico, no entanto a exploração do petróleo e a atuação da SUDENE, com a instalação de indústrias em algumas cidades, contribuíram para acelerar o crescimento do estado. Esses investimentos ocorreram nas principais cidades, que consolidaram seu papel na região onde estavam inseridas, no topo da hierarquia urbana regional. Como se pode observar na Tabela 20, estes centros são também os de maior dinamismo demográfico.

As dez cidades mais populosas em 1960 continuaram no mesmo grupo em 1970. Jequié e Paulo Afonso subiram uma posição na hierarquia dos centros (saltando de 6º para 5º e de 9º para 8º lugar, respectivamente), ao passo que Ilhéus e Juazeiro

181 desceram um nível. No grupo restante, composto por centros com população entre 15.000 e 30.000 mil habitantes, as mudanças foram maiores. Passaram a fazer parte da faixa hierárquica Itaberaba e Brumado, ambas importantes centros comerciais de uma extensa região de pecuária, sendo que Brumado ampliou sua função no contexto regional e nacional por causa da atividade de extração do minério em seu território.

Tabela 20 - Cidades baianas com população ≥ 15 mil hab. - 1970 Municípios População Salvador 1.017.591 Feira de Santana 129.472 Itabuna 91.202 Vitoria da Conquista 83.814 Jequié 62.998 Ilhéus 59.251 Alagoinhas 54.671 Paulo Afonso 38.802 Juazeiro 36.409 Itapetinga 30.957 Candeias 26.235 Senhor do Bonfim 21.741 Santo Antônio de Jesus 21.500

Valença 21.018

Santo Amaro 20.877

Jacobina 19.211

Ipiaú 18.738

Cruz das Almas 17.371

Serrinha 16.973 Nazaré 16.496 Itaberaba 16.335 Brumado 15.602 Ibicaraí 15.493 Bahia 3.140.407

Fonte: Censo Demográfico, IBGE.

Ainda explorando a posição hierárquica dos principais centros da Bahia, o censo de 1970 revelou que Candeias e Senhor do Bomfim melhoraram suas posições na rede. A projeção da primeira refletiu a consolidação da atividade industrial vinculada ao petróleo e Senhor do Bonfim manteve a centralidade adquirida do princípio do século XX, em função da EFBS e da Ferrovia da Grota. Confirmando a tendência identificada nas primeiras décadas do referido século, Valença, Santo Amaro e Nazaré, embora continuassem entre as cidades mais populosas do estado, perderam posicionamento na hierarquia urbana e, pela primeira vez desde o início da contagem regular da população brasileira, Cachoeira deixa de aparecer no grupo das cidades baianas mais populosas.

182 Os dados divulgados pelo censo de 1970 confirmaram o início da crise cacaueira no sul do estado. Se comparadas aos censos anteriores, Ilhéus, Ipiaú, Ibicaraí - cidades nodais na zona do cacau - deixaram de ampliar suas interações no espaço interno, com a queda na posição hierárquica dos centros. Nesse grupo, duas cidades, Itabuna e Canavieiras, situavam-se em posições opostas. Itabuna, consolida- se como terceira cidade mais importante do estado - e para tal desfecho teve peso decisivo o fato de a BR 101 bordear seu território - e Canavieiras deixa de estar entre as localidades mais populosas da Bahia.

Benzer Belgeler